Gear in Ear

Renato Rocha Miranda

Sonzeira explicando a Luz www.aobscura.com.br

  1. 9 DE MAR.

    A Nikon Declarou Guerra às Lentes Genéricas — E Pode Ter Atirado no Próprio Pé

    Em janeiro de 2026, a Nikon moveu uma ação judicial contra a Viltrox na China, alegando violação de patentes relacionadas ao protocolo de comunicação do sistema Z-Mount. A notícia correu rápido nos fóruns e grupos de fotografia. Mas o que parecia ser apenas mais uma disputa corporativa entre empresas de equipamentos fotográficos revelou um efeito colateral que poucos esperavam — e que afeta diretamente quem fotografa no Brasil. Semanas depois da ação da Nikon, duas outras marcas de lentes chinesas compatíveis com o sistema Nikon Z simplesmente sumiram das prateleiras digitais: a Sirui e a Meike retiraram silenciosamente seus produtos AF para Nikon Z do mercado. Sem comunicado oficial. Sem explicação detalhada. Apenas ausência. O que a Nikon realmente processou? O coração da disputa está no protocolo de comunicação entre a câmera e a lente — os dados que permitem o autofoco, a estabilização e a troca de informações em tempo real. A Nikon alega que a Viltrox copiou elementos proprietários desse protocolo para fabricar lentes compatíveis com o mount Z sem pagar royalties ou obter licenciamento. A Viltrox, por sua vez, declarou publicamente que não vai alterar seu roadmap de produtos. Em outras palavras: a briga está longe de terminar. Mas enquanto ela se desenrola nos tribunais, a mensagem chegou às outras marcas chinesas do setor de forma cristalina — brincar no jardim da Nikon agora tem risco jurídico. E aí a Sirui saiu. E a Meike foi atrás. O Brasil no meio dessa guerra Se você mora nos Estados Unidos ou na Europa, talvez a saída da Sirui e da Meike do mercado Nikon Z seja um inconveniente. Aqui no Brasil, é um problema de outra dimensão. O fotógrafo brasileiro que escolhe o sistema Nikon Z enfrenta uma equação brutal: o câmbio do dólar, os impostos de importação, o custo do frete e a margem dos distribuidores transformam qualquer lente “acessível” em algo que exige planejamento financeiro sério. Uma lente Nikon S-Line de entrada, como a Z 50mm f/1.8 S, pode custar entre R$ 4.500 e R$ 5.500. A versão Viltrox equivalente — a 56mm f/1.4 AF — chegava ao mercado por menos da metade disso. Para quem está começando, para quem trabalha com fotografia de eventos mas não vive exclusivamente disso, para quem quer experimentar uma focal diferente antes de investir no produto de marca, as lentes de terceiros não eram luxo — eram a porta de entrada. Lentes Sirui AF para Z-Mount, como a 75mm f/1.8, tinham uma proposta de valor única. A Meike, conhecida por opções mais básicas mas funcionais, completava o ecossistema de escolhas acessíveis. Com as duas fora, o fotógrafo brasileiro que usa sistema Z fica ainda mais dependente das lentes Nikon — que, diga-se de passagem, não ficaram mais baratas. O paradoxo da Nikon: afastando quem poderia salvá-la Aqui está o argumento que a Nikon parece não querer enxergar — ou que enxerga, mas prefere ignorar por razões de curto prazo. A Nikon perdeu participação de mercado de forma consistente ao longo da última década. A ascensão da Sony no segmento mirrorless, seguida pelo investimento agressivo da Canon no sistema RF, deixou a empresa japonesa em uma posição cada vez mais delicada. O sistema Z, lançado em 2018, chegou tarde e com um catálogo de lentes nativas caro e inicialmente limitado. O que manteve muitos fotógrafos dentro do ecossistema Z foi exatamente a expansão promovida pelas marcas de terceiros. A Viltrox, a Sirui e a Meike fizeram pelo sistema Z o que a Nikon demorou anos para fazer por conta própria: populá-lo com opções em diferentes focais, diferentes faixas de preço e diferentes públicos. Existe um fenômeno bem documentado no universo dos sistemas de câmera: o fotógrafo que começa com uma lente genérica, aprende a usar aquela focal, desenvolve afinidade com aquele ângulo de visão — e eventualmente quer a versão “de verdade”. A lente de terceiros funciona como um funil de desejo. Quem compra a Viltrox 85mm f/1.8 AF para Z muitas vezes sonha com a Nikon Z 85mm f/1.2 S. Quem começou com a Meike ganhou confiança no sistema e continuou investindo nele. Ao processar a Viltrox e assustar a Sirui e a Meike para fora do mercado, a Nikon não está protegendo seu ecossistema — está encolhendo ele. O que esperar agora? O cenário mais imediato é de escassez. Quem usa sistema Nikon Z e precisava de opções acessíveis em focais intermediárias (50mm, 56mm, 75mm, 85mm) vai encontrar um mercado mais restrito. Lentes de segunda mão vão valorizar. As Viltrox disponíveis em estoque ainda circulam, mas a reposição está em compasso de espera. A médio prazo, tudo depende do desfecho do processo judicial. Se a Nikon vencer, abre precedente para exigir licenciamento de todas as marcas que queiram fabricar lentes para Z-Mount — o que pode inviabilizar economicamente a maior parte dessas empresas ou encarecer seus produtos. Se a Viltrox resistir ou conseguir um acordo, o mercado se normaliza. Mas há um terceiro caminho que raramente é discutido: fotógrafos migrando de sistema. A Sony E-Mount é aberta e tem um ecossistema de terceiros robusto e estável. A Sigma, a Tamron, a Viltrox e dezenas de outras marcas fabricam lentes Sony sem ameaça judicial. A Canon RF, apesar de mais fechada do que a Sony, ainda tem opções de terceiros disponíveis. Para o fotógrafo brasileiro que está escolhendo seu primeiro sistema mirrorless agora, ou considerando migrar, a insegurança jurídica do Z-Mount virou um fator de decisão. O que fazer se você usa sistema Nikon Z? Se você já tem lentes de terceiros compatíveis, elas continuam funcionando normalmente. A ação judicial não afeta produtos já vendidos. Se você estava planejando comprar uma Sirui ou Meike para Z, vai precisar garimpar os estoques restantes com distribuidores nacionais ou importadoras — ainda há unidades disponíveis, mas a reposição está incerta. Se você está pensando em entrar no sistema Z agora, avalie com atenção o custo total do ecossistema. As lentes nativas Nikon são excelentes — mas são caras. O sistema ficou menos atraente para quem tem orçamento limitado. Se você já considerou Sony ou Canon, talvez seja hora de pesquisar com mais seriedade. O E-Mount, em particular, tem hoje um dos ecossistemas de terceiros mais ricos e estáveis do mercado. Conclusão: uma guerra de que ninguém precisava A Nikon tem o direito de proteger suas propriedades intelectuais. Isso é legítimo e previsto em lei. Mas direito legal e estratégia inteligente de negócios são coisas distintas. Em um momento em que a marca precisa desesperadamente crescer sua base de usuários, especialmente em mercados emergentes como o Brasil, escolher brigar com as marcas que popularizavam seu sistema parece — no mínimo — uma decisão equivocada. O fotógrafo brasileiro não tem R$ 5.000 sobrando para testar uma focal nova. Ele tem um orçamento apertado, uma câmera que comprou com sacrifício e um sonho de fazer boas imagens. As lentes genéricas eram aliadas desse sonho — e também, indiretamente, aliadas da Nikon. Tirar essas lentes do tabuleiro pode ter parecido uma vitória nos corredores jurídicos da empresa. Nos corredores das lojas e nos grupos de fotografia do Brasil, parece outra coisa. Parece despedida. Fontes: PetaPixel, NikonRumors, Asobinet A OBSCURA é a maior newsletter de fotografia do Brasil. 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  2. 8 DE MAR.

