O CEO é o limite

O podcast de liderança e carreira do Expresso. Todas as semanas a jornalista Cátia Mateus mostra-lhe quem são, como começaram e o que fizeram para chegar ao topo os gestores portugueses que marcaram o passado, os que dirigem a atualidade e os que prometem moldar o futuro. Histórias inspiradoras, contadas na primeira pessoa, por quem ousa fazer acontecer.

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    Os mais ouvidos de 2026: “Estive 11 dias nos cuidados intensivos, fui submetida a uma craniotomia, estive dois meses internada e estou em reabilitação há largos meses”

    Um AVC aos 44 anos de idade mudou por completo a relação de Joana Ferraz da Costa, administradora da Iberfar, com o trabalho e com o que prioriza na vida. Admite que ignorou vários sinais de alerta e reconhece que há um luto que se faz quando se passa por uma situação de extrema vulnerabilidade, entre a pessoa que fomos e a que ainda poderemos ser. "Tirei o curso de economia e achei que tinha a obrigação de me empregar e provar quem eu era sem ir trabalhar para as empresas da família""Sempre fui ambiciosa e competitiva. Era um orgulho ser convidada para integrar empresas bem conotadas""Fui convidada para dar aulas na Católica a alunos que tinham praticamente a minha idade. No primeiro dia um deles perguntou-me se eu sabia se a professora estava atrasada""A determinada altura abriu uma vaga para um cargo de chefia no departamento em que eu trabalhava e foram contratar fora. Percebi que não ia crescer ali e comecei a procurar alternativas""Quando se chega à empresa da família há sempre o pensamento: "ela está aqui porque é filha do patrão". Não basta um bom currículo para as pessoas nos reconhecerem credibilidade, são precisas ações""O maior risco de trabalhar na empresa da família é o de as decisões poderem colocar em causa as relações. O meu pai é meu chefe, as minhas irmãs minhas colegas""Ter um conflito com um colega de trabalho é muito diferente do que tê-lo com o pai ou a irmã. Nos negócios familiares esse risco é maior""Na empresa não tomamos decisões difíceis no próprio dia. Seguimos o exemplo do meu pai: dormimos sobre o assunto""Moveu-me sempre a vontade de vencer, de construir e também de mostrar. Queria que os meus pais se orgulhassem de mim, das minhas notas, do meu percurso""Sempre fui exigente comigo própria. Tudo o que fazia não chegava e achava sempre que deveria e poderia ter feito mais e melhor. Isto não é mau, mas tem de ter um limite""Tive um AVC com 44 anos. Tinha muito trabalho, muita responsabilidade, mas foi um ritmo que me impus a mim própria. Paguei um preço elevado""O trabalho também vicia. Depois de habituarmos quem nos rodeia a um determinado padrão, sentimos que não as podemos desiludir""Estive 11 dias nos cuidados intensivos, fui submetida a uma craniotomia, estive dois meses internada e estou em reabilitação há largos meses""Antes do AVC verbalizei várias vezes que estava esgotada e ignorei muitos sinais. Chegava do escritório e ficava no carro a acalmar antes de entrar porque não queria que a minha família me visse chegar como eu estava""Gostava de ser eu a fazer as coisas e mesmo quando me falavam em arranjar alguém para ajudar eu achava que eu faria melhor ou que me ia dar muito trabalho a explicar""O AVC deu-me um grande banho de humildade. Eu realmente pensava que era insubstituível e que se não estivesse as coisas iam parar. Percebi que tudo continua" "Hoje penso que é uma arrogância acharmos que sem nós as coisas não funcionam. Não é verdade. Desde que seja planeado, tudo se faz""Há um luto que se faz após um AVC e até começar a ver a vida de outra forma. Não é imediato. Hoje foco-me no que consigo fazer com as sequelas que tenho, porque alguma nunca vão passar""Comecei a perceber que em vez de me lamentar com o que já não consigo fazer, tinha de me focar no que ainda consigo fazer e que adaptações são necessárias para que tenha uma via vida""Não é só o corpo que muda com um AVC é também a nossa identidade. Eu era muito o trabalho que fazia e a função que tinha. A pergunta é: e agora, quem sou eu?""Depois do AVC tive de fazer novamente o exame de condução e vim para casa mais contente por ter passado do que quando tirei a carta""Hoje acho que uma pessoa bem sucedida é aquela que consegue ter as duas componentes da sua vida - a pessoal e a profissional - relativamente equilibradas" See omnystudio.com/listener for privacy information.

    Os mais ouvidos de 2026: “Estive 11 dias nos cuidados intensivos, fui submetida a uma craniotomia, estive dois meses internada e estou em reabilitação há largos meses”
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O podcast de liderança e carreira do Expresso. Todas as semanas a jornalista Cátia Mateus mostra-lhe quem são, como começaram e o que fizeram para chegar ao topo os gestores portugueses que marcaram o passado, os que dirigem a atualidade e os que prometem moldar o futuro. Histórias inspiradoras, contadas na primeira pessoa, por quem ousa fazer acontecer.

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