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  1. A Europa aposta no comércio global para travar a ameaça de Trump

    14 HR AGO

    A Europa aposta no comércio global para travar a ameaça de Trump

    As palavras da presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, no final da ronda negocial encerrada esta semana com o governo indiano, em Nova Deli, ficam para memória futura: a parceria entre a segunda e a quarta maiores economias do mundo é a mãe de todos os acordos, disse Von der Leyen. Ao reduzir ou eliminar tarifas nas trocas comerciais entre estes blocos, cria-se uma lenda de dois gigantes apostados em defender o interesse mútuo através da negociação e do livre comércio. A mensagem, decisiva e clara, dirigia-se aos dois mil milhões de pessoas que na Europa e na Índia vão beneficiar do acordo. Mas dirigia-se também ao inquilino da Casa Branca que se tem empenhado em abolir ou destruir a ordem económica baseada no multilateralismo e no comércio global. Tanto como um interesse económico, o esforço da Europa para fechar processos negociais que duram há décadas envolve outras preocupações. Contra a geopolítica das esferas de influência, a União insiste na bondade do comércio livre com todos. Foi com base neste empenho que fechou o acordo com o Mercosul, que entretanto, os lobbies do Parlamento Europeu trataram de adiar por mais um ano, pelo menos. Foi também com base nessa visão, que conserva a ordem multilateral e global do Mundo, que fechou o acordo com a poderosa Índia. No futuro próximo, as exportações europeias para a Índia, que rondaram os 114 mil milhões de euros, poderão crescer mais 16 mil milhões, de acordo com uma estimativa do Allianz Bank​. Os carros europeus, que pagavam taxas de 110%, passarão a pagar 10% até um limite de 250 mil viaturas exportadas. E Portugal pode beneficiar, entre outras exportações, com a baixa de impostos alfandegários a máquinas e equipamentos ou aos vinhos. O que significa esta aceleração da Europa nas parcerias comerciais com blocos como o Mercosul ou potências emergentes como a Índia? Como situar estes acordos na crescente degradação da relação da Europa com os Estados Unidos? Será que a União Europeia luta por liderar a velha ordem multilateral contra as tentações hegemónicas dos Estados Unidos, China e Rússia? Rita Siza, jornalista e correspondente do PÚBLICO em Bruxelas, acompanha a par e passo a estratégia europeia neste novo mundo multipolarizado e incerto. A Rita tem uma longa carreira no acompanhamento das grandes mudanças tectónicas da política internacional. Antes de ir para Bruxelas, esteve anos em Washington como correspondente deste jornal. See omnystudio.com/listener for privacy information.

    17 min
  2. EUA: “O Estado de Direito é para todos e não apenas para quem votou em Trump”

    1 DAY AGO

    EUA: “O Estado de Direito é para todos e não apenas para quem votou em Trump”

    Renee Good e Alex Pretti foram abatidos por agentes do ICE, a polícia que combate a imigração ilegal e que ocupou o Estado do Minesota, nos EUA. A primeira foi abatida por agentes que alegaram terem sido vítimas de atropelamento e o segundo, um enfermeiro dos cuidados intensivos de um hospital de veteranos, foi morto em suposta legítima defesa. A administração de Donald Trump foi rápida a classificar Renee Good e Alex Pretti como terroristas domésticos, mas os vários vídeos em circulação, e o trabalho dos media, desmentem estas acusações. Não é por acaso que isto acontece no Minesota, que tem sido destino de refugiados desde a Segunda Guerra Mundial, sobretudo a partir da década de 70, quando acolheu milhares de vietnamitas do Sul. Minneapolis não é das cidades dos EUA com mais imigrantes. Mas foi aqui que George Floyd foi asfixiado até à morte por um polícia, dando origem ao movimento Black Lives Matter, e este é o Estado governado por Tim Waltz, o candidato democrata à vice-presidência nas últimas eleições. É sobre tudo isto que iremos conversar com a convidada deste episódio. Daniela Melo, cientista política e professora da Universidade de Boston, nos EUA, fala na militarização das forças de segurança e diz que o “Estado de Direito é para todos e não apenas para quem votou em Donald Trump”. See omnystudio.com/listener for privacy information.

    18 min
  3. Extrema-direita chegou tarde, mas cresceu rápido. Porquê?

    5 DAYS AGO

    Extrema-direita chegou tarde, mas cresceu rápido. Porquê?

