Tudo com vagar

Amélia Pereira Coutinho

TUDO COM VAGAR é um podcast semanal que convida a desacelerar ea descobrir a magia do Alentejo, do campo e da simplicidade. Em cada episódio mergulhamos no conceito do slowliving, da conexão  profunda com a natureza e na arte de viver com propósito.   Aqui celebramos os pequenos detalhes, os momentos de paz e da vida longe do stress e dos écrans. Junta-te a nós todas as sextas feiras e descobre como o ritmo com vagar pode transformar o teu dia a dia. www.montedaslages.pt Instagram Linkedin

  1. há 1 dia

    E 75 - Pressa: uma mentira que contamos a nós próprios

    Vivemos mesmo com pressa ou aprendemos a usar a pressa como uma desculpa para não parar? Neste episódio, falo sobre slow living, produtividade consciente, descanso sem culpa e sobre a forma como tantas vezes fabricamos uma urgência que não existe. Corremos de tarefa em tarefa, respondemos a mensagens fora de horas, comemos de pé e enchemos a agenda. Por fora, parecemos muito ocupados. Por dentro, talvez estejamos apenas a evitar uma pergunta, uma emoção ou uma decisão que precisa de silêncio. Setembro é o ponto de partida desta reflexão. Depois das férias, regressamos com a cabeça mais leve e com vontade de recuperar tudo o que ficou por fazer. Queremos compensar os dias de descanso, resolver assuntos acumulados e voltar rapidamente ao ritmo anterior. Mas começar logo a correr pode apagar, em poucos dias, a serenidade que trouxemos connosco. A pressa promete eficiência, mas muitas vezes entrega cansaço, menor qualidade e tarefas que precisam de ser repetidas. A partir do Monte das Lages, no Alentejo, observamos um ritmo diferente. Na natureza, cada coisa acontece no seu tempo. Há a vindima, a preparação da terra, a sementeira do feno, o nascimento dos bezerros e até os cuidados inesperados com um touro que precisava de tratar os cascos. Nada disto pode ser acelerado sem consequências. A terra não responde à impaciência. Os frutos colhidos antes de amadurecer sabem a verde e o mesmo acontece com ideias, projetos, relações e conversas importantes. Ao longo deste episódio, exploramos várias perguntas:Porque sentimos que temos sempre de fazer mais? Quem decidiu que tudo tem de ser feito depressa? A pressa nasce de uma necessidade real ou de uma comparação silenciosa com os outros? Estaremos a correr em direção a alguma coisa ou a fugir daquilo que nos incomoda? Este episódio ajuda a reconhecer alguns sinais de uma vida vivida em modo de urgência: tomar café sem o saborear, comer à pressa, saltar de compromisso em compromisso, responder a emails às onze da noite e confundir uma agenda cheia com competência.Estar ocupado não significa necessariamente estar a avançar. Por vezes, significa apenas que não deixámos espaço para pensar. Também falamos sobre o valor da maturação. Decisões difíceis, amizades que precisam de ser reconstruídas, conversas delicadas e ideias de negócio não se resolvem bem à pressa. Precisam de tempo, presença e profundidade.Quando antecipamos a colheita, o resultado pode parecer pronto por fora, mas ainda não ganhou consistência por dentro. No final, proponho  um exercício simples para trazer mais vagar ao quotidiano. Escolha um dia e escreva três tarefas que sente que tem de fazer depressa. Antes de começar cada uma, pare e pergunte:Preciso mesmo de correr?O que acontece se der mais tempo a esta tarefa?Como me sinto quando a realizo a um ritmo mais humano? No fim do dia, observe se fez menos, se fez pior ou se, pelo contrário, conseguiu fazer com mais atenção e menos desgaste. Não é necessário mudar a vida inteira de uma vez. Talvez baste interromper a corrida durante alguns minutos e espreitar aquilo que existe para além dela. Se esta conversa lhe trouxe alguma clareza, siga o podcast, partilhe o episódio com alguém que vive sempre a correr e conte-nos: A sua pressa é real ou tornou-se um hábito? Site Instagram Facebook Newsletter Linkedin

