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Toda segunda-feira uma indicação de leitura do professor de literatura Rogério Duarte, secretário-geral da União Brasileira de Escritores. Um estímulo ao conhecimento, reflexão e pensamento crítico. Com produção e apresentação de Breno Zonta.

O Livro da Semana RW Cast - Agência Radioweb

    • Artes
    • 5,0 • 3 avaliações

Toda segunda-feira uma indicação de leitura do professor de literatura Rogério Duarte, secretário-geral da União Brasileira de Escritores. Um estímulo ao conhecimento, reflexão e pensamento crítico. Com produção e apresentação de Breno Zonta.

    Irrespirável: insensibilidade humana nos contos de “Quem tá vivo levanta a mão”

    Irrespirável: insensibilidade humana nos contos de “Quem tá vivo levanta a mão”

    O livro desta semana é a segunda coletânea de contos da escritora paulista Maria Fernanda Elias Maglio. Vencedora do gênero na edição de 2018 do tradicional Prêmio Jabuti, em sua nova obra a autora conta histórias que convocam o leitor a uma experiência de intensa alteridade. Para o professor de literatura Rogério Duarte, nos contos de “Quem tá vivo levanta a mão'', Maglio, que atua como defensora pública do estado de São Paulo, ilumina detalhes brutais da realidade brasileira, para os quais a maioria das pessoas prefere não olhar. Produzir literatura em uma sociedade tão violenta, segundo Duarte, é crucial para encontrar um senso de comunidade humana, que supere a atual indiferença com os outros: “Numa sociedade feita de fantasmagorias, como a nossa, de ideais de beleza, de mercantilização das pessoas e das ideias; num mundo em que a suposta realização do consumo obscurece a necessidade urgente de colocar as pessoas em primeiro lugar, esses contos são urgentes. É preciso abrir os olhos e perceber que as obsessões modernas nos roubaram a atenção que deveríamos dar a quem mais precisa. Não estamos de mãos dadas e precisamos dar as mãos agora”.

    • 4 min
    Os estilhaços de dor da pandemia nos poemas de "Era vida e se quebrou"

    Os estilhaços de dor da pandemia nos poemas de "Era vida e se quebrou"

    A dica de leitura desta semana é um mergulho na experiência poética da professora de língua portuguesa Valéria Paz. No livro “Era vida e se quebrou”, a autora reúne poemas, microcontos de até 50 palavras e nanocontos de até 50 letras. Em todas as formas literárias, dores antigas da autora são atravessadas pelo contexto de enclausuramento da pandemia de Covid-19. Destaca o professor de literatura Rogério Duarte: “Valéria Paz é ácida, irônica e melancólica em frases curtas. Pequenas sentenças de morte em vida, que nos foram dadas em 2020”. Segundo Duarte, também secretário-geral da União Brasileira de Escritores (UBE), emerge da linguagem concisa e intensa do livro um sentimento profundo de perda ou falta. Diante desse confronto, a autora descobre vozes internas ocultas e questiona a capacidade da poesia para capturar os afetos humanos, estilhaçados. “Eu escolhi ‘Era vida e se quebrou’ como livro desta semana porque ainda acredito que é possível catar os cacos por meio da literatura, apesar de tudo”.

    • 4 min
    "Velhos" sem idealizações: trinta histórias de quem está perto da morte

    "Velhos" sem idealizações: trinta histórias de quem está perto da morte

    O tema do livro desta semana é envelhecimento. Afinal, o que conhecemos sobre essa experiência que é tornar-se velho e aproximar-se da finitude? A coletânea de 30 contos breves da escritora carioca Alê Motta, “Velhos”, nos aproxima de algumas respostas. Publicada pela editora Reformatório em 2020, quando a idade avançada recebeu o alerta de “grupo de risco” para Covid-19, a obra tematiza a maturidade sem idealizações. Segundo o professor de literatura Rogério Duarte, Motta representa os velhos como pessoas de carne e osso, que fizeram boas e más escolhas na vida. Metidos em todo tipo de situação, "eles têm vida sexual, lutam por seus direitos e sabem se defender, mas também perdem a memória, se suicidam e são abandonados nos asilos”, resume. Para Duarte, também secretário-geral da União Brasileira de Escritores (UBE), atravessar essas diferentes experiências de velhice, narradas no livro, rompe os limites superficiais do tempo e revela aos leitores uma consciência fundamental: “Os velhos de Alê Motta já existem, eles estão entre nós. Mas eles se transformam em personagens da literatura por causa de um gesto breve, de um pequeno detalhe: eles são os velhos que nós seremos ou que nós já somos”.

