Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação

Ana Isabel Ramos

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  1. há 5 dias

    Episódio 46. O negócio, o crítico interno e a centelha que ainda brilha

    Olá! Dou-vos as boas-vindas a este episódio do podcast "Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação". Esta semana, tenho estado a aproveitar a relativa pausa depois do Workshop de Procrastinação para arrumar a casa, que é como quem diz, a repensar e a reorganizar o meu negócio, especialmente a maneira como comunico o que faço com o público. Neste episódio mencionamos: “Não há partes más”, de Richard C. Schwartz Desenhamos Juntas, a sessão semanal em que desenhamos em diário gráfico, umas com as outras. Workshop de Procrastinação Conectar para Liderar(-me), o meu programa de grupo para mulheres que desejam voltar a reconectar-se com a sua criatividade, quer tenham inclinação artística, quer não. Onde podem subscrever o podcast para serem as primeiras a saber quando há novos episódios. Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação é um podcast de Ana Isabel Ramos, designer, ilustradora, autora de livros e mentora de criatividade em www.airdesignstudio.com e no Instagram como @‌air_billy. Se não queres perder nenhum episódio, poderás subscrever a newsletter para os receberes semanalmente na tua caixa de correio. E se algo neste episódio vibrou dentro de ti, partilha-o com as pessoas da tua vida que poderão também encontrar um eco nestas confissões. Um passo de cada vez, recuperaremos do perfeccionismo e abraçaremos a fluidez para trazermos à superfície o melhor de nós. Créditos: “Cover Girl” de Beat Mekanik Podcast Todas as terças, recebe na tua caixa de correio uma Confissão de uma super-perfeccionista em recuperação. Quero receber Dou-te as boas-vindas a mais uma confissão de uma super-perfeccionista em recuperação, um podcast sobre perfeccionismo, criatividade e empoderamento. Nestas confissões, vou partilhar contigo os altos e baixos do meu longo caminho de recuperação do super-perfeccionismo. Se também tu tens vontade de deixar para trás a excessiva exigência contigo própria, soltar o perfeccionismo e abraçar a criatividade que tens dentro de ti, quer te consideres uma pessoa artística, quer não, então fica aqui nas “Confissões”. Olá e sejam bem-vindas a este episódio de “Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação”. Esta semana, tenho estado a aproveitar a relativa pausa depois do Workshop de Procrastinação para arrumar a casa, que é como quem diz, a repensar e a reorganizar o meu negócio, especialmente a maneira como comunico o que faço com o público. A verdade é que todos os negócios, aliás, todas as coisas!, se fazem exactamente assim: sai uma versão ao mundo, usa-se, percebe-se o que funciona e o que não funciona, e depois fazem-se ajustes. É assim que temos vindo a evoluir ao longo dos tempos, é assim que a tecnologia evolui, é assim que a cultura também evolui, enfim, é assim que tudo evolui, construindo em cima do que já foi construído pelas gerações que vieram antes. E aqui no meu caso, fazendo um zoom no meu negócio, com a passagem do tempo, com cada episódio de podcast que escrevo e partilho convosco, com cada lançamento, como foi o caso recente do lançamento do novo Workshop de Procrastinação, também aqui vou ajustando a comunicação com o feedback que vou recebendo de clientes e de pares. No fundo, nunca nada está terminado, e está tudo sempre a ser ajustado e reajustado. O objectivo é comunicar da maneira mais clara possível as formações que dou, para que as minhas clientes as encontrem e saibam que é aquilo que procuram, necessitam e desejam fazer. De maneira que, terminado o lançamento do Workshop de Procrastinação, uma altura em que olho mais para fora, para chegar a um público cada vez mais amplo, agora chegou a altura de voltar a olhar para dentro, para o negócio, e de arrumar a “casa”. Esta semana, tenho estado a trabalhar precisamente nisso, nomeadamente a afinar a forma como falo sobre as formações que dou. O fio condutor entre as três formações que dou, o Desenhamos Juntas, o Workshop de Procrastinação e o programa insígnia, Conectar para Liderar(-me), é que em cada uma delas, e usando ferramentas diferentes, melhoramos a relação com o nosso crítico interno e reconectamos com a nossa criança interior. E aqui, temos de fazer uma pausa para ver com mais detalhe o que é isso de melhorar a relação com crítico interno e reconectar com a criança interior. Para começar, gosto de imaginar que somos feitos de diferentes partes. No livro “Não há partes más” de Richard C. Schwartz (deixarei o respectivo link nas notas do episódio) o autor apresenta um modelo de vida interior