365 LPs

Paulo Henrique de Moura

Um disco de MPB por dia.

  1. 365 LPs - Ep. 14 - Os Mutantes - Polydor: 1968.

    03/07/2020

    365 LPs - Ep. 14 - Os Mutantes - Polydor: 1968.

    Em junho de 1968, o tropicalismo fervilhava a cena cultural brasileira e Os Mutantes funcionavam mais ou menos como motor de uma engrenagem que seria freada em dois momentos específicos: o decreto do AI5, que dissolveu à força o movimento liderado por Caetano Veloso e Gilberto Gil; e a posterior saída de Rita Lee, que mancharia para sempre a história da banda pioneira no experimentalismo no rock brasileiro.Em 1967, por indicação do maestro Rogério Duprat, conhecem Gilberto Gil. A partir disso gravaram duas canções junto com Gil: "Bom Dia" e "Domingo no Parque" com a qual participaram, junto do compositor baiano, da estréia tropicalista no III Festival de Música Popular Brasileira, ficando com o segundo lugar. A banda também participou do "disco-manifesto" Tropicalia ou Panis et Circencis, um dos mais importantes da música brasileira, participaram nas gravações de discos de Gilberto Gil e Caetano Veloso e fizeram comerciais televisivos e jingles para a Shell.O álbum foi gravado no inicio do ano de 1968, com a produção de Manoel Barenbein e arranjos de Rogério Duprat. Autointitulado “Os Mutantes” foi lançado em junho de 1968. O disco só foi reeditado em CD em 1992 e em 2006. Formado, na época, por Rita Lee e pelos irmãos Arnaldo Baptista e Sérgio Dias, os Mutantes inovaram por trazer, em seu trabalho de estreia, um misto de elementos vindos do rock psicodélico e de gêneros musicais nacionais. A faixa “A Minha Menina”, composta por Jorge Ben é um exemplo dessa mistura, sendo uma canção que une o samba e o rock.O LP abre com a faixa "Panis et Circenses" ("pão e circo", em latim) composta por Gilberto Gil e Caetano Veloso. Segundo Rita Lee, Gil e Veloso compuseram a canção "em apenas quinze minutos". A capa do disco é uma foto de Olivier Perroy. Sérgio veste uma capa preta de veludo; Arnaldo, um quimono; e Rita, um vestido-poncho feito com uma toalha indiana. A direção artística foi de Wesley Duke Lee, convidado por Guilherme Araújo. A contracapa traz desenhos feitos pelos próprios Mutantes.

    11min
  2. 365 LPs -  Ep  13 - Gilberto Gil - Realce - Warner: 1979.

    19/06/2020

    365 LPs - Ep 13 - Gilberto Gil - Realce - Warner: 1979.

    Em agosto de 1979, Gilberto Gil lançava o LP Realce, com um vigor e coerência que até hoje poucos conseguiram na música popular brasileira, tanto na expressão das melodias e ritmos (samba, afoxé, disco e reggae, entre outros) quanto nos conteúdos líricos, políticos, metafísicos e sensuais das letras.Gravado nos Estados Unidos, no estúdio Westlake Audio de Hollywood, o álbum produzido por Mazzola foi intencionalmente um produto de mercado, com as vozes de Gilberto Gil acompanhadas por uma poderosa sonoridade musical e o compositor tocando pandeiro e violão de nylon.Realce contempla a crítica política e social, mas de forma otimista (“…Tudo, tudo, tudo vai dar pé…”), reflexo da época de anistia no Brasil e da atitude sempre tolerante, mas não alienada, do artista.O disco faz menções às cenas, à tradição, à religiosidade e ao orgulho de ser da Bahia, interpreta com ousadia e “modernidade” o samba-canção Marina, de Dorival Caymmi, toca em novas propostas filosóficas de vida, questiona o racismo, a escravidão e o preconceito e propõe a liberdade para a criação musical, entre a tradição popular brasileira e o pop internacional, sem maniqueísmos.A música disco, a discothéque, os filmes “Os embalos de sábado à noite” e “Superman”, a telenovela Dancin’ Days e a música “Odara”, de Caetano Veloso, que precederam Realce, são fatos importantes para ouvir ainda com muita atenção um dos mais significativos trabalhos de Gilberto Gil.O álbum conta com as participações dos músicos Jerry Hey (tecladista e arranjador do grupo Earth, Wind & Fire) e Steve Lukather (guitarrista da então novata banda Toto) foram músicos americanos que participaram da gravação desse álbum em que, traz além da composição-título Realce, músicas que atravessariam gerações, como Toda menina baiana e Super-homem, a canção, um dos hits do disco.No geral, o álbum Realce foi bem recebido, mas o arranjo pop do samba-canção Marina de Dorival Caymmi causou controvérsias na época, mais por se tratar de uma música do compositor – dono de um cancioneiro até então imaculado – do que pelo arranjo propriamente dito.

