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Jornalista pela UFOP, criadora do 7° andar, falo sobre sobre filmes que me atraem e a representação da vida humana no cinema. 7andar.substack.com

Episódios

  1. 04/04/2025

    7 | Para onde vai o Flow?

    Flow (2024) é um filme de fantasia, aventura e drama dirigido por Gints Zilbalodis e coescrito por ele e Matiss Kaza. Com 1 hora e 25 minutos de duração, a obra se comunica mais profundamente com o público através de sons, movimentos da câmera, trilha sonora, e composição visual, do que a maioria dos filmes que de fato têm diálogo. Falando da cenografia, Flow é um verdadeiro deleite visual. As cores são vivas, e pulsantes, existe uma materialidade nas paisagens e nos elementos de cena que faz com que cada enquadramento pareça uma pintura em movimento. Os objetos e os animais presentes na narrativa se comportam de maneira surpreendentemente fiel à realidade, o que confere à obra uma verossimilhança poética e sensorial. É uma daquelas experiências cinematográficas que transcendem o simples ato de assistir: sinto como se me alimentasse das cores, como se respirasse o ambiente construído em cada cena. O visual é tão envolvente que, por vezes, me vejo absorvida pela estética. Em outros momentos, fico tão imersa na narrativa que me esqueço de reparar nos detalhes técnicos, tamanha é a potência do enredo. É um filme que me faz viver e sentir como os personagens, fundindo forma e conteúdo de maneira sublime. A intensidade das emoções passadas por Flow, não se encontram em qualquer obra, muito menos o dinamismo com o qual as sentimos. A narrativa também constrói, através das suas paisagens em constante transformação e das relações entre as criaturas, uma reflexão sobre a crise climática. Flow nos lembra que a natureza não é um cenário, mas um personagem central em nossa própria existência e que precisaremos estar unidos para navegarmos juntos o que virá a seguir. Não à toa o filme ganhou o Globo de Ouro de Melhor Animação em 2025 e depois levou o Oscar na mesma categoria. E se você quiser fazer seu próprio filme nesse estilo, não se esqueça de que Flow foi produzido usando o Blender, um software open-source. Esse filme sem dúvida trouxe alguma democratização pros Oscars deste ano. Get full access to 7° andar at 7andar.substack.com/subscribe

    46min
  2. 6 | Ainda não sabemos quem é Anora

    14/03/2025

    6 | Ainda não sabemos quem é Anora

    Anora (2024) é uma comédia dramática que eu particularmente vejo apenas como drama. Dirigido e roteirizado por Sean Baker, tem Mikey Madison como a protagonista Anora Mikheeva, Mark Eydelshteyn como Ivan Zakharov e Yura Borisov como Igor no elenco principal. O filme estreou em 21 de maio de 2024 no 77º Festival de Cinema de Cannes, onde recebeu aclamação da crítica e ganhou a Palma de Ouro. Nos Oscars de 2025, Anora recebeu o oscar de melhor direção, melhor roteiro original, melhor edição e melhor filme, além do oscar de melhor atriz recebido pela Mikey Madison. Depois de tantos prêmios é estranho perguntar: Anora merecia tudo isso? Hollywood sempre gostou de filmes com nudez feminina que finge levantar alguma crítica progressista, como Poor Things (Pobres Criaturas) que rendeu o oscar de melhor atriz para Emma Stone em 2023. A atuação e a direção de Poor Things foram impecáveis e eu fiquei extremamente envolvida com a história, até perceber alguns pontos bem questionáveis na forma como expõe a protagonista e como algumas cenas que brincam com a ingenuidade da personagem também brincam com o público masculino que sente prazer com determinados assuntos. Pelo menos, nem Poor Things, nem Anora, são Kinds of Kindness (Tipos de Gentileza), também lançado ano passado e que vocês podem assistir por própria conta e risco. Felizmente, o filme não recebeu a atenção que talvez buscasse, porque assim como foi lançado, ele sumiu dos comentários da grande mídia. Mas neste episódio eu falo sobre Anora, acompanho o decorrer da história e trago as minhas interpretações sobre a obra que dividiu o público. Get full access to 7° andar at 7andar.substack.com/subscribe

    1h1min

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