constituído por um sistema de partes, todas diferentes, que nos compõem. O autor chama-lhe algo como “Sistemas Familiares Internos”, ou seja, como se dentro de nós houvesse várias facetas que servem diferentes funções na nossa vida. Todos temos certas partes que nos são comuns, como o crítico interno e a criança interior, mas depois, cada um de nós, tem algumas outras partes que têm que ver com as nossas circunstâncias pessoais e experiência de vida. Cada uma dessas partes cumpre uma função dentro de nós; por vezes, temos partes com um papel mais dominante do que deviam, e isso provoca algumas dificuldades e bloqueios na nossa vida. Como vos dizia, duas dessas partes que todos nós temos, ou melhor dito, que cada uma de nós tem dentro de si, são o crítico interno e a criança interior. Comecemos pelo crítico interno e pelo papel que ele representa dentro de nós. O crítico interno é relativamente fácil de identificar. Sabem aquela voz que temos dentro da nossa cabeça e que parece que vai fazendo comentários a tudo o que fazemos? Confesso-vos: a voz do meu crítico interno estava sempre presente, dou-vos um exemplo. Imaginem o cenário: estava a fazer um bolo e deixava cair um bocadinho de farinha fora da tigela. A voz do meu crítico, dentro da cabeça, dizia logo: “ai que desajeitada. Agora vais ter mais trabalho a limpar tudo. Se tivesses feito direitinho desde o início…” Sabem qual é? Todas nós temos uma voz parecida com esta dentro da nossa cabeça. Mas não desmereçamos o crítico interno, pois ele tem um papel muito importante para a nossa sobrevivência. A função do crítico interno é proteger-nos, e portanto, sempre que acha que estamos a correr riscos, levanta a sua voz dentro da nossa cabeça. O que é que acontece? Acontece que o crítico interno não sabe distinguir entre riscos reais e verdadeiros para a nossa sobrevivência e riscos para o nosso ego. Por isso, quando estou a fazer um bolo e me cai um bocado de farinha na bancada, ele salta logo. Na verdade, aquele disparate só é um risco para o meu ego, pois ao não acertar com a farinha dentro da tigela, estou a dizer ao ego que às vezes cometo erros. E cometer erros, para o ego, é muito assustador. Daí que o nosso crítico salte logo, levante a sua voz, e nos encha a cabeça de frases que muitas vezes são ácidas, no mínimo, podendo ser até tiranas. Sabendo que o crítico interno cumpre a função de nos proteger, mas que é, talvez, hipersensível e salta à mínima coisa, entendemos que não queremos calar completamente a sua voz, mas sim modulá-la. Para melhorar a relação com o nosso crítico interno, temos de lhe ir ensinando, com calma, paciência e muita repetição, que a maioria dos riscos que o fazem entrar em actividade são apenas riscos para o ego, e não para a nossa sobrevivência. E que sendo só riscos para o ego, não é preciso que o crítico se inflame, pois nada de verdadeiramente grave nos poderá acontecer por corrermos aqueles riscos. Já a criança interior é uma parte que fala muito menos, que se resguarda muito, e que foi ficando, digamos, “enterrada”, debaixo das camadas de acontecimentos, circunstâncias da vida, obrigações e compromissos, logística familiar. Confesso-vos: imagino a criança interior como aquele ervilha que fica debaixo de vinte colchões na história da princesa e da ervilha, sabem? Aquela princesa que não consegue dormir porque debaixo do colchão está uma ervilha que a incomoda. No caso, imagino a nossa criança interna a querer ver a luz do dia, mas debaixo de camadas e camadas de obrigações, compromissos e logísticas. É natural que haja pouco tempo para trazer a criança interna à luz do dia quando temos de pensar no que vai ser o jantar. A criança interior é aquela parte de nós que guarda os nossos sonhos de infância, que guarda aquilo que desejámos, e que entretanto esquecemos. É a parte de nós que adora brincar e que quer vir à superfície contar-nos o que queríamos ser quando fôssemos grandes, para que hoje possamos encontrar aquelas actividades que nos fazem sonhar e nos fazem brincar. Voltar a conectar com a criança interior não acontece de forma contínua, nem em banda larga. Contrariamente ao crítico interno, a voz da criança interior não se faz ouvir continuamente dentro da nossa cabeça. Reconectar com a criança interior é mais parecido a quando pegamos num busca-pólos e estamos à procura do pólo positivo nas tomadas. Quando o encontramos, brilha fugazmente uma luzinha no nosso busca-pólos, assim como uma centelha que brilha, mas que logo se esconde. (Aqui entre nós que ninguém nos ouve, nota-se logo – com esta metáfora de busca-pólos – que estudei electrotecnia quando era miúda!) Reconectar com a criança interior, por fugaz que seja, traz-nos uma sensação electrizante e revitaliza