    8min
  3. 365 LPs - Ep. 12 - Tropicalia ou Panis et Circensis

    05/06/2020

    365 LPs - Ep. 12 - Tropicalia ou Panis et Circensis

    Caetano Veloso e Gilberto Gil causaram grande impacto em suas apresentações no III Festival de Música Popular da TV Record, no ano de 1967. Ali, foram lançadas as bases para o Tropicalismo em sua versão musical - um movimento que mesclou manifestações tradicionais da cultura brasileira a inovações estéticas radicais daquela época, como correntes artísticas de vanguarda e da cultura pop nacional e estrangeira (como o Rock e o Concretismo). Antes de fins sociais e políticos, a Tropicália foi um movimento nitidamente estético e comportamental.Em maio de 1968, começaram as gravações do álbum que seria o manifesto musical do movimento, do qual participaram artistas como Gal Costa, Nara Leão, Os Mutantes, Tom Zé - além dos poetas Capinam e Torquato Neto e do maestro Rogério Duprat (responsável pelos arranjos do LP).A primeira música do álbum é "Miserere Nóbis", de Gil e Capinan. Na sequência vem "Coração Materno" - canção até então considerada de mau gosto. A faixa-título é interpretada pelo grupo paulista Os Mutantes, com sinais nítidos do conjunto: a psicodelia. "Baby", grande hit deste álbum, foi cantada por Gal Costa.A capa foi criada por Rubens Gerchman a partir de uma foto de Olivier Perroy. Rita Lee e Guilherme Araújo sugeriram a maior parte das roupas, de forma a predominarem tons de verde e amarelo. Gil aparece sentado no chão, repetindo a pose de Oswald de Andrade num retrato dos modernistas de 1922. Caetano segura um retrato de Nara, numa referência a fotos de grupos de artistas dadaístas de 1921. Tom Zé se veste como um homem da mala.

    12min
  4. 365 LPs Ep. 11 - Clara Nunes - Brasil Mestiço - EMI: 1980.

    02/05/2020

    365 LPs Ep. 11 - Clara Nunes - Brasil Mestiço - EMI: 1980.

    “Cantar é o único alento do trabalhador”. E é com esse canto doce de Clara Nunes que no episódio de hoje eu vou falar sobre Brasil Mestiço, álbum lançado pela cantora em 1980 pela EMI.Em julho de 1980, Clara começou a gravar Brasil Mestiço. Apesar do repertório estar fechado, ela ligou para Chico Buarque - com quem fez turnê ao lado de outros sambistas no continente africano para o projeto Kalunga - pedindo que ele compusesse uma música para ela, assim como havia lhe prometido durante a viagem. A música em questão era "Morena de Angola", faixa de abertura do disco e um dos maiores sucessos da cantora. Em sintonia com a concepção do álbum, a capa foi fotografada por Wilton Montenegro no morro da Serrinha, enquanto Clara dançava jongo com a ialorixá Vovó Maria Joana e com o Mestre Darcy do Jongo. Além de "Morena de Angola", Clara também emplacaria nas rádios a faixa "Sem Companhia", escolhida para a trilha sonora da novela Coração Alado, da Rede Globo. "Morena de Angola" e "Viola de Penedo" foram convertidas em videoclipes pelos produtores do Fantástico. Quase todas as canções do álbum ganhariam espaço nas rádios. No repertório, dois sambas de Candeia, três de Mauro Duarte (dois com Paulo César Pinheiro e um com Elton Medeiros) e um de Nelson Cavaquinho e Wilson Canegal, além de um partido-alto de Alberto Lonato, Josias e Maceió do Cavaco e um samba de quadra da Paraíso do Tuiuti, parceira entre Noca e Natal da Portela. Apoiado por um elaborado aparato midiático, Brasil Mestiço venderia mais de 500 mil cópias iniciais chegando a marca de 2 milhões de cópias vendidas, dando à cantora o sétimo disco de ouro de sua carreira. Com este álbum, Clara Nunes recebeu o Troféu Roquette Pinto de personalidade do ano na música.O álbum deu origem ao segundo espetáculo solo da carreira da cantora, intitulado Clara Mestiça. O show, com direção de Bibi Ferreira, roteiro de Paulo César Pinheiro e Maurício Tapajós, estreou no dia 9 de janeiro de 1981. O espetáculo, ambientado num cenário concebido com base no primitivo, tinha início com o canto dos índios Craós e, em seguida, a cantora percorria vários gêneros da música popular brasileira, tais como partido-alto, baião, coco-de-roda, samba-canção, samba-enredo e marcha. Um grande sucesso de público e de crítica, Clara Mestiça ficou em cartaz no Teatro Clara Nunes, no Rio de Janeiro, por sete meses e no Canecão-Anhembi, em São Paulo, por dois.

