Podcast da Semana

Gama Revista

"Podcast da Semana" traz todo domingo um bate-papo de 30 minutos com um convidado sobre o assunto da semana da Gama Revista.

  1. há 6 dias

    Daniel Martins de Barros: sofrimento e depressão

    Como lidar com o sofrimento? Quando o sofrimento deixa de ser um sentimento normal da vida e passa a ser uma doença, como a depressão? Será que estamos mais intolerantes às dores da vida? Neste episódio do Podcast da Semana, o psiquiatra Daniel Martins de Barros responde a essas e outras questões sobre sofrimento e depressão. “Quando ninguém está olhando, quando ninguém se importa, quando ninguém está nem aí, aí o sofrimento fica insuportável” diz Barros na entrevista. Daniel Martins de Barros é professor colaborador do Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP e médico do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, além de doutor em Ciências e bacharel em Filosofia pela USP. É escritor, com diversos livros sobre saúde mental, entre eles “Sofrimento Não É Doença: Nem todas as dores precisam de remédio, mas todas merecem cuidado” (Ed. Sextante, 2025), que foi finalista do Prêmio Jabuti Acadêmico de 2026. “O sofrimento é um alarme, é uma força motriz para a mudança. Tem coisas que você consegue mudar, e por isso o sofrimento acaba sendo útil. Agora, tem coisas que não têm solução. E aí você vai ter que trabalhar internamente para chegar a estratégias como compartilhar a dor, como ressignificá-la, como criar narrativas para inserir aquele sofrimento”, afirma na entrevista a Gama. Ao podcast, Barros falou sobre o que diferencia o sofrimento da depressão e o que acontece quando não cuidamos das nossas tristezas. Ele dá dicas sobre como identificar e cuidar da depressão na adolescência e reflete sobre como estamos menos tolerantes às dores da vida, algo que para ele pode ser explicado como mais um efeito do avanço da tecnologia. Roteiro e apresentação: Isabelle Moreira Lima

    Daniel Martins de Barros: sofrimento e depressão
  2. 6 de set.

    Milton Hatoum: natureza e espaço urbano

    A história de Manaus, seus problemas estruturais, sociais e até falta de árvores dessa metrópole, localizada no coração da Amazônia, diz muito sobre a nossa relação com a floresta e como ela vem sendo devastada. É sobre isso a conversa com o escritor Milton Hatoum, 74 anos. Seu livro “Crônica de Duas Cidades: Belém e Manaus" acaba de ganhar uma nova edição pela Companhia das Letras. Lançado originalmente em 2006, a obra traz uma crônica dele sobre Manaus e outra do escritor Benedito Nunes, sobre Belém. Nascido e criado em Manaus, Milton Hatoum é um dos maiores escritores brasileiros vivos, autor de livros traduzidos para diferentes países e membro, desde 2025, da Academia Brasileira de Letras. Nesse mesmo ano, Hatoum lançou "Dança dos Enganos" (Companhia das Letras, 2025), que conclui a trilogia que apresenta dramas familiares sob o pano de fundo da ditadura militar. Já “Crônica de Duas Cidades: Belém e Manaus", sobre o qual se baseia este episódio, foi lançado originalmente em 2006 e traz uma visão pessoal e histórica das duas principais metrópoles da Amazônia brasileira, sob o olhar afetivo e crítico de Benedito Nunes e Milton Hatoum. Na conversa com Gama, Hatoum fala das transformação de paisagem a qual observou na sua cidade, do motivos que nos fazem estar tão distantes da floresta e da educação como solução central para os problemas do país. "Vivemos em uma contínua apreensão”, diz. Roteiro e apresentação: Luara Calvi Anic

    Milton Hatoum: natureza e espaço urbano
  3. 30 de ago.