    16 min
  2. 2 de jun.

    Episódio 45. O poder das pausas

    Olá! Dou-vos as boas-vindas a este episódio do podcast "Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação". Esta semana, quero voltar a um tema que me é querido, mas que também é um desafio para mim, e esse tema é pausas. Sabem, fazer pausas conscientes, não só ao nível micro, mas também ao nível macro. Neste episódio mencionamos: “O Caminho do Artista”, de Julia Cameron Nayla Norryh “Trabalha a tua luz”, oráculo de Rebecca Campbell “Stress less, accomplish more”, de Emily Fletcher Onde podem subscrever o podcast para serem as primeiras a saber quando há novos episódios. Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação é um podcast de Ana Isabel Ramos, designer, ilustradora, autora de livros e mentora de criatividade em www.airdesignstudio.com e no Instagram como @‌air_billy. Se não queres perder nenhum episódio, poderás subscrever a newsletter para os receberes semanalmente na tua caixa de correio. E se algo neste episódio vibrou dentro de ti, partilha-o com as pessoas da tua vida que poderão também encontrar um eco nestas confissões. Um passo de cada vez, recuperaremos do perfeccionismo e abraçaremos a fluidez para trazermos à superfície o melhor de nós. Créditos: “Cover Girl” de Beat Mekanik Podcast Todas as terças, recebe na tua caixa de correio uma Confissão de uma super-perfeccionista em recuperação. Quero receber Dou-te as boas-vindas a mais uma confissão de uma super-perfeccionista em recuperação, um podcast sobre perfeccionismo, criatividade e empoderamento. Nestas confissões, vou partilhar contigo os altos e baixos do meu longo caminho de recuperação do super-perfeccionismo. Se também tu tens vontade de deixar para trás a excessiva exigência contigo própria, soltar o perfeccionismo e abraçar a criatividade que tens dentro de ti, quer te consideres uma pessoa artística, quer não, então fica aqui nas “Confissões”. Olá e sejam bem-vindas a este episódio de “Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação”. Esta semana, quero voltar a um tema que me é querido, mas que também é um desafio para mim, e esse tema é pausas. Sabem, fazer pausas conscientes, não só ao nível micro, mas também ao nível macro. As pausas micro são aquelas que vamos fazendo durante o dia, entre tarefas. Eu, por exemplo, levanto-me para ir meditar, ou ir olhar para as minhas plantas, ver como os Ginkgo biloba estão a crescer. Depois, vêm pausas a uma escala maior, nomeadamente aquelas a que a autora Julia Cameron, no seu “O Caminho do Artista”, chama de artist dates, e que consistem numa manhã, ou numa tarde, a fazer algo sozinhas, por puro prazer. Pode ser ir comprar tintas e pincéis, ver uma exposição, ou ver um filme. No fundo, é uma espécie de actividade “só porque sim”, na medida em que não cumpre qualquer função logística, profissional ou familiar, e serve apenas para nos dar prazer e, no caso dos artist dates, nos expor a outros estímulos nutritivos do nosso âmago e da nossa criatividade. Com estas pausas, confesso-vos, tenho imensa dificuldade. Custa-me horrores quebrar um dia de trabalho que está a correr bem para ir fazer uma pausa. Paradoxalmente, recordo com muito carinho os artist dates que fiz, e não faço a menor ideia do trabalho que estava a fazer, e que interrompi, para os ir fazer. Mas as pausas continuam a crescer em escala. Depois do meio dia do artist date, começamos a subir a parada para um dia inteiro de agenda limpa para uma pausa, coisa que a mim já me complica deveras os nervos. Quem me ouve e que trabalhe por conta própria talvez sinta o mesmo que eu: há tanta coisa para fazer, sempre, que pode ser muito difícil interromper o trabalho para descansar. É quase como se descansar fosse algo fútil, e de pouca necessidade, algo para se fazer um dia qualquer, no futuro, em que se tiver tempo. E depois, ao nível de pausas, temos as pausas de alguns dias. E que difícil é, para mim, tirar esses dias para fazer pausas de auto-cuidado. A minha mentora de negócios, Nayla Norryh, recomenda muito um retiro de dois a três dias por trimestre. Por um lado, para descansar; por outro, para abrir espaço à mente para ser criativa e juntar ideias de maneiras diferentes. E eu entendo completamente a teoria, mas nem vos conto as resistências que esta ideia desperta em mim. Ainda há-de chegar o dia em que me sinto confortável a tirar dois a três dias para fazer um retiro, ou um auto-retiro, mas hei-de conseguir. E depois temos as férias. Curiosamente, com as férias não tenho tanta dificuldade, pois de alguma forma preparo-me antes de ir, deixando o trabalho o mais adiantado possível. Sabem aquela semana antes das