16 episodes

Um Podcast sobre mulheres na música, papéis, reportórios de luta e resistências...
Autoria,Textos e Edição de Soraia Simões de Andrade,
Ilustração de João Pratas,
Indicativo de Amélia Muge,
Design de Som de A.José Martins ou Paulo Lourenço

Podcast Mural Sonoro Soraia Simões

    • Music

Um Podcast sobre mulheres na música, papéis, reportórios de luta e resistências...
Autoria,Textos e Edição de Soraia Simões de Andrade,
Ilustração de João Pratas,
Indicativo de Amélia Muge,
Design de Som de A.José Martins ou Paulo Lourenço

    Episódio 15 - Ana Bacalhau (intérprete, autora)

    Episódio 15 - Ana Bacalhau (intérprete, autora)

    Cantar os outros em jeito de crónica.

    «Como tive de me apagar um bocadinho no início de Deolinda para a personagem poder viver, senti muitas vezes que as pessoas me confundiam com a personagem. Isso não é justo nem para a personagem nem para mim. As pessoas deviam estar à espera que eu usasse as mesmas roupas que usava em palco e eu comecei a não querer ser um cartoon na cabeça das pessoas. Eu não queria que as pessoas me achassem um cartoon, não é? Então, comecei a sentir necessidade de pôr mais um 'pózinho' de Ana (...). Comecei a sentir que algumas coisas me estavam vedadas, porque eu não tinha a ''imagem certa''. E o que é que era a imagem certa? Quem me procurava achava que a minha imagem não era sofisticada e na altura eu era mais gorda e isso era um problema. Servia aquela personagem, mas não me servia muito bem a mim (...)».

    É com Ana Bacalhau que estou à conversa neste episódio, depois de mais um período de pausa prolongada neste podcast.
    Esta entrevista, gravada há cerca de um ano e agora publicada, mantém (pela temática que subjaz o podcast) a actualidade e insere-se, de igual modo, no primeiro número da revista Mural Sonoro que será publicada no decorrer do mês de Junho.

    Boas audições e leituras.

    Ilustração de João Pratas
    Indicativo de Amélia Muge
    Sonoplastia de Paulo Lourenço
    Música neste episódio: «Desafiar Estereótipos» de Ana Bacalhau
    Autoria, coordenação, investigação, entrevista de Soraia Simões de Andrade

    • 42 min
    Episódio 14 - Joana Gama (pianista, compositora)

    Episódio 14 - Joana Gama (pianista, compositora)

    «Eu estava a ouvir o outro dia a Antena 2, estavam a falar da Guilhermina Surggia (GS), até acho que foi no Dia da mulher, e a GS como o pai era músico ela desde cedo se interessou pela música e pediu para tocar violoncelo, mas ela tinha que tocar violoncelo com o violoncelo de lado porque ficava mal uma menina tocar com as pernas abertas, o que ela tinha que fazer para tocar com uma técnica completamente desproporcionada ao instrumento...»
    «Há muito formalismo ainda no ensino (...) aprendemos sobretudo repertórios de compositores homens»
    Nasceu em Braga no ano 1983. É pianista e tem abraçado como intérprete deste instrumento, em colaborações e parcerias, além da música as áreas da dança, do cinema, do teatro e da fotografia. Já editou, compôs, gravou com autores ou agrupamentos como Luís Fernandes, Ricardo Jacinto ou as integrantes do grupo Sopa de Pedra, entre outr@s.
    Em 2016, com o apoio da Antena2, dedicou-se num projecto de homenagem e celebração aos cento e cinquenta anos do compositor francês Erik Satie do qual resultou mais uma edição discográfica. Em 2017 defendeu a tese de doutoramento Estudos Interpretativos de Música Portuguesa Contemporânea para piano: o caso particular da música evocativa de elementos culturais portugueses na Universidade de Évora.
    É com Joana Gama que estou à conversa neste episódio que marca o regresso deste Podcast depois de um período de recolho com cerca de dois anos em que estive, como explico aqui, dedicada à finalização de outros/as projectos e propostas.

    Ora sejam bem-vind@s novamente!
    Boas audições.

    Autoria, coordenação, investigação, entrevista e texto de Soraia Simões de Andrade
    Ilustração de João Pratas
    Indicativo de Amélia Muge
    Sonoplastia de Paulo Lourenço
    Música neste episódio: «Let Bygones Be Bygones», Joana Gama e Luís Fernandes

    • 30 min
    Episódio 13 - Eugénia Melo e Castro (intérprete, autora)

    Episódio 13 - Eugénia Melo e Castro (intérprete, autora)

    «Eu por exemplo, o meu discurso poético, está bastante alterado desde há um ano, ainda nem havia Bolsonaro no panorama (...) neste momento o que me vem, aquilo que eu estou a escrever agora, e aquilo que eu vou trabalhar daqui para a frente são coisas como eu nunca fiz na vida. É pé na terra. Olhos bem abertos. E abri uma porta dentro de mim para falar de coisas que eu nunca falei na minha vida (...)».
    «(...)Há quem não esteja a reagir, há pessoas que estão paralisadas, há pessoas que estão no medo. Eu acho que o medo não pode existi. A gente tem que parar para pensar e reagir (...)».