    Ela Inventou Robert Capa. A História Nunca Contou.

    Assine gratuitamente a OBSCURA Você já ouviu falar de Robert Capa. Provavelmente conhece O Soldado Caído — aquela imagem de um miliciano espanhol no exato momento em que é atingido, a foto mais famosa da Guerra Civil Espanhola e uma das mais icônicas de toda a história do fotojornalismo. Você sabe o nome do fotógrafo. Mas existe uma boa chance de que você nunca tenha ouvido falar de Gerda Taro. E esse esquecimento não é acidente. É o resultado de décadas de uma história contada pela metade. Escrevi sobre Capa recentemente, incluí um livro sensacional que narra a história dos dois na Guerra Civil Espanhola, vale a leitura, clique abaixo: Paris, 1934. O começo de tudo. Gerta Pohorylle havia chegado a Paris como refugiada. Filha de judeus de classe média, cresceu em Stuttgart, na Alemanha, e foi presa em 1933 por distribuir propaganda antinazista nas ruas. Com a ascensão de Hitler ao poder, a família se dispersou. Ela foi para Paris com quase nada. Na Cidade Luz, conheceu dois jovens fotógrafos igualmente deslocados: David Seymour e André Ernö Friedmann, um húngaro sem dinheiro, com francês péssimo e uma câmera. Os dois se apaixonaram. E juntos, arquitetaram um plano. No começo, “Robert Capa” era o nome sob o qual Friedmann, Gerda e Seymour assinavam suas fotos. Normalmente, Friedmann tirava as fotos, Gerda as vendia e quem recebia o crédito era o imaginário Capa. A lógica era simples e brutal: nomes judeus e estrangeiros não vendiam. Nomes americanos, sim. Ao adotarem as novas identidades, Capa conseguiu vender suas fotos por até três vezes mais do que recebia antes, iniciando sua fama como o maior fotógrafo de guerra do século XX. Capa fotografava, Gerda, com seu ar desenvolto e um francês sem sotaque, vendia as fotos nas agências. André Friedmann havia desaparecido. Ela não era a assistente. Ela era a arquiteta do mito. A fotógrafa que ninguém via -Assine gratuitamente a OBSCURA Com o tempo, Gerda começou a fotografar também. E fotografava bem — com um estilo próprio, enquadramentos distintos, uma câmera Rollei que produzia imagens quadradas enquanto Capa usava sua Leica retangular. Ela começou a comercializar suas fotos sob o nome de Photo Taro para várias revistas de peso, como a Life e a Volks-Illustrierte. Em 1936, com o início da Guerra Civil Espanhola, os dois foram enviados para Barcelona. Gerda era a única mulher fotojornalista a cobrir o conflito. Fotografava soldados, civis, trincheiras, o cotidiano da guerra — de perto, sem distância segura. Os três procuravam sempre estar perto da ação, munidos com câmeras de 35mm de fácil transporte. Tomaram posições políticas que reverberaram em seus trabalhos, reconhecendo-se na condição de imigrantes judeus contra o ditador espanhol Francisco Franco. E aqui está o detalhe que a história oficial preferiu ignorar durante décadas: há suspeitas até hoje de que muitas das fotos da Guerra Civil Espanhola creditadas a “Robert Capa” tenham sido tiradas por Gerda Taro. Até 1937, quase todas as fotografias de Gerda eram publicadas sem crédito — ou creditadas ao nome fictício que ela própria havia ajudado a criar. Brunete. 26 de julho de 1937. Em julho de 1937, Gerda Taro e o jornalista Ted Allan estavam juntos na cobertura da Batalha de Brunete. A fotógrafa trabalhava registrando o Segundo Congresso Internacional de Escritores para Defesa da Cultura, na cidade de Madrid, quando se deslocou para a frente de batalha, contrariando a proibição do jornal, que alegava grande perigo. Um general polonês que combatia ao lado dos republicanos, ao vê-la, ordenou que abandonasse o local imediatamente. Ela desobedeceu. Um tanque desgovernado do exército republicano colidiu com o carro em que ela estava sendo transportada. Gerda foi mortalmente ferida no estômago. Ela morreu no dia seguinte. Tinha 26 anos. Era a primeira fotojornalista mulher a morrer em combate. Capa soube da notícia lendo o jornal no dentista e nunca se recuperou do trauma. Seu corpo foi levado para Paris. O funeral atraiu milhares de pessoas. Ela se tornou mártir da causa antifascista, símbolo do fotojornalismo revolucionário — e, gradualmente, foi sendo reduzida a uma nota de rodapé na biografia de Robert Capa. A Maleta Mexicana Por décadas, grande parte do trabalho fotográfico da Guerra Civil Espanhola ficou perdida. Antes de partir de Paris, com medo de ser enviado a um campo de concentração por sua origem judaica, André Friedmann — o homem que o mundo passou a conhecer como Robert Capa — entregou cerca de 4.500 negativos para um conhecido, pedindo que os enviasse para os Estados Unidos. Os negativos desapareceram. Viraram lenda. Em 2007, a “Maleta Mexicana” foi reapresentada pelo International Center of Photography, em Nova York. Entre os episódios revelados, descobriu-se que muitas das imagens atribuídas a Robert Capa durante a Guerra da Espanha eram, na verdade, de Gerda Taro. Setenta anos depois da morte dela. Setenta anos para que o crédito começasse, finalmente, a ser acertado. O que a fotografia não contou A história do fotojornalismo de guerra é contada, em grande parte, através de um nome: Robert Capa. O húngaro corajoso, o romântico irredutível, o homem que disse que “se suas fotos não são boas o suficiente, você não estava perto o suficiente.” Mas essa frase, esse mito, essa identidade — tudo isso foi construído em parceria. Gerda Taro não era a acompanhante de Robert Capa. Era a metade de Robert Capa. Ela criou o personagem. Ela vendeu as fotos. Ela foi para a frente de batalha quando a maioria recuava. E ela morreu fazendo o trabalho que amava — enquanto o nome que ela ajudou a inventar continuava crescendo sem ela. Existe um paradoxo cruel na história de Gerda Taro: ao criar Robert Capa, ela garantiu que o trabalho chegaria ao mundo — mas também garantiu que seu próprio nome ficaria invisível por décadas. Hoje, oitenta e oito anos depois, a fotografia começa a acertar essa conta. Se você chegou até aqui pelo carrossel — esse é só o começo. A história da fotografia está cheia de nomes que merecem ser lembrados. A Obscura está aqui para isso. Assine gratuitamente a OBSCURA Tags: #gerdataro #robertcapa #fotografiadeguerra #fotojornalismo #mulheresnafotografia #historiadafotografia #guerracivilespanhola #fotografiahistorica #diadamulher #bastidoresinvisiveis #fotografas #fotografiafeminina #obscura #fotohistoria #fotojornalista #patrimoniovisual #fotografiabrasileira #culturavisual This is a public episode. If you'd like to discuss this with other subscribers or get access to bonus episodes, visit www.aobscura.com.br/subscribe