férias, em que temos pilhas de tarefas que parecem intermináveis e que temos porque temos de deixar prontas antes de ir, mesmo que as férias sejam só de uma semana e não caia um unicórnio alado se não as fizermos? Depois dessa semana de grande intensidade, consigo adaptar-me ao modo férias com alguma, mas não completa, facilidade. Por vezes, durante as férias, ainda fico a matutar nos temas de trabalho durante uns dias, mas depois lá me vou adaptando a esse ritmo mais lento em que tenho mais tempo para ler, dormir e fazer as minhas actividades “só porque sim”. As pausas são coisas maravilhosas. Por serem pausas, criam espaços de vazio e de silêncio que nos permitem ouvir aquilo a que a autora Rebecca Campbell chama de “sussurros da alma”. Quando fazemos silêncio, as ideias têm espaço para se formar na nossa mente, e juntar-se umas às outras de maneiras diferentes das habituais. Quando fazemos silêncio, criamos um pátio, um recreio, onde a nossa criança interior pode sair para vir brincar. E aí aparecem os tais sussurros da alma, primeiro em ideias vagas, que mais parecem ténues filamentos de luz, assim como fogos-fátuos que se acendem e logo desaparecem, e que temos de estar atentas e preparadas para ver, porque se estivermos desatentas, então já os perdemos. Por isso as pausas são tão importantes, porque criam o espaço propício para essas ideias aparecerem. Contudo, e isto é muito curioso, não as podemos forçar a aparecer. Não podemos entrar numa pausa querendo muito ter uma ideia que resolva um determinado problema – isso não é uma pausa. Temos de entrar na pausa de forma absolutamente desinteressada, com uma única intenção: a de criar o espaço vazio, e mais nada. Se vamos com a expectativa de ter uma ideia que resolva determinada situação… o mais provável é entrarmos numa tensão tal que nos faça acreditar que as pausas não servem para nada e que mais vale não interromper o que estávamos a fazer. Então como fazer para fazer uma pausa? Bem, se forem como eu, gostam de ter as coisas organizadas com tempo, e por isso eu ponho as minhas pausas na agenda como se de tarefas importantíssimas se tratassem. E depois encaro-as como se de tarefas importantíssimas se tratassem. Para mim, por exemplo, fazer uma pausa para fazer uma meditação é algo difícil ao início. Custa-me quebrar o foco com que estou a trabalhar para ir meditar; mas uma vez que começo, lembro-me de porque é que estou a meditar. Ao princípio, a meditação era uma coisa francamente incómoda. Na verdade, e aqui me confesso, até tinha um nominho especial para a meditação que incluía mais uma letra “r” estrategicamente posicionada entre as sílabas. Mas depois a minha amiga Joana Paz ofereceu-me um livro que me ensinou uma técnica muito acessível para meditar, e desde então tudo mudou. Mais tarde, fiz a iniciação ao reiki, e então hoje em dia adoro estar a meditar e a sentir a energia do reiki no meu corpo. Estas pausas são, para mim, como um balde de café criativo. Depois de meditar, uma tarefa que me levaria meia hora a fazer, leva-me metade do tempo. É incrível, difícil mesmo de acreditar, e no entanto é verdade. Vamos então supor que, para ti, que me ouves, em vez de meditar, a tua pausa preferida é ir dar um passeio no parque. Pois bem, vê onde o podes encaixar na tua agenda e encaixa-o, mesmo, e depois quando o alarme anunciar o momento do passeio, vai e faz esse passeio. Cada pausa que faço, mesmo aquelas às quais resisto, traz-me benefícios imensos: uma mente refrescada, por vezes ideias novas, e uma vez, e não estou a exagerar quando vos conto isto, senti uma onda de calor que me levou a zanga que estava a sentir com uma amiga. É mesmo verdade: quando comecei a meditação, estava zangada com ela; durante a meditação, tive uma sensação física de uma onda de calor a varrer-me e a levar essa zanga. Quando voltei a abrir os olhos, o alívio foi enorme. Voltando ao aqui e ao agora, conto-vos que hoje, antes de me sentar a escrever este guião, tirei uma carta do meu oráculo (vou deixar o link nas notas do episódio, para o caso de terem interesse). As mensagens costumam ser certeiras e hoje, ao princípio, surpreendi-me, e depois entendi. Tirei a carta “Não”, uma carta que me aconselha a “esperar, adiar, fazer uma pausa, dizer não”. E eu pensei, com os meus botões, que mais certeira não podia ser. Dizer “não” é proteger esses espaços de vazio e de pausa, é proteger as nossas bolsas de oxigénio, essas de que precisamos para nos mantermos saudáveis, mas também felizes, serenas e criativas. E ao tirar esta carta, percebi claramente que era hora de dizer “não” a algumas coisas, para não me perder na loucura do dia-a-dia, para – apesar de