    Durante muitos anos, Portugal esteve imune ao crescimento do populismo de extrema-direita, ao contrário do que acontecia em grande parte dos países da União Europeia. Mas bastaram seis anos para que o Chega de André Ventura passasse de um único deputado para segunda força parlamentar, em 2025. Os 60 deputados do Chega abalaram os alicerces do bipartidarismo, dado até aí como garantido. A primeira volta das eleições presidenciais consolidou o peso eleitoral de André Ventura, o segundo candidato mais votado, com uma percentagem de 23,52% que ficou muito à frente do candidato do PSD e do Governo, e que irá disputar a segunda volta com António José Seguro. O Chega combina nativismo, autoritarismo e uma xenofobia específica contra a comunidade cigana e o seu sucesso pode ser atribuído, entre outras causas, à activação de um eleitorado propenso à abstenção, à visibilidade do seu líder e à utilização das redes sociais. É o que defendem vários investigadores, portugueses e estrangeiros, que participam na obra colectiva Chega: The New Portuguese Far Right, publicada, recentemente, pela Routledge. Este livro conclui que a normalização mediática e política do Chega permitiu o seu crescimento entre um eleitorado moderado e atraiu militantes à procura de uma oportunidade na política. O convidado deste episódio é João Carvalho, o coordenador deste livro. Cientista político e investigador do Iscte, João Carvalho tem vindo a estudar os movimentos da extrema-direita europeia. See omnystudio.com/listener for privacy information.

    18 min
  4. O que a Operação Irmandade nos mostrou sobre o extremismo racista e da extrema-direita em Portugal

    6 DAYS AGO

    O que a Operação Irmandade nos mostrou sobre o extremismo racista e da extrema-direita em Portugal

    Em Portugal, a acção de grupos associados a movimentos racistas ou nacionalistas da extrema-direita entrou definitivamente na ordem do dia e no centro da preocupação dos cidadãos e das autoridades. No seu substrato estão os discursos contra imigrantes e estrangeiros, o apego a um nacionalismo excludente e sectário e uma deriva religiosa, em especial contra os muçulmanos, que os situa na categoria dos fundamentalistas. Tudo feito nas cavernas da internet com doses industriais de violência e intimidação Aqui e ali, muitos destes grupos dirigidos por conhecidos militantes da extrema-direita, como Mário Machado, que está de novo na prisão, empenham-se em diversificar o seu programa de acção, que consiste em manifestações em datas relevantes, como o 25 de Abril, que a reportagem da SIC captou. Outras vezes, dedicam-se a agredir imigrantes ou a disseminar discurso de ódio. As autoridades dão conta que esse tipo de crime cresceu sete vezes desde 2019. A actividade destes grupos, não podia deixar de ser acompanhada pelas autoridades. Esta semana, a operação Irmandade mobilizou mais de 300 operacionais em buscas por todo o país e levou à detenção de 37 extremistas e a constituição de arguido de outros 17. Foram apreendidas armas e propaganda à ideologia fascista ou nazi. A prioridade da polícia judiciária é travar o crescimento destas redes. Porque os números trazidos por Luís Neves, director nacional da Polícia Judiciária, são alarmantes. Para avaliarmos o nível desta ameaça à segurança e às liberdades públicas em Portugal, convidámos para este episódio Cátia Moreira de Carvalho, doutorada em Psicologia e investigadora do fenómeno dos extremismos em vários projectos sedeados em universidades portuguesas e europeias. See omnystudio.com/listener for privacy information.

    18 min
  5. Um ano depois, Trump já é o dono da América

    21 JAN

    Um ano depois, Trump já é o dono da América

    Há um ano, quando tomou posse, prometeu uma era dourada para os EUA. Não foi bem o que aconteceu. Donald Trump mudou radicalmente os EUA e a ordem internacional. Estava tudo previsto, ou quase tudo, no chamado Projecto 2025, o guião elaborado pela ultraconservadora Fundação Heritage. A centralização do poder no presidente (em detrimento do congresso), o desmantelamento da administração federal (a substituição de funcionários públicos por fieis funcionários), a instrumentalização do Departamento de Justiça para perseguir os seus inimigos (como o chairman da Reserva Federal, Jerome Powell), o negacionismo na ciência e a abolição do Departamento de Educação, a caça ao imigrante e as deportações em massa, a estigmatização das minorias, o controlo político das universidades ou da liberdade de expressão. A lista de tropelias é longa. Demasiado longa. Mas Trump não quer ser apenas dono da América. Também parece que quer ser dono disto tudo. A nova Estratégia de Segurança Nacional consagra a lei da força e o regresso ao expansionismo do século XIX. A visão imperial de Trump já teve o episódio venezuelano, com o rapto de Nicólas Maduro. Quais serão os próximos? O presidente dos EUA tem pressionado Panamá, Colômbia, Canadá ou Dinamarca. A sua nova exigência é a Gronelândia. Como é que a União Europeia se pode defender do antigo aliado caso este se torne a sua principal ameaça? Neste episódio, Diana Soller, investigadora do Instituto Português de Relações Internacionais da Universidade Nova de Lisbia, faz o balanço de um ano de mandato de Donald Trump. See omnystudio.com/listener for privacy information.

