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  1. A lei laboral continua muito longe do consenso

    15H AGO

    A lei laboral continua muito longe do consenso

    Luís Montenegro, no debate quinzenal de 5 de Dezembro, dizia que a lei laboral era para continuar a trabalhar. A greve geral contra a proposta do Governo não tinha ainda acontecido, o que justificava o optimismo do primeiro-ministro. A greve aconteceu, e apesar de o Governo a ter considerado inexpressiva, deixou no ar a sensação de que uma ampla base dos trabalhadores contestavam as suas disposições. Pelo meio, a campanha eleitoral, apropriou-se do tema e deixou o candidato do Governo, Luís Marques Mendes, na posição solitária e desconfortável de a defender. Não se podem subestimar os custos políticos desta posição. A lei laboral foi uma pedra no sapato de Marques Mendes. Depois de o presidente eleito reassumir a sua ideia de vetar o diploma caso seja aprovado no parlamento sem o compromisso da concertação social, Luís Montenegro admitiu a necessidade de o reapreciar. E de o negociar em primeiro lugar com os sindicatos e os patrões. Mesmo que a ministra do trabalho, Maria Rosário Palma Ramalho, insista em manter as suas traves mestras, criou-se a expectativa no país de que a negociação e um acordo eram possíveis. A reunião marcada para ontem com os parceiros sociais, excluindo a CGTP, poderia deixar no ar essa possibilidade de entendimento. A reunião acabaria por não acontecer por causa da ausência do líder da UGT, que tinha outros compromissos para esse dia. Quem determinou o seu cancelamento, porém, foram os patrões, não o Governo. Um novo encontro foi entretanto agendado para a semana. Fica assim em suspenso o primeiro passo em busca de um compromisso. De um lado, está uma proposta da UGT que faz tábua rasa das supostas traves mestras da ministra. Do outro, a proposta do Governo eventualmente polida para dar espaço às negociações. O que está, afinal, neste momento em causa? Como podemos antecipar o que vai acontecer a seguir? Haverá espaço para um acordo, ou as posições entre governo e sindicatos estão tão distantes que a conflitualidade política e social pode vir a continuar? Para este episódio do P24 onde queremos discutir estas questões, convidámos Raquel Martins. A Raquel é jornalista do PÚBLICO especializada nas questões do trabalho. See omnystudio.com/listener for privacy information.