    12 min
  3. 26 de mai.

    Episódio 44. Como conectar contigo própria

    Olá! Dou-vos as boas-vindas a este episódio do podcast "Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação". Não sei se já vos contei (se calhar, mais de mil vezes, mas, desmemoriada como estou, para mim é sempre novidade), mas eu adoro, adoro, adoro escrever os episódios de “Confissões”. Há mais de vinte anos atrás, quando comecei a escrever o meu blog, o meu muito querido “Entre Lisboa e Buenos Aires”, sentia este mesmo entusiasmo de cada vez que me sentava a escrever um post. E hoje, antes de me sentar a escrever este episódio, preparei o ambiente à minha volta para ser ainda mais prazeroso e divertido escrever. Movimentei o meu corpo, fiz um chá delicioso, fui buscar a minha pedra ametista e pu-la aqui à minha frente, fiz uma pequena meditação e lancei uma carta do meu oráculo. Neste episódio mencionamos: “Trabalha a tua luz”, oráculo de Rebecca Campbell Desenhamos Juntas, a sessão semanal em que desenhamos em diário gráfico, umas com as outras. Workshop de Procrastinação Conectar para Liderar(-me), o meu programa de grupo para mulheres que desejam voltar a reconectar-se com a sua criatividade, quer tenham inclinação artística, quer não. “O Caminho do Artista”, de Julia Cameron Onde podem subscrever o podcast para serem as primeiras a saber quando há novos episódios. Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação é um podcast de Ana Isabel Ramos, designer, ilustradora, autora de livros e mentora de criatividade em www.airdesignstudio.com e no Instagram como @‌air_billy. Se não queres perder nenhum episódio, poderás subscrever a newsletter para os receberes semanalmente na tua caixa de correio. E se algo neste episódio vibrou dentro de ti, partilha-o com as pessoas da tua vida que poderão também encontrar um eco nestas confissões. Um passo de cada vez, recuperaremos do perfeccionismo e abraçaremos a fluidez para trazermos à superfície o melhor de nós. Créditos: “Cover Girl” de Beat Mekanik Podcast Todas as terças, recebe na tua caixa de correio uma Confissão de uma super-perfeccionista em recuperação. Quero receber Dou-te as boas-vindas a mais uma confissão de uma super-perfeccionista em recuperação, um podcast sobre perfeccionismo, criatividade e empoderamento. Nestas confissões, vou partilhar contigo os altos e baixos do meu longo caminho de recuperação do super-perfeccionismo. Se também tu tens vontade de deixar para trás a excessiva exigência contigo própria, soltar o perfeccionismo e abraçar a criatividade que tens dentro de ti, quer te consideres uma pessoa artística, quer não, então fica aqui nas “Confissões”. Olá e sejam bem-vindas a este episódio de “Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação”. Não sei se já vos contei (se calhar, mais de mil vezes, mas, desmemoriada como estou, para mim é sempre novidade), mas eu adoro, adoro, adoro escrever os episódios de “Confissões”. Há mais de vinte anos atrás, quando comecei a escrever o meu blog, o meu muito querido “Entre Lisboa e Buenos Aires”, sentia este mesmo entusiasmo de cada vez que me sentava a escrever um post. E hoje, antes de me sentar a escrever este episódio, preparei o ambiente à minha volta para ser ainda mais prazeroso e divertido escrever. Movimentei o meu corpo, fiz um chá delicioso, fui buscar a minha pedra ametista e pu-la aqui à minha frente, fiz uma pequena meditação e lancei uma carta do meu oráculo. Em jeito de à parte, vi estas cartas de oráculo nas mãos da minha mentora de negócios, a Nayla Norryh, e decidi comprar um baralho também para mim. E não me arrependo minimamente, pois as mensagens que vêm em cada carta que tiro costumam ser absolutamente certeiras. Estou encantada! Mas voltando ao aqui e ao agora, hoje lancei uma carta do oráculo que me falou bem fundo. Como já disse, as mensagens costumam ser certeiras, e hoje não foi excepção. A carta que me saiu foi a do “Templo Interior. Devoção. Sintoniza-te com o portal do teu coração”, e fiquei intrigada. Fui ler o texto explicativo, que expande o significado de cada uma das cartas, e senti que aquela mensagem era mesmo dirigida a mim, no momento absolutamente certo. Ora a mensagem da carta é precisamente a de reforçar a nossa prática de conexão com o nosso interior, através da prática que for mais adequada a cada pessoa. E há uma série de coisas que eu sei que me fazem particularmente bem: a meditação, por exemplo; mas também as minhas actividades “só porque sim”, como desenhar, cantar em coro e tocar cavaquinho. Agora, adivinhem só. Em que é que ando a procrastinar? A sentir imensa resistência na hora de começar? É precisamente nessas actividades que me fazem tão bem, essas actividades que me nutrem e que reforçam a minha conexão com o meu interior – e, especialmente, a conexão com a minha criança interior, a guardiã dos meus sonhos e desejos mais profundos. O que não deixa de ser absolutamente irónico, ou talvez não, porque todas as formações que dou, desde o Desenhamos Juntas, ao Workshop de Procrastinação e ao programa insígnia, o Conectar para Liderar-me, são precisamente para encontrar espaços de conexão com o nosso interior, para melhorar a relação com a voz do nosso crítico interno e para reconectarmos com a nossa criança interior. Quanto mais o tempo passa, mais percebo que estamos cá a ensinar aquilo que nós mesmas precisamos de aprender, e percebo que não sou excepção. Tenho toda uma formação sobre como superar a procrastinação precisamente porque eu própria também tenho de continuar a praticar isso. Todas as segundas-feiras Desenhamos Juntas, e à boleia de desenhos continuamos a praticar precisamente esta conexão com a nossa criança interior, com os espaços lúdicos que nos permitem respirar no nosso dia-a-dia. E tenho todo um programa de doze semanas sobre reconectar connosco próprias, o Conectar para Liderar-me, precisamente porque eu também preciso de manter a prática de me voltar a conectar comigo própria, de continuar a nutrir espaços de silêncio para ouvir “os sussurros da minha alma”, como diz Rebecca Campbell, a autora do oráculo de que vos falei. Vou deixar a respectiva referência nas notas deste episódio. Voltando à carta que me saiu, gosto muito da palavra “sintoniza-te”. Na carta, a instrução era: “sintoniza-te com o portal do teu coração”, e eu gosto de imaginar que todas temos uma antena e que temos de a sintonizar para ouvir estas mensagens que nos chegam. Já a Julia Cameron, no livro “O Caminho do Artista”, dizia que a nossa criatividade era uma antena que tínhamos de sintonizar para captar e canalizar as mensagens do divino, sendo que o que é divino pode ser diferente para cada uma de nós. Eu gosto de acreditar que o divino é a energia que nos rodeia, e que temos também um pouco dessa energia dentro de nós, e que, no fundo, temos de baixar o ruído para poder ouvir – e sintonizar – as nossas antenas para ouvir as mensagens que vêm da energia que nos rodeia e da energia que está dentro de nós, que é toda a mesma energia. No fundo, gosto de acreditar que a informação já está dentro de nós, e que só temos de baixar o som do barulho que nos rodeia para podermos ouvir o que se passa cá dentro. E é aí, naturalmente, que entram estas práticas – digamos, “devocionais”, para usar a palavra da carta do oráculo – mas são práticas que nos conectam connosco, com o nosso propósito, com a nossa missão de vida, quer já saibamos qual é, quer não. Estas práticas que nos nutrem, que criam esse espaço de silêncio, que permitem essa conexão connosco e nos permitem também receber essas mensagens, são fundamentais. E também são aquelas às que mais resisto, paradoxalmente. Quantas vezes não fui dobrar meias e cuecas em vez de me sentar a meditar? De maneira que hoje senti esta carta, que tenho aqui à minha frente, enquanto escrevo este texto, como uma mensagem certeira, como um telegrama enviado pela minha alma, ou pela minha criança interior, para me mostrar que recentrar-me comigo mesma, com o meu propósito, criar espaços de silêncio e de oxigénio na minha vida nunca é uma perda de tempo. Não havendo uma urgência real e séria para ter aquelas meias dobradas, as meias não são mais importantes que a meditação, cantar em coro, desenhar por puro prazer ou tocar cavaquinho. Hoje quero convidar-te a encontrar as tuas actividades “só porque sim”. São actividades que se caracterizam por não servir nenhuma função familiar, logística ou de trabalho e que servem “apenas” (e ponho aspas aqui em “apenas”) servem “apenas” a função de te dar prazer. Estas actividades aparentemente fúteis são as actividades devocionais a que a carta se refere, são as actividades que cultivam a tua conexão com o teu interior, com o teu íntimo, a tua alma, a tua criança interior. Se ainda não tens actividades “só porque sim”, poderás sentir algumas resistências a esta ideia de fazer algo só para te dar prazer. É natural – sente essas resistências. Aparecerem resistências é sinal de que estás no bom caminho. Tenta lembrar-te do que gostavas de fazer quando eras pequena, pois aí costumam estar grandes pepitas de ouro. E se, mesmo assim, não t

