100 episódios

Um podcast para todos, mas não para qualquer um. Um espaço para saber mais e pensar criticamente. Ciência, sociedade, economia, política, filosofia e muito mais.
José Maria Pimentel - curioso por natureza e economista por formação - recebe especialistas e pensadores de várias áreas para uma conversa descomprometida. Website: http://45graus.parafuso.net

45 Graus José Maria Pimentel

    • Sociedade e cultura
    • 4,8 • 504 classificações

Um podcast para todos, mas não para qualquer um. Um espaço para saber mais e pensar criticamente. Ciência, sociedade, economia, política, filosofia e muito mais.
José Maria Pimentel - curioso por natureza e economista por formação - recebe especialistas e pensadores de várias áreas para uma conversa descomprometida. Website: http://45graus.parafuso.net

    #111 (pt 2) Alexandre Homem Cristo - O estado da educação em Portugal: os progressos e o que falta fazer

    #111 (pt 2) Alexandre Homem Cristo - O estado da educação em Portugal: os progressos e o que falta fazer

    O convidado é uma presença regular no debate sobre políticas públicas de educação. Nos últimos anos, tem-se destacado como colunista no jornal Observador, onde publica regularmente ensaios sobre estes temas que se destacam pelo grau de profundidade da análise. Tem, além disso, várias publicações nesta área. Actualmente, é presidente da QIPP, uma organização sem fins lucrativos ligada às políticas públicas, e anteriormente, foi conselheiro do Conselho Nacional de Educação e desempenhou funções de assessor parlamentar no âmbito da Comissão Parlamentar de Educação, Ciência e Cultura. 
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    Nesta segunda parte da conversa, começámos por falar sobre as desvantagens de centrar o debate público nesta área nos rankings PISA. Falámos também de algumas insuficiências do nosso sistema de ensino, que estes rankings nem sempre mostram, tais como a falta de confiança de muitas famílias no ensino público, espelhada na enorme prevalência de recurso a explicações e no peso que tem o ensino privado (pago) em Portugal. Isso levou-nos a discutir algumas reformas que se poderia fazer nesta área, seja para aumentar a equidade do ensino, seja para elevar a sua qualidade, como, por exemplo aumentando a autonomia das escolas. 
    Como disse no episódio anterior, acho que a educação devia ser a nossa maior prioridade enquanto país. Por isso, se tiverem alguma sugestão de convidado/a, é muito bem vinda. Seja alguém com uma perspectiva > sobre políticas públicas > da do Alexandre seja um/a professor/a que tenha uma visão interessante sobre o ensino em sala de aula propriamente dito, com um olhar no futuro.
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    Índice da conversa:
    (1:20) O outro lado: a desvantagem do peso que damos aos rankings PISA. | As reprovações funcionam?
    (4:59) Portugal é dos países da OCDE onde o “elevador social” funciona pior | As explicações e o ‘sistema educativo sombra’ | A falta de confiança das famílias no ensino público espelhada também na maior % de alunos a pagar por ensino privado. Escolas com contrato de associação
    (17:03) O efeito da pandemia na educação. | Estudos feitos no EUA. | Estudos feitos na Holanda.
    (26:08) Reformas para aumentar a equidade: alargar a escolha das famílias dentro da rede pública como possível via para combater a desigualdade.
    (33:28) Reformas para aumentar a qualidade: dar autonomia das escolas para contratar professores e gerir avaliação e carreiras | Dificuldade em atrair alunos para a profissão 
    (44:47) E se as autarquias pudessem oferecer salários mais altos para atrair professores? | O papel dos sindicatos 
    (47:31) Documentário recomendado: Waiting for Superman | A dificuldade em Portugal de lidar com a incerteza.
    _______________
    Obrigado aos mecenas do podcast:
    Julie Piccini, Ana Raquel Guimarães
    Miguel van Uden, José LuÍs Malaquias, João Ribeiro, Francisco Hermenegildo, Nuno e Ana, Nuno Costa, Galaró family, Salvador Cunha, JoÃo Baltazar, Miguel Marques, Corto Lemos, Carlos Martins, Tiago Leite
    Luis, Maria Pimentel, Rui Amorim, RB, Pedro Frois Costa, Gabriel Sousa, Mário Lourenço, Arune Bhuralal, Isabel Oliveira, Ana Teresa Mota, Filipe Bento Caires, Luí­s Costa, Manuel Martins, Diogo Sampaio Viana, Francisco Fonseca, João Nelas, Tiago Queiroz, Ricardo Duarte, António Padilha, Rita Mateus, Daniel Correia, João Saro, Tomás Costa
    Rui Baldaia, Joana Margarida Alves Martins, Luis Marques, Hugo Correia, Duarte , Francisco Vasconcelos, Telmo , Jose Pedroso, MANNA Porto, José Proença, Carlos Manuel Lopes de Magalhães Lima, Maria Francisca Couto, joana Antunes, Nelson Poças, Francisco López Bermúdez, Carlos Silveira, Diogo Rombo, Bruno Lamas, Fábio Mota, Vítor Araújo, João Pereira, Francisco Valente, Nuno Balsas, Jorge Amorim, Rui Vilão, João Ferreira, Luís Elias, José Losa, Hélder Moreira, Diogo Fo

