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Nossa poesia é um podcast com o intuito de divulgar obras da poesia em domínio público.

Nossa Poesia Poesias

    • Artes
    • 5,0 • 1 avaliação

Nossa poesia é um podcast com o intuito de divulgar obras da poesia em domínio público.

    Vaidade de Florbela Espanca

    Vaidade de Florbela Espanca

    Vaidade de Florbela Espanca declamado por Gus

    Sonho que sou a Poetisa eleita,

    Aquela que diz tudo e tudo sabe,

    Que tem a inspiração pura e perfeita,

    Que reúne num verso a imensidade!

    Sonho que um verso meu tem claridade

    Para encher todo o mundo! E que deleita

    Mesmo aqueles que morrem de saudade!

    Mesmo os de alma profunda e insatisfeita!

    Sonho que sou Alguém cá neste mundo...

    Aquela de saber vasto e profundo,

    Aos pés de quem a terra anda curvada!

    E quando mais no céu eu vou sonhando,

    E quando mais no alto ando voando,

    Acordo do meu sonho... E não sou nada!...

    • 1m
    Presságio de Fernando Pessoa

    Presságio de Fernando Pessoa

    Presságio de Fernando Pessoa declamado por Gus

    O amor, quando se revela,

    Não se sabe revelar.

    Sabe bem olhar pra ela,

    Mas não lhe sabe falar.

    Quem quer dizer o que sente

    Não sabe o que há de dizer.

    Fala: parece que mente…

    Cala: parece esquecer…

    Ah, mas se ela adivinhasse,

    Se pudesse ouvir o olhar,

    E se um olhar lhe bastasse

    Pra saber que a estão a amar!

    Mas quem sente muito, cala;

    Quem quer dizer quanto sente

    Fica sem alma nem fala,

    Fica só, inteiramente!

    Mas se isto puder contar-lhe

    O que não lhe ouso contar,

    Já não terei que falar-lhe

    Porque lhe estou a falar…

    • 1m
    Só de Olavo Bilac

    Só de Olavo Bilac

    Só de Olavo Bilac declamado por Mell

    Este, que um deus cruel arremessou à vida,

    Marcando-o com o sinal da sua maldição,

    Este desabrochou como a erva má, nascida

    Apenas para aos pés ser calcada no chão.

    De motejo em motejo arrasta a alma ferida...

    Sem constância no amor, dentro do coração

    Sente, crespa, crescer a selva retorcida

    Dos pensamentos maus, filhos da solidão.

    Longos dias sem sol! noites de eterno luto!

    Alma cega, perdida à toa no caminho!

    Roto casco de nau, desprezado no mar!

    E, árvore, acabará sem nunca dar um fruto;

    E, homem, há de morrer como viveu: sozinho!

    Sem ar! sem luz! sem Deus! sem fé! sem pão! sem lar!

    • 1m
    O guardador de rebanhos - Fernando pessoa

    O guardador de rebanhos - Fernando pessoa

    O guardador de rebanhos de Fernando pessoa declamado por Gus

    Eu nunca guardei rebanhos,

    Mas é como se os guardasse.

    Minha alma é como um pastor,

    Conhece o vento e o sol

    E anda pela mão das Estações

    A seguir e a olhar.

    Toda a paz da Natureza sem gente

    Vem sentar-se a meu lado.

    Mas eu fico triste como um pôr de sol

    Para a nossa imaginação,

    Quando esfria no fundo da planície

    E se sente a noite entrada

    Como uma borboleta pela janela.

    Mas a minha tristeza é sossego

    Porque é natural e justa

    E é o que deve estar na alma

    Quando já pensa que existe

    E as mãos colhem flores sem ela dar por isso.

    Como um ruído de chocalhos

    Para além da curva da estrada,

    Os meus pensamentos são contentes.

    Só tenho pena de saber que eles são contentes,

    Porque, se o não soubesse,

    Em vez de serem contentes e tristes,

    Seriam alegres e contentes.

    Pensar incomoda como andar à chuva

    Quando o vento cresce e parece que chove mais.

    Não tenho ambições nem desejos

    Ser poeta não é uma ambição minha

    É a minha maneira de estar sozinho.

    E se desejo às vezes

    Por imaginar, ser cordeirinho

    (Ou ser o rebanho todo

    Para andar espalhado por toda a encosta

    A ser muita cousa feliz ao mesmo tempo),

    É só porque sinto o que escrevo ao pôr do sol,

    Ou quando uma nuvem passa a mão por cima da luz

    E corre um silêncio pela erva fora.

    • 2 min
    Egito de Francisca Júlia

    Egito de Francisca Júlia

    Egito de Francisca Júlia declamado por Mell

    No ar pesado, nenhum rumor, o menor grito;

    Nem no chão calvo e seco o mais pequeno adorno;

    Um velho ibe somente arranca um raro piorno

    Que cresce pelos vãos das lájeas de granito.

    A aura branda, que vem do deserto infinito,

    Arrepia, ao de leve, a água do Nilo, em torno.

    Corre o Nilo, a gemer, sob um calor de forno

    Que, em ondas, desce do alto e invade todo o Egito.

    Destacando na luz, agora o vulto absorto

    De um adelo que passa, em caminho da feira,

    Dá mais um tom de mágoa ao vasto quadro morto.

    Bate na areia o sol. E, num sonho tranqüilo,

    Pompeia, ao largo, a alvura uma barca veleira,

    A tremer, a tremer sobre as águas do Nilo.

    • 1m
    Amor que morre de Florbela Espanca

    Amor que morre de Florbela Espanca

    Amor que morre de Florbela Espanca Declamado por Mell

    O nosso amor morreu... Quem o diria!

    Quem o pensara mesmo ao ver-me tonta.

    Ceguinha de te ver, sem ver a conta

    Do tempo que passava, que fugia!

    Bem estava a sentir que ele morria...

    E outro clarão, ao longe, já desponta!

    Um engano que morre... e logo aponta

    A luz doutra miragem fugidia...

    Eu bem sei, meu Amor, que pra viver

    São precisos amores, pra morrer

    E são precisos sonhos pra partir.

    Eu bem sei, meu Amor, que era preciso

    Fazer do amor que parte o claro riso

    Doutro amor impossível que há de vir!

    • 1m

Opiniões de clientes

5,0 de 5
1 avaliação

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julianasevilha ,

Podcast lindo trazendo a doçura da poesia apara nossos dias cinzas

😍😍😍

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