    13 min
  4. 19 de mai.

    Episódio 43. Procrastinação e perfeccionismo

    Olá! Dou-vos as boas-vindas a este episódio do podcast "Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação". Este podcast não seria este podcast se não dedicássemos tempo, espaço e largura de banda a analisar de que forma o perfeccionismo joga na nossa vida. E, claro, estando eu tão focada no tema da procrastinação, dado que na próxima sexta-feira começamos a primeira edição do Workshop de Procrastinação, não admira que queira olhar para estes dois temas juntos, como se tocam, como se relacionam entre si. Neste episódio mencionamos: Workshop de Procrastinação Desenhamos Juntas, a sessão semanal em que desenhamos em diário gráfico, umas com as outras. Conectar para Liderar, o meu programa de grupo para mulheres que desejam voltar a reconectar-se com a sua criatividade, quer tenham inclinação artística, quer não. Onde podem subscrever o podcast para serem as primeiras a saber quando há novos episódios. Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação é um podcast de Ana Isabel Ramos, designer, ilustradora, autora de livros e mentora de criatividade em www.airdesignstudio.com e no Instagram como @‌air_billy. Se não queres perder nenhum episódio, poderás subscrever a newsletter para os receberes semanalmente na tua caixa de correio. E se algo neste episódio vibrou dentro de ti, partilha-o com as pessoas da tua vida que poderão também encontrar um eco nestas confissões. Um passo de cada vez, recuperaremos do perfeccionismo e abraçaremos a fluidez para trazermos à superfície o melhor de nós. Créditos: “Cover Girl” de Beat Mekanik Podcast Todas as terças, recebe na tua caixa de correio uma Confissão de uma super-perfeccionista em recuperação. Quero receber Dou-te as boas-vindas a mais uma confissão de uma super-perfeccionista em recuperação, um podcast sobre perfeccionismo, criatividade e empoderamento. Nestas confissões, vou partilhar contigo os altos e baixos do meu longo caminho de recuperação do super-perfeccionismo. Se também tu tens vontade de deixar para trás a excessiva exigência contigo própria, soltar o perfeccionismo e abraçar a criatividade que tens dentro de ti, quer te consideres uma pessoa artística, quer não, então fica aqui nas “Confissões”. Olá e sejam bem-vindas a este episódio de “Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação”. Este podcast não seria este podcast se não dedicássemos tempo, espaço e largura de banda a analisar de que forma o perfeccionismo joga na nossa vida. E, claro, estando eu tão focada no tema da procrastinação, dado que na próxima sexta-feira começamos a primeira edição do Workshop de Procrastinação, não admira que queira olhar para estes dois temas juntos, como se tocam, como se relacionam entre si. Para quem, como eu, está a recuperar de um super-perfeccionismo que tantas vezes me bloqueou, me travou e que, por adiar sucessivamente um email ou um projecto para um futuro incerto, me fez perder várias oportunidades, este é claramente um tema candente que tem de ser escalpelizado. E olá se eu gosto de escalpelizar sentimentos, não fosse eu super-perfeccionista em recuperação. Antes de começar a escrever este episódio, anotei algumas ideias, à mão, aqui no meu caderno, com uma caneta fofa e divertida, com um chá de hibisco aqui ao lado, os meus amuletos, enfim, com todo o cenário montado para que escrever este episódio fosse uma alegria. Eu adoro escrever os episódios de podcast, adoro mesmo, mas há dias em que as ideias se enovelam dentro da minha cabeça e tenho de lhes dar voltas para encontrar o fio à meada. E hoje é um desses dias: para mim, é evidente que estas duas ideias, a de perfeccionismo e procrastinação, estão ou podem estar intimamente ligadas, e no entanto estou a ter dificuldade em encontrar por onde começar. Vou então começar por uma história minha. Quando andava na faculdade, nutria uma enorme paixão por fotografia. Já nessa altura adorava fazer retratos – o que hoje, olhando para trás, não me surpreende nada porque adoro desenhar pessoas e pintar retratos continua a ser o que mais gosto de fazer. Nessa altura, até câmara escura montei na casa de banho, e não só tirava fotografias como também as revelava. A paixão era enorme. Nessa altura, também, a minha querida prima Lena pediu-me para eu fazer uma sessão fotográfica com ela e o namorado, mais tarde marido, para usar umas molduras muito giras que tinha em cima da mesa de cabeceira. Eu disse que sim, e pensei em marcar a data da sessão. Adivinhem o que aconteceu: os anos passaram e eu nunca fiz essa sessão fotográfica. Mais tarde, ela encheu as molduras com as fotografias dos filhos, o