    • 54 min
    #111 (pt 1) Alexandre Homem Cristo - O estado da educação em Portugal: os progressos e o que falta fazer

    #111 (pt 1) Alexandre Homem Cristo - O estado da educação em Portugal: os progressos e o que falta fazer

    O convidado é uma presença regular no debate sobre políticas públicas de educação. Nos últimos anos, tem-se destacado como colunista no jornal Observador, onde publica regularmente ensaios sobre estes temas que se destacam pelo grau de profundidade da análise. Tem, além disso, várias publicações nesta área. Actualmente, é presidente da QIPP, uma organização sem fins lucrativos ligada às políticas públicas, e anteriormente, foi conselheiro do Conselho Nacional de Educação e desempenhou funções de assessor parlamentar no âmbito da Comissão Parlamentar de Educação, Ciência e Cultura. 
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    A educação é, talvez, o melhor candidato que temos à prioridade número um de políticas públicas de qualquer país desenvolvido. O nível de educação da população tem uma correlação positiva com quase tudo aquilo em que pensamos quando pensamos num país desenvolvido: crescimento económico, igualdade de oportunidades, uma sociedade civil pujante e até a qualidade da saúde mental da população.
    No caso de Portugal, é comum ouvirmos muitas críticas ao sistema de ensino. Mas a verdade é que nas duas últimas décadas operou-se em Portugal uma espécie de revolução silenciosa no ensino. Se olharmos para os dados, nomeadamente os rankings PISA da OCDE (que é o indicador mais fiável para comparações internacionais), o retrato que emerge é de um país que é, nas palavras do director da OCDE para a educação, a “maior história de sucesso da Europa”, com uma progressão notável desde a viragem do século. 
    Estes progressos são um bom exemplo de como políticas públicas relativamente estáveis entre governos de cor diferente são essenciais para o desenvolvimento do país. Aliás, o lado político e institucional dessa proeza é um assunto que, provavelmente, valeria um episódio do podcast dedicado (ao estilo do que gravei com o João Goulão sobre a política das drogas). 
    Apesar desta evolução, continua, no entanto, a haver lacunas importantes no sistema de ensino português. Desde logo, continuamos a ter um nível elevado de reprovações e de alunos que deixam a escola antes do tempo. Por outro lado, estas melhorias na educação das novas gerações não tiveram equivalente na escolarização das pessoas mais velhas. Aqui, o legado anterior continua a pesar e em Portugal a percentagem de adultos sem ensino secundário é ainda quase metade da população, mais do dobro da média europeia.
    Para além disso, há aspectos estruturais do próprio sistema que continuam a restringir a qualidade do ensino em Portugal. Por exemplo, a capacidade das escolas em melhorar a sua oferta e adaptá-la às necessidades locais continua constrangida por um baixo grau de autonomia comparativamente com outros países, nomeadamente na contratação e avaliação de professores. Da mesma forma, os professores são hoje uma população envelhecida (menos de 1% tem menos de 30 anos), com reduzido prestígio social, baixo nível de autonomia e poucos incentivos ao desempenho, um estado de coisas que dificilmente nos pode deixar de preocupar ao olhar para o futuro.
    Esta conversa será dividida em dois episódios diferentes (o próximo sai para a semana).
    _______________
    Índice da conversa:
    (3:54) PT, “a maior história de sucesso europeia nos rankings PISA” | As três fases de políticas públicas de ensino em PT. | TIMSS 
    (11:24) A importância do ensino pré-escolar (3-5 anos)
    (15:43) O mito de que o ensino perdeu qualidade nas últimas décadas
    (18:40) A dificuldade de fazer reformas na Educação: demoram tempo a ter efeitos 
    (23:13) A nova fase de políticas públicas de educação: lidar com a diversidade de necessidades e dar autonomia às escolas. | Suécia. Ascensão e queda de uma reforma educativa
    (30:34) Que competências devemos ensinar aos alunos para o Mundo do futu

