Hoje

O Hoje é o podcast diário de informação do PÚBLICO. De segunda a sexta, a jornalista Sara de Melo Rocha conversa com os repórteres do Público e os especialistas que melhor conhecem os temas da actualidade para ir além da notícia. Vamos saber o que aconteceu, porque aconteceu e o que isso nos diz sobre o mundo em que vivemos.

  1. há 1 dia

    Ceuta: quando a migração se torna uma arma geopolítica

    Mais de 60 mil pessoas chegaram a Ceuta vindas de Marrocos nos últimos dias, naquela que é a maior crise migratória na fronteira entre os dois países desde 2021. A crise provocou mais de 70 mortos, obrigou Espanha a reforçar a segurança na fronteira e desencadeou uma disputa política, tanto em Madrid como em Ceuta, com a deslocação de dirigentes da direita e da extrema-direita a Ceuta.  As causas da vaga de entradas continuam a ser discutidas. Entre os factores apontados estão uma recente decisão do Tribunal Supremo espanhol sobre as chamadas "devoluções a quente", que alterou a forma como devem ser tratados os migrantes que chegam a nado a Ceuta. Além disso, o contexto diplomático entre Espanha, Marrocos e Argélia, marcado pela visita de Pedro Sánchez a Argel poucos dias antes da crise, é também apontado como um dos factores que ajudam a enquadrar este episódio. Mas este episódio levanta uma questão que vai muito além da gestão das fronteiras. Estão os fluxos migratórios a ser usados como instrumento de pressão política? E o que revela o caso de Ceuta sobre a estratégia de países vizinhos da União Europeia e sobre a vulnerabilidade da política migratória europeia? Neste episódio do Hoje, ouvimos o relato da enviada especial do PÚBLICO a Ceuta, Leonor Alhinho, e conversamos com Jorge Malheiros, professor da Universidade de Lisboa e especialista em geografia humana e migrações, para perceber porque é as migrações podem ser usadas como uma arma geopolítica. See omnystudio.com/listener for privacy information.

  2. há 6 dias

    O que se passa na Ucrânia? O embate entre a velha guarda soviética e a nova geração

    Nas últimas semanas, milhares de ucranianos saíram à rua para contestar as mudanças anunciadas pelo presidente ucraniano. Os protestos começaram depois da demissão de Mykhailo Fedorov do cargo de ministro da Defesa, uma decisão que acabou por precipitar também a substituição do comandante das Forças Armadas, Oleksandr Syrskyi. À primeira vista, parecia apenas mais uma remodelação na liderança militar da Ucrânia, mas a decisão de Volodymyr Zelensky de substituir o comandante-cehfe das Forças Armadas acabou por expor um debate muito mais profundo, relacionado com duas visões distintas da guerra. De um lado está uma geração de comandantes formada na tradição militar soviética, que privilegia estruturas de comando centralizadas, a artilharia, os carros de combate e uma cadeia hierárquica rígida. Do outro está uma geração mais jovem de oficiais, engenheiros e responsáveis pela inovação tecnológica, que defende uma guerra mais flexível, assente na utilização massiva de drones, software, inteligência artificial e decisões tomadas mais perto do terreno. Para perceber o que está em causa, há três nomes a reter. Oleksandr Syrskyi era, até há poucos dias, o comandante-chefe das Forças Armadas ucranianas. Formado na tradição militar soviética, representava uma forma mais clássica de comandar o exército. O seu sucessor é Mykhailo Drapatyi, o major-general escolhido por Zelensky para liderar as Forças Armadas e visto como representante de uma geração mais nova de militares. O terceiro protagonista é Mykhailo Fedorov. Não é militar, mas foi o rosto da aposta da Ucrânia nos drones e na modernização tecnológica do exército. Neste episódio, conversamos com o Tenente-General Marco Serronha, especialista em assuntos militares, para perceber o que está realmente em causa e porque é que esta discussão pode ajudar a explicar o futuro da guerra na Ucrânia. See omnystudio.com/listener for privacy information.

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