    14 min
  2. A catástrofe voltou a pôr a nu os dramas do centralismo

    1D AGO

    A catástrofe voltou a pôr a nu os dramas do centralismo

    "Ninguém perde a face se a revisão constitucional for feita rapidamente para permitir um referendo nacional". "O referendo é uma arma democrática e uma arma democrática nunca é um truque político. O truque político é recusar aos portugueses um referendo nacional." Quem assim falava é o actual presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, já lá vão 30 anos, quando na qualidade de líder do PSD se dirigiu à plateia do II Conselho Nacional da Juventude Social Democrata, JSD. Como se sabe, o referendo de que Marcelo falava avançou dois anos depois, em 1998, com os resultados que se conhecem até hoje. Os portugueses disseram não à regionalização e a exigência de um referendo para se avançar com este processo inscrito na Constituição foi uma das pedras no sapato que continuam a travar uma reforma que boa parte dos estudiosos continuam a considerar essencial para reequilibrar o modelo de desenvolvimento de Portugal e a tornar mais eficiente a governação. Sendo um tema que a cada passo regressa à actualidade Política, a Regionalização impôs-se por estes dias com as calamidades do clima. Nas tarefas de prevenção e socorro, quem se destacou foram os autarcas e quem saiu mal na fotografia foi o governo central. O problema é que as autarquias são unidades administrativas pequenas e mal financiadas (só são responsáveis por apenas 14% da despesa geral do Estado, quando a média europeia é de 34%). E, ao contrário da maioria esmagadora dos países desenvolvidos, em Portugal não há autarquias regionais, as regiões administrativas, capazes de tapar o fosso gigante entre os municípios e o Estado central. Portugal é assim o mais centralizado país da União Europeia, ou da OCDE. E os custos medem-se não apenas na debilidade das respostas de prevenção e socorro em catástrofes como as que vivemos. Medem-se também no caos no ordenamento do território ou na ausência de políticas públicas desenhadas para acolher a realidade física ou económica das diferentes partes do país. Com o evoluir do tempo, Marcelo foi mostrando mais abertura à urgência da regionalização. No Governo PS, António Costa escolheu um caminho, o do reforço de competências e da autonomia das Comissões de Coordenação Regional, que os interesses partidários do PS e do PSD entretanto enterraram. E o actual Governo da AD, não quer ouvir falar de Regionalização durante esta legislatura. Como suprir esta carência na arquitectura institucional do Estado português, carência sublinhada por estudos académicos ou pelo grande relatório produzido pela Assembleia da República sob a liderança de João Cravinho de 2018? Vamos tentar perceber o que está em causa com José Rio Fernandes. Professor catedrático no departamento de Geografia da Universidade do Porto, Rio Fernandes foi um dos mentores de um manifesto em favor da regionalização publicado no Público no dia 12 deste mês. Esse manifesto, que apelava ao debate sobre a urgência da regionalização, foi assinado por dezenas de personalidades, entre académicos, autarcas e ex-ministros. Siga o podcast P24 e receba cada episódio logo de manhã no Spotify, na Apple Podcasts, ou noutras aplicações para podcasts.​ Conheça os podcasts do PÚBLICO em publico.pt/podcasts. Tem uma ideia ou sugestão? Envie um email para podcasts@publico.pt. See omnystudio.com/listener for privacy information.

    17 min
  3. A ameaça das tempestades na agricultura reclama saberes e obras públicas

    6D AGO

    A ameaça das tempestades na agricultura reclama saberes e obras públicas

    Culturas alagadas, plantações varridas pelo vento, milhares de árvores de fruta ou olival arrancadas, equipamentos e estruturas destruídas. Vai demorar tempo até se conhecerem em profundidade os danos causados pelas últimas tempestades na agricultura portuguesa. Num negócio onde o tempo da sementeira ou da colheita conta, os atrasos e contratempos custam dinheiro e põe em causa a sobrevivência das explorações menos preparadas. Ainda por cima, as tempestades afectaram algumas das regiões mais produtivas e ricas da agricultura portuguesa: o Oeste, o vale do Lis e do Mondego, o Sorraia ou a Lezíria do Tejo. Num momento de incerteza e aflição, o Governo promete ajudas. Prejuízos abaixo dos dez mil euros, são compensados na íntegra. E dependendo de factores como ter ou não ter seguro agrícola, as grandes explorações que provem maiores danos podem receber até 400 mil euros do Estado. Em causa estão medidas para acudir a prejuízos que a Confederação dos Agricultores de Portugal situa nos 350 milhões de euros, mas que outras análises elevam para os 700 milhões. O que está em causa é para muitos agricultores uma questão de vida ou de morte. Alguns estão à espera ainda de apoios prometidos em intempéries anteriores e entre o sector reina a apreensão. Sendo um sector particularmente sensível às consequências da crise climática, os seus agentes podem encontrar na crise actual algumas respostas para o que lhes pode acontecer no futuro. A maioria, porém, promete lutar. Vencer adversidades faz parte da história dos agricultores, em especial dos que trabalham nas margens dos rios – a destruição da depressão Kristine é de outra dimensão. É assim desde tempos imemoriais. Para perceber melhor essas expectativas e essas respostas, contamos neste episódio com João Coimbra, agrónomo, proprietário da Quinta da Colda, no Ribatejo, considerado um dos mais eficientes produtores de milho do mundo. See omnystudio.com/listener for privacy information.