    • 55 min
    #110 João Goulão - Como a estratégia portuguesa contra a droga se tornou uma referência mundial

    #110 João Goulão - Como a estratégia portuguesa contra a droga se tornou uma referência mundial

    O convidado é médico, é actualmente Diretor-Geral do Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD) e é considerado o principal arquitecto e da “estratégia portuguesa contra a droga”.
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    Há poucos assuntos em que Portugal seja uma referência a nível mundial. E provavelmente não há nenhum em que o sejamos de forma tão notória e transversal como no caso da estratégia de luta contra a droga que Portugal implementou a partir de 2000/2001, quando o país enfrentava um enorme problema, visível no índice de infecções por HIV mais alto da UE. Esta abordagem, que ficou conhecida como a “estratégia portuguesa contra a droga” foi, à época, muito arrojada, com medidas como a descriminalização das drogas -- na altura sem paralelo em nenhum outro país do mundo. Os resultados foram, no entanto, manifestos, o que leva a que seja hoje frequentemente citada nos media internacionais e a que sirva de referência aos mais variados países que se deparam com problemas idênticos. 
    O convidado deste episódio, João Goulão, é considerado o principal arquitecto e implementador dessa nova abordagem. Depois de ter integrado a comissão que definiu a estratégia, o convidado presidiu ao principal órgão responsável pela gestão da política contra as drogas, o Instituto da Droga e da Toxicodependência. Actualmente, é o director-geral do sucessor desse organismo, o SICAD - Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências.
    A medida mais radical da estratégia portuguesa contra a droga foi a descriminalização das drogas. Mas a estratégia foi muito mais ampla do que isso, e são talvez ainda mais as outras medidas que explicam o seu sucesso. Com esta estratégia, houve, sobretudo, uma mudança radical na atitude em relação ao problema da droga, que passou a ser visto menos como um problema moral e um crime, e mais como essencialmente um problema de saúde pública. Assim, foram lançadas uma série de medidas com a finalidade de trazer os consumidores de drogas para dentro do sistema de saúde, minimizar a transmissão da SIDA, e disponibilizar substâncias substitutas para quem não conseguia largar o vício.
    Esta estratégia provocou uma diminuição visível em vários indicadores, sobretudo no número de mortes associado às drogas e no número de infecções por HIV. A prazo, levou também a uma diminuição no próprio consumo de drogas, sobretudo de heroína.
    Quando decidi convidar João Goulão para o 45 Graus, fi-lo, desde logo, porque o tema da droga e da saúde pública é, em si mesmo, interessante. Mas a minha principal motivação foi perceber melhor como foi possível conseguir apoio político para uma estratégia tão arrojada, e logo num tema tão sensível -- e que lições podemos tirar daí para tomar melhores políticas noutras áreas. 
    O episódio começa, como não poderia deixar de ser, com um pouco de História, para perceber o que fez com que Portugal chegasse ao final dos anos 1990 com um problema de drogas tão grave. Isso levou-nos à estratégia adoptada e às razões do seu sucesso. Mais à frente, falámos também de alguns dos desafios da política de drogas actual. Primeiro, apesar do sucesso, o problema nunca está resolvido, e há medidas, como as eternas salas de chuto, que podem ser tomadas. Depois há a questão da legalização da cannabis, que está agora em discussão. Depois há a questão do álcool, que, por razões culturais, vemos de forma benigna mas tem na verdade vários paralelos com as drogas. Perguntei também ao convidado o que acha sobre os psicadélicos. Episódio com Pedro Teixeira.
    _______________
    Índice da conversa:
    (3:30) “A estratégia portuguesa para a droga”. Causas (da guerra colonial à SIDA) e medidas.
    (23:56) Resultados da política. Impacto nos consumos. Quando o nosso