  2. há 2 dias

    E 74 - A coragem de não agradar

    A coragem de não agradar: voltar à nossa verdadeira essência E se grande parte das decisões que você toma todos os dias não nascer verdadeiramente de si, mas daquilo que os outros esperam de você?   Neste episódio do Tudo com Vagar, falamos sobre uma necessidade muito comum, mas nem sempre reconhecida: a necessidade de agradar. A vontade de sermos aceites, de não desiludirmos, de corresponder às expectativas e de manter tudo à nossa volta em equilíbrio pode parecer, à primeira vista, apenas uma característica de quem é atencioso, responsável e educado. Mas, quando essa necessidade começa a orientar todas as nossas escolhas, pode afastar-nos silenciosamente daquilo que somos.   Quantas vezes diz que sim quando queria dizer que não? Quantas vezes  faz o que é esperado, mesmo quando o seu corpo, a sua energia ou a sua vontade pedem outra coisa? Quantas vezes assumimos papéis que nos foram entregues pela família, pelo trabalho, pelas relações ou pela sociedade e, com o passar do tempo, já nem consegue perceber onde terminam as expectativas dos outros e onde começa a sua própria vontade?   A partir da imagem de uma árvore que cresceu inclinada, mas viva e fiel à sua natureza, convido-vos a refletir sobre os caminhos que seguimos. Às vezes, tentamos endireitar tudo para que corresponda à forma que alguém imaginou. Procuramos crescer na direção considerada certa, cumprir o mapa que nos foi dado e encaixar na versão de nós que os outros esperam encontrar. Mas talvez a nossa verdadeira natureza não esteja em crescer de forma perfeita ou previsível. Talvez esteja em encontrar a luz possível e continuar a crescer com autenticidade.   Neste episódio, falamos sobre a diferença entre amar os outros e viver para agradar aos outros. Agradar nem sempre nasce do amor. Muitas vezes, nasce do medo: medo de ficar sozinho, de ser julgado, de perder a aprovação, de criar conflito ou de deixar de pertencer. O problema é que, ao tentarmos evitar a rejeição, podemos acabar por rejeitar uma parte de nós próprios.   Falamos também sobre o desconforto que surge quando começamos a desagradar. Quando deixamos de responder automaticamente às expectativas alheias, pode aparecer uma sensação de vazio, culpa ou inquietação. Podemos pensar que estamos a fazer algo errado. Mas esse vazio pode ser apenas o espaço que ficou disponível depois de deixarmos de preencher a sua vida com desejos, obrigações e papéis que não são realmente nossos.   Tal como um campo precisa de pousio para recuperar os seus nutrientes e voltar a dar fruto, também nós precisamos de momentos de pausa, silêncio e espaço interior. No Monte das Lajes, em contacto com a natureza e com o ritmo mais lento do Alentejo, torna-se mais fácil escutar aquilo que tantas vezes fica abafado pelo ruído das expectativas.   Deixo ainda um desafio simples em três passos: escolher uma manhã, uma tarde ou um dia para tomar uma decisão sem pensar no que os outros esperam; perguntar a si próprio “o que é que eu quero que aconteça?”; e escrever depois como se sentiu. Foi libertador? Desconfortável? Assustador? Tranquilo?   Este é um episódio sobre autenticidade, autoconhecimento, limites, liberdade emocional e a coragem de escolher a sua própria vida. Uma reflexão para ouvir devagar, talvez durante uma caminhada, num momento de silêncio ou enquanto contempla a paisagem.   Ouça o episódio 74 do Tudo com Vagar e pergunte a si próprio: quem sou eu quando não estou a tentar agradar a ninguém?   Se esta conversa fizer sentido para você, partilhe o episódio com alguém que esteja a aprender a viver com mais verdade, presença e liberdade.   Viva devagar. Escute a sua essência. E lembre-se:  não tem de agradar a toda a gente para ser fiel a si próprio.   site Instagram Facebook newsletter Linkedin

  3. 14 de ago.