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  3. 26 DE FEV.

    O celular que quer ser sua câmera, seu editor e seu assistente. Ao mesmo tempo.

    Existe um ritual bem conhecido entre fotógrafos que usam celular profissionalmente. Você tira a foto, abre o Lightroom Mobile, passa uns bons minutos ajustando exposição, temperatura e clareza, exporta, abre outro app pra remover aquele elemento incômodo do fundo, exporta de novo, e só então posta. É um fluxo funcional. É chato. E a Samsung acredita que acabou. O Galaxy S26 Ultra foi apresentado ontem em São Francisco com uma proposta que vai além de especificação: ele quer ser o fim desse fluxo de três apps. E, olhando com cuidado para o que foi mostrado, há razões reais para levar isso a sério — e razões igualmente reais para não se deixar levar pelo hype de evento. f/1.4. O que isso significa de verdade? Vamos começar pelo hardware, porque é onde a conversa fica honesta. A câmera principal do S26 Ultra abre agora em F1.4. Era F1.7 no S25 Ultra. Parece pouco no papel — uma diferença de 0.3 — mas em termos de captação de luz, estamos falando de 47% mais entrada de luz. É a diferença entre uma foto noturna que funciona e uma que você vai descartar. Para colocar em perspectiva: F1.4 é a abertura de uma lente prime decente. Uma 50mm F1.4 para mirrorless custa entre R$ 1.500 e R$ 4.000 dependendo da marca. Obviamente o sensor do celular é incomparavelmente menor, e física é física — mas a Samsung está jogando com essa comparação intencionalmente, e não está completamente errada em fazê-lo, mas prepare-se: a paranóia fotográfica das câmeras maiores está chegando aos celulares. A teleobjetiva de 50 MP também melhorou, chegando a F2.9 com 37% mais brilho no zoom óptico de 5x. Para quem fotografa eventos, palcos ou qualquer coisa com distância e pouca luz — shows, casamentos em espaços grandes, esportes noturnos — essa combinação é genuinamente nova. O que ainda me faz pausar: a câmera Ultra Wide ficou igual. 50 MP, F1.9, sem grandes novidades. Para paisagistas e arquitetos que dependem do ângulo aberto, o salto é menor do que os headlines sugerem, para ser sincero: não há salto. A IA que lê sua tela antes de você pedir Aqui é onde fica interessante — e um pouco inquietante, dependendo do seu temperamento. O recurso mais importante do S26 não é a câmera. É o Now Nudge. Ele é um agente de IA que monitora o que está acontecendo na sua tela em tempo real e oferece sugestões contextuais sem você precisar pedir nada. Alguém te manda mensagem pedindo fotos da última viagem? O Now Nudge já identificou isso, já selecionou as imagens do período correto na Galeria e te apresenta um atalho para compartilhar com dois toques. A Samsung chama isso de “proativo”. Outros poderiam chamar de “vigilante”. A empresa foi cuidadosa em deixar claro que tudo isso é processado localmente no dispositivo, com o que chamam de Personal Data Engine — seus dados ficam criptografados no aparelho, não vão para a nuvem a menos que você autorize. É o tipo de coisa que precisa ser verificado na prática ao longo do tempo, não apenas acreditado numa apresentação de produto. O que é inegável: o fluxo de edição ficou muito mais fluido. O Foto Inteligente agora aceita comandos em linguagem natural. Você digita “tira a pessoa do fundo” ou “deixa o céu mais dramático” e a IA executa. Não é Photoshop. Não vai substituir um retoque técnico sério. Mas para 90% das fotos que você posta no dia a dia, é rápido e funciona. O Estúdio Criativo vai na mesma direção: você descreve ou rabisca e a IA gera um pacote de stickers para o seu teclado. Parece fútil até você perceber que criadores de conteúdo passam horas por semana fazendo exatamente isso em ferramentas separadas. Leia o que o Videofotista, nosso parceiro, escreveu sobre esse lançamento: A Apple chegou atrasada — e no Brasil isso dói mais Não dá para falar do S26 sem falar do iPhone. Não porque a Samsung necessite dessa comparação para se justificar, mas porque a maioria das pessoas que vai considerar comprar um S26 Ultra está saindo de um iPhone ou pensando em trocar. O elefante na sala é este: a Apple Intelligence, o sistema de IA da Apple, ainda não funciona em português do Brasil. Não é uma questão de recursos limitados — é uma questão de ausência. Quem comprou um iPhone 16 Pro esperando usar IA no dia a dia em PT-BR ainda está esperando. A Samsung entrega Galaxy AI completo em português desde agora. Now Nudge, Foto Inteligente, Bixby com linguagem natural, Search with Finder — tudo em português, tudo funcional na largada. Para o mercado brasileiro, onde somos historicamente os últimos a receber features de software, isso é uma inversão notável. Em câmera, a comparação também favorece a Samsung nos números: 200 MP contra 48 MP na principal, zoom digital de 100x contra 25x, F1.4 contra F1.78. A Apple compensa com consistência de cores e processamento de imagem que muitos fotógrafos preferem pelo resultado final mais “cinematográfico”. É uma questão de gosto tanto quanto de especificação — mas em termos de versatilidade técnica, o S26 Ultra leva. A única vantagem objetiva que o iPhone mantém, e não é pequena: longevidade de suporte de software. A Apple garante 7 anos de atualizações. A Samsung promete 7 também agora, mas tem histórico mais curto para provar. R$ 15 mil. Vale a pena? Depende de onde você vem. Essa é a pergunta que todo mundo vai fazer e que poucos sites respondem com honestidade. Então vamos direto. Se você tem S22 Ultra ou anterior: sim. O salto é grande o suficiente para justificar — câmera, IA, design mais fino, bateria que carrega 75% em 30 minutos. Com o programa de Troca Smart da Samsung, que aceita qualquer aparelho em qualquer condição, o preço real cai consideravelmente. Se você tem S23 Ultra: sim, especialmente se câmera é central no seu trabalho. A abertura F1.4 e o pacote Galaxy AI completo que o S23 não recebe mais são argumento suficiente para criadores. Se você tem S24 Ultra: talvez. O único recurso genuinamente exclusivo do S26 Ultra — aquele que o S24 nunca vai ter — é a Tela de Privacidade. É uma tela que usa tecnologia de ângulo de visão para escurecer o display para quem olha de lado. Inédita em qualquer smartphone. Se você trabalha em espaços públicos, avião, coworking, ou simplesmente não quer que o vizinho leia sua tela no metrô, é um diferencial real. Para todos os outros: espera mais um ciclo. Se você tem S25 Ultra: não. Um ano não é tempo suficiente para sentir esse salto no bolso. O veredicto da Obscura O S26 Ultra é o melhor smartphone para fotografia e vídeo disponível agora. Dito isso, “melhor” nunca foi sinônimo de “necessário”. O que a Samsung fez de mais inteligente aqui não foi o F1.4. Foi integrar a IA de uma forma que resolve problemas reais do fluxo de trabalho de quem cria imagens — sem exigir que você aprenda novos apps ou mude seus hábitos. O Now Nudge, o Foto Inteligente por texto e o processamento local de dados são a camada que transforma especificação em uso cotidiano. Para fotógrafos profissionais que usam celular como câmera secundária ou de bastidores: o S26 Ultra merece atenção séria. A câmera F1.4 em condições de baixa luz abre possibilidades que câmeras de celular simplesmente não tinham até agora. Para criadores de conteúdo que vivem no fluxo foto-edita-posta: é o upgrade mais relevante dos últimos três anos, aqui o Samsung engole a Apple, que produz o telefone mais irritante da Terra ( e olha que eu uso um Iphone 16 Pro Max) Para quem tem iPhone e está curioso: o argumento mais forte não é a câmera. É que a IA da Samsung já fala português — e a da Apple ainda não. O preço começa em R$ 7.499 no S26 base e chega a R$ 15.499 na versão Ultra com 1TB. É caro. O Brasil sempre paga mais. Mas pela primeira vez em um bom tempo, a Samsung lançou algo que justifica a conversa. Quer o briefing completo? Preparei um documento exclusivo com fichas técnicas detalhadas de todos os modelos, tabela comparativa Galaxy S26 Ultra vs. iPhone linha a linha, guia de upgrade por geração e todos os preços no Brasil. É o material que eu uso antes de escrever — organizado, consultável, direto. Baixe gratuitamente ao assinar a Obscura A OBSCURA é a maior newsletter de fotografia do Brasil. Assine e receba nossos posts gratuitamente no seu email This is a public episode. If you'd like to discuss this with other subscribers or get access to bonus episodes, visit www.aobscura.com.br/subscribe

