Chutando a Escada

Filipe Mendonça e Geraldo Zahran

Um podcast sobre política internacional e divulgação científica na área de Relações Internacionais.

  1. há 5 h

    Editorial: O Brasil não cabe no quintal de ninguém

    A seis dias do segundo turno, o Chutando a Escada volta a fazer algo que não fazia desde 2018: um editorial. Em 2018, pedimos voto em Fernando Haddad e, depois da derrota, prometemos seguir juntos e juntas. Em 2026, com Flávio Bolsonaro à frente depois do primeiro turno, Filipe Mendonça explica por que o podcast pede abertamente o seu voto em Lula: em defesa da ciência e da universidade pública, do SUS e da vacina, da democracia e da soberania nacional. O editorial passa pela memória da pandemia, com um estudo publicado no American Economic Journal que mostra como o discurso de Bolsonaro reduziu o isolamento social; pelas dez perguntas da comunidade científica que só Lula respondeu; pelo “modelo El Salvador” que Flávio diz ser “pouco”; pela adesão ao Escudo das Américas de Trump e pela ameaça de “faxina” no Itamaraty; pelas propostas para energia e terras raras; e pela promessa de “mudar a Constituição para redemocratizar o país”. Porque o Brasil não cabe no quintal de ninguém. Quer apoiar o Chutando a Escada? Acesse chutandoaescada.com.br/apoio Mande um café usando nossa chave PIX: perguntas@chutandoaescada.com.br Comentários, críticas, sugestões? Escreva pra gente em perguntas@chutandoaescada.com.br Participou deste episódio: Filipe Mendonça Escute também no Spotify, no YouTube ou Apple Podcasts. Citados no episódio AJZENMAN, Nicolás; CAVALCANTI, Tiago; DA MATA, Daniel. More than Words: Leaders’ Speech and Risky Behavior during a Pandemic. American Economic Journal: Economic Policy, v. 15, n. 3, p. 351-371, 2023. SBPC e ABC. Editorial: O silêncio também é uma resposta e Lula responde às dez questões da comunidade científica. Entidades científicas e educacionais. Em defesa da democracia e do futuro do Brasil. OPEB/UFABC. PEB nas Urnas 2026: Flávio Bolsonaro e Lula; Propostas para energia expressam a diferença radical entre os candidatos. CIDH/OEA. Nota 066/26 sobre o regime de exceção em El Salvador; Human Rights Watch, World Report 2026: El Salvador; Anistia Internacional, Mil dias de regime de exceção. Editoriais anteriores: Editorial: Eleições 2018 e Editorial: O que vem após as eleições. Capítulos: 00:00 — Abertura: por que um editorial 03:00 — O que o primeiro turno mostrou 05:00 — Por que não podemos apoiar essa candidatura 09:00 — Quem você quer na presidência na próxima pandemia? 16:00 — A ciência perguntou. Só um respondeu. 21:00 — “El Salvador é pouco” 30:00 — Política externa: o Brasil não cabe no quintal de ninguém 32:00 — O Escudo das Américas 38:00 — A “faxina” no Itamaraty 43:00 — O projeto de Lula para a política externa 46:00 — Energia: a escada também é feita de petróleo, sol e terras raras 49:00 — “Redemocratizar” o quê? A Constituição de 1988 na mira 53:00 — O que está em jogo 55:00 — E agora, o que a gente faz? Leia o editorial na íntegra Seja bem-vindo e seja bem-vinda a mais uma edição do Chutando a Escada. Aqui quem fala é Filipe Mendonça, nesta segunda-feira, 19 de outubro de 2026. O episódio de hoje é diferente. Não tem convidado nem entrevista: é um editorial. Quem acompanha o Chutando a Escada há mais tempo sabe que a gente já fez isso antes. Em outubro de 2018, depois do primeiro turno, a gente gravou um editorial pedindo voto em Fernando Haddad. Em novembro daquele ano, com Jair Bolsonaro eleito, a gente gravou outro, dizendo que os anos seguintes iam exigir luta, resiliência e solidariedade. Oito anos depois, cá estamos de novo, numa situação parecida e diferente ao mesmo tempo. Não existe neutralidade O Chutando a Escada é um podcast de política internacional e de divulgação científica. A gente fala de Estados Unidos e China, de Rússia e América Latina, de clima, de extrema-direita, de comércio, de soberania. Mas nossos ouvintes sabem que a gente nunca deixou de falar do Brasil e que nunca deixou de ter lado. Em 2018 a gente disse uma coisa que continua valendo: não existe neutralidade num processo eleitoral. Toda posição é política, inclusive a abstenção. Não escolher também é escolher, e quem não escolhe aceita o que está aí. Nesse segundo turno, não votar em Lula é, na prática, ajudar Flávio Bolsonaro. Por isso a gente não vai fingir equidistância. O Chutando a Escada pede o seu voto em Luiz Inácio Lula da Silva no dia 25 de outubro. O que o primeiro turno mostrou Vamos ser honestos com vocês, porque honestidade é o mínimo que a gente deve a quem nos escuta. Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno na frente, com cerca de dois milhões de votos a mais que Lula. Na história da Nova República, nenhum candidato que chegou em primeiro no primeiro turno perdeu o segundo. Se Lula vencer, vai ser a primeira vez. É difícil, mas não é impossível. E precisamos mais agora do otimismo da ação do que do pessimismo dos acadêmicos. A diferença é pequena num país de mais de 150 milhões de eleitores. Mais de um em cada cinco eleitores não foi votar no dia 4. Tem muita gente que votou em outros candidatos, muita gente que ainda está em dúvida, muita gente que ainda não ouviu a conversa certa. Em 2018 a gente escreveu que não aceitava a ideia de que o jogo estava perdido. Repetimos isso agora: o placar foi zerado e começou outra partida. O primeiro turno também confirmou uma coisa que a gente vem discutindo aqui no podcast há anos, sobretudo nos episódios com o Observatório da Extrema-Direita: o bolsonarismo não foi um acidente de 2018. Ele se organizou, criou raízes, montou redes dentro e fora do país e hoje volta à disputa com outro sobrenome no topo da chapa. Ou melhor, com o mesmo sobrenome. Por que a gente não pode apoiar essa candidatura Já teríamos motivos objetivos de sobra. Mas aqui eu quero falar do lugar de onde eu falo: sou professor de universidade pública, pesquisador e divulgador científico. E nessa eleição eu faço parte de um grupo amplo de cientistas, professores, estudantes e técnicos que decidiu se posicionar, em defesa da ciência, da universidade pública e da soberania nacional. Nesta eleição, a SBPC, a Academia Brasileira de Ciências, a Andifes, a ANPG, a UNE, o Andes e outras entidades da ciência e da educação lançaram uma carta chamada “Em defesa da democracia e do futuro do Brasil”. Eu assino embaixo de cada palavra, e vou pegar emprestadas algumas delas. A carta diz: não falamos de cima, falamos de dentro. Muitos de nós somos a primeira geração da família a entrar numa universidade. A gente aprendeu a ler na escola pública, estudou com bolsa e pesquisa em laboratórios pagos pelo povo brasileiro. E a gente sabe o que foram os anos de 2019 a 2022, porque viveu esses anos. Foram anos em que se atacou a ciência. Em 2019, o diretor do INPE foi exonerado depois que o instituto divulgou dados de desmatamento na Amazônia que contrariavam o governo. Eram imagens de satélite, não opinião. Como diz a carta das entidades, quem quebra o termômetro não cura a febre, só impede que ela seja vista. Foram anos em que se desqualificaram cientistas. Volto a isso daqui a pouco, porque merece um capítulo à parte. Foram anos em que se tentou sufocar quem forma. As universidades públicas foram chamadas de lugares de “balbúrdia”. As bolsas de mestrado e doutorado ficaram uma década sem reajuste, até 2023. E, em 2022, foram 2,9 bilhões de reais bloqueados no orçamento da ciência. E foram anos em que se fabricou a desconfiança nas urnas, sem nenhuma prova, até o 8 de janeiro de 2023, quando as sedes dos Três Poderes foram invadidas e depredadas. A candidatura de Flávio Bolsonaro reivindica esse governo, não esconde isso. Então é legítimo perguntar se ela mudou alguma coisa. Quem você quer na presidência na próxima pandemia? Eu quero fazer uma pergunta simples a você que está ouvindo, e quero que você pense nela até domingo: quem você quer na presidência quando vier a próxima pandemia? Não é uma pergunta retórica. Gripe aviária, novos coronavírus, doenças que saem da floresta desmatada e chegam às cidades: quem estuda o assunto sabe que é questão de tempo. E nós já sabemos como cada um desses projetos se comporta numa emergência sanitária, porque já vimos. Mais de 700 mil brasileiros morreram de covid. Durante a pandemia, o presidente da República chamou a doença de “gripezinha”, disse que não era coveiro, imitou gente com falta de ar, fez propaganda de cloroquina e de ivermectina, fez campanha contra a máscara e contra o isolamento e colocou em dúvida a vacina. Enquanto isso, o governo deixou sem resposta ofertas de vacina, inclusive do Instituto Butantan. Em janeiro de 2021, em Manaus, faltou oxigênio e gente morreu asfixiada em hospital. A CPI da Covid concluiu que muitas dessas mortes eram evitáveis e pediu o indiciamento do presidente. E tem gente que ainda diz que “foi só discurso”, que palavra não mata ninguém. A ciência estudou isso. Três economistas, Nicolás Ajzenman, Tiago Cavalcanti e Daniel Da Mata, publicaram em 2023 no American Economic Journal: Economic Policy, uma das revistas mais respeitadas da economia no mundo, um artigo com um título que diz tudo: “Mais do que palavras”. Eles usaram dados de localização de cerca de 60 milhões de celulares em quase quatro mil municípios brasileiros e cruzaram com o voto de 2018 e com gastos de cartão de crédito. Olharam para dois momentos do começo da pandemia: 15 de março de 2020, quando o presidente foi para a rua cumprimentar apoiadores numa manifestação contra o Congresso e o Supremo, e 24 de março, quando ele foi à rede nacional de rádio e TV dizer que a covid seria uma “gripezinha” e que o país tinha que voltar à normalidade. Me lembro como se fosse ontem aquele dia. 24 de março foi meu aniversário. Foi o primeiro dia que eu chorei na pandemia. Logo depois desses