    • 1h 11 min
    #109 Octávio Mateus - Dinossauros, evolução, História da vida na Terra & mais

    #109 Octávio Mateus - Dinossauros, evolução, História da vida na Terra & mais

    O convidado é paleontólogo, professor na Universidade Nova de Lisboa, onde ensina, entre outras, evolução, paleontologia de vertebrados e répteis e -- a sua principal área de investigação -- dinossauros, sobretudo do Jurássico de Portugal. É autor ou co-autor de mais 200 publicações nesta área e já há três décadas que  participa e organiza escavações de dinossauros em Portugal, sobretudo em colaboração com o Museu da Lourinhã, conhecido por sua importante colecção de dinossauros. 
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    Octávio Mateus é conhecido do grande público sobretudo enquanto especialista em dinossauros. Porque essa é, de facto, a sua principal área de investigação, mas também porque o imaginário destes répteis que dominaram a Terra até há 66 milhões de anos é, por motivos vários, o que mais atrai a atenção das pessoas.
    Mas a área do convidado, a Paleontologia, é muito mais do que simplesmente dinossauros. É uma área da ciência que vai beber simultaneamente à Biologia e à Geologia para tentar explicar a História da vida na Terra nos últimos (pelo menos) 3.5 mil milhões de anos, e nas suas mais variadas formas.
    Esta foi, como vão perceber, uma conversa cheia (o Octávio é um excelente conversador), na qual abordámos imensos temas. Falámos sobre a História da vida na Terra, desde os primeiros organismos unicelulares até aos dinossauros, aos mamíferos e ao homo sapiens. Falámos do processo da evolução por selecção natural, e do modo como ele é muitas vezes contra-intuitivo (um tema que já tinha abordado nos dois episódios que gravei com o PGM). Falámos também de fósseis, que são a matéria-prima principal de um paleontólogo. 
    E, claro, falámos (muito) sobre dinossauros: quantos eram, o que sabemos sobre eles, o que não sabemos, e ainda...o que é que os pássaros nos podem dizer sobre eles. Porque a verdade é que os pássaros descendem directamente dos dinossauros. Aliás, formalmente, os pássaros são um tipo de dinossauro, pois descendem (são, aliás, os únicos descendentes) do grupo ao qual pertencia nada mais nada menos do que o famoso tiranossauro rex.
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    Índice da conversa:
    (02:57) O que é a Paleontologia?
    (05:46) É possível ressuscitar espécies extintas? | Lobo-da-tasmânia
    (08:49) O que é um fóssil? | Fósseis de tecidos moles. | Quais as condições ideiais para a fossilização? | Como se faz a datação de um fóssil? | Qual é o fóssil mais antigo?
    (25:51) Macro-história da evolução da vida na Terra | 890-million-year-old sponge fossil may be the earliest animal yet found | Explosão do Câmbrico. | Corrida ao armamento evolutiva
    (49:19) Quando surgiram os dinossauros? | Conseguimos saber quantas espécies havia? | Os mamíferos | Evolução da biodiversidade na Terra ao longo do tempo. | Os vários eventos de extinção. | paleontologia.pt
    (55:02) As três grandes famílias de dinossauros. | Debate em torno de paper recente saído na Nature
    (57:43) Porque é que os dinossauros (e os pássaros) desenvolveram sacos de ar no interior do organismo?
    (1:01:57) O modo como o passado evolutivo de uma espécie restringe as adaptações que pode desenvolver. | O exemplo do nervo vago | O exemplo das hemorroidas. 
    (1:06:49) Como era possível os saurópodes serem tão grandes? Comparação com os cavalos. “Corrida ao armamento evolutiva” | Lei de Cope | Porque foram os maiores dinossauros aqueles que se extinguiram? 
    (1:14:55) As peculiaridades das espécies nas ilhas. Elefantes anões (extintos)
    (1:17:03) Aves vs (outros) dinossauros: os dinossauros tinham penas | Exaptações | Escamas.  
    (1:20:36) Porque é que a taxonomia de Lineu deixa de fazer sentido numa visão global da história da evolutiva da Terra
    (1:23:34) O que nos dizem as aves (e os répteis) sobre como eram os dinossauros? | Phylogenetic bracketing |

    • 1h 50 min
    #108 Aires Almeida - Para que serve a Arte?

