Maria Mascarenhas já tinha feito muita coisa na vida — design gráfico, voluntariado, e mais importante, dado à luz cinco filhos —, quando venceu a timidez e realizou a proeza de pôr os pés num palco, e cantar. Não lhe foi fácil expor-se, sob os holofotes, mas a paixão pelo teatro musical semeada nela pela avó acabou por vencer. Foi o primeiro passo, de um muito maior: aventurou-se a fundar uma escola de teatro musical, a Stagedoor, onde conseguiu aliar tudo aquilo de que mais gostava: cenários, figurinos, produção, teatro, música, dança, mas também uma vertente pedagógica muito forte, enraizada na entreajuda, no apoio entre alunos e professores e na realização do potencial de cada um. Uma escola onde se cresce em técnica e talento, claro, mas também como pessoa. E se curam feridas, num tempo em que com uma exposição excessiva às redes sociais, muitos adolescentes chegam à Stagedoor com a auto-estima de rastos, envergonhados por se acharem demasiado altos ou baixos, gordos ou magros, ansiosos e infelizes, a precisarem de voltar a acreditar em si próprios, tomando consciência de que ali não há portas fechadas. Percebe porque convidamos a Maria para este Birras Com? É que se a mãe/ filha destas Birras já estava há muito convertida, a avó acabou este episódio inspirada por quem garante que “já não temos idade para ter medo do ridículo”. Não se admirem se a virem um destes dias a fazer sapateado! Errata: na apresentação durante o podcast Ana Stilwell disse que Maria Mascarenhas encenou um musical, quando queria dizer que fez a “direcção artística”. See omnystudio.com/listener for privacy information.