    Filha dos escritores E. M. de Melo e Castro e Maria Alberta Menéres, cedo conviveu com poesia. A ligação do pai ao Brasil reflectiu-se também nos discos que trazia, e é aí, na infância, que toma contacto com o trabalho de inúmeros músicos brasileiros, alguns dos quais com que mais tarde acaba por trabalhar.
    Precursora, perseverante, a partir da década de 1980 começa (logo) a intensificar as suas parcerias com alguns dos mais consolidados músicos e autores brasileiros: Tom Jobim, Chico Buarque, Simone, Caetano Veloso, Milton Nascimento são alguns exemplos. Rasga e aproxima fronteiras musicais e culturais. Afirma-se no panorama musical brasileiro, mas mantém a sua residência base em Portugal, onde mais de duas dezenas de discos seus são gravados.
    Acumulou experiências no teatro, com o grupo Ânima (que fundou e onde desenvolveu trabalhos de poesia experimental encenada) e com o grupo de Teatro A Barraca, e participou em filmes de Joaquim Leitão e Djalma Limonge Batista. Em televisão foi autora e produtora musical, compositora e apresentadora.
    No ano de 2007 Eugénia Melo e Castro foi distinguida com o prémio Qualidade Brasil pelo conjunto da sua obra musical, integralmente lançada no Brasil. Em 2008 o seu programa de televisão Atlântico foi considerado um dos 50 melhores programas de televisão em Portugal.
    A literatura e o intercâmbio cultural estabelecido com o Brasil, desde o início da década de oitenta, são um traço forte na sua trajectória.
    É sobre os papéis e resistências que foi assumindo ao longo de já mais de três décadas nesse contexto e a conjuntura política do Brasil em 2018 que estou à conversa com Eugénia Melo e Castro neste episódio.

    Boas audições.

    [Convidada: Eugénia Melo e Castro,
    Autoria,Texto e Edição: Soraia Simões de Andrade,
    Ilustração: João Pratas,
    Design de Som: António José Martins,
    Indicativo: Amélia Muge,
    Canção usada: «Paz», disco Paz de Eugénia Melo e Castro, 2002]

    • 40 min
    Episódio 12 - Maria João (intérprete, autora)

    Episódio 12 - Maria João (intérprete, autora)

    «No colégio inglês sim, no colégio inglês eu senti isso. Eu tinha 10 anos quando fui para lá, saí quando tinha 13 (...) e a minha colega detrás disse para a outra ''ai, a nova é tão feia''. Portanto foi logo assim para começar, estás a ver?. E nos primeiros tempos, imagina o que é que isto faz a uma miúda, para eu me lembrar até agora, é claro que eu sofri bullying, é claro. Mas, eu nunca fui vítima, sabes? Porque eu arranjei uma maneira de dar a volta aquilo (...)».

    «Quando eu comecei (no jazz) não havia quem se dedicasse a 100% e foi uma boa altura, porque era uma altura em que se permitia (às pessoas) mais tempo. Eu tive tempo para me instalar, para crescer um bocadinho, foi-me permitido esse crescimento. Eu acho que agora é mais rápido, é tudo muito mais rápido, tem de se apresentar o produto logo. As pessoas já têm que estar ali acabadas. A arte não está nunca acabada. Nós como músicos não estamos nunca acabados, estamos sempre a percorrer este caminho (...)».

    Iniciou a sua trajectória na música por um acaso, depois do convite de um amigo para ingressar no seu grupo de rock, foi esse amigo que no início da década de oitenta, quando abrem as inscrições na Escola de Jazz do Hot Club, a desafia para a audição.

    Em 1984 foi anfitriã de um programa de televisão e é também nesse ano que é distinguida com o prémio revelação.

    O ano de 1986 marca a sua internacionalização, dá mais de duas dezenas de concertos em 5 semanas (pela Alemanha), o seu terceiro disco é inclusive lançado nesse ano pela editora alemã Nabel.

    Precursora no universo do jazz em Portugal, com mais de duas dezenas de discos gravados, tem um estilo interpretativo singular e difícil de igualar, apesar dele ser uma referência para muitas intérpretes de jazz em Portugal.

    É sobre algumas particularidades do seu caminho na música e modos como observa as indústrias musicais e os papéis das mulheres desde que se iniciou no jazz que estou à conversa com Maria João neste episódio.

    Boas audições.

    [Convidada: Maria João,
    Autoria,Texto e Edição: Soraia Simões de Andrade,
    Ilustração: João Pratas,
    Design de Som: António José Martins,
    Indicativo: Amélia Muge,
    Canção usada «Fiona», disco Plástico, Maria João & Ogre, 2015]

    • 48 min
    Episódio 11- Mitó (A Naifa, Señoritas)

    Episódio 11- Mitó (A Naifa, Señoritas)

    «Toca-me mais uma obra feita em cima de um episódio de sofrimento, ou depois de um episódio de sofrimento (...), As mulheres são sujeitas a muito mais pressão, porque são julgadas até pelos seus pares (...), «Ainda estamos numa época muito sexista e com avanços perigosíssimos no mundo inteiro de teorias e de ideologias que as põem em prática(...)», «(hoje) música de intervenção para mim é a música que dá voz a coisas que as pessoas calam (...) a coisas que as pessoas tentam silenciar (...)».