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  4. 24 DE FEV.

    O Lobo de 3.200 Dólares: A Nikon 70-200mm f/2.8 VR S II e a Inflação da Nitidez.

    A Nikon não está brincando. A nova 70-200mm f/2.8 VR S II chegou para provar que a montagem Z ainda tem lenha para queimar, mas o preço de U$ 3.196,95 é um choque de realidade. A Engenharia do “Lobo” O que justifica o título de “Lobo em pele de cordeiro”? A Nikon conseguiu reduzir o peso para apenas 998 g (sem o pé de tripé). Para comparação, a versão anterior pesava cerca de 1.360g. São 360 g a menos pendurados no seu pescoço durante um casamento de 8 horas ou uma final de campeonato. Os destaques técnicos que fazem a diferença na “pancadaria” do dia a dia: * design ótico atualizado de 18 elementos e 16 grupo, beneficiando a qualidade da imagem. Um diafragma arredondado de 11 lâminas confere ao bokeh da lente uma aparência mais arredondada, e o design ótico também proporciona reduções significativas em fantasmas e reflexos. * sistema "Silky Swift Voice Coil Motor” da Nikon utiliza ímãs em vez de engrenagens para obter melhorias em velocidade, precisão e controle de ruído. Como o próprio nome sugere, o sistema de autofoco também beneficia a produção de vídeo, reduzindo a oscilação da imagem durante o foco seletivo. * O “Fator Nitidez”: As curvas MTF mostram algo assustador. Em f/2.8, ela entrega mais contraste e resolução nas bordas do que a versão anterior entregava no centro. É a “nitidez cirúrgica” que o fotógrafo de elite exige. “Com uma abertura constante rápida de f/2.8 e uma faixa focal versátil, a 70-200mm f/2.8 está bem estabelecida como a lente essencial para fotografar esportes, retratos, casamentos e muito mais, com excelente desempenho em baixa luminosidade e um bokeh naturalmente belo" O Realidade Check: 3.200 dólares no Brasil Aqui na Obscura, a gente faz a conta que o marketing não faz. Com o dólar atual e a cascata de impostos, essa lente chega para o profissional brasileiro beirando os R$ 30.000 a R$ 40.000 (dependendo de como você a traz). Característica da sua classe, a 70-200mm f/2.8 VR S II também apresenta uma Redução de Vibração aprimorada, compensando seis pontos de trepidação da câmera e beneficiando a fotografia em condições de pouca luz na extremidade teleobjetiva da faixa de zoom. A nova lente é composta por 18 elementos dispostos em 16 grupos e inclui elementos super ED, ED asférico, ED, asférico, fluorita e refrativo de comprimento de onda curto (SR) para, como descreve a Nikon, corrigir eficazmente as aberrações da lente, proporcionando uma renderização mais nítida e natural. Ela também utiliza o revestimento Meso Amorphous Coat da Nikon — que a empresa afirma ser o melhor revestimento antirreflexo já produzido — bem como o revestimento ARNEO, projetado para suprimir fantasmas e reflexos. Além disso, é resistente à poeira e às intempéries. A qualidade de construção da lente faz jus à reputação da sua designação “S-line”, oferecendo vedação avançada contra intempéries, diversos botões e anéis personalizáveis, um para-sol redesenhado com janela de ajuste de filtro e um encaixe para tripé tipo Arca com capa protetora. O autofoco é impulsionado por um motor VCM "Silky Swift" aprimorado, que é o sistema de foco linear da Nikon, e a empresa afirma que ele pode focar 3,5 vezes mais rápido durante o zoom e é cerca de 40% mais rápido no geral do que seu antecessor. Vale o upgrade? Se você vive de esporte, vida selvagem ou eventos de altíssimo padrão onde a fadiga física é seu maior inimigo, a redução de peso e o foco instantâneo são investimentos em saúde e entrega. Mas, para a maioria dos mortais, a Versão I (S-Line) continua sendo um “monstro” que agora vai inundar o mercado de usados com preços muito mais atraentes. Comento sobre isso aqui: A Nikon criou a lente perfeita. O problema é que ela parece ter esquecido que o resto do mundo não ganha em dólar. A nova lente zoom teleobjetiva junta-se à lente zoom padrão NIKKOR Z 24-70mm f/2.8 S II como a mais recente integrante da "trindade" de lentes da Nikon. O termo refere-se ao conjunto de lentes zoom de nível profissional — grande angular, padrão e teleobjetiva — que oferece cobertura de distância focal quase completa com uma abertura máxima fixa e ampla em toda a faixa. Um belo aviso a quem ainda tem as versões DSLR para pensarem melhor a insistência em permanecer em um sistema que não receberá novidades tão cedo e já enfrenta dois modelos absurdos de bons nas mirrorless. E aí? Investiria 30 mil nessa lente? Comente aqui embaixo! A OBSCURA é a maior newsletter de fotografia do Brasil. Inscreva-se e receba nossos postsno seu email gratuitamente This is a public episode. If you'd like to discuss this with other subscribers or get access to bonus episodes, visit www.aobscura.com.br/subscribe