que descansou o meu coração mas, ao mesmo tempo, me fez sentir que tinha perdido uma oportunidade por causa do meu perfeccionismo. Há três anos atrás, a minha prima Lena morreu prematuramente. Agora, já não lhe posso tirar fotografias nenhumas. Nos últimos tempos da vida dela, desenhei-a várias vezes. E depois de morrer, já pintei o retrato dela mais que uma vez. Mas aquelas fotografias que ela me tinha pedido para fazer, há tantos anos atrás, nunca as cheguei a fazer. Hoje olho para trás e percebo porque é que nunca as fiz: por medo de que não ficassem bem, que não ficassem tão bem quanto as imaginava, e quanto a minha prima e o marido mereciam que ficassem. Por medo de não ter capacidades ou o talento para concretizar as fotografias tão maravilhosamente quanto elas existiam na minha imaginação. E hoje vejo que perdi essa oportunidade, uma oportunidade cheia de afecto, de carinho, de amor por uma prima que hoje já cá não está. Não vos vou mentir: quando penso nisto, fico de nó na garganta. Esta não foi propriamente uma oportunidade profissional que perdi, é verdade, mas foi uma oportunidade pessoal que deixei passar e que me custa. Mas tenho mais exemplos de procrastinação por perfeccionismo, olá se tenho. Lembro-me de uma altura, quando vivia no Panamá, em que me queria lançar como ilustradora. Fazia a minha zine mensal, desenhava todos os dias, mas não havia maneira de conseguir clientes. Então conheci pessoalmente a mulher do director de arte de uma revista americana muito importante, também conhecida pelo investimento que fazia em ilustração original para os seus artigos. Tinha o email do director de arte, e só precisava de me sentar a escrever o email, preparar algumas amostras do meu trabalho e… adivinhem o que aconteceu. Procrastinei. Adiei, evitei, contornei o assunto durante bastante tempo, até ao dia em que finalmente me sentei a escrever o email e a juntar as amostras e carreguei no botão para enviar. Sabem o que aconteceu? O director de arte deixou de ser director de arte, mudou-se para outra revista que não tinha nada a ver, com a qual o meu estilo de ilustração não se coadunava e, mais uma vez, perdi uma bela oportunidade simplesmente porque adiei. E porque é que adiei? Porque achei que não tinha trabalhos suficientemente interessantes, lindos, bonitos, magníficos como eles apareciam na minha cabeça. O perfeccionismo é uma coisa aparentemente boa, mas verdadeiramente venenosa. Claro que é bom querermos dar o nosso melhor, fazer um trabalho o melhor possível, com cuidado e brio. O problema é quando o filtro é tão apertado que não nos permite avançar com a melhor versão possível, e quer a versão perfeita (e talvez impossível). O perfeccionismo exige sempre mais, e mais, e mais. Exigir é a palavra chave aqui: porque é de exigência que se trata, mascarada de excelência. Quando dizemos que “o bom é inimigo do óptimo” queremos dizer que o perfeccionismo nos leva a procurar sempre corrigir tudo até ao infinito, e nos faz perder as oportunidades que conseguiríamos aproveitar se tivéssemos em conta que em vez de entregar a proposta perfeita (a proposta “boa”), entregaríamos a melhor proposta possível com os recursos disponíveis. Entregar a melhor proposta possível é entregar a proposta “óptima”. É entregar a proposta com excelência, e não com exigência. E essa era a lição que eu gostaria de ter aprendido mais cedo, para não me ter acontecido o que vos contei antes. É a lição que tenho vindo a aprender, e que agora partilho convosco no Workshop de Procrastinação que começa já na próxima sexta-feira, dia 22 de Maio, e cujo link para as inscrições partilho nas notas deste episódio. No workshop, iremos aprender os três passos para podermos passar da exigência do perfeccionismo, que nos leva a adiar o tal projecto, para a excelência do “óptimo”, em que fazemos a melhor proposta possível com os recursos e limitações que temos no momento presente. O workshop contará com três sessões ao vivo, cada uma dedicada a um dos três passos para superar a procrastinação, a saber: no primeiro, iremos mergulhar no desconforto da procrastinação e sentir todas essas emoções e sensações, para depois podermos passar à fase seguinte. No segundo passo, iremos aprender a ler a informação que a procrastinação nos traz, dado que ela é como uma espécie de mensagem dentro de uma garrafa que vem das profundezas do nosso ser. E no terceiro passo, no terceiro encontro, iremos desenhar o nosso plano de acção personalizado para podermos desbloquear, não à força de muito tentarmos mas sim da forma mais fluida e prazerosa possível. Porquê fazer à força de partir pedra, se podemos usar a fluidez da água para avançar?

