Coisas Ocultas

Rafael Henrique Censon

Investigando as coisas ocultas na cultura, na linguagem e nos negócios.

Episódios

  1. 2 de mar.

    Sobre o medo de "perder tempo"

    Os chatos e os marqueteiros sempre nos lembram que o maior problema das redes sociais é o FOMO: fear of missing out. Isto é, o medo de perder alguma oportunidade, como ficar em casa vendo os stories dos colegas se divertindo em uma festa para a qual você não foi convidado.Ou ficar de fora de um curso e assim não aproveitar alguma oportunidade intelectual ou financeira, como usamos aqui no mercado digital.Eu acho que esse NÃO é mais o problema.Eu tenho visto o contrário: as pessoas querem perder oportunidades.Por medo de serem rejeitadas, de se sentirem burras ou de perderem tempo, elas preferem manter as coisas como estão. Porque há tanto conteúdo e tanto curso sendo lançado ao mesmo tempo, elas sentem que se não for agora, será daqui a dois meses ou 6 meses ou 2 anos. Ela não se sentem pressionadas para fazer nada.Afinal, melhor um mal conhecido do que um bem desconhecido. A vida está ruim, mas eu me acostumei.Então elas se distraem. Elas fingem que o problema não é com elas. Elas sentam no banco de trás e veem motorista do feed passear com elas.Eu chamo isso de:FODA:Fear Of Doing Anything.O medo de fazer qualquer coisa. Principalmente por medo de perder tempo.Pode parecer exagerado, mas a nossa geração tem medo de atender o telefone,de pegar encomenda com o carteiro;de perguntar ao vendedor da loja;de tirar dúvidas com o professor;de dizer quanto cobra ao cliente.Medo de qualquer coisa que te exponha ao risco de fazer alguma coisa.Por isso somos tão reféns das armas de distração em massa. O algoritmo aqui decide por você o que vai aparecer. Tudo é feito para que você tenha preguiça até de clicar no link na bio para investigar quem você segue.O problema é que você não se sente controlado, mas no controle. Os possuídos não se lembram da possessão.E como todo algoritmo, ele acha que você vai querer hoje as mesmas coisas que você queria ontem. Ele prevê com base no que você ja fez, não no que pode fazer.Existe um motivo pelo qual você sente que a sua vida não anda. A sua vida aqui é pensada para repetir o passado.Eu sei que as coisas estão difíceis.Que você se vê com pouco tempo para dar conta de tanta coisa e gostaria de algum sinal do céu para ter certeza do que fazer.Mas você quer se libertar do que exatamente? Do fardo de decidir o que fazer com a própria vida?E pretende fazer isso deixando que ela aconteça em vez de fazê-la acontecer? Você acha que vai explodir se errar? Você acha que é piloto de nave espacial?Eu queria que você sentisse um pouco mais o medo de perder alguma coisa.Mais FOMO e menos FODA.Deveríamos ter medo de perder o nosso talento.Deveríamos ter medo de perder uma oportunidade de testar nossos sonhos.Deveríamos sobretudo ter medo de perder a melhor parte da vida por medo de estragá-la, não deixando a alma embolorar dentro da embalagem.Arrisque ser rejeitado, arrisque se sentir constrangido e arrisque se arrepender.Arrisque até que essas coisas não pareçam mais riscos — até que pareçam vida.Essa é a maneira mais segura de viver.Meus links:IG: / rafaelcenson Newsletter gratuita: https://rafaelcenson.substack.com/Meus cursos:Anúncios: https://rafaelcenson.com/Mentoria: https://rafaelcenson.com/copycraft/IA: https://rafaelcenson.com/criadoria/Persuasão Visual: https://rafaelcenson.com/glamour

    30 min
  2. 19 de fev.

    A vergonha de começar

    Você já percebeu que existe uma pressão para sermos "originais" enquanto ao mesmo tempo somos incentivados a seguir tendências e fórmulas que funcionam? Esta contradição (ser original enquanto segue modelos) se manifesta como vergonha. Você quer criar conteúdo. Mas não quer criar QUALQUER conteúdo. Quer criar conteúdo COMO fulano. Mas você não pode simplesmente admitir que está criando por causa de fulano sem confessar ao mesmo tempo que seu desejo não é original e ser visto pela sua audiência como alguém sem autenticidade. “Só vai lá e faz” não ajuda muito, né? O recheio mais delicioso desse bolo de constrangimento é que você também sente vergonha DE SENTIR vergonha. "Eu deveria ser confiante!" "Por que me importo tanto com o que pensam?" "Por que não consigo simplesmente criar e depois melhorar?" Como uma boneca russa infernal, você esconde a vergonha dentro da vergonha de ter vergonha. Seria tão menos doloroso entender a vergonha não como um problema, mas como uma característica do desejo humano e necessária para você ser honesto consigo mesmo. Sem isso você não consegue nem fazer aquilo que você quer nem ter força para fazer aquilo que você precisa. Porque não reconhecer a sua ambição e os seus modelos gera vergonha. Enquanto você não for capaz de admitir que fez tal coisa porque tal pessoa te incentivou a fazer e é muito grato por isso, você vai sentir vergonha. O amor nos constrange porque ele nos aceita depois que tiramos nossas máscaras — e nossas roupas. Não precisamos mais esconder que precisamos do outro. A vergonha no fundo é só a experiência que sentimos quando um defeito pessoal que escondemos é descoberto.