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  5. 9 DE FEV.

    A Queda da Nikon e a Ascensão da Fujifilm: Mesmas Desculpas, Destinos Opostos

    Existe um momento revelador quando duas empresas concorrentes, do mesmo país, do mesmo setor, enfrentando exatamente as mesmas condições macroeconômicas, apresentam resultados financeiros diametralmente opostos. É nesse contraste que a verdade aparece nua e crua: não é o mercado que define o sucesso. É a estratégia. A Nikon e a Fujifilm acabaram de publicar seus resultados financeiros do terceiro trimestre do ano fiscal de 2025. Ambas citam tarifas americanas, taxas de câmbio desfavoráveis e um mercado competitivo como desafios. Mas enquanto uma sangra milhões em prejuízo, a outra bate recordes históricos de receita e lucro. Vamos aos números: A Nikon em Queda Livre A Nikon reportou um prejuízo operacional de 103,6 bilhões de ienes — quase US$ 660 milhões — nos primeiros três trimestres do ano fiscal. Só no terceiro trimestre, o prejuízo operacional foi de 98,8 bilhões de ienes (US$ 629 milhões). Sim, parte desse rombo vem de perdas cambiais e baixas contábeis de ativos. Mas o problema vai além: a divisão de produtos de imagem, que representa quase 50% da receita total da empresa, também está em apuros. A receita caiu, o lucro operacional ficou 11 bilhões de ienes (US$ 70 milhões) abaixo das expectativas — uma queda de quase 35% em relação às projeções do ano passado. Mas aqui está o mais chocante: em novembro de 2024, apenas três meses atrás, a Nikon reportou crescimento saudável de 14,1% em receita e 3,6% em lucro operacional na divisão de imagem. A empresa havia vendido 410 mil câmeras no semestre e estava otimista. Fast forward para fevereiro de 2026: prejuízo de $660 milhões, projeções cortadas, executivos sem bônus. Não foi uma agonia lenta. Foi uma queda livre. E isso é ainda mais assustador do que uma crise prolongada — mostra o quão vulnerável a estratégia da Nikon se tornou quando o vento virou. E o mais assustador? Desde 2022, as vendas de câmeras da Nikon estão completamente estagnadas. A empresa reduziu suas projeções de 950 mil para 900 mil câmeras vendidas este ano, e de 1,4 milhão para 1,3 milhão de lentes. A Nikon lançou produtos excelentes recentemente: a Z5 II, a Z50 II, a câmera de cinema ZR. Mas não cresceu. E quando você não cresce num mercado onde outras empresas estão explodindo, o problema não é externo. A cereja do bolo? O CEO e o presidente da empresa abriram mão dos bônus e compensações em ações. Quando a alta liderança renuncia à própria remuneração, você sabe que o buraco é fundo. A Fujifilm em Festa Do outro lado da rua, a Fujifilm está comemorando. Receita recorde. Lucro recorde. Crescimento de 4,4% na receita geral e 14,6% na divisão de imagem em relação ao ano anterior. O lucro operacional da divisão de imagem subiu 12,9%, alcançando 55,1 bilhões de ienes (US$ 351 milhões). E tem mais: a empresa projeta que o quarto trimestre continuará essa trajetória ascendente, marcando o 16º ano consecutivo de aumento de dividendos. O que a Fujifilm fez de diferente? Primeiro: diversificação inteligente. Enquanto a Nikon deposita metade de suas fichas em câmeras mirrorless de alta performance para entusiastas e profissionais — um mercado que, embora estável, é limitado —, a Fujifilm investiu pesado na Instax. Sim, aquelas câmeras instantâneas que você vê nas mãos de adolescentes no TikTok e em festas. A linha Instax acaba de ultrapassar 100 milhões de unidades vendidas cumulativamente. E a empresa está tão confiante no produto que vai investir US$ 32 milhões para aumentar a produção em 10%. A Instax mini 12, mini Evo, Wide 400 e a recém-lançada mini Evo Cinema (que agora grava vídeo) estão vendendo como água. É um produto acessível, divertido, nostálgico e perfeitamente alinhado com o comportamento de uma geração que valoriza experiências tangíveis num mundo digital. Segundo: não abandonou o profissional. A Fujifilm continua lançando câmeras e lentes de alta performance que vendem bem. A GFX100 RF, X-M5, X-E5 e X-T30 III foram citadas como produtos de “vendas fortes”. Ou seja: a empresa consegue surfar em dois mercados simultaneamente — o de massa e o premium. Mesmas Desculpas, Estratégias Diferentes Ambas as empresas citam as mesmas dificuldades externas: tarifas americanas, câmbio desfavorável, competição acirrada. Mas uma está crescendo e a outra está afundando. A Nikon culpa “declínio no preço médio de venda devido a mudanças no mix de produtos” e “maiores despesas de promoção em meio ao ambiente competitivo intensificado”. Traduzindo: estamos tendo que baixar preços e gastar mais em marketing para tentar competir — e ainda assim não estamos crescendo. A Fujifilm, enfrentando o mesmo ambiente competitivo, está crescendo. Por quê? Porque encontrou mercados onde pode dominar (Instax), manteve relevância no segmento profissional (X e GFX) e diversificou o risco. A Nikon, por outro lado, continua dependente demais de um único segmento que está estagnado. E quando você coloca 50% da sua receita num mercado que não cresce, você não tem margem de erro. O Que Isso Significa para Você Se você é fotógrafo ou videomaker que usa Nikon, não precisa entrar em pânico. A empresa não vai desaparecer amanhã. Mas esses números são um sinal amarelo piscando. Empresas em crise financeira tendem a cortar investimento em P&D, atrasar lançamentos, reduzir suporte ao cliente e, eventualmente, aumentar preços para tentar recuperar margens. Já vimos esse filme antes com outras marcas. Se você está pensando em investir num sistema de câmeras novo, esses dados importam. Ecossistema de lentes, atualizações de firmware, longevidade do suporte — tudo isso depende da saúde financeira da empresa. E se você é da Fujifilm? Bem, aproveite. Você está num barco que não só está flutuando, como está acelerando enquanto outros afundam. Conclusão: Estratégia Vence Desculpas O mercado de câmeras está difícil? Sim. Tarifas estão pesando? Sim. Câmbio está desfavorável? Sim. Mas a Fujifilm está crescendo apesar disso tudo. E a Nikon está afundando por causa disso tudo. A diferença não está nas condições externas. Está nas escolhas estratégicas internas. E essa é a lição que vale para qualquer negócio, qualquer mercado, qualquer momento: quando todo mundo enfrenta o mesmo vento contrário, quem navega melhor é quem tem a vela ajustada corretamente. A Nikon precisa urgentemente ajustar a vela. Porque o vento não vai mudar tão cedo. E você, usa Nikon ou Fujifilm? Comenta aqui embaixo e me conta o que achou dessa análise. Vença o algoritmo, assine A OBSCURA! This is a public episode. If you'd like to discuss this with other subscribers or get access to bonus episodes, visit www.aobscura.com.br/subscribe