  2. 28 de set.

    O exílio como estratégia: as redes transnacionais do bolsonarismo

    O que um exilado brasileiro em Paris nos anos 1970 e um apoiador de Bolsonaro em Orlando têm em comum? Para Teresa Cristina Schneider Marques (PUCRS), pós-doutoranda na UERJ com apoio da Faperj, ambos ajudam a entender por que o exílio deixou de significar isolamento e passou a ser estratégia política. Neste episódio, produzido em parceria com o Observatório da Extrema-Direita, David Magalhães (UFU / OED) e Guilherme Casarões (FIU / OED) recebem Teresa para discutir a transnacionalização do bolsonarismo, tema de sua pesquisa de campo recente na Flórida e de trabalhos como “Migrantes internacionais na extrema direita e as frentes de transnacionalização do bolsonarismo nos EUA”. A conversa percorre o voto da diáspora brasileira nos Estados Unidos, o papel das igrejas e das organizações de migrantes, a ofensiva de Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo junto ao governo Trump e os limites de um ativismo que pode sair pela culatra. No boletim de notícias, David Magalhães analisa as vitórias da AfD na Saxônia-Anhalt e em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, a largada da corrida presidencial francesa com Marine Le Pen e Éric Zemmour, o acordo migratório entre Jordan Bardella e Nigel Farage e o improvável encontro entre Steve Bannon e Bernie Sanders, sintoma das fissuras dentro do trumpismo. Na abertura, David apresenta o NETEX, novo núcleo da UFU dedicado ao estudo da transnacionalização e do extremismo. E na dica cultural, o documentário Anatomia do Caos, de Dandara Ferreira, sobre os bastidores da CPI da Covid. Aperte o play! Quer apoiar o Chutando a Escada? Acesse chutandoaescada.com.br/apoio Mande um café usando nossa chave PIX: perguntas@chutandoaescada.com.br Comentários, críticas, sugestões? Escreva pra gente em perguntas@chutandoaescada.com.br Participaram deste episódio: David Magalhães (UFU / OED), Guilherme Casarões (FIU / OED) e Teresa Cristina Schneider Marques (PUCRS). Inserção musical no final: Interpretação de Sarah Hester Ross de “The Day the Nazi Died” (Chumbawamba, 1993). Escute também no Spotify, no YouTube ou Apple Podcasts. Citados no episódio ANDERSON, Benedict. The Spectre of Comparisons: Nationalism, Southeast Asia and the World. London: Verso, 1998. FERREIRA, Dandara (dir.). Anatomia do Caos. Brasil, 2026. Documentário. MARQUES, Teresa Cristina Schneider. Migrantes internacionais na extrema direita e as frentes de transnacionalização do bolsonarismo nos EUA. Washington Brazil Office, 8 out. 2024. https://www.braziloffice.org/pt/artigos/migrantes-internacionais-na-extrema-direita-e-as-frentes-de-transnacionalizao-do-bolsonarismo-nos-eua MUDDE, Cas. The Far Right Today. Cambridge: Polity, 2019. Mencionado em entrevista. RAMOS, Paola. Defectors: The Rise of the Latino Far Right and What It Means for America. New York: Pantheon, 2024. ROLLEMBERG, Denise. Exílio: entre raízes e radares. Rio de Janeiro: Record, 1999. Mencionado em entrevista. SZNAJDER, Mario; RONIGER, Luis. The Politics of Exile in Latin America. Cambridge: Cambridge University Press, 2009. TARROW, Sidney. The New Transnational Activism. Cambridge: Cambridge University Press, 2005. TILLY, Charles; TARROW, Sidney. Contentious Politics. Boulder: Paradigm, 2007. Mencionado em entrevista. Capítulos: 00:00 — Introdução e apresentação do NETEX 03:40 — Do exílio na ditadura ao internacionalismo reacionário 27:40 — Por que a diáspora brasileira nos EUA vota em Bolsonaro? 36:55 — Flórida, Yes Brasil e as redes do bolsonarismo no exterior 46:50 — Eduardo Bolsonaro, Paulo Figueiredo e os limites do ativismo transnacional 53:50 — Futurologia: as redes transnacionais depois de 2026 01:03:30 — Boletim OED: AfD, Le Pen e Zemmour, Bardella e Farage, Bannon e Sanders 01:16:35 — Dica cultural: Anatomia do Caos The post O exílio como estratégia: as redes transnacionais do bolsonarismo appeared first on Chutando a Escada.

