Em Dia com o Direito - USP

Jornal da USP

O "Em Dia com o Direito" tem como o objetivo contribuir para o fortalecimento da cultura constitucional, para que os valores constitucionais sejam melhor compreendidos e assimilados pela população. Além disso, trará informações sobre os direitos e deveres do cidadão, e assuntos da área jurídica que permeiam o dia a dia da sociedade. O Programa é transmitido pela Rádio USP (93,7 FM São Paulo e 107,9 FM Ribeirão Preto) às quinta-feira, às 10h40.

  1. há 4 dias

    Em Dia com o Direito #103: Prisão antes da condenação é exceção no processo penal brasileiro

    O Em Dia com o Direito desta semana aborda uma questão recorrente no processo penal: por que algumas pessoas respondem a uma ação penal em liberdade, enquanto outras permanecem presas durante o andamento do processo? Quais são os critérios que justificam essa diferença de tratamento? Para esclarecer essas dúvidas, o episódio conta com a participação de Valter Franco Júnior, estudante da Faculdade de Direito de Ribeirão Preto (FDRP) da USP e estagiário na área criminal, que apresenta, de forma clara e acessível, os principais aspectos das prisões cautelares no sistema penal brasileiro. Ao longo da conversa é explicado que, no Brasil, a regra é que toda pessoa responda ao processo em liberdade, em razão do princípio da presunção de inocência. Isso significa que ninguém pode ser considerado culpado antes do trânsito em julgado de uma sentença penal condenatória. Por isso, a prisão antes desse momento deve ser vista como medida excepcional. O episódio também detalha as hipóteses em que a Justiça pode determinar a prisão antes da condenação definitiva. Nesse contexto, são abordadas as prisões cautelares (preventiva, temporária e em flagrante), que não possuem caráter punitivo, mas sim instrumental. Essas medidas têm como finalidade garantir o regular andamento da investigação ou do processo, preservar a ordem pública, evitar a prática de novos crimes e assegurar a aplicação da lei penal, especialmente em situações de risco de fuga. Outro ponto relevante discutido é o papel do juiz na análise do caso concreto. Cabe ao magistrado avaliar, sempre que possível, a manutenção do investigado ou réu em liberdade, utilizando medidas cautelares diversas da prisão, como a monitoração eletrônica, quando estas se mostrarem suficientes. Tais medidas permitem assegurar a vinculação do agente ao processo, evitando, por exemplo, sua evasão do País, ao mesmo tempo em que preservam as garantias fundamentais. Ao final, fica evidente que as prisões cautelares devem ser aplicadas de forma excepcional, sempre mediante decisão judicial fundamentada, buscando o equilíbrio entre a efetividade da persecução penal e o respeito ao princípio da presunção de inocência.

  2. 15 de jul.

    Em Dia com o Direito #102: Compliance e mercado financeiro – parte 2

    No segundo e último episódio do especial sobre Compliance e Mercado Financeiro, o Em Dia com o Direito aprofunda a discussão sobre os mecanismos de conformidade exigidos das instituições financeiras e os desafios regulatórios trazidos pelas constantes inovações tecnológicas no setor. Dando continuidade ao tema, o episódio conta novamente com a participação de Maria Júlia Chimello, estagiária no setor financeiro e presidente da Liga de Direito Bancário da Faculdade de Direito de Ribeirão Preto (FDRP) da USP, que explica de forma didática como as instituições estruturam seus programas de compliance e quais são as consequências decorrentes do descumprimento das normas regulatórias. Ao longo da conversa é destacado que a conformidade no setor financeiro exige a implementação de mecanismos internos voltados à prevenção de riscos e irregularidades. Nesse contexto, as instituições devem adotar políticas de controle, auditoria, monitoramento de operações, proteção de dados e segurança da informação, além de medidas relacionadas à prevenção de fraudes e lavagem de dinheiro. O episódio também ressalta que tais exigências variam conforme o porte, a complexidade e a atividade desempenhada por cada instituição financeira. Outro ponto relevante abordado diz respeito às consequências do descumprimento das normas regulatórias. Dependendo da gravidade da infração, os órgãos fiscalizadores podem aplicar advertências, multas e restrições operacionais, podendo inclusive ocorrer a perda da autorização para funcionamento. Além das sanções administrativas, o episódio explica que determinadas condutas podem gerar impactos judiciais e, em situações específicas, até responsabilização criminal. Na parte final do episódio são discutidos alguns dos temas mais atuais relacionados ao compliance no mercado financeiro brasileiro. Entre eles, destacam-se o Pix, responsável por transformar a dinâmica dos pagamentos instantâneos; o Open Finance, sistema que permite o compartilhamento padronizado de dados financeiros mediante autorização do cliente; o Drex, projeto de moeda digital desenvolvido pelo Banco Central; e os criptoativos, que vêm demandando crescente atenção regulatória diante da rápida expansão desse mercado. Ao final, fica evidente que o compliance se tornou elemento essencial para garantir segurança, transparência e confiança no funcionamento do sistema financeiro, especialmente em um cenário marcado pela constante inovação tecnológica. Encerrando este especial sobre mercado financeiro, o Em Dia com o Direito reafirma seu compromisso em promover informação jurídica acessível, atual e socialmente relevante.

  3. 3 de jun.