    3 min
  6. 22 DE JAN.

    Enquanto a Adobe Dormia, a Apple Acordou: Creator Studio Chega para Fechar o Cerco

    Lembra quando falamos que a Adobe ganhou seu pior pesadelo com o Affinity gratuito? Pois é. A situação acabou de ficar exponencialmente pior. Na última segunda-feira, 13 de janeiro, a Apple lançou o Creator Studio: um pacote unificado de apps criativos por $12.99/mês que ataca diretamente o modelo de negócio da Adobe Creative Cloud. E não é brincadeira — é Final Cut Pro, Pixelmator Pro, Logic Pro, Motion e Compressor em uma assinatura que custa menos que um combo no McDonald’s. Para quem acompanhou meu texto anterior sobre o Affinity virar gratuito, a sensação é de assistir um cerco se fechar. Só que agora não é mais só o Canva mordendo pelas bordas com design simplificado. É a Apple — com seus bilhões de dólares, ecossistema fechado e lealdade fanática — entrando de frente no mercado criativo profissional. E a Adobe? Bem, parece que cochilou no ponto O Que É o Creator Studio (E Por Que Você Deveria Se Importar) O Creator Studio não é só um “pacote de apps” — é a Apple finalmente respondendo ao que criativos vêm pedindo há anos: uma alternativa real, integrada e acessível à Adobe. O pacote inclui: * Final Cut Pro (vídeo profissional) * Pixelmator Pro (edição de imagem — a resposta ao Photoshop) * Logic Pro (produção musical) * Motion (motion graphics) * Compressor (renderização avançada) Tudo por R$39,90/mês (ou R$399/ano). Estudantes pagam R$ 14,90/mês ou R$ 149/ano Compare com a Adobe Creative Cloud completa: $69.99/mês no plano anual, ou $839.88/ano. Mas a história não é só sobre preço. A Genialidade Silenciosa: IA que Resolve Problemas Reais Aqui está o ponto crítico que a Adobe não percebeu: ninguém quer IA que gera imagens bonitinhas. Criadores querem IA que acelera workflow. Enquanto a Adobe empurrou Firefly goela abaixo — uma ferramenta de IA generativa que, seríamos honestos, é mediana comparada a Midjourney ou DALL-E — a Apple focou em algo muito mais útil: inteligência aplicada a tarefas repetitivas e frustrantes. O Que o Creator Studio Traz de Novo: 1. Transcript Search (Final Cut Pro) Procure palavras-chave em horas de gravação. Encontre aquela frase específica que o entrevistado disse sem precisar assistir tudo de novo. Economize literalmente horas de trabalho. 2. Visual Search Busca por conteúdo visual dentro dos seus projetos. Quer encontrar todos os takes onde aparece um carro vermelho? Um segundo. Literalmente. 3. Beat Detection O Final Cut agora usa o motor de IA do Logic Pro para detectar batidas em músicas e criar uma grid visual. Cortar vídeos no ritmo da música virou trivial. 4. Montage Maker (iPad) Selecione seus clipes, escolha o ritmo, e a IA monta um vídeo dinâmico automaticamente. Perfeito para reels, stories, ou quando você só quer testar ideias rápido. 5. Magnetic Mask (Motion) Isola e rastreia pessoas e objetos em vídeo automaticamente. O tipo de coisa que economiza dias em produções complexas. Percebe a diferença? Adobe vende IA como um “gerador de imagens mágicas”. Apple vende IA como um assistente silencioso que faz o trabalho chato pra você. E isso é devastador. Pixelmator no iPad: O Ataque Direto ao Photoshop Quando a Apple comprou a Pixelmator em novembro de 2024, muitos esperavam que ela trouxesse de volta o Aperture — o lendário concorrente do Lightroom que a Apple matou em 2015. Não foi o que aconteceu. Mas o que veio pode ser ainda melhor: o Pixelmator Pro agora funciona plenamente no iPad, com interface otimizada para toque e Apple Pencil. E mantém paridade completa com a versão Mac. Isso significa: * Sistema completo de camadas * Super Resolution por IA * Seleções inteligentes (masking automático) * Ferramentas profissionais de correção e composição Tudo sincronizado entre iPad e Mac. Tudo integrado ao ecossistema Apple. A Adobe tem o Photoshop no iPad, sim. Mas é uma versão limitada, frustrante, que sempre parece “quase lá mas não exatamente”. A Apple construiu do zero pensando em iPad — e isso se nota. O Modelo Híbrido: Compra Única + Assinatura Aqui está uma sacada inteligente que a Adobe deveria prestar atenção: Todos os apps do Creator Studio continuam disponíveis para compra única no Mac App Store. Quer só o Final Cut Pro? Compra uma vez, é seu pra sempre. Mas alguns recursos avançados de IA ficam exclusivos pra assinantes. É um modelo híbrido que respeita quem odeia assinaturas, mas incentiva quem quer o melhor. Compare com a Adobe: assinatura ou nada. Quer usar Photoshop? Pague todo mês ou perca acesso a tudo. Não há meio termo. O Cerco Se Fecha: Canva Embaixo, Apple em Cima Vamos recapitular a situação da Adobe em janeiro de 2026: Por baixo: O Canva adquiriu o Affinity e o tornou completamente gratuito. Designers, ilustradores e diagramadores migrando em massa. Pelo meio: A Affinity provou que apps profissionais podem ser vendidos em compra única e ainda lucrar. O DaVinci Resolve fez o mesmo com edição de vídeo. Por cima: A Apple entra com força total, preço agressivo, IA funcional, e o ecossistema mais poderoso do mercado criativo. E a Adobe? Aumentou preços em 17% em junho de 2025, empurrou IA que ninguém pediu, e continua com o mesmo Creative Cloud engessado de sempre. Onde a Adobe Errou (E Pode Não Ter Volta) A Adobe cometeu três erros fatais nos últimos anos: 1. Tratou Clientes Como Reféns O modelo de assinatura obrigatória gerou revolta silenciosa. Profissionais pagavam porque “não tinha alternativa”. Agora tem. 2. Apostou na IA Errada Firefly é impressionante tecnicamente, mas não resolve problemas reais. É espetáculo, não ferramenta. 3. Parou de Inovar Onde Importa Quando foi a última atualização significativa do Photoshop que não fosse relacionada a IA generativa? 2020? 2019? Enquanto isso, a concorrência focou em velocidade, estabilidade e experiência de usuário. E venceu. O Que Isso Significa Para Você Se você é criativo — fotógrafo, designer, videomaker — está vivendo o melhor momento da história para escolher suas ferramentas. Vale a pena experimentar o Creator Studio? Se você está no ecossistema Apple, absolutamente. O teste grátis de um mês é sem risco. Dá para substituir a Adobe completamente? Depende: * Videomakers: Final Cut é maduro, rápido e adorado. Sim. * Designers/ilustradores: Pixelmator + Affinity resolvem 90% dos casos. Provavelmente sim. * Fotógrafos: Ainda há o desafio do suporte a RAW de câmeras novas. Talvez não (ainda). A Adobe vai reagir? Terá que reagir. Mas baixar preços quebraria o modelo de negócio. E melhorar produto... bem, eles tiveram anos pra fazer isso. O Futuro é de Quem Respeita o Cliente No final, essa guerra não é sobre tecnologia. É sobre respeito: o Canva respeitou criativos fazendo o Affinity gratuito. A Apple respeitou criativos cobrando preço justo. O DaVinci Resolve respeitou editores dando versão gratuita profissional. A Adobe? Cobrou mais caro, entregou menos, e tratou assinantes como carteira ambulante. E agora está pagando o preço. A revolução criativa não será televisionada. Mas será renderizada. Editada. Publicada. E a Adobe pode não estar no elenco. O Creator Studio está disponível desde 28 de janeiro na App Store. Teste grátis por 30 dias. VENÇA O ALGORITMO, ASSINE A OBSCURA! This is a public episode. If you'd like to discuss this with other subscribers or get access to bonus episodes, visit www.aobscura.com.br/subscribe