    E 72 - O tédio que já não sabemos ter

    Num mundo que exige produtividade constante, o tédio tornou-se uma espécie em extinção. Mas e se o aborrecimento fosse, na verdade, a porta para a criatividade e a paz interior? Neste episódio de "Tudo com Vagar", convido-vos a uma profunda reflexão sobre o tédio, um sentimento que, paradoxalmente, já não sabemos ter. Num ritmo de vida acelerado, onde cada momento vazio é preenchido com ecrãs e tarefas, perdemos a capacidade de abraçar o não-fazer, o aborrecimento que, na infância, era um motor para a imaginação e a descoberta. Partilho a minha experiência no Monte das Lages, um refúgio no coração do Alentejo, onde a ausência de distrações digitais e o ritmo lento da natureza me reconectaram com o valor do tempo vazio. O tédio, longe de ser uma falha, é apresentado como um espaço fértil para o "Mind Wandering", onde as ideias mais originais e as soluções inesperadas surgem. É no silêncio, na contemplação do galo que canta ou da uva que amadurece na vinha, que encontramos uma serenidade que nos permite fazer contas à vida e sonhar novos projetos. Este episódio é um convite a desmistificar o medo do silêncio e do encontro connosco próprios, incentivando-nos a criar momentos vazios na nossa semana. Esconder o telemóvel, não arrumar, não ler, apenas sentir o que o puro e simples vazio nos traz. Uma prática que se treina e se aprofunda, revelando-se uma fonte inesgotável de paz e autoconhecimento, enraizada na sabedoria do Alentejo e na filosofia do slow living que o Monte das Lages tão bem encarna. Site Instagram Facebook Newsletter Linkedin

  4. 31 de jul.

    E 71 - Viver sem métricas: o vagar da natureza

    Vivemos obcecados em medir cada segundo, transformando a nossa existência num relatório de desempenho. Mas e se o segredo para uma vida com sentido estivesse precisamente naquilo que não se pode, nem se deve, medir? Neste episódio do Tudo com Vagar, mergulhamos numa reflexão profunda sobre um verbo que se instalou silenciosamente nas nossas rotinas: a busca incessante por melhorar cada detalhe da nossa existência. Das horas de sono ao número de passos, da organização da despensa à eficácia das nossas férias, parece que tudo precisa de ser medido, comparado e superado. Mas a que custo?   Convida-vos a olhar para a natureza e para o ritmo do Alentejo para encontrar uma perspetiva diferente. No Monte das Lages, aprendemos que as coisas mais importantes não aceitam métricas. Não conseguimos ditar o volume da chuva que alimenta a terra, nem apressar o tempo que as galinhas levam a pôr um ovo, nem controlar onde o vento decide semear uma árvore que, um dia, nos dará a melhor sombra. A natureza não vive em linha reta nem em crescimento constante; ela vive em ciclos, com estações de pausa e momentos de colheita.   Ao tentarmos transformar a nossa vida num sistema de alta eficácia, acabamos por desconfiar do tempo e perder a capacidade de habitar o presente. Um passeio torna-se uma contagem de passos e uma refeição com amigos transforma-se num cálculo de calorias. Este episódio é um apelo para recuperarmos a soberania sobre o nosso tempo, trocando a escravidão dos ecrãs pela liberdade do silêncio e da observação.   Desafio da Semana: Escolha um momento do seu dia que costuma monitorizar ,seja o exercício, o sono ou a alimentação e viva-o plenamente, sem abrir o telemóvel ou consultar qualquer aplicação. Sinta o momento, sem relatórios, e descubra como a vida volta a ter fôlego quando deixamos de a tentar medir. Site Instagram facebook Newsletter Linkedin

  5. 17 de jul.