    9min
  5. 365 LPs Ep 10 - Raul Seixas - Gita - Philips: 1974

    10/04/2020

    365 LPs Ep 10 - Raul Seixas - Gita - Philips: 1974

    Gita é o terceiro álbum solo de Raul Seixas, gravado na Philips e lançado em 1974. É o álbum de maior sucesso da carreira de Raul, com 600 mil cópias vendidas, rendendo ao cantor seu primeiro disco de ouro.Recém-chegado do exílio, Raul posa para a capa do disco vestido de guerrilheiro com uma guitarra vermelha, numa provocação à ditadura militar brasileira, que o forçou a viver nos Estados Unidos na época.Acompanhado de Paulo Coelho, Raul compôs no álbum alguns de seus grandes sucessos, como "Gîtâ" (inspirada num livro sagrado hindu com mais de 6.000 anos, o Bhagavad Gita), "Sociedade Alternativa" (inspirada na obra de Aleister Crowley) e "Medo da Chuva", além de canções que contam apenas com sua autoria, como "O Trem das 7" e "S.O.S.".Outras faixas que falam sobre (ou ao menos mencionam) Aleister incluem a faixa-título, "Trem das Sete" e "Loteria da Bablônia" - esta última teve seu título inspirado por um conto de Jorge Luis Borges. "S.O.S." foi percebida por André Barcisnki como uma cópia de "Mr. Spaceman", dos The Byrds.Este álbum, assim como seu antecessor Krig-ha, Bandolo!, teve algumas de suas canções gravadas em inglês, com traduções de Marcelo Ramos Motta. Raul e Paulo objetivavam fazer sucesso nos Estados Unidos, mas a ideia de lançar as versões não se concretizou.Em meio à concepção de Gita, Raul Seixas e Paulo Coelho foram convidados pela Som Livre para compor a trilha sonora da novela da Rede Globo, "O Rebu", também lançada em álbum homônimo.

    7min
  6. 365 LPs Ep 09 - Construção - Philips: 1971.

