Balada musical

RFI Brasil

Todos os sábados, o programa Balada Musical destaca os sucessos da Programação Musical da RFI. A cada edição, a jornalista Daniella Franco e o programador musical Hugo Casalinho apresentam faixas recém lançadas por artistas e grupos célebres na cena cultural e outros que começam a despontar. Aumente o som!

  1. 8 de ago.

    O electro‑folk de Bongeziwe Mabandla: tradição xhosa e sonoridades contemporâneas da África do Sul

    Bongeziwe Mabandla é um cantor e compositor natural de Tsolo, pequena cidade no sudeste da África do Sul. Célebre figura da cena electro-folk sul-africana ele se tornou conhecido por propor uma mistura das tradições culturais do leste do país com sonoridades eletrônicas contemporâneas e letras cantadas na língua isiXhosa. Daniella Franco, da RFI A música sempre esteve presente na vida de Bongeziwe Mabandla. Na infância, ele cantava no coral da igreja, experiência que moldou tanto sua técnica vocal quanto sua relação emocional com o canto e a composição. Mais tarde, mudou‑se para Joanesburgo e ingressou na AFDA, renomada universidade dedicada às artes, ao cinema e às indústrias criativas. Foi ali que consolidou sua linguagem artística — intimista, espiritual e profundamente ligada à cultura xhosa — e começou a subir nos palcos, revelando ao público suas primeiras composições. O primeiro álbum de estúdio de Bongeziwe Mabandla, “Umlilo”, foi lançado em 2012, mesmo ano em que foi um dos dez finalistas do Prêmio Descobertas RFI. Cinco anos depois, chega “Mangaliso”, que será fundamental pra impulsionar sua carreira: concorreu como melhor álbum no South African Music Awards, rendeu a premiação do videoclipe de "Bawo Bam" e abriu caminho para que Mabandla entrasse para a programação de grandes festivais de música. Em junho, o músico lançou pelo selo Black Major seu sexto álbum, "Ndingubani", cujo título significa “Quem sou eu” em isiXhosa. O disco conta com 18 faixas que transitam entre o folk, a eletrônica minimalista, com nuances de indie, sempre em uma atmosfera imersiva e cinematográfica – quase como trilhas sonoras de um filme. Esse é, aliás, um traço muito forte nas composições do Mabandla: uma música de narrativa, com um storytelling que nos envolve e conduz o ouvinte ao singular universo do artista. *** O Balada Musical vai ao ar todos os sábados nos programas da RFI Brasil e também pode ser ouvido no Spotify e no Deezer.

  2. 25 de jul.

    Young Miko: a nova potência do trap e do reggaeton latino

    A rapper porto-riquenha Young Miko é um dos novos talentos do trap, R&B e reggaeton latino. Aos 28 anos, ela tem dois álbuns de estúdio lançados e a versão deluxe de seu último disco conquistou as paradas com hits como “BNB” e “BIAF”, em destaque nesta edição do Balada Musical. Young Miko ou María Victoria Ramírez de Arellano Cardona – seu verdadeiro nome – é uma cantora e compositora, originária de Porto Rico. Aos 28 anos, ela desponta como uma das vozes mais empoderadas da cena urbana atual e uma das principais representantes da comunidade queer da América Latina na música. Young Miko começou a compor em 2018 e estourou em 2023 com o hit “Classy 101” em parceria com o músico colombiano Feid, que a projetou internacionalmente. A partir daí, para seu primeiro álbum “ATT”, foi um pulo! No entanto, apenas um ano depois, a rapper lançou seu segundo disco, “Do Not Disturb”, um trabalho sólido mas que acabou sendo ofuscado pelo ritmo acelerado dos lançamentos. A reviravolta veio neste primeiro semestre, quando a gravadora The Wave Music Group lançou a versão deluxe "Do Not Disturb: Late Check Out." O álbum duplo, com faixas inéditas e uma produção renovada, recolocou o projeto sob os holofotes. O resultado é uma coleção de músicas mais coesa, mais ousada e que finalmente faz justiça ao talento de Young Miko.  *** O Balada Musical vai ao ar todos os sábados nos programas da RFI Brasil e também pode ser ouvido no Spotify e no Deezer.

  3. 4 de jul.

