TMO EPM / Hemato H9J

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Podcast de discussão de assuntos em Hematologia do Transplante de Medula Óssea da Escola Paulista de Medicina (UNIFESP) e da Hematologia do Hospital 9 de Julho - DASA

  1. há 23 h

    91 - Bridging Therapy Response and Type as Determinants of Cilta-cel Outcomes in Relapsed-Refractory Multiple Myeloma (Blood Cancer J 2026)

    Discussão do estudo de Hansen DK et al. (Blood Cancer J 2026): coorte retrospectiva de um único centro (Moffitt Cancer Center) com 192 pacientes com mieloma múltiplo recaído ou refratário que receberam ciltacabtagene autoleucel (cilta-cel) comercial entre 2022 e 2025. A terapia ponte foi usada em 172 (90%), e 115 tinham resposta bioquímica avaliável à ponte: 54% tiveram queda de pelo menos 25% da proteína M ou da cadeia leve envolvida. Nesses 115, a resposta global ao cilta-cel foi de 92%, com 69% em resposta completa ou melhor. Quem teve queda da doença durante a ponte teve taxas numericamente maiores de resposta (95% contra 89%) e de resposta completa ou melhor (73% contra 64%), sem significância (p = 0,3). A sobrevida livre de progressão mediana não foi atingida no grupo com queda, contra 16,2 meses no grupo com doença estável ou em aumento (p = 0,03), em comparação sem ajuste multivariado. A carga plasmocitária antes da linfodepleção também separou as curvas (28,9 contra 12,5 meses; p = 0,028), e a sobrevida global não diferiu. A ponte com alquilantes teve mais citopenias grau ≥3 no D30; a queda da doença associou-se a menos neurotoxicidade (ICANS) grau ≥3. O que rende a discussão: o desenho retrospectivo e de um só centro, o limiar de 25% (diferente do critério do IMWG), comparações sem ajuste entre grupos que já eram diferentes na largada, o pequeno número de pacientes com talquetamabe como ponte e o contraste com a coorte multicêntrica de Sidana (Blood 2025), em que a resposta ≥RP à ponte não alterou a sobrevida livre de progressão (análise univariada). A pergunta que fica: pesa mais a terapia ponte ou a biologia da doença? Artigo: https://doi.org/10.1038/s41408-026-01633-5 Apresentação: Lívia Monteiro Discussão: Lucas Lopes, Israelita Sussuarana, Lucas Salviano, Pedro Moraes e Vinícius Molla Veja também — Episódio 79 (CARTITUDE-4): https://youtu.be/tiJ2wFL9dVY Capítulos: 00:00 Introdução 00:17 Apresentação do artigo 16:52 Discussão

    91 - Bridging Therapy Response and Type as Determinants of Cilta-cel Outcomes in Relapsed-Refractory Multiple Myeloma (Blood Cancer J 2026)
  2. há 6 dias

    90 - Mosunetuzumab Plus Polatuzumab Vedotin in Transplant-Ineligible Refractory/Relapsed Large B-Cell Lymphoma (SUNMO, J Clin Oncol 2025)

    Discussão do SUNMO (Budde LE et al., J Clin Oncol 2025): ensaio randomizado de fase 3 que comparou mosunetuzumabe (bispecífico CD20×CD3) + polatuzumabe vedotina (anticorpo conjugado anti-CD79b) com R-GemOx em 208 pacientes com linfoma de grandes células B recaído ou refratário e inelegíveis ao transplante autólogo. É o primeiro esquema feito só de um bispecífico e um anticorpo conjugado a superar o padrão nesse cenário, com duração fixa e tratamento ambulatorial. A idade mediana foi de 62 anos e 74% tinham doença refratária primária ou recaída em até 12 meses. Com seguimento mediano de 23,2 meses, a sobrevida livre de progressão foi de 11,5 meses com Mosun-Pola contra 3,8 meses com R-GemOx (HR 0,41; IC 95% 0,28–0,61; p < 0,0001). A resposta global foi de 70% contra 40%, e a resposta completa de 51% contra 24%. A sobrevida global, em análise interina, foi de 18,7 contra 13,6 meses, sem significância estatística (HR 0,80; p = 0,28). A síndrome de liberação de citocinas ocorreu em 26%, quase toda grau 1 (grau 2 em 3,7% e grau 3 em 0,7%), e houve menos plaquetopenia grave (2,2% contra 36%) e menos neuropatia (24% contra 42%). O que rende a discussão: o comparador (R-GemOx já perdeu para glofitamabe-GemOx no STARGLO e para Pola-R-GemOx no POLARGO, ambos com ganho de sobrevida global), os desfechos primários escolhidos (resposta e PFS, e não sobrevida global), uma população "inelegível" jovem e majoritariamente latino-americana e asiática, e o lugar de uma terapia sem quimio e de duração fixa diante do CAR-T. Artigo: https://doi.org/10.1200/JCO-25-01957 Apresentação: Karine Vicenzi Discussão: Gabriele Ritter, Lívia Monteiro, Lucas Salviano, Pedro Moraes e Vinícius Molla Veja também — Episódio 86 (POLARGO): https://youtu.be/9IBecA3khN4 Capítulos: 00:00 Introdução 00:17 Apresentação do artigo 10:34 Discussão