  3. 21 de set.

    A nova geopolítica do clima: quem dita as regras em um mundo em ebulição?

    Deslizamentos de terra catastróficos atingiram a fronteira entre o Nepal e a China, deixando centenas de mortos e reacendendo a pergunta sobre até que ponto ainda é possível separar desastre natural de desastre político. Em parceria com o GEsEu, Grupo de Estudos da Eurásia (UNIPAMPA), Flávio Lira (UNIPAMPA/GEsEu) recebe Helena Margarido Moreira, doutora em Geografia pela USP e professora de Relações Internacionais na FECAP, e Fernanda Mello Sant’Anna, professora do Departamento de Relações Internacionais da UNESP e do Programa San Tiago Dantas, para discutir por que a vulnerabilidade aos eventos extremos é social e politicamente construída, e como o conceito de zonas de sacrifício explica quem paga o preço mais alto da crise climática. A conversa avança pela disputa entre China e Estados Unidos pelo controle das tecnologias de transição energética, pelo negacionismo climático como estratégia do neoliberalismo autoritário e pela pergunta se as instituições multilaterais ainda têm capacidade de conter Estados negacionistas. No fechamento, Helena e Fernanda indicam leituras essenciais sobre clima e política, avaliam se existe algum país fazendo a lição de casa e apontam motivos para manter alguma esperança. Aperte o play. Quer apoiar o Chutando a Escada? Acesse chutandoaescada.com.br/apoio Mande um café usando nossa chave PIX: perguntas@chutandoaescada.com.br Comentários, críticas, sugestões? Escreva pra gente em perguntas@chutandoaescada.com.br Participaram deste episódio: Flávio Lira (UNIPAMPA/GEsEu), Helena Margarido Moreira (FECCAP) e Fernanda Mello Sant’Anna (UNESP). Escute também no Spotify, no YouTube ou Apple Podcasts. Citados no episódio MARQUES, Luiz. Capitalismo e Colapso Ambiental. Campinas: Editora da Unicamp, 2015. Mencionado em entrevista. MARQUES, Luiz. O Decênio Decisivo: Propostas para uma Política de Sobrevivência. São Paulo: Elefante, 2023. Mencionado em entrevista. KOPENAWA, Davi; ALBERT, Bruce. A Queda do Céu: Palavras de um Xamã Yanomami. São Paulo: Companhia das Letras, 2015. Mencionado em entrevista. LATOUR, Bruno. Jamais Fomos Modernos: Ensaio de Antropologia Simétrica. Rio de Janeiro: Editora 34, 1994. Mencionado em entrevista. RAFFESTIN, Claude. Por uma Geografia do Poder. São Paulo: Ática, 1993. Mencionado em entrevista. HOMER-DIXON, Thomas. Environment, Scarcity, and Violence. Princeton: Princeton University Press, 1999. Mencionado em entrevista. Capítulos: 00:00:00 — Abertura: os deslizamentos entre Nepal e China e o “novo normal” climático 00:03:59 — Desastre natural ou desastre político? Zonas de sacrifício e vulnerabilidade social 00:17:36 — Extrativismo verde: minerais críticos e a nova corrida geopolítica 00:24:04 — A dupla identidade chinesa: maior poluidor e líder em tecnologia limpa 00:33:50 — Negacionismo climático como estratégia do neoliberalismo autoritário 00:42:14 — Segurança ambiental e a crise das instituições multilaterais 01:00:19 — Sul Global: colonialidade climática e a disputa por reparações 01:09:02 — Bate-bola final: livros, países-exemplo e motivos para esperança The post A nova geopolítica do clima: quem dita as regras em um mundo em ebulição? appeared first on Chutando a Escada.