    5 min
  7. 9 DE JAN.

    Dois Concursos Internacionais Imperdíveis Estão Com Inscrições Abertas

    Galera da Obscura, se liga nessas duas oportunidades massa que podem dar aquela projeção internacional pro trabalho de vocês. Os dois concursos já estão com inscrições abertas e têm prazos até o primeiro trimestre de 2026. ⭐⭐⭐⭐⭐ Curtiu o episódio? Deixa sua avaliação no Apple Podcasts! Isso ajuda outros fotógrafos a descobrirem a Obscura. Hasselblad Masters 2026 O Hasselblad Masters é um dos concursos de fotografia mais prestigiados do mundo, rolando desde 2001. A edição 2026 tá recebendo inscrições até 28 de fevereiro de 2026. Categorias: * Landscape * Architecture * Portrait * Street * Art * Wildlife * Project // 21 (exclusiva para fotógrafos até 21 anos) Prêmios: Cada vencedor de categoria leva: * Uma câmera Hasselblad X2D II 100C * Duas lentes XCD à escolha * €5.000 em dinheiro Um fotógrafo ainda será nomeado o Hasselblad Master geral, título super prestigiado no mundo da fotografia. Por que vale a pena? * Aberto a todos os fotógrafos, profissionais ou não * Não precisa usar equipamento Hasselblad - pode participar com qualquer câmera * Júri formado por nomes pesados: diretor de fotografia da National Geographic, curador sênior da Foam, editor da Aperture Magazine, entre outros * Visibilidade internacional absurda Prazo: Até 28/02/2026Link: hasselblad.com/masters/2026 IPPA Awards 2026 (iPhone Photography Awards) O IPPA é o concurso de fotografia mobile mais antigo do mundo, chegando na sua 19ª edição. Pode parecer nicho, mas a galera que ganha esse prêmio ganha reconhecimento mundial - é o concurso de fotografia mobile. Categorias: Abstract | Animals | Architecture | Children | Citylife/Cityscape | Landscape | Lifestyle | Nature | People | Portrait | Series (3 imagens) | Other Prêmios: * Photographer of the Year: Produto Apple (geralmente o iPhone/iPad mais recente) * Top 3 gerais: Produtos Apple * 1º lugar de cada categoria: Barra de ouro de 1g (Pamp Suisse) * 2º e 3º de cada categoria: Barra de platina de 1g Requisitos: * Foto tirada com iPhone ou iPad (qualquer modelo) * Pode usar apps iOS e lentes externas para iPhone * Não pode editar em programas desktop (tipo Photoshop) * Fotos não podem ter sido publicadas profissionalmente (posts em redes sociais pessoais tá valendo) Valores: A partir de $7.50 por imagem, com pacotes de múltiplas fotos que saem mais em conta. Prazo: Até 31/03/2026Link: ippawards.com Por que vocês deveriam considerar? Esses dois concursos são oportunidades legítimas de: * Ganhar reconhecimento internacional - os dois têm peso real no mundo da fotografia * Equipamento profissional (Hasselblad) ou prêmios valiosos (IPPA) * Networking - aparecer nesses concursos abre portas * Portfolio - ter trabalho premiado nesses concursos é diferencial forte O bacana é que são propostas diferentes: o Hasselblad é mais tradicional e aceita qualquer equipamento, enquanto o IPPA valoriza a fotografia mobile, que tá cada vez mais forte. Se você trabalha com iPhone/iPad, o IPPA é uma chance de mostrar que fotografia boa não depende só de câmera DSLR. Bora mandar ver! Se alguém se inscrever, depois conta aqui pra gente como foi a experiência. 📷✨ Lembrete: leiam os regulamentos completos nos sites oficiais antes de se inscrever. As informações aqui são um resumo pra ajudar vocês a decidirem se vale a pena. * Hasselblad Masters 2026: hasselblad.com/masters/2026 * IPPA Awards 2026: ippawards.com/2026-entry-form ⭐⭐⭐⭐⭐ Curtiu o episódio? Deixa sua avaliação no Apple Podcasts! Isso ajuda outros fotógrafos a descobrirem a Obscura. A OBSCURA é a maior newsletter de fotografia do Brasil. Inscreva-se e receba gratuitamente nossos posts via email! This is a public episode. If you'd like to discuss this with other subscribers or get access to bonus episodes, visit www.aobscura.com.br/subscribe

    4 min
  8. 7 DE JAN.