    13 min
  5. 12 de mai.

    Episódio 42. Três passos para superar a procrastinação

    Olá! Dou-vos as boas-vindas a este episódio do podcast "Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação". Esta semana, quero contar-vos sobre o Workshop de Procrastinação que vai acontecer nos dias 22 e 29 de Maio e 5 de Junho. São três sextas-feiras consecutivas em que iremos mergulhar nos três passos para aprender a ler e a desbloquear a procrastinação. Neste episódio mencionamos: Workshop de Procrastinação Desenhamos Juntas, a sessão semanal em que desenhamos em diário gráfico, umas com as outras. Conectar para Liderar, o meu programa de grupo para mulheres que desejam voltar a reconectar-se com a sua criatividade, quer tenham inclinação artística, quer não. Onde podem subscrever o podcast para serem as primeiras a saber quando há novos episódios. Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação é um podcast de Ana Isabel Ramos, designer, ilustradora, autora de livros e mentora de criatividade em www.airdesignstudio.com e no Instagram como @‌air_billy. Se não queres perder nenhum episódio, poderás subscrever a newsletter para os receberes semanalmente na tua caixa de correio. E se algo neste episódio vibrou dentro de ti, partilha-o com as pessoas da tua vida que poderão também encontrar um eco nestas confissões. Um passo de cada vez, recuperaremos do perfeccionismo e abraçaremos a fluidez para trazermos à superfície o melhor de nós. Créditos: “Cover Girl” de Beat Mekanik Podcast Todas as terças, recebe na tua caixa de correio uma Confissão de uma super-perfeccionista em recuperação. Quero receber Dou-te as boas-vindas a mais uma confissão de uma super-perfeccionista em recuperação, um podcast sobre perfeccionismo, criatividade e empoderamento. Nestas confissões, vou partilhar contigo os altos e baixos do meu longo caminho de recuperação do super-perfeccionismo. Se também tu tens vontade de deixar para trás a excessiva exigência contigo própria, soltar o perfeccionismo e abraçar a criatividade que tens dentro de ti, quer te consideres uma pessoa artística, quer não, então fica aqui nas “Confissões”. Olá e sejam bem-vindas a este episódio de “Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação”. Esta semana, quero contar-vos sobre o Workshop de Procrastinação que vai acontecer nos dias 22 e 29 de Maio e 5 de Junho. São três sextas-feiras consecutivas em que iremos mergulhar nos três passos para aprender a ler e a desbloquear a procrastinação. Confesso-vos que estou muito entusiasmada com este workshop, e conto-vos porquê. Há uns tempos atrás, estava eu a preparar o meu programa principal, o Conectar para Liderar, e a apresentar os respectivos conteúdos, e cheguei à parte da procrastinação, que é um dos temas que trabalhamos no programa. Nessa altura, perguntaram-me se eu não tinha, ou estaria a pensar em ter, um workshop mais curto e só focado na procrastinação. E eu pensei que a ideia era excelente, mas que iria necessitar algum tempo para a concretizar. E, adivinhem só: essa ideia concretiza-se agora neste Workshop de Procrastinação, que começa já no dia 22 de Maio e terá, então, três sessões em directo, nas quais iremos abordar os três passos para superar a procrastinação. E por isso, como podem imaginar, estou mesmo muito entusiasmada