    No secundário tocava cavaquinho e cantava fados tradicionais, fez teatro e integrou o grupo A Naifa como intérprete vocal. Há cerca de três anos criou com Sandra Baptista (ouvir Episódio 2) o grupo Señoritas, onde compõe, canta, toca guitarra, adufes e outras percussões.
    Não acredita que a música que faz, especialmente quando não (se) vive das indústrias musicais, se desligue das conjunturas sociais em que é realizada. Essa liberdade na criação das letras, nos arranjos, na edição e masterização está bastante presente em Señoritas e nas duas edições discográficas do grupo.

    Vive há mais de uma década das terapêuticas não convencionais, depois de ter feito um curso de medicina tradicional chinesa. E explica de que modo a sua profissão se conjuga e até alimenta o universo artístico.

    É sobre o seu envolvimento no universo musical mas também no modo como vê a representação das mulheres na música em Portugal que estou à conversa com Mitó neste episódio.

    Boas audições.

    [Convidada: Mitó,
    Autoria,Texto e Edição: Soraia Simões de Andrade,
    Ilustração: João Pratas,
    Design de Som: António José Martins,
    Indicativo: Amélia Muge,
    Canção usada «NOVA», disco Acho Que É Meu Dever Não Gostar, Señoritas, 2016]

    • 41 min
    Episódio 10 - Xana (Rádio Macau, autora, intérprete e investigadora)

    Episódio 10 - Xana (Rádio Macau, autora, intérprete e investigadora)

    «Quando me enviou o e-mail a dizer que ia falar desse disco (referindo-se ao 'As Meninas Boas vão para o Céu As Más para Toda a Parte', 1994) fiquei a reflectir sobre isso (...). Naquilo que nos é possível reconstruir daquilo que sentia na altura, estamos a falar de 1994, o que me parece, ou a impressão com que fiquei, foi a de que eu estava profundamente desiludida com o futuro, porque o que ali está, aquela expressão tão revoltosa, tão acutilante, não tinha muito sentido na época, de facto vivia-se um período de relativo bem-estar, de relativa estabilidade económica e social, muitas das liberdades que vinham a ser reclamadas desde o 25 de Abril estavam em franco processo/evolução, e aliás eu tive algumas críticas de amigos a não perceber porquê que eu estava a ser tão acutilante naquele momento. Mas, o que me pareceu é que naquela época é quando se está a esboçar um dos braços daquilo que é o capitalismo (...)».

    A Xana de Rádio Macau, grupo com o qual grava de 1984 a 2008, a Xana intérprete, autora, compositora na década de noventa. Com dois discos a solo, o primeiro editado em 1994 pela BMG (As Meninas Boas Vão para o Céu, as Más para Toda a Parte), o segundo editado em 1998 pela Norte Sul (Manual de Sobrevivência).

    Figura feminina indissociável da Música Popular gravada em Portugal, do 'rock'n'roll' da década de oitenta.

    1994 é também o ano em que decide ingressar no ensino superior, tinha então vinte e oito anos. Fez filosofia e interessou-se pelo filósofo Henri Bergson nesse período. Pensador que se opôs ao psicologismo e às teorias do pensamento lógico e que privilegiava a componente intuitiva.

    O pós 25 de Abril de 1974 trouxe outros desafios à sua geração, uma busca maior de realização pessoal, de alteração no que diz respeito aos costumes e às liberdades individuais.

    Em 2015 defendeu uma tese de doutoramento na área de especialização em Filosofia, mais especificamente em Estética e Filosofia da Arte com o título «Henry Maldiney. Vertigem da Existência e Arte Existencial». Maldiney chamou à atenção sobre formas de ver e sentir as obras, questionando as teorias e noções de arte que iniciam com uma tentativa de interpretação e explicação das mesmas.

    As letras de Xana falam especialmente da sua existência e da existência dos outros.

    É sobre o modo como olha para o seu passado no universo musical português e para alguma complementaridade que possa existir entre o seu caminho como investigadora e o seu percurso enquanto autora e intérprete que estamos à conversa neste episódio. Episódio que marca o regresso deste podcast após duas semanas em suspenso devido à recuperação de uma amigdalite, que me obrigou a repousar a voz.

    [Convidada: Xana,
    Autoria,Texto e Edição: Soraia Simões de Andrade,
    Ilustração: João Pratas,
    Design de Som: António José Martins,
    Indicativo: Amélia Muge,
    Canção usada «Alibi», disco As Meninas Boas Vão Para o Céu As Más Para toda a Parte, BMG, 1994]

    • 39 min

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