    90 - Mosunetuzumab Plus Polatuzumab Vedotin in Transplant-Ineligible Refractory/Relapsed Large B-Cell Lymphoma (SUNMO, J Clin Oncol 2025)
  3. 29 de set.

    89 - Azacitidine–Venetoclax or Induction Chemotherapy for Acute Myeloid Leukemia (PARADIGM, N Engl J Med 2026)

    Discussão do PARADIGM (Fathi AT et al., N Engl J Med 2026): ensaio randomizado de fase 2 que comparou azacitidina + venetoclax com quimioterapia de indução intensiva em 172 adultos com leucemia mieloide aguda recém-diagnosticada e **elegíveis à indução** — ou seja, justamente a população em que o esquema menos intensivo ainda não era padrão. A idade mediana foi de 64 anos e 72% tinham doença de risco adverso pela classificação ELN 2022. Com seguimento mediano de 21,9 meses, a sobrevida livre de eventos foi de 14,5 meses com azacitidina-venetoclax contra 6,2 meses com a indução (HR 0,57; IC 95% 0,39–0,84; p = 0,002). A sobrevida global foi de 21,5 contra 18,0 meses, sem diferença estatística (HR 0,82; IC 95% 0,52–1,28). O braço menos intensivo teve menos toxicidade: infecção grau 3 ou maior em 28% contra 41%, hemorragia grau 3 ou maior em 2% contra 12%, mortalidade em 30 dias de 0% contra 3%, nenhuma admissão em UTI contra 10%, e 12,5 contra 27,3 dias de internação no primeiro mês. Chegaram ao transplante 60% contra 40%. O ponto que rende a discussão é o desenho: é um estudo de **fase 2**, com alfa unilateral de 0,10 e sem controle de erro tipo I para os desfechos secundários — então a diferença no acesso ao transplante é um achado descritivo, não uma comparação testada. Some-se um crossover de 68% entre os que falharam a indução e fica claro por que a sobrevida global não separa. Discutimos o que esses dados mudam (ou não) na prática, e o que ainda depende de uma fase 3. Artigo: https://doi.org/10.1056/NEJMoa2602804 Apresentação: Lucas Salviano Discussão: Carol Marques, Paula Cividanes, Rafael Faust, Luiza Miranda, Israelita Sussuarana, Pedro Moraes e Vinícius Molla Capítulos: 00:00 Introdução 00:17 Apresentação do artigo 19:53 Discussão

    89 - Azacitidine–Venetoclax or Induction Chemotherapy for Acute Myeloid Leukemia (PARADIGM, N Engl J Med 2026)
  4. 12 de set.

    88 - Haploidentical Bone Marrow Transplantation for Sickle Cell Disease (BMT CTN 1507, NEJM Evidence 2025)