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  6. 8 de Fevereiro, um dia crucial para o futuro da política em Portugal

    20 JAN

    8 de Fevereiro, um dia crucial para o futuro da política em Portugal

    Faltam três semanas para sabermos que vai suceder a Marcelo Rebelo de Sousa em Belém. Quando os resultados de domingo começam a ser digeridos, chega a hora de tentar entender as consequências que a primeira volta pode trazer para a situação política e analisar a correlação de forças entre os candidatos apurados para a escolha final de 8 de Fevereiro, António José Seguro e André Ventura. Numa eleição surpreendente, em que os favoritos ficam em lugares muito abaixo na tabela e o patinho feito da campanha, Seguro vence com uma boa margem, só Ventura foi capaz de conservar a sua posição entre as sondagens e as urnas de voto. O que revela a enorme fidelidade do seu eleitorado. Há questões a ponderar para o futuro. A derrota do candidato do Governo prova que a relação entre o país e o Governo de Luís Montenegro está longe de ser incondicional. A dispersão do eleitorado da AD por Gouveia e Melo e Cotrim Figueiredo é um desafio para os estrategas do Governo. O poder do Governo para influenciar a escolha presidencial foi menos que nula: foi negativa, funcionou ao contrário. E agora, qual a melhor escolha? Numa eleição que, mais do que um clássico esquerda/direita será uma batalha entre um candidato da esfera democrática e um candidato populista que há semanas pedia três Salazares para Portugal, adivinha-se muita paixão e muita incerteza. A ambiguidade de Montenegro, de Cotrim ou de Gouveia e Melo estabelece um padrão que vai ser muitas vezes invocado nos combates que se adivinham. Por esse lado, esta eleição cumpre as suas expectativas: vai ter uma enorme influência no futuro. Vamos discutir o que aconteceu e o que pode vir a acontecer e para esse fim convidámos para este episódio o historiador e cientista político António Costa Pinto, presentemente Investigador Aposentado no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa e Professor Convidado no ISCTE, Lisboa. See omnystudio.com/listener for privacy information.

    18 min
  7. Presidenciais: o discurso da moderação venceu o discurso da polarização

    19 JAN

    Presidenciais: o discurso da moderação venceu o discurso da polarização

    António José Seguro ou André Ventura? Confirmaram-se as previsões. O eleitorado vai escolher um deles como Presidente da República, a 8 de Fevereiro. O primeiro, com 30% dos votos, é o vencedor inesperado destas eleições, após 10 anos longe da vida política e de ter tido um apoio hesitante do seu próprio partido. José Luís Carneiro, líder do PS, pediu a todos os democratas que se unissem numa segunda volta, associando-se a esta vitória. O facto de André Ventura, chegar à segunda volta, com 24% dos votos, significa que o Chega continua a manter um eleitorado fidelizado e permite-lhe dizer que é o novo líder da direita”. João Cotrim, com 15%, foi o terceiro candidato mais votado, reforçando a fragmentação da direita, situando-se à frente de Luís Marques Mendes, que teve 12%, um pouco menos do que a votação de Henrique Gouveia e Melo. Nunca um candidato apoiado pelo PSD ou por um partido do Governo tinha obtido resultados tão baixos. Mendes não quis pronunciar-se sobre quem escolher numa segunda volta. E Luís Montenegro, primeiro-ministro e líder do PSD, também não, com o argumento de que o espaço político do seu partido não estará representado a 8 de Fevereiro. Filipe Teles, cientista político e investigador da Universidade de Aveiro, analisa os resultados da noite eleitoral e explica que a vitória de Seguro foi a vitória da política do normal e da moderação. See omnystudio.com/listener for privacy information.

    19 min

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