    40 min
  3. 14 de fev.

    Ainda existe Plágio?

    “De onde você tira suas ideias?" Quase todo mundo que eu conheço já me perguntou ou vai me perguntar isso e eu vou dar sempre a mesma resposta: eu tiro ideias de todos os lugares. Veja como escrevi o meu último romance, “Harry Potter e a Pedra Mágica”, que será lançado em 2024. Certa manhã eu estava mexendo no celular enquanto deveria tomar café quando vi no meu feed um desenho de uma varinha encantada. A inspiração baixou dos céus como um míssil em mim e de repente toda a história surgiu na minha cabeça. Comecei a fazer anotações quase por uma inspiração psicográfica e só parei quando o suor pingou na última página. Era como se todo o enredo se escrevesse com a mesma mágica do meu protagonista, Harry Potter, que pode no livro mover objetos, atravessar paredes no metrô e voar de vassoura. Como artista de obras ou da própria vida, o segredo é permanecer aberto ao universo. Você nunca sabe o que pode inspirar você. A mesma coisa aconteceu comigo quando escrevi a minha franquia “Batalha nas Estrelas”. Eu estava jogando bolinha de gude com meu sobrinho quando ao acertar com força as bolinhas dele (sem piadas, ok?), imaginei nas faíscas do vidro (vidro solta faísca?) milhares de naves espaciais lançando lasers umas nas outras porque o vilão quer conquistar o universo e o mocinho não sabe que é filho do vilão. O segredo, como eu disse, é estar aberto às ideias… dos outros. Isso é plágio? https://rafaelcenson.substack.com/p/plagio-igual-mas-diferente?utm_source=publication-search

    37 min
  4. Barbie e Barbaridades: por que tanta gente não quer ver o óbvio?

    30/07/2023

    Barbie e Barbaridades: por que tanta gente não quer ver o óbvio?

    Uma crítica da crítica do filme. Eu jamais esperei voltar a fazer podcast com um podcast sobre a Barbie. Mas fiz por alguns motivos que interessam a esse podcaster: Quando as feministas acham que o filme não foi feminista o bastante e os conservadores acham que a Barbie é um panfleto do matriarcado, alguma coisa está errada. Um filme fácil como esse não era para ter causado tanta dificuldade de interpretação se não fosse pela má vontade ideológica em interpretar da pior maneira possível qualquer ironia ou sátira a respeito do seu time político favorito. Vocês se impressionam com o “sentido simbólico” de qualquer coisa porque interpretar simbolicamente qualquer pedaço de uma obra é coisa mais fácil do mundo para mostrar que você não entendeu o “sentido profundo”. Aquele símbolo precisa fazer sentido dentro do TODO da obra. Do contrário, estamos que nem esses crentes fanáticos que veem no  666 em número de telefone e caveira em carta do Yugioh a sinal do demo. Se as pessoas que se dizem conversadoras, defensoras da cultura e da boa inteligência continuarem a ter dificuldades BÁSICAS de interpretação de um filme blockbuster, sem saber a diferença entre uma interpretação descritiva, alegórica ou simbólica, enfim, os níveis possíveis de interpretação, a criação e a disseminação de obras e produtos conservadores está destinada a pregar para convertidos.  Foi o melhor marketing de filme dos últimos anos. É impossível evitar o assunto.  O filme é ruim, mas por outros motivos. Concordou ou discordou? Eu jamais vou saber se você não me seguir no Instagram. Reclame ou elogie lá: https://www.instagram.com/rafaelcenson/

    59 min
  5. Inteligência Artificial x Inteligência Superficial

    17/12/2022

    Inteligência Artificial x Inteligência Superficial

    Nos últimos anos a inteligência artificial saiu dos filmes e passou a habitar a nossa realidade de um modo tão cotidiano que ela passa despercebida. No seu celular, na sua tv, na sua casa, diversos equipamentos e aplicativos hoje usam inteligência artificial. No entanto, foi nos últimos meses que surgiram as ferramentas mais interessantes. Inteligências que transformam textos em imagens, outras transformando imagens em textos, outras textos em músicas, outras textos em melhores textos. Umas decoram a sua casa, outras editam vídeos, criam texturas e modelos em 3D. A pergunta que incomoda nesse cenário é: como isso afeta o meu trabalho? Sobretudo para quem disputa um salário em uma profissão criativa parece que pouca desgraça é bobagem. Quase 90% dessas ferramentas foram criadas especificamente para tarefas criativas. Para avaliar as mudanças que essas ferramentas já causaram no trabalho criativo, chamei meu amigo Luis Marrafon, copywriter sênior, oconsultor em Marketing e atualmente Head de Copy em uma das maiores escolas de Ciência de Dados do Brasil. Espere aprender: o que é Inteligência artificial e se ela pode ser chamada de “inteligente”, se você deve confiar em uma e se você deve ter medo de ser substituído e muito mais. Instagram do Luis: https://www.instagram.com/luismarrafon/ Instagram do Rafael: https://www.instagram.com/rafaelcenson/ Artigo para experimentar as ferramentas citadas: https://rafaelcenson.substack.com/p/inteligencia-artificial-e-inteligencia

    1h 46min

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