    Discussão do BMT CTN 1507 (Kassim AA et al., NEJM Evidence 2025): estudo de fase 2, braço único e multicêntrico (19 centros dos EUA) de transplante de medula óssea haploidêntico em adultos de 15 a 45 anos com doença falciforme grave. O condicionamento de intensidade reduzida usou timoglobulina, tiotepa, fludarabina, ciclofosfamida e TBI de 200 cGy, com hidroxiureia por 60 dias antes; a profilaxia de DECH foi ciclofosfamida pós-transplante, micofenolato e sirolimo por um ano. De 54 incluídos, 42 foram transplantados. Com seguimento mediano de 37,2 meses, a sobrevida livre de eventos em 2 anos foi de 88% e a sobrevida global de 95%; a falha de enxerto foi de 7,1% (todos com reconstituição autóloga), a DECH aguda grau 3 de 4,8% (nenhum grau 4) e a DECH crônica de 22,4%. Houve duas mortes no primeiro ano, ambas por infecção viral (HHV-6 e SARS-CoV-2); 62% tiveram alguma infecção e 79% foram reinternados. As crises dolorosas com internação caíram de 24% para zero após a pega. Haplo com tiotepa ou TBI de 400 cGy? A hidroxiureia antes do transplante ajuda? Qual o preço em infecção e DECH crônica para uma doença benigna? E o que dá para fazer no Brasil, onde a terapia gênica não chega? Comparamos com o colaborativo Vanderbilt (episódio 41) e com a série do Johns Hopkins. Artigo: https://doi.org/10.1056/EVIDoa2400192 Apresentação: Maria Fernanda Dezan Discussão: Gabriele Ritter, Karine Vicenzi, Rafael Faust, Luiza Pires e Vinícius Molla Capítulos: 00:00 Introdução 00:17 Apresentação do artigo 21:09 Discussão Veja também: ▶️ Episódio 41 — Haplo-TMO na falciforme: o colaborativo Vanderbilt: https://youtu.be/zURht_WZmDE

    88 - Haploidentical Bone Marrow Transplantation for Sickle Cell Disease (BMT CTN 1507, NEJM Evidence 2025)
  5. 4 de set.

    86 - Polatuzumab Vedotin Plus Rituximab, Gemcitabine, and Oxaliplatin in Relapsed or Refractory Diffuse Large B-Cell Lymphoma: Results From the Phase III, Randomized POLARGO Trial

    Discussão do artigo: "Polatuzumab Vedotin Plus Rituximab, Gemcitabine, and Oxaliplatin in Relapsed or Refractory Diffuse Large B-Cell Lymphoma: Results From the Phase III, Randomized POLARGO Trial" de Matasar M, Li Z, Vassilakopoulos TP et al., Journal of Clinical Oncology 2026.Apresentado por: Dr. Lucas LopesDiscussão por: Dra. Lívia Monteiro, Dra. Maria Fernanda, Dr. Pedro Moraes e Dr. Vinícius MollaEstudo de fase 3, aberto e randomizado (N=255), conduzido em 64 centros de 16 países, que comparou polatuzumabe vedotina + R-GemOx contra R-GemOx isolado em pacientes com linfoma difuso de grandes células B recaído ou refratário inelegíveis a transplante autólogo. Com seguimento mediano de 24,6 meses, a adição do polatuzumabe aumentou a sobrevida global mediana de 12,5 para 19,5 meses (HR 0,60; IC95% 0,43-0,83; p=0,0017), uma redução de 40% no risco de morte. A sobrevida livre de progressão foi de 7,4 vs 2,7 meses (HR 0,37; p menor que 0,0001) e a resposta completa ao fim do tratamento dobrou: 40,3% vs 19,0%.O preço veio na toxicidade: neuropatia periférica em 57,0% vs 28,8% (a maioria grau 1) e eventos adversos grau 5 em 11,7% vs 4,0%, em grande parte infecções e COVID-19.Onde encaixar o Pola-R-GemOx na era do CAR-T e dos biespecíficos? Terapia ponte, destino ou resgate? Discutimos o desenho, o comparador já desatualizado, os subgrupos e a realidade de acesso no Brasil.Artigo: https://doi.org/10.1200/JCO-25-02849Capítulos:00:00 Introdução00:19 Apresentação do artigo15:31 Discussão

    86 - Polatuzumab Vedotin Plus Rituximab, Gemcitabine, and Oxaliplatin in Relapsed or Refractory Diffuse Large B-Cell Lymphoma: Results From the Phase III, Randomized POLARGO Trial
  6. 28 de ago.

    85 - Non-Myeloablative versus Reduced Intensity Conditioning for Allogeneic Hematopoietic Stem Cell Transplantation in Acute Myeloid Leukemia Patients Aged ≥65: A Study from the ALWP of EBMT