  4. 14 de set.

    Do Kremlin aos Trópicos: uma cartografia da desordem global

    Em parceria com o Observatório Rússia-América Latina (Ruslat), Daniela Vieira Secches (PUC Minas/Ruslat) recebe Leonardo César Souza Ramos (PUC Minas), fundador do Grupo de Pesquisa sobre Potências Médias, e Jarbas Souto Dufour (PUC Minas/Ruslat) para discutir o conceito de desordem internacional e suas implicações para a Rússia, a América Latina e o Brasil. A conversa passa pela trajetória histórica russa entre integração e ruptura com a ordem liberal ocidental, pelos dilemas de uma política externa brasileira mais autônoma diante da pressão dos Estados Unidos sobre a região e pelas tensões entre multipolaridade e dependência que marcam hoje a aproximação entre Rússia e China. No boletim mensal, Leonardo Henrique Alves de Lima Nascimento (PUC Minas/Ruslat) recupera os principais acontecimentos de agosto de 2026 envolvendo a Rússia, da escalada de ataques em profundidade contra a Ucrânia às tensões marítimas com a Europa, passando pela relação ambígua com Washington e pelos bastidores da cúpula da Organização para Cooperação de Xangai. Para encerrar, no quadro Outros Olhares, Laura Schneider de Lima (PUC Minas/Ruslat) conversa com os dois Leonardos sobre punk rock e heavy metal como formas de contestação política, da crise do capitalismo dos anos 1970 ao metal soviético e às disputas contemporâneas em torno da guerra na Ucrânia. Aperte o play! Quer apoiar o Chutando a Escada? Acesse chutandoaescada.com.br/apoio Mande um café usando nossa chave PIX: perguntas@chutandoaescada.com.br Comentários, críticas, sugestões? Escreva pra gente em perguntas@chutandoaescada.com.br Participaram deste episódio: Daniela Vieira Secches (PUC Minas/Ruslat), Leonardo César Souza Ramos (PUC Minas), Jarbas Souto Dufour (PUC Minas/Ruslat), Laura Schneider de Lima (PUC Minas/Ruslat) e Leonardo Henrique Alves de Lima Nascimento (PUC Minas/Ruslat). Escute também no Spotify, no YouTube ou Apple Podcasts. Citados no episódio HAZLE, Dawn. “Delusions of Grandeur? Producing Authentic Metal Music in the Soviet Union”. In: VALIJÄRVI, Riitta-Liisa; DOESBERG, Charlotte; DIGIOIA, Amanda (Orgs.). Multilingual Metal Music: Sociocultural, Linguistic and Literary Perspectives on Heavy Metal Lyrics. Bingley: Emerald Publishing, 2020. DOI. ARIA. Entrevista concedida por Vladimir Kholstinin. Abaddon Magazine. Disponível em: https://www.abaddon-magazine.com/interviews/interview-aria/. RATOS DE PORÃO. Necropolítica. São Paulo: Shinigami Records, 2022. MUQUETA NA OREIA. Brasileiros. 2021. A playlist de metal russo citada no episódio está disponível aqui. Capítulos: 00:00 — Introdução 03:00 — O conceito de desordem na ordem internacional 06:00 — A trajetória da Rússia entre integração e ruptura com o Ocidente 12:00 — América Latina e Brasil diante da desordem global 15:00 — Rússia, multipolaridade e dependência em relação à China 20:00 — Boletim Ruslat: Rússia em agosto de 2026 29:00 — Outros Olhares: punk, metal e contestação política The post Do Kremlin aos Trópicos: uma cartografia da desordem global appeared first on Chutando a Escada.