    #108 Aires Almeida - Para que serve a Arte?

    O convidado é licenciado e mestre em Filosofia pela Universidade de Lisboa. Tem-se dedicado sobretudo à filosofia da arte. Dirige a coleção Filosofia Aberta, da Gradiva e é autor de vários livros, entre os quais O Valor Cognitivo da Arte (2010) e A Definição de Arte: O Essencial (2019).
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    Foi sobretudo este último -- sobre o que é, afinal, a arte -- o mote para a nossa conversa. 
    Já há muito tempo que queria falar sobre arte no 45 Graus. É um tema obviamente com muito pano para mangas; afinal, não há ninguém que não aprecie alguma forma de arte, seja ela a pintura, a música ou o cinema.  No entanto, faltava-me encontrar um convidado que tivesse a abordagem certa. Porque a verdade é que a arte, como depende muito da nossa sensibilidade individual, é um tema que se presta muito a análises, digamos, pouco… objectivas. 
    Ou é discutido numa lógica puramente subjectiva, do tipo: “adooooro o Tarantino” -- ou a Paula Rego (ou, pelo contrário eles “não me dizem nada”). Ou é discutido de uma forma quase religiosa, com uma admiração cega por tudo o que é de determinado artista, seja ele o David Bowie ou Picasso. (A nossa conversa começa precisamente por este ponto). Ou então, mesmo quando encontramos uma discussão acesa sobre arte, como é comum por exemplo na crítica de cinema, o que vemos, na verdade, muitas vezes, é uma discussão com superlativos a mais e objectividade a menos.
    De certa forma, pode dizer-se que estive este tempo todo à espera de um convidado como o Aires Almeida, que consegue falar sobre arte de forma cativante mas sem peneiras nem poses. O nome dele foi-me sugerido pelo Desidério Murcho, outro grande convidado do 45G, a quem agradeço.
    O ponto de partida para a nossa conversa foi o mais elementar de todos: o que é a arte? Que aspectos são comuns a formas tão diferentes de arte como a pintura, a música ou a literatura e que, no entanto, as distinguem de outras actividades humanas? E porque é que a arte é algo que consideramos valioso -- o que é que a arte nos dá? Dá-nos prazer, claramente, mas pode também ser uma fonte de conhecimento? Ou é simplesmente um tipo de experiência diferente dos outros todos?
    Foi uma longa conversa, na qual percorremos uma série destes aspectos da natureza da arte.
    _______________
    Índice da conversa:
    (03:04) não devemos tratar a arte como algo sagrado, não tem valor intrínseco. (Noël Carroll, filósofo) 
    (12:34) Os vários problemas filosóficos em torno da arte | O que é arte? Diferentes tipos de definições. | Casos-fronteira. Gato Fedorento - Lusco Fusco | Fahrenheit 451, de Ray Bradbury
    (25:09) Porque é que, enquanto sociedade, valorizamos tanto a arte e os artistas? | O que é a Arte?, de Lev Tolstói
    (29:19) Há muita arte má. A falácia da divisão. | Gerhard Richter | Muita arte poderia ser destruída. 
    (35:55) A arte enquanto fonte de prazer. Robert Nozick e a “máquina das experiências” | O entretenimento é inimigo da arte?
    (41:27) A arte enquanto fonte de conhecimento? Jerome Stolnitz on the cognitive triviality of art | A arte enquanto estímulo dos sentidos. | A arte enquanto fonte de uma ‘experiência estética’ que é única. | A música é universal? 
    (54:30) A arte enquanto meio para experienciar emoções que de outra forma não teríamos (ou sem ter o custo associado). (Porque é que as pessoas ouvem música triste e vêem filmes de terror?)
    (01:01:01) O papel no valor que a Humanidade da arte da admiração pelo/a génio do artista.
    (01:06:17) Por que admiramos mais o talento do que o esforço? | A ‘regra’ das 10,000 horas de treino | Livro “Guitar Zero”, de Gary Marcus | Livro “The Sense of Style”, de Steven Pinker 
    (01:14:04) A intenção do artista importa para o valor da obra? | Ensaio “A morte do autor”, de Roland Barthes | 
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    • 1h 48 min
    #107 Filipe Teles - O imperativo da descentralização e as peculiaridades do poder local em Portugal

