3 episódios

Produção dos alunos da Faculdade de Comunicação e Artes da PUC Minas.

Saravá – Rádio Online PUC Minas Alunos da Faculdade de Comunicação e Artes da PUC Minas

    • Música

Produção dos alunos da Faculdade de Comunicação e Artes da PUC Minas.

    Saravá 003 – Orfeu da Conceição

    Saravá 003 – Orfeu da Conceição

    Conheça a peça "Orfeu da Conceição", uma das primeiras obras musicais do poetinha, e o inicio da parceria com Tom Jobim!

    • 22 min
    Saravá 002 – Rosário

    Saravá 002 – Rosário

    O programa tem poesia!!! “Rosário”, a noite da primeira vez do poetinha!!! E a ficha de Adriana Calcanhoto, uma das muitas mulheres que já gravaram as composições de Vinicius de Moraes!







    Rosário



    E eu que era um menino puro
    Não fui perder minha infância
    No mangue daquela carne!
    Dizia que era morena
    Sabendo que era mulata
    Dizia que era donzela
    Nem isso não era ela
    Era uma moça que dava.
    Deixava... mesmo no mar
    Onde se fazia em água
    Onde de um peixe que era
    Em mil se multiplicava
    Onde suas mãos de alga
    Sobre meu corpo boiavam
    Trazendo à tona águas-vivas
    Onde antes não tinha nada.
    Quanto meus olhos não viram
    No céu da areia da praia
    Duas estrelas escuras
    Brilhando entre aquelas duas
    Nebulosas desmanchadas
    E não beberam meus beijos
    Aqueles olhos noturnos
    Luzindo de luz parada
    Na imensa noite da ilha!
    Era minha namorada
    Primeiro nome de amada
    Primeiro chamar de filha...
    Grande filha de uma vaca!
    Como não me seduzia
    Como não me alucinava
    Como deixava, fingindo
    Fingindo que não deixava!
    Aquela noite entre todas
    Que cica os cajus! travavam!
    Como era quieto o sossego
    Cheirando a jasmim-do-cabo!
    Lembro que nem se mexia
    O luar esverdeado
    Lembro que longe, nos Ionges
    Um gramofone tocava
    Lembro dos seus anos vinte
    Junto aos meus quinze deitados
    Sob a luz verde da lua.
    Ergueu a saia de um gesto
    Por sobre a perna dobrada
    Mordendo a carne da mão
    Me olhando sem dizer nada
    Enquanto jazente eu via
    Como uma anêmona na água
    A coisa que se movia
    Ao vento que a farfalhava.
    Toquei-lhe a dura pevide
    Entre o pêlo que a guardava
    Beijando-lhe a coxa fria
    Com gosto de cana brava.
    Senti à pressão do dedo
    Desfazer-se desmanchada
    Como um dedal de segredo
    A pequenina castanha
    Gulosa de ser tocada.
    Era uma dança morena
    Era uma dança mulata
    Era o cheiro de amarugem
    Era a lua cor de prata
    Mas foi só naquela noite!
    Passava dando risada
    Carregando os peitos loucos
    Quem sabe para quem, quem sabe?
    Mas como me seduzia
    A negra visão escrava
    Daquele feixe de águas
    Que sabia ela guardava
    No fundo das coxas frias!
    Mas como me desbragava
    Na areia mole e macia!
    A areia me recebia
    E eu baixinho me entregava
    Com medo que Deus ouvisse
    Os gemidos que não dava!
    Os gemidos que não dava...
    Por amor do que ela dava
    Aos outros de mais idade
    Que a carregaram da ilha
    Para as ruas da cidade
    Meu grande sonho da infância
    Angústia da mocidade.

    in Poemas, sonetos e baladas
    in Antologia Poética
    in Poesia completa e prosa: "O encontro do cotidiano"

    • 14 min
    Saravá 001 – A ficha de Vinícius de Moraes

    Saravá 001 – A ficha de Vinícius de Moraes

    Chega de Saudade! Neste programa você pode conferir a ficha de Vinícius de Moraes, para saber mais sobre a sua vida, e irá conhecer a história de Cacy, a primeira namoradinha do poeta!

    • 13 min

Top podcasts em Música