  5. 31 de ago.

    Alternativa para quem? A ascensão da AfD na Alemanha

    Quase quatro décadas depois da queda do Muro de Berlim, o que explica a força desproporcional da Alternative für Deutschland (AfD) no leste do país? Neste episódio, produzido em parceria com o Observatório da Extrema-Direita, David Magalhães e Guilherme Casarões recebem dois convidados: Vinícius Bivar (UnB/OED), historiador que estuda a radicalização do partido desde 2013, e Andrea Dip (OED), jornalista investigativa radicada em Berlim e pesquisadora do Research Against Global Authoritarianism, cruzam suas leituras histórica e etnográfica sobre a legenda que hoje lidera as pesquisas eleitorais na Saxônia-Anhalt, com quase o dobro das intenções de voto da CDU. Ao longo da conversa, os convidados discutem se a AfD ainda cabe no rótulo de direita radical populista ou se já opera como extrema-direita propriamente dita, reconstroem os expurgos internos que empurraram o partido mais à direita depois de 2015 e testam a tese do “muro na cabeça”, a persistência de uma divisão simbólica entre Alemanha Oriental e Ocidental que ajuda a explicar o avanço eleitoral do partido. No final, David Magalhães comenta A rebeldia tornou-se de direita?, do argentino Pablo Stefanoni (Editora da Unicamp), ensaio que serve de contraponto teórico direto ao debate sobre a cooptação da rebeldia pela ultradireita. Aperte o play! Quer apoiar o Chutando a Escada? Acesse chutandoaescada.com.br/apoio Mande um café usando nossa chave PIX: perguntas@chutandoaescada.com.br Comentários, críticas, sugestões? Escreva pra gente em perguntas@chutandoaescada.com.br Participaram deste episódio: David Magalhães, Guilherme Casarões, Vinícius Bivar (UnB/OED) e Andrea Dip (OED) Inserção musical no final: “The Day the Nazi Died”, Chumbawamba (1993) Capa do episódio: The Guardian Escute também no Spotify, no YouTube ou Apple Podcasts. Citados no episódio STEFANONI, Pablo. A rebeldia tornou-se de direita? Como o antiprogressismo e a anticorreção política estão construindo um novo sentido comum (e por que a esquerda deveria levá-los a sério). Campinas: Editora da Unicamp, 2022. Disponível aqui. DIP, Andrea. Em nome de quem?: a bancada evangélica e seu projeto de poder. 1. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2018. Capítulos: 00:00 — Introdução e apresentação dos convidados 07:00 — Direita radical ou extrema-direita? O enquadramento da AfD 14:00 — De partido ordoliberal a força antiimigração: a radicalização da AfD 26:00 — O “muro na cabeça”: por que a AfD é mais forte no Leste 38:00 — Da imigração ao custo de vida: a mudança no eleitorado da AfD 51:00 — O cordão sanitário contra a AfD ainda resiste? 01:00:00 — AfD, Trump e Rússia: a geopolítica ambígua da ultradireita alemã 01:11:00 — Dica cultural: “A rebeldia tornou-se de direita?” The post Alternativa para quem? A ascensão da AfD na Alemanha appeared first on Chutando a Escada.

  6. 24 de ago.