    Se Você Não Enxerga o Óbvio, Como quer Fotografar o Extraordinário?

    Eu comecei o sábado com uma pergunta intrigante do Diogo, um seguidor do instagram, observe a dúvida dele: A resposta simples: não se faz conta alguma! Mas também não se fica chutando, ops, “testando”, como os especialistas de iluminação adoram afirmar. São as duas faces do mesmo desconhecimento, porque a resposta é fornecida para todo fotógrafo na primeira aula de qualquer curso de fotografia. Só que você é ensinado a não enxergar! Repare na imagem abaixo, mostra a relação de cargas de qualquer flash no mercado: Seu flash está condenado a disparar apenas variações de dobros e metades de luz, aliás, não só o seu flash, mas qualquer fonte luminosa: LEDs, luzes de cinema/TV, sua lanterna, um fósforo, a tocha de estúdio, todas as luzes precisam ser calibradas quanto à intensidade, porque a fotografia é um sistema rigidamente fechado, regulado por um severo calibrador: O diafragma de sua câmera Seu flash varia a carga em dobros e metades porque é a única quantidade que o diafragma permite entrar na câmera, essa variação é, na verdade, a linguagem, o código que qualquer fotógrafo usa para se comunicar tecnicamente: “feche um ponto, abra um ponto”, é a forma profissional de se precisar quanto de luz entra na nossa câmera. A abertura, a velocidade do diafragma, o ISO, as cargas, os modificadores, seu fotômetro, as distâncias, não podem variar de outra forma se não pela redução ou adição de pontos de luz. Todo o sistema depende disso! Por isso afirmo: o uso comum do termo ‘potência’ complica desnecessariamente algo que deveria ser simples, evidencia que toda a lógica simples é brutalmente ignorada. Ninguém quer que você faça cálculos Agora repare as intensidades de luz que surgem nas explicações complicadas sobre aquela lei que todo mundo teme, a Lei do Inverso do Quadrado: Afasta a fonte para 2 metros, a intensidade cai 1/4, vá para 3 metros, a intensidade chega a 1/9, para 4 metros, 1/16….veja na figura (em vermelho): As intensidades não coincidem! As distâncias usadas ( 2,3,4,5m…) não são bons exemplos porque geram cargas de luz que não conversam com as do seu flash, olhe novamente a comparação acima: * Onde está a 1/2 carga? * Como entra 1/9 de carga no diafragma? Muitos cursos de iluminação usam matemática complexa para parecer profundo, mas o resultado é o oposto: confusão desnecessária! A Matemática não deve ser usada para resolver rapidamente cálculos na sua mente, mas para que você desenvolva a maior habilidade de um fotógrafo: Observar o que ninguém vê! As distâncias devem ser ajustadas Essa é a consequência de uma contemplação minuciosa da Lei, que guarda outra vantagem estratégica: esse ajuste servirá para qualquer fonte luminosa! Uma vez que o fotógrafo observador descobre quais posições deve usar, obtêm-se uma informação que naturalmente o destaca dos demais: o domínio completo da movimentação de qualquer luz durante um ensaio. Eu tenho certeza de que você está duvidando do que eu escrevi acima, de que não só as posições, mas todas as variações de qualquer luz, já são conhecidas, mas eu posso provar da forma mais tranquila possível Escrevi a CODEX LUCIS, um pacote especial de 3 ebooks revelando toda a dinâmica da luz, além de únicos no Brasil, aprimoram os três tipos de fotógrafos que mais me pediram ajuda: 1-EX TENEBRIS Nesse livro eu peço que o fotógrafo esqueça qualquer chute, conta ou tentativa e erro e faça uma simples observação, que apenas repare em um detalhe da Lei do Inverso. As informações oriundas dessa observação revelam todo o comportamento da luz sem qualquer conta ou habilidade matemática, apenas descrevendo o que a Lei nos sugere na Fotografia. É o seu ponto de largada para a compreensão luminosa. Chega de decorar fórmulas! 2-Número Guia: Manual Prático Fotógrafos não acreditam quando revelo que é possível compreender a iluminação sem qualquer conta, mas o que ainda não perceberam é que o Número-Guia é um tradutor da Lei para a Fotografia. Ele confirma numericamente o que foi observado visualmente e, calma! Por “numericamente” eu me refiro a relações como 2 x 4, 5 x 2, 10 x 4, contas de padaria, se você consegue pensar nos resultados acima, sabe iluminar já! É o livro ideal para aqueles que desejam saber o motivo de tudo ser como é, da explicação racional da teoria de iluminação. Domine a luz antes de ligar o flash! Como descobrir a Carga do Flash em 3s Prepare-se para ficar com raiva do tanto de tempo e dinheiro que você perdeu com explicações alucinadas como “confie no processo”, “chuta 1/32, depois vai para 1/8, até aparecer algo no LCD da câmera', “a potência do flash se conhece testando”…. São 3 passos que o fotógrafo precisa fazer para conhecer a carga exata para qualquer exposição, 3 passos! Não se faz conta, chute, estimativa e muito menos dependência de fotômetro. Esse é o livro ideal para quem “precisa fazer um casamento no sábado e não pode errar o flash”, para quem busca o resultado prático. Segurança total no seu próximo evento! Até hoje, você foi vítima de explicações ruins e a culpa não era sua. Mas agora que você viu a lógica, voltar para o escuro é uma escolha. Não aceite menos do que o domínio total da sua fotografia. A clareza que separa os amadores dos profissionais está a um clique e por uma oferta especial: ⏰ Oferta expira em 9 Janeiro (sexta)✅ Garantia de 7 dias 💳 Parcelamento disponível Os três ebooks completos de R$ 99 por R$ 57 ! This is a public episode. If you'd like to discuss this with other subscribers or get access to bonus episodes, visit www.aobscura.com.br/subscribe

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Sonzeira explicando a Luz www.aobscura.com.br