    Non-myeloablative versus reduced intensity conditioning for allogeneic hematopoietic stem cell transplantation in acute myeloid leukemia patients aged ≥65: a study from the ALWP of EBMT. Kanellopoulos A et al., Bone Marrow Transplantation 2026;61:1091–1097. doi 10.1038/s41409-026-02935-9 Estudo retrospectivo de registro do Acute Leukemia Working Party do EBMT com 2900 pacientes ≥65 anos com LMA em RC1/RC2 submetidos ao primeiro transplante alogênico entre 2004 e 2021, comparando condicionamento não mieloablativo (NMA: Flu/TBI 2 Gy, n=911) versus intensidade reduzida (RIC: Flu/Bu2 n=1033, Flu/Mel n=643, Flu/Treo n=313). Na análise multivariável com censura em 3 anos, OS (HR 0,88; p=0,28), LFS (HR 1,00; p=0,97), NRM (HR 1,06; p=0,69) e recaída (HR 0,94; p=0,62) foram equivalentes; o RIC associou-se a mais GVHD agudo II–IV (HR 1,45; p=0,01) e menos GVHD crônico extenso (HR 0,65; p=0,029). O enxerto de sangue periférico foi fator independente de melhor OS (HR 0,67; p=0,002) e LFS (HR 0,71; p=0,008) versus medula óssea — com a ressalva de que só ~4% da coorte recebeu medula. Na análise exploratória dentro do RIC, Flu/Mel reduziu recaída versus Flu/Bu2 (HR 0,54; p=0,0002), à custa de tendência a maior NRM (HR 1,41; p=0,073), sem diferença final em OS ou LFS. Discutimos os vieses do desenho retrospectivo (desequilíbrios entre os braços, DRM pré-transplante ausente em 72,8% do NMA e 62,1% do RIC), a escolha individualizada da intensidade no idoso e como PTCy, fonte do enxerto e tipo de doador pesam mais na prática atual do que o rótulo NMA vs RIC. Apresentação: Lívia MonteiroDiscussão: Israelita Almeida, Lucas Lopes, Pedro Moraes e Vinícius Molla Podcast TMO EPM — journal club de onco-hematologia e transplante de medula óssea (EPM-Unifesp / Hospital Nove de Julho). 00:00 Introdução00:18 Apresentação do artigo16:20 Discussão

    85 - Non-Myeloablative versus Reduced Intensity Conditioning for Allogeneic Hematopoietic Stem Cell Transplantation in Acute Myeloid Leukemia Patients Aged ≥65: A Study from the ALWP of EBMT
  7. 25 de ago.

    84 - High-Dose Busulfan-Melphalan vs. Melphalan and Reinforced VRD in Newly Diagnosed Multiple Myeloma. A Phase III GEM Trial

    Neste episódio discutimos o condicionamento do transplante autólogo no mieloma múltiplo recém-diagnosticado: bussulfano-melfalano em altas doses (BUMEL) versus melfalano 200 mg/m² (MEL200) — o trial GEM12MENOS65, do Grupo Espanhol de Mieloma (GEM/PETHEMA).O estudo (Lahuerta JJ et al., Blood 2025; doi 10.1182/blood.2025028313): fase 3, randomizado, aberto, 69 centros na Espanha, 458 pacientes de 18 a 65 anos randomizados para BUMEL (bussulfano IV 9,6 mg/kg + melfalano 140 mg/m²; n=230) ou MEL200 (n=228), todos com indução VRD reforçado ×6, consolidação VRD ×2 e manutenção. Seguimento mediano de 101 meses (8,4 anos).Principais resultados: desfecho primário NÃO atingido — PFS mediana 89,0 vs 73,1 meses (HR 0,89; p=0,3); OS em 9 anos 67,3% vs 64,9% (mediana não atingida); DRM-negatividade cumulativa 68% vs 58% (p=0,035); resposta completa ou melhor pós-indução 42,2% vs 30,3%; mais mucosite e infecções com BUMEL (4 casos de doença veno-oclusiva, nenhum fatal); PFS de 76 vs 57 meses no subgrupo ISS II-III (HR 0,76).Na discussão: DRM como desfecho substituto, a era pré-anti-CD38, os desenhos fatoriais e o possível nicho do BUMEL em cenários de recursos limitados.Apresentação: Karine Vicenzi (R5 TMO EPM).Discussão: Paula Cividanes, Lucas Lopes, Luiza Miranda, Lívia Monteiro, Israelita Tihara, Pedro Moraes e Vinícius Molla.Journal club de onco-hematologia e TMO — EPM/Unifesp · Hospital Nove de Julho.00:00 Introdução00:19 Apresentação do artigo11:23 Discussão

    84 - High-Dose Busulfan-Melphalan vs. Melphalan and Reinforced VRD in Newly Diagnosed Multiple Myeloma. A Phase III GEM Trial

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