    Muito além do pânico: a verdade sobre a crise de Ceuta

    Há algumas semanas, dezenas de milhares de pessoas cruzaram de forma repentina a fronteira de Ceuta, o pequeno enclave espanhol cravado no norte da África, e as imagens tomaram as manchetes internacionais em meio a discursos de invasão e um verdadeiro pânico moral. Em parceria com o GEsEu, Grupo de Estudos da Eurásia (UNIPAMPA), Flávio Lira (UNIPAMPA/GEsEu) recebe Nathaly Xavier Schutz (UNIPAMPA/UFSM), doutora em Ciência Política pela UFRGS, para ir além do sensacionalismo e entender as raízes históricas da presença espanhola em Ceuta e Melilla, a doutrina do Grande Marrocos e o modo como o controle fronteiriço se tornou moeda de barganha geopolítica entre Rabat, Madri e Bruxelas. A conversa percorre a diferença entre jovens marroquinos, migrantes subsaarianos e refugiados que usam o Marrocos como rota para a Europa, a desinformação que motivou a travessia em massa e o modo como a extrema direita europeia, de Vox a Giorgia Meloni, instrumentalizou a crise para reforçar o discurso antiimigração. Nathaly também analisa a política da Fortaleza Europa, que terceiriza o controle migratório para países do norte da África, e defende que a própria Europa não teria como se sustentar sem a mão de obra imigrante que tanto teme. Aperte o play. Quer apoiar o Chutando a Escada? Acesse chutandoaescada.com.br/apoio Mande um café usando nossa chave PIX: perguntas@chutandoaescada.com.br Comentários, críticas, sugestões? Escreva pra gente em perguntas@chutandoaescada.com.br Participaram deste episódio: Filipe Mendonça, Flávio Lira (UNIPAMPA/GEsEu) e Nathaly Xavier Schutz (UNIPAMPA/UFSM). Escute também no Spotify, no YouTube ou Apple Podcasts. Capítulos: 00:00:00 — Abertura e pedido de apoio 00:06:00 — Ceuta e Melilla: dois enclaves espanhóis na África 00:16:00 — Saara Ocidental e a doutrina do Grande Marrocos 00:20:00 — Colapso de segurança ou vista grossa marroquina? 00:27:00 — A fronteira como arma de barganha geopolítica 00:41:00 — Como a extrema direita instrumentalizou a crise 00:54:00 — Fortaleza Europa: terceirizar o controle migratório 01:09:00 — O futuro de Ceuta e o que a União Europeia precisa mudar The post Muito além do pânico: a verdade sobre a crise de Ceuta appeared first on Chutando a Escada.

  7. 17 de ago.

    Rússia e América Latina: Fertilizantes, Diplomacia e a Alma Russa

    Neste episódio, produzido em parceria com o Observatório Rússia e América Latina (Ruslat), Daniela Vieira Secches (PUC Minas/Ruslat) recebe Victoria Echeverría (CNI/CICRAL) e Raquel Abuin Siphone (CICRAL) para apresentar os principais achados do Cuaderno Latinoamericano de Cooperación Estratégica con Rusia, lançado em julho pelo Centro de Integração e Cooperação Rússia-América Latina. A conversa mostra como o Brasil trata a relação com Moscou como política de Estado, enquanto a Argentina oscila a cada mudança de governo, e revela uma dependência estrutural de fertilizantes russos que atravessa quase toda a região latino-americana, ao lado de uma dimensão sociohumana marcada pela heterogeneidade entre cultura, educação e esporte. No segundo bloco, Giovana Dias Branco (Ruslat) e Leonardo Henrique Alves de Lima Nascimento (PUC Minas/Ruslat) trazem o boletim de julho e agosto, da visita de Nikolai Patrushev ao Brasil e das propostas de cooperação naval e nuclear até a crise política na Ucrânia após a saída do ministro Mykhailo Fedorov. Para fechar, no quadro Outros Olhares, Laura Schneider de Lima (PUC Minas/Ruslat) conversa com Vera Gers Dimitrov (Grupo Volga de Folclore Russo) sobre a alma russa e sua presença na diáspora russa no Brasil. Quer apoiar o Chutando a Escada? Acesse chutandoaescada.com.br/apoio Mande um café usando nossa chave PIX: perguntas@chutandoaescada.com.br Comentários, críticas, sugestões? Escreva pra gente em perguntas@chutandoaescada.com.br Participaram deste episódio: Filipe Mendonça, Daniela Vieira Secches, Victoria Echeverría, Raquel Abuin Siphone, Giovana Dias Branco, Leonardo Henrique Alves de Lima Nascimento, Laura Schneider de Lima e Vera Gers Dimitrov. Inserção musical no final: interpretação de Sarah Hester Ross. Capa do episódio: Foto: Divulgação/Palácio do Planalto Escute também no Spotify, no YouTube ou Apple Podcasts. Citados no episódio CICRAL – Centro de Integração e Cooperação Rússia-América Latina. Cuaderno Latinoamericano de Cooperación Estratégica con Rusia. 2026. Disponível em: https://cicral.com/cuaderno-latinoamericano/. GOMIDE, Bruno Barretto (org.). Antologia do Pensamento Crítico Russo (1802-1901). São Paulo: Editora 34, 2013. Mencionado em entrevista. GOGOL, Nikolai. Almas Mortas. Mencionado em entrevista. LYSENKO, Valentina. Alma Russa, Terra Brasileira. Disponível em: https://www.estantevirtual.com.br/livro/alma-russa-terra-brasileira-1AH-5920-000. Mencionado em entrevista. Capítulos: 00:00 — Abertura: boas-vindas, chamada de apoio e panorama do episódio 06:00 — Boletim Ruslat: o lançamento do Caderno Latino-Americano de Cooperação Estratégica com a Rússia 09:00 — Dimensão econômica: fertilizantes, BRICS e a diferença Brasil-Argentina 16:00 — Dimensão sociohumana: cultura, educação e esporte nas relações Rússia-América Latina 27:00 — Desafios e caminhos para aprofundar a cooperação 37:00 — Conexão Rússia-América Latina: a visita de Patrushev ao Brasil e a cooperação naval e nuclear 42:00 — Conexão Rússia-América Latina: a crise política na Ucrânia e o atentado em Moscou 49:00 — Outros Olhares: a alma russa com Vera Gers Dimitrov The post Rússia e América Latina: Fertilizantes, Diplomacia e a Alma Russa appeared first on Chutando a Escada.