    • 3 min
    Decepção política e liberdade amorosa em "A insustentável leveza do ser"

    Decepção política e liberdade amorosa em "A insustentável leveza do ser"

    Entre os maiores escritores do século XX, o autor do livro desta semana é um dos poucos ainda vivos. Hoje aos 92 anos de idade, o tcheco Milan Kundera ficou conhecido por seus romances, especialmente "A insustentável leveza do ser". Publicada em 1983 e reeditada em 2008 no Brasil pela editora Companhia das Letras, a obra é a indicação do professor de literatura Rogério Duarte no episódio desta semana. Em uma Tchecoslováquia soviética acossada pelas revoltas de massa de 1968, conhecidas como o período da "Primavera de Praga", as personagens da história enfrentam desafios políticos e comportamentais que despertam reflexões sobre a natureza do amor e o sentido da existência humana. Sintetiza Duarte: "O romancista critica tanto a restrição da liberdade individual nos países comunistas, quanto a liberdade teatral e consumível das nações capitalistas. (...) De um lado, a opressão política no mundo socialista; de outro, a mercantilização do pensamento crítico nos países capitalistas. O interesse do livro, para mim, está aí: nas contradições daquela geração, que imaginava ter nas mãos a mudança do mundo."

    • 4 min
    “O filósofo no porta-luvas”: entre a filosofia profunda e o cotidiano real

    “O filósofo no porta-luvas”: entre a filosofia profunda e o cotidiano real

    Nesta semana, o professor de literatura e secretário-geral da União Brasileira de Escritores (UBE) Rogério Duarte indica “O filósofo no porta-luvas”, romance do paulistano Juliano Garcia Pessanha. Carregada de ironia, a obra convida o leitor a mergulhar na discussão de temas profundos da filosofia a partir das experiências cotidianas vividas pelo narrador e protagonista da história Frederico e de sua percepção em movimento sobre a realidade. Para Duarte, os textos de Pessanha se destacam porque “combinam a elevação abstrata da reflexão teórica com o cotidiano mais rasteiro, estabelecendo pontos de contato entre esses planos tão diferentes. (...) Uma das linhas de força desse livro é exatamente essa combinação, que resulta em uma prosa fluente; mas densa, sintética e sarcástica, ao mesmo tempo”.

    • 3 min
    É urgente voltar a ser floresta: Eliane Brum na Amazônia centro do mundo

    É urgente voltar a ser floresta: Eliane Brum na Amazônia centro do mundo

    Nesta semana, o professor de literatura Rogério Duarte indica o novo livro da premiada jornalista e escritora Eliane Brum: "Banzeiro Òkòtó: uma viagem à Amazônia centro do mundo". Recém-publicada pela editora Companhia das Letras, a obra combina a imersão pessoal da autora, que em 2017 decidiu se mudar para a região amazônica do município de Altamira no estado do Pará, com uma investigação jornalística crítica, tanto sobre as intervenções humanas para enriquecer com a destruição da maior floresta tropical do planeta, quanto sobre as violências históricas cometidas contra o destino dos resistentes "povos-floresta". Para Duarte, também secretário-geral da União Brasileira de Escritores (UBE), a autora gaúcha se destaca como uma das principais intérpretes do Brasil contemporâneo: "Eliane Brum é de uma clareza feroz. (...) O projeto de se reflorestar vai muito além do autoconhecimento individualista de quem mora na cidade. Eliane Brum se reflorestou porque se percebeu parte integrante de um todo que é muito maior do que ela, um todo do qual ela faz parte. Seu projeto individual se espraiou na imensidão da floresta e se coletivizou."

    • 6 min

Opiniões de clientes

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