    18 min
  4. O retrato do Presidente Seguro a partir do que mostrou na campanha

    FEB 11

    O retrato do Presidente Seguro a partir do que mostrou na campanha

    Nos últimos dias abundaram naturalmente as tentativas de definir o presidente eleito António José Seguro em categorias simples. Os portugueses estão ávidos de informação sobre o seu novo chefe de Estado. Precisam de o conhecer para lá da moderação que lhe moldou a campanha, do apego à democracia que lhe atribuem, ou das suas mensagens políticas principais. Desde a sua vontade de ser o presidente de todos os portugueses ao presidente que quer um chão comum onde o sentimento de união do país se possa consolidar. Mas, afinal quem é o novo Presidente? Para lá destas apreciações superficiais, do tipo homem-moderado, democrata ou homem mais voltado para a conciliação do que para o conflito, subsistem dúvidas. Como não podia deixar de ser. Seguro já disse que não será oposição. Quererá isso dizer que se vai comportar como o menino das alianças, sempre de mão dada com o Governo? Há quem recorde o episódio da abstenção violenta na votação do orçamento de 2012 para tecer esse cenário. Vale a pena recordar que essa sua decisão foi um acto de enorme coragem política. O PS mais radical jamais lhe perdoou. Seguro disse também que tem a estabilidade política como um valor absoluto, e tudo fará para a promover. Não demitirá um governo caso o seu orçamento seja chumbado e promete ser um agente empenhado na busca de compromissos. Isto quer dizer o quê? Que preferirá a confusão duradouro às clarificações que por vezes são necessárias? Eleito com um extraordinário capital político, António José Seguro é, como diz António José Teixeira, jornalista da RTP o presidente homem normal. Terá a sensatez, a visão, a inteligência para presidir a um país com enormes desafios pela frente? Temos de o conhecer melhor e para esse efeito pedimos ajuda à jornalista do PÚBLICO Maria do Céu Lopes. A Maria acompanhou par e passo as duas campanhas de António José Seguro. See omnystudio.com/listener for privacy information.

    18 min
  5. O rescaldo da vitória sem espinhas do Portugal moderado visto por António Costa Pinto

    FEB 10

    O rescaldo da vitória sem espinhas do Portugal moderado visto por António Costa Pinto

    Primeira surpresa, na primeira volta das Presidenciais, dia 18 de Janeiro de 2026: contra a maior parte das sondagens e expectativas, António José Seguro surge como o vencedor com quase mais oito pontos percentuais do que o seu adversário, André Ventura. Segunda surpresa, segunda volta das Presidenciais, dia 8 de Fevereiro: apesar de vários receios associados ao nível da abstenção ou ao descontentamento agravado pela crise da tempestade Kristin, António José Seguro vence as eleições com mais de dois terços dos votos expressos pelos portugueses. Com duas tão evidentes vitórias do Presidente eleito, era normal que se extraíssem conclusões óbvias como a que aponta uma vitória clara do candidato moderado ou uma derrota óbvia do candidato extremista. Isso aconteceu, mas aconteceu também outra coisa: houve mais portugueses a votar em Ventura, o que permite envolver o futuro da sua carreira política na categoria das incógnitas. Seguro foi eleito com a maior votação de sempre em Portugal, mais de 3,4 milhões de votos. A sua legitimidade é indiscutivelmente forte. O novo presidente dispõe de uma inquestionável força política para exercer as suas funções. Ventura foi derrotado por uma ampla coligação do campo democrático. Mas saiu de cena com um forte pecúlio eleitoral, mais de 1,7 milhões de votos – quase mais 400 mil votos do que na primeira volta, mais 300 mil que nas legislativas do ano passado. Esta força, já se pressentia e vai influenciar a dinâmica do parlamento e a relação de forças entre o Chega e o Governo. Estaremos a entrar numa nova fase da política portuguesa, ou, como dizia Luís Montenegro, a noite de domingo não mudou nada? É caso para dizermos que nestas eleições a dinâmica da direita radical foi travada? Ou que, por oposição, os portugueses deixaram no ar uma prova inequívoca da sua adesão ao sistema? Vamos fazer o rescaldo de uma das eleições presidenciais mais importantes de sempre como o professor António Costa Pinto, Doutorado pelo Instituto Universitário Europeu (1992, Florença) é presentemente Investigador Aposentado no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa e Professor Convidado no ISCTE, Lisboa. See omnystudio.com/listener for privacy information.

    17 min

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