  8. 23 de jul.

    A nova onda da direita radical na América Latina

    Keiko Fujimori em comício de campanha, Peru, 2026. Foto: Renato Pajuelo/EFE. O que a vitória de Keiko Fujimori no Peru e a de Abelardo de la Espriella na Colômbia têm em comum com mais de duzentos anos de política externa americana para a região? Para Carolina Silva Pedroso, professora adjunta na Unifesp e pesquisadora vinculada ao Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Estudos sobre os Estados Unidos (INCT-INEU), a resposta está na ideia da América Latina como “quintal dos Estados Unidos”. Neste episódio, produzido em parceria com o Observatório da Extrema-Direita, David Magalhães e Guilherme Casarões recebem Carolina para discutir a nova onda da direita radical na região, os mitos que cercam a Venezuela chavista, entre eles a suposta fraude sistemática nas urnas eletrônicas, e a forma como o apoio explícito de Washington tem funcionado como variável interveniente no fortalecimento dessas lideranças. No bloco de notícias, David percorre seis frentes do avanço da ultradireita global, da disputa entre Jordan Bardella e Marine Le Pen pela candidatura do Rassemblement National na França à defesa do gás russo feita por Alice Weidel, da AfD alemã, passando pela viagem transnacional da senadora australiana Pauline Hanson ao Reino Unido, pelo mainstreaming dos Democratas Suecos, pelo fracasso de um projeto de perda de nacionalidade em Portugal e pela relação entre futebol e o passado ustacha na Croácia. E ainda tem, no último bloco, dica cultural com a minissérie O Complô Contra a América, de David Simon. Aperte o play! Quer apoiar o Chutando a Escada? Acesse chutandoaescada.com.br/apoio Mande um café usando nossa chave PIX: perguntas@chutandoaescada.com.br Comentários, críticas, sugestões? Escreva pra gente em perguntas@chutandoaescada.com.br Participaram deste episódio: David Magalhães (UFU/OED), Guilherme Casarões (FIU/OED) e Carolina Silva Pedroso (Unifesp/INCT-INEU). Inserção musical no final: “The Day They Died”, de Sarah Hester Ross. Capa do episódio: Keiko Fujimori em comício de campanha, Peru, 2026. Foto: Renato Pajuelo/EFE. Escute também no Spotify, no YouTube ou Apple Podcasts. Citados no episódio ROTH, Philip. The Plot Against America. Boston: Houghton Mifflin, 2004. SIMON, David (criador). The Plot Against America [O Complô Contra a América]. HBO, 2020. Minissérie. LEWIS, Sinclair. It Can’t Happen Here [Isso Não Pode Acontecer Aqui]. Nova York: Doubleday, Doran & Company, 1935. Capítulos: 00:00 — Introdução 04:00 — A direita radical na Venezuela e a diáspora de Miami 14:00 — O “espantalho perfeito”: mitos, narcoestado e urnas eletrônicas 26:00 — O quintal dos Estados Unidos e a política de Trump para a América Latina 36:00 — Peru: a quarta tentativa de Keiko Fujimori 45:00 — Colômbia: o Uribismo 2.0 de Abelardo de la Espriella 54:00 — Boletim OED: França, Alemanha, Reino Unido, Suécia, Portugal e Croácia 1:11:00 — Dica cultural: O Complot Contra a América The post A nova onda da direita radical na América Latina appeared first on Chutando a Escada.

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Sobre

Um podcast sobre política internacional e divulgação científica na área de Relações Internacionais.

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