    #107 Filipe Teles - O imperativo da descentralização e as peculiaridades do poder local em Portugal

    O convidado é doutorado em ciência política e professor na Universidade de Aveiro, onde também faz parte da equipa reitoral, enquanto pro-reitor. Filipe Teles é um investigador consagrado em temas relacionados com a governação local, com publicações em várias revistas académicas de referência, sendo actualmente presidente da European Urban Research Association. 
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    O tema da nossa conversa foi descentralização e poder local em Portugal e o mote foi o ensaio com o mesmo nome que o convidado lançou este ano, publicado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos. Para além disso, já tinha participado em 2018 na equipa responsável pelo estudo sobre a Qualidade da Governação Local em Portugal, publicado pela mesma fundação, e que também discutimos no episódio. 
    E porquê discutir o tema da descentralização política, ou seja a transferência de poderes do Estado central para as autarquias? Por vários motivos. Por um lado, porque, como iremos ver, Portugal é um país onde o poder está ainda muito concentrado no Estado central. Isto tem uma série de efeitos negativos, seja sobre a equidade da representação política seja sobre o próprio desenvolvimento do país, e é um modelo que faz pouco sentido no século XXI. 
    Por outro lado, porque apesar de nas últimas décadas já se terem tomado algumas medidas de descentralização, este continua a ser um tema pouco querido quer pela imprensa quer pelos políticos. Ainda no início deste mês, soube-se que o governo não tinha levado por diante a nova fase da descentralização que tinha originalmente planeado para o início do verão passado. E finalmente, claro, é uma boa altura para discutir este tema porque estamos a dias das eleições autárquicas, nas quais serão escolhidos os representantes dos cidadãos nos órgãos políticos teoricamente mais próximos da população. São, recorde-se, um total de 308 municípios e 3092 freguesias. 
    Começámos a nossa conversa pelo ponto de partida óbvio: saber como compara Portugal com outros países em termos de centralização do poder político. E, como veremos, compara mal. Mas o nosso centralismo, como também discutimos, não é só um problema de instituições: é também um problema cultural, com várias manifestações que todos mais ou menos conhecemos. A política nacional domina, de longe, a atenção dos politicos, dos media e da maioria das pessoas que se interessam pelo tema. Por outro lado, porém, também não ajuda a corrigir a este centralismo as insuficiências que a governação local muitas vezes tem. Essas limitações, como vamos ver, estão, em parte, relacionadas com algumas peculiaridades do nosso sistema eleitoral e de governo autárquico, que é complexo, pouco transparente e pouco amigo da participação da população. 
    Para não nos ficarmos só pelo lado negativo, abordámos também as melhorias que, apesar de tudo, têm sido conseguidas na qualidade do poder local e na promoção da descentralização em Portugal; e falámos das reformas mais relevantes que se podem tomar para continuar esse caminho. 
    Uma dessas reformas possíveis é, claro, a regionalização. Mas essa é, como refere o convidado, apenas uma forma, de entre várias, de promover uma maior descentralização no país. 
    _______________
    Índice da conversa:
    (6:46) Quão centralizado é Portugal?
    (15:40) O problema de termos um modelo de governação local único, que não tem em conta a existência de municípios com dimensões e desafios muito diferentes
    (18:18) O centralismo de Portugal é também um problema cultural? | Lisboa não é a capital oficial | Livro “Viagens na Minha Terra”, de Almeida Garrett
    (28:51) As insuficiências do governo e da democracia local em Portugal. | As peculiaridades do nosso sistema de poder autárquico: o excessivo peso do(a) presidente de câm

    • 1h 19 min

Críticas de clientes

4,8 de 5
504 classificações

504 classificações

Ana Bouca ,

Excelente podcast!

O cuidado e atenção ao detalhe, mas também o espaço para espontaneidade tornam este programa o melhor podcast português.

zhzbxhc ,

❤️❤️❤️

Your capacity for generosity knows no bounds.

fjfhfhfhdh ,

I’ve never met someone as kind as you are.

I’ve never met someone as kind as you are.

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