    E 69 - 1Conversas Adiadas: Quando a Fuga se Torna Peso

    Existem palavras que carregamos como pedras, esperando por um "momento certo" que nunca parece chegar. Mas o que acontece ao que calamos enquanto o tempo passa? Neste episódio, convido-o a esvaziar os bolsos e a descobrir a leveza de uma conversa que já devia ter acontecido. Neste episódio do Tudo com Vagar, sentamo-nos à sombra da honestidade para falar sobre as conversas que adiamos. Quantas vezes guardamos palavras como se fossem pedras pesadas num bolso, acreditando que o silêncio protege, quando, na verdade, ele corrompe? Do meu refúgio no Alentejo, observo como a natureza não hesita: se há fome, come-se; se há cansaço, descansa-se. No entanto, nós, humanos, muitas vezes mascaramos o que sentimos com um "está tudo bem" dito entre dentes, permitindo que pequenas mágoas se tornem pedregulhos impossíveis de carregar.   Partilho convosco a minha própria dificuldade com o conflito e como tenho aprendido que a paciência, tantas vezes, é apenas uma fuga disfarçada. No Monte das Lages, aprendemos que, se não podarmos a vinha na altura certa, ela nasce torta. O mesmo acontece com os nossos afetos. Falar não é apenas resolver um problema; é abrir uma janela para que entre ar novo - um ar que pode ser frio no início, mas que refresca e renova a alma.   Exploro a diferença entre o silêncio que cura, aquele que sentimos ao fim da tarde no campo, e o silêncio que nos mói por dentro. Deixo-lhe um desafio prático para esta semana: tire o peso da imaginação e passe-o para o papel. Marque esse encontro, faça esse telefonema. O alívio que mora do outro lado de uma conversa honesta é o caminho mais curto para a paz interior que tanto procuramos.   Venha daí, respire fundo e descubra como habitar o seu tempo com mais verdade e menos pressa. Site Instagram Facebook newsletter Linkedin

  6. 10 de jul.

    E 68 - O peso de ser sempre forte

    Quantas vezes nos esforçamos para parecer fortes, carregando uma armadura que, na verdade, nos enfraquece? Neste episódio, convido-vos a desvendar a exaustão de fingir força e a descobrir como o reconhecimento das nossas fragilidades é o caminho para uma resiliência autêntica. Venha abrandar e encontrar a sua verdadeira força. Vivemos numa sociedade que muitas vezes nos impõe a necessidade de sermos pilares inabaláveis, sempre disponíveis e sem falhas. Mas o que acontece quando essa armadura que construímos à nossa volta se torna um peso insuportável, drenando a nossa energia e a nossa essência?   Neste convite à introspeção, exploro a ideia de que fingir força é, paradoxalmente, aquilo que nos enfraquece. Através de analogias com a natureza alentejana, como a cortiça protetora do sobreiro que precisa de ser retirada para a árvore se renovar, ou a flexibilidade dos juncos que se dobram mas não quebram, somos levados a compreender que a vulnerabilidade não é um sinal de fraqueza, mas sim um caminho para a verdadeira resiliência. Partilho a minha própria experiência, sublinhando a importância de ouvir os sinais do corpo e de aceitar que ninguém consegue ser forte todos os dias.   O episódio desafia-nos a desconstruir a crença de que pedir ajuda ou dizer "não" nos diminui. Pelo contrário, é no reconhecimento das nossas fragilidades que encontramos a capacidade de nos fortalecermos, de nos levantarmos após as quedas e de aprendermos com cada momento. A sabedoria da terra, que nos ensina que "a terra que descansa é a terra que dá mais trigo", ecoa a necessidade de pausas e de autocuidado. Proponho um desafio semanal simples: admitir quando não estamos bem, escrever sobre isso e agir em conformidade, permitindo-nos recarregar energias e voltar com mais vitalidade. Deixe-se inspirar pela serenidade do Monte das Lages e descubra como abraçar a sua vulnerabilidade pode ser o seu maior superpoder. Site Linkedin Instagram Facebook Newsletter

Sobre

TUDO COM VAGAR é um podcast semanal que convida a desacelerar ea descobrir a magia do Alentejo, do campo e da simplicidade. Em cada episódio mergulhamos no conceito do slowliving, da conexão  profunda com a natureza e na arte de viver com propósito.   Aqui celebramos os pequenos detalhes, os momentos de paz e da vida longe do stress e dos écrans. Junta-te a nós todas as sextas feiras e descobre como o ritmo com vagar pode transformar o teu dia a dia. www.montedaslages.pt Instagram Linkedin