    Ed René Kivitz: espiritualidade no Brasil

    Como desenvolver a espiritualidade? É possível estar em contato com ela sem estar imerso numa religião? Para o pastor Ed René Kivitz a resposta é positiva, mas são as religiões que oferecem um repertório para orientar e apontar caminhos. “E como seria uma pessoa espiritualizada? Seria humana. O que existe de mais divino no ser humano é viver a humanidade com dignidade. Esse é o caminho da espiritualidade”, disse em entrevista ao Podcast da Semana. “A gente tem hoje uma espiritualidade ou uma religiosidade de consumo, é a teologia da prosperidade, a teologia coaching, a teologia do sucesso, do empreendedorismo. Quer dizer, isso é muito contemporâneo, isso causaria espécie nos místicos do passado, de todas as tradições espirituais”, afirma o pastor a Gama. Ed René Kivitz é teólogo e mestre em ciências da religião pela Universidade Metodista de São Paulo. Ele é também escritor e acaba de lançar “Uma Ideia Elegante de Deus” (Zahar, 233 págs., 2026). Kivitz mantém um canal no YouTube com cursos, entrevistas e vídeos em que fala de temas sociais e políticos, e é membro do conselho pastoral da Igreja Batista de Água Branca, onde foi pastor-presidente de 1989 até o ano passado. Na entrevista, o pastor fala sobre como vê a espiritualidade do brasileiro, a relação entre religião e política, e como o mundo acelerado e hiperconectado de hoje torna as relações mais superficiais e as pessoas mais desamparadas. Kivitz também fala sobre como ele se tornou uma voz dissonante na igreja evangélica, mas diz que não está sozinho. “Nesse momento do Brasil há um choque de culturas cristãs, a hegemonia católica sendo confrontada pelo crescimento da Igreja Evangélica no Brasil. A religiosidade do brasileiro hoje está em busca de um de um Deus todo-poderoso que resolva os problemas do país. Nós temos um dos candidatos dizendo que vai declarar o Brasil como pertencente ao Senhor Jesus, como se Jesus fosse ser eleito na urna. É uma coisa contraditória.” Roteiro e apresentação: Isabelle Moreira Lima

    Ed René Kivitz: espiritualidade no Brasil
  4. 9 de ago.

    Maurício Pereira: filhos e música

    “Ter tido tanto contato com as crianças e com essa coisa ancestral que é criar um filho… Imagina um artista ter chance de vivenciar essa proximidade com o universo louco de uma criança e ser obrigado a trazer a tua tradição junto. E, ao mesmo tempo, eu acho que o artista, Maurício Pereira, estava lá, trabalhando no subsolo.” A declaração é do cantor, compositor, letrista e saxofonista Maurício Pereira, convidado do Podcast da Semana do Dia dos Pais. Na entrevista, ele fala sobre seu novo álbum, “O Dia da Girafa”, que tem a participação dos filhos. O Mauricio Pereira é músico desde os anos 1980 e ficou conhecido como integrante da dupla Mulheres Negras, com o André Abujamra. Logo depois, já partiu numa carreira solo que rendeu algumas das letras mais famosas da música paulistana. Ele ficou conhecido como um letrista-cronista, por falar do cotidiano da cidade como poucos. No novo álbum, no entanto, as crônicas são menos sobre as ruas e mais sobre o que passa na sua cabeça. Feito a partir de escritos da pandemia, “O Dia da Girafa” é o primeiro primeiro álbum de inéditas de Pereira desde 2018 e reúne uma série de colaborações de artistas de gerações mais jovens. Entre eles, estão os filhos o violonista Chico Bernardes, que assina a coprodução e a mixagem, e Tim Bernardes de O Terno. Os dois fizeram arranjos e compuseram junto ao pai. A Gama, Pereira fala sobre como é trabalhar com os filhos, como é vê-los seguindo o mesmo caminho que você trilhou, e como é a experiência de ser pai e artista, algo que o Maurício também já colocou em suas letras. “Trabalhar com o Chico nesse disco me mostrou facetas dele, ele foi muito importante na costura musical, como instrumentista. (…) Com o Tim sempre teve muita troca musical também, é um moleque do século 21, muito multidisciplinar”, conta. Roteiro e apresentação: Isabelle Moreira Lima

    Maurício Pereira: filhos e música
  5. 2 de ago.

    Lucas Bulamah: sexo e traição

    É difícil ver a traição como algo que não seja ruim ou imoral. Mas e se a traição for algo inescapável ou até mesmo positiva para a saúde de um relacionamento? É sobre isso que gira o episódio desta semana do Podcast da Semana, que recebe o psicanalista Lucas Bulamah para conversar sobre sexo. “O sexual, por excelência, não pode caber numa relação amorosa, monogâmica. Ele não faz parte da relação. O sexual é, por excelência, traição, ele necessariamente tem que estar fora da relação. E a relação é protegida por essa busca, esse deslocamento do sujeito para um outro lugar, um outro analista, um amante, que visa proteger esse espaço de harmonia, esse espaço de familiaridade que é a relação principal, monogâmica, o casamento, o namoro”, afirma a Gama. Doutor em psicologia clínica pela USP, o psicólogo e psicanalista está lançando “Do Amor e seu Avesso: Uma apologia da traição” (Paidós), em que as razões da traição, algo que pode ser menos complicado que os acordos da não monogamia. Neste livro de ensaios, ele mescla conceitos da psicanálise, com filmes, letras e música e a própria experiência clínica. Na conversa que você ouve nas plataformas de áudio, Lucas fala sobre os acordos de um casamento, sobre caos e prazer e diz que para trair, muitas vezes, não é preciso nem fazer sexo. “A traição prescinde do ato, do corpo de delito. É o que resgata no sujeito algum tipo de circulação erótica”, diz na entrevista. Roteiro e apresentação: Isabelle Moreira Lima

    Lucas Bulamah: sexo e traição
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