    Em Dia com o Direito #99: Medidas Constritivas

    O Em Dia com o Direito desta semana aborda os mecanismos jurídicos utilizados quando uma decisão judicial não é cumprida espontaneamente. A estudante de Direito da USP Sofia Cruz explica o conceito de medidas constritivas, que são as ferramentas empregadas pelo Estado para garantir a efetividade prática das sentenças. Sofia destaca o uso de sistemas tecnológicos do Judiciário para rastrear o patrimônio do devedor. As principais ferramentas mencionadas incluem o Sisbajud, que prioriza o bloqueio de valores bancários devido à sua rapidez e liquidez; o Renajud, voltado à restrição de veículos; e o Infojud, utilizado para buscas fiscais. Nos casos em que o devedor tenta ocultar seus bens, a acadêmica menciona o sistema Sniper, uma tecnologia capaz de mapear relações e patrimônios escondidos. Também se discute a aplicação de medidas coercitivas indiretas, como a suspensão da CNH e a retenção do passaporte para pressionar o cumprimento da obrigação. Sofia ressalta que a fase de execução não é automática. Cabe ao credor, representado por seu advogado, auxiliar a Justiça ativamente, indicando meios e sugerindo medidas para localizar o patrimônio da parte devedora. Por fim, conclui que o objetivo do processo apenas se concretiza com a satisfação do Direito. O equilíbrio entre a eficácia dessas decisões judiciais e as garantias do devedor é o que sustenta a confiança da sociedade no sistema jurídico.

  4. 6 de mai.

    Em Dia com o Direito #97: Feminicídio – Parte 1

    O Em Dia com o Direito desta semana aborda um tema urgente e profundamente sensível: o crime de feminicídio, considerado a face mais extrema da desigualdade de gênero no Brasil. Diante do aumento constante dos casos, surge uma questão fundamental: o que caracteriza o feminicídio e como ele se diferencia de um homicídio comum? Para tratar do tema, o episódio conta com a participação da doutora Priscila Akemi Beltrame, advogada e especialista em Direito Penal e Direitos Humanos, que apresenta, de forma clara e acessível, os principais aspectos jurídicos e sociais relacionados a essa forma de violência. Priscila explica que o feminicídio não se confunde com o homicídio comum. Enquanto este consiste, de maneira geral, no ato de matar alguém, o feminicídio é caracterizado quando o crime é praticado contra a mulher por razões da condição do sexo feminino, ou seja, quando há contexto de violência doméstica, discriminação, menosprezo ou ódio de gênero. A especialista destaca que o feminicídio foi introduzido na legislação brasileira em 2015 como uma forma de dar visibilidade a esse tipo específico de violência e reforçar a proteção às mulheres. Mais recentemente, em 2024, houve alteração legislativa que conferiu maior autonomia à tipificação penal, evidenciando a gravidade e a especificidade desse crime no ordenamento jurídico. Outro ponto relevante abordado são os dados alarmantes. Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o número de vítimas segue em crescimento, alcançando quase 1.500 casos em 2024. Trata-se de uma violência que atinge mulheres de diferentes idades, classes sociais e regiões, sendo especialmente significativa no interior dos Estados. Por fim, destaca-se que o feminicídio não é um ato isolado, mas, em muitos casos, representa o desfecho de um ciclo contínuo de violência. Por isso, sua compreensão exige não apenas uma análise jurídica, mas também um olhar atento às estruturas sociais que perpetuam a desigualdade de gênero.

  5. 22 de abr.

    Em Dia com o Direito #96: Responsabilidade civil

    O Em Dia com o Direito desta semana foca na responsabilidade civil, princípio que determina a reparação de prejuízos causados a terceiros. Com a participação de Ana Luísa Pereira, estudante de Direito da Faculdade de Direito de Ribeirão Preto (FDRP) da USP, o programa aborda o tema de forma prática, exemplificando-o com acidentes de trânsito e produtos defeituosos, visando sempre à compensação material ou moral da vítima. A convidada explica que o dever de indenizar exige, como regra, a presença de três elementos essenciais. Primeiro, é necessária uma conduta, que pode se dar por ação ou omissão. Em seguida, deve haver a ocorrência de um dano, seja ele patrimonial ou moral. Por fim, é indispensável o nexo de causalidade, que representa a ligação direta e evidente entre a conduta praticada e o prejuízo sofrido. Contudo, destaca-se que a reparação não é automática. Fatores como a culpa exclusiva da vítima ou eventos imprevisíveis podem afastar a responsabilidade. Em contrapartida, existem casos de responsabilidade objetiva, aquela que independe da comprovação de culpa, muito comuns nas relações de consumo, operando sob a lógica de que quem lucra com uma atividade deve assumir os riscos que ela envolve. Por fim, Ana Luísa conclui pontuando que o instituto da responsabilidade civil é vital para garantir o equilíbrio e a justiça social. Ao assegurar que prejuízos a terceiros sejam respondidos, o ordenamento jurídico desestimula atitudes irresponsáveis e promove relações mais seguras e respeitosas.

Sobre

O "Em Dia com o Direito" tem como o objetivo contribuir para o fortalecimento da cultura constitucional, para que os valores constitucionais sejam melhor compreendidos e assimilados pela população. Além disso, trará informações sobre os direitos e deveres do cidadão, e assuntos da área jurídica que permeiam o dia a dia da sociedade. O Programa é transmitido pela Rádio USP (93,7 FM São Paulo e 107,9 FM Ribeirão Preto) às quinta-feira, às 10h40.

Você também pode gostar de