A coragem de não agradar: voltar à nossa verdadeira essência E se grande parte das decisões que você toma todos os dias não nascer verdadeiramente de si, mas daquilo que os outros esperam de você? Neste episódio do Tudo com Vagar, falamos sobre uma necessidade muito comum, mas nem sempre reconhecida: a necessidade de agradar. A vontade de sermos aceites, de não desiludirmos, de corresponder às expectativas e de manter tudo à nossa volta em equilíbrio pode parecer, à primeira vista, apenas uma característica de quem é atencioso, responsável e educado. Mas, quando essa necessidade começa a orientar todas as nossas escolhas, pode afastar-nos silenciosamente daquilo que somos. Quantas vezes diz que sim quando queria dizer que não? Quantas vezes faz o que é esperado, mesmo quando o seu corpo, a sua energia ou a sua vontade pedem outra coisa? Quantas vezes assumimos papéis que nos foram entregues pela família, pelo trabalho, pelas relações ou pela sociedade e, com o passar do tempo, já nem consegue perceber onde terminam as expectativas dos outros e onde começa a sua própria vontade? A partir da imagem de uma árvore que cresceu inclinada, mas viva e fiel à sua natureza, convido-vos a refletir sobre os caminhos que seguimos. Às vezes, tentamos endireitar tudo para que corresponda à forma que alguém imaginou. Procuramos crescer na direção considerada certa, cumprir o mapa que nos foi dado e encaixar na versão de nós que os outros esperam encontrar. Mas talvez a nossa verdadeira natureza não esteja em crescer de forma perfeita ou previsível. Talvez esteja em encontrar a luz possível e continuar a crescer com autenticidade. Neste episódio, falamos sobre a diferença entre amar os outros e viver para agradar aos outros. Agradar nem sempre nasce do amor. Muitas vezes, nasce do medo: medo de ficar sozinho, de ser julgado, de perder a aprovação, de criar conflito ou de deixar de pertencer. O problema é que, ao tentarmos evitar a rejeição, podemos acabar por rejeitar uma parte de nós próprios. Falamos também sobre o desconforto que surge quando começamos a desagradar. Quando deixamos de responder automaticamente às expectativas alheias, pode aparecer uma sensação de vazio, culpa ou inquietação. Podemos pensar que estamos a fazer algo errado. Mas esse vazio pode ser apenas o espaço que ficou disponível depois de deixarmos de preencher a sua vida com desejos, obrigações e papéis que não são realmente nossos. Tal como um campo precisa de pousio para recuperar os seus nutrientes e voltar a dar fruto, também nós precisamos de momentos de pausa, silêncio e espaço interior. No Monte das Lajes, em contacto com a natureza e com o ritmo mais lento do Alentejo, torna-se mais fácil escutar aquilo que tantas vezes fica abafado pelo ruído das expectativas. Deixo ainda um desafio simples em três passos: escolher uma manhã, uma tarde ou um dia para tomar uma decisão sem pensar no que os outros esperam; perguntar a si próprio “o que é que eu quero que aconteça?”; e escrever depois como se sentiu. Foi libertador? Desconfortável? Assustador? Tranquilo? Este é um episódio sobre autenticidade, autoconhecimento, limites, liberdade emocional e a coragem de escolher a sua própria vida. Uma reflexão para ouvir devagar, talvez durante uma caminhada, num momento de silêncio ou enquanto contempla a paisagem. Ouça o episódio 74 do Tudo com Vagar e pergunte a si próprio: quem sou eu quando não estou a tentar agradar a ninguém? Se esta conversa fizer sentido para você, partilhe o episódio com alguém que esteja a aprender a viver com mais verdade, presença e liberdade. Viva devagar. Escute a sua essência. E lembre-se: não tem de agradar a toda a gente para ser fiel a si próprio. site Instagram Facebook newsletter Linkedin