    Aâma: o quinteto de jazz que faz a ponte entre a França e a África

    Aâma é um grupo que transita entre o jazz contemporâneo e sonoridades tradicionais da África e do Mediterrâneo. Baseado em Lille, no norte da França, o quinteto desponta como uma das pepitas da nova cena musical do país. A banda surgiu em 2023, a partir do encontro entre a cantora francesa Emma Prat e o guitarrista Bertrand Maïlar, natural do Chade. Depois, o projeto ganhou corpo com a chegada do pianista Julien Girard, do contrabaixista Sami Foukani‑Descamps e do baterista Xavier Pernet. O primeiro álbum, "Le Jour où tout ira bien" (O dia em que tudo estará bem), lançado em março deste ano pelo selo Ba Zique, reúne treze faixas que convidam o público a atravessar um universo onírico e hipnotizante. O disco entrelaça percussões tradicionais do Chade a práticas musicais como o gnaoua, do Marrocos, e o diwan, da Argélia, criando uma paisagem sonora de rara delicadeza. Já a vocalista Emma Prat navega por influências búlgaras, gregas, turcas e francesas, moldando a voz a cerca de quinze línguas – mesmo sem falar todas elas. Outra fascinante particularidade: em algumas faixas, ela canta em uma língua imaginária, composta por palavras que inventa. Esse conjunto de referências e experimentações resulta em composições singulares, que combinam sensibilidade e ousadia e transcendem gêneros e fronteiras. *** O Balada Musical vai ao ar todos os sábados nos programas da RFI Brasil e também pode ser ouvido no Spotify e no Deezer.

  4. 20 de jun.

    'Jeune & laide': o belo primeiro álbum da belgo-congolesa Camille Yembe

    Pouco mais de um ano após lançar seu primeiro EP, Camille Yembe retorna à cena musical com seu álbum de estreia. "Jeune & laide" é um trabalho intimista e poderoso, no qual a artista belgo‑congolesa aborda as dificuldades e o racismo vividos pela juventude periférica ao ritmo de um cativante techno‑pop. Daniella Franco, da RFI "Jeune et laide" — jovem e feia, em português — traduz um sentimento que Camille Yembé desenvolveu ainda na infância, em Molenbeek, na periferia de Bruxelas, onde nasceu e cresceu. Filha de mãe belga e pai congolês, a artista tinha dificuldade em valorizar seus traços e se reconhecer em uma sociedade em que a branquitude dita os padrões de beleza. Mas as composições de Camille Yembé não se limitam aos traumas físicos: elas se expandem para o coletivo e abordam também o lado mais sombrio da juventude periférica. As dificuldades financeiras, a falta de perspectiva e a estigmatização dos jovens dos bairros populares também estão no centro de seu trabalho — tudo isso embalado por sua voz aveludada e por um envolvente pop eletrônico. A Programação Musical da RFI escolheu para sua playlist a canção "Rien à Fêter" (Nada a festejar). A faixa, que pode ser ouvida nesta edição do Balada Musical, é um manifesto poderoso que traz à tona injustiças silenciadas e a necessidade urgente de soluções. Aumente o som! *** O Balada Musical vai ao ar todos os sábados nos programas da RFI Brasil e também pode ser ouvido no Spotify e no Deezer.

  5. 13 de jun.

    Trio Bakir e seu 1° EP: música eletrônica magrebina de denúncia e resistência

    Bakir é um trio de música eletrônica formado em 2023 por Hicham Id Saïd, Alexandre Bellando e Yoan Guéraud. Baseados entre Marselha, Itália e Marrocos, eles combinam ritmos do Norte da África com batidas eletrônicas e letras de forte teor político. O grupo lançou recentemente seu primeiro EP, “All’Alba”. “All’Alba” (“Ao amanhecer”, em italiano), do selo francês Gros Oeuvre Records, reúne sete faixas que misturam texturas eletrônicas a instrumentos tradicionais marroquinos, cantadas em árabe, francês e italiano. Além de mergulhar na cultura do Magrebe, o EP aborda de maneira contundente alguns dos grandes desafios humanos contemporâneos: migrações, guerras, exílios e as lutas pela liberdade. Desde os primeiros segundos, a mensagem do Bakir se impõe. A faixa de abertura, “Printemps” (Primavera, em francês), traz o célebre slogan entoado pelos manifestantes da Primavera Árabe em 2011: “o povo quer a queda do regime”. Já “Tahia Palestine” denuncia as injustiças sofridas pelo povo palestino e a inação de parte da comunidade internacional ao longo de décadas. No conjunto, “All’Alba” é um trabalho que merece atenção tanto dos fãs de música eletrônica quanto de quem acompanha a produção cultural árabe contemporânea. Original e politicamente vibrante, o EP convida à consciência e ao engajamento por meio da música – lembrando que a cultura também é um espaço de memória, reflexão e mobilização. *** O Balada Musical vai ao ar todos os sábados nos programas da RFI Brasil e também pode ser ouvido no Spotify e no Deezer.

Sobre

Todos os sábados, o programa Balada Musical destaca os sucessos da Programação Musical da RFI. A cada edição, a jornalista Daniella Franco e o programador musical Hugo Casalinho apresentam faixas recém lançadas por artistas e grupos célebres na cena cultural e outros que começam a despontar. Aumente o som!