    05/04/2020

    365 LPs Ep 09 - Construção - Philips: 1971.

    Construção é um disco do cantor e compositor brasileiro Chico Buarque, lançado em 1971 e composto em períodos entre o exílio de Chico na Itália e sua volta ao Brasil. Liricamente, o álbum é carregado de críticas ao regime militar vigente, principalmente no que concerne à censura imposta pelo governo ("Cordão") e pelo estado indigno no qual as condições individuais se encontravam no país ("Construção"), além de algumas canções mais clássicas e pessoais ("Valsinha" e "Minha História").O disco marca o aguçamento da vertente crítica da poética do autor. Se antes ele harmonizava Bossa Nova com composições veladamente críticas à ditadura brasileira, em "Construção" o cantor mostrou-se mais ousado - como indica os versos iniciais de "Deus lhe Pague", faixa que abre o LP ("Por esse pão pra comer, por esse chão pra dormir"). Em "Samba de Orly", parceria com Toquinho e Vinicius de Moraes, Chico canta abertamente sobre o exílio - o que fez com que a canção fosse parcialmente censurada. A faixa-título é uma crítica sobre um homem que trabalhou arduamente até sua morte. Não faltaram também o lirismo característico do artista, como demostrado em "Olha Maria" e "Valsinha". O álbum conta com arranjos de Magro, então integrante do grupo MPB-4, e do maestro Rogério Duprat.Construção teve grande sucesso comercial. Nas primeiras semanas após seu lançamento, o LP chegou a ter uma demanda de 10.000 discos por dia, o que levou a Philips a contratar duas gravadoras concorrentes para prensá-los, além de obrigar o trabalho em turnos de 24 horas por dia durante quase dois meses. Até então, a gravadora nunca havia vendido tantos discos em tão pouco tempo - 140 mil cópias nas primeiras quatro semanas.Construção foi considerado um marco na música brasileira e na carreira do cantor. Em 1972, uma reportagem da revista Realidade elogiava o álbum, considerado "o melhor disco feito nos últimos vinte anos no Brasil", que "devolvia a Chico o sucesso de 'A Banda'" e o colocava como "nosso artista mais importante, na luta que se travava contra o 'som importado'".A música "Construção" narra a história de um trabalhador da construção civil que foi morto no exercício de sua profissão, em seu último dia de vida, desde a saída de casa para o trabalho até o momento da queda mortal. Nessa letra o Chico observa, organiza e comunica os acontecimentos, ocorridos numa história circular, mas que no final encaminha o personagem para o mesmo fim, sua morte.A letra faz uma forte crítica à alienação do trabalhador na sociedade capitalista moderna e urbana, Quando esse trabalhador ("um pacote flácido/tímido/bêbado) morre, a constatação é de que sua morte apenas atrapalha o "tráfego", o "público" ou o "sábado". Ainda assim, Chico declarou, em entrevista concedida à revista Status, em 1973, que "Construção" não era para ele uma música de denúncia ou protesto. A música chamou a atenção de muita gente inclusive a de Tom Jobim que adorava a canção. Segundo seu filho Paulo Jobim, o pai chegou a recortar a letra da canção, publicada em um jornal da época, e a colou em um caderno. Helena Jobim confirma o entusiasmo do irmão. "Comentava a perfeição da letra, em que Chico [Buarque] usa palavras proparoxítonas, com rara maestria.

    7min
  7. 365 LPs Ep 08 - Doces Bárbaros - Philips: 1976

    20/03/2020

    365 LPs Ep 08 - Doces Bárbaros - Philips: 1976

    Os Doces Bárbaros foi um grupo formado por Gilberto Gil, Caetano Veloso, Maria Bethânia e Gal Costa, em 1976, com a finalidade de realizar uma turnê pelo Brasil para comemorar os dez anos de sucesso em suas carreiras individuais. Com quinze canções novas, compostas exclusivamente para a turnê, a primeira apresentação foi em São Paulo. No repertório, músicas como "Um Índio", de Caetano Veloso; "Pássaro Proibido", de Caetano e Bethânia; e "O Seu Amor", de Gil.O sucesso transformou o show em um disco, gravado ao vivo, e em um documentário que conta a trajetória da turnê e os seus acontecimentos mais marcantes. À época da turnê, Gilberto Gil foi preso em Florianópolis por porte de drogas, fato que acabou sendo registrado no documentário Os Doces Bárbaros, dirigido por Jom Tob Azulay.Como grupo, Doces Bárbaros pode ser descrito como uma típica banda hippie dos anos 70, mas sua característica marcante é a brasilidade e o regionalismo, naturalidade de todos os integrantes.O álbum Doces Bárbaros - Ao Vivo de 1976 é considerado por muitos uma obra prima da música brasileira, mas, curiosamente, na época do lançamento, foi criticado por outros artistas, produtores e críticos musicais.Idealizada por Maria Bethânia, a banda interpretou composições de Caetano e Gil, fora algumas canções de outros compositores como "Fé cega, faca amolada" de Milton Nascimento e o clássico popular "Atiraste uma pedra", de Herivelto Martins.Inicialmente o LP seria gravado em estúdio, mas por sugestão de Gal e Bethânia, foi o espetáculo que ficou registrado, sendo quatro daquelas canções gravadas pouco tempo antes no compacto duplo de estúdio, com as canções "Esotérico", "Chuckberry fields forever", "São João Xangô Menino" e "O seu amor", todas gravações raras. #lp #vinil #docesbarbaros #caetano #gil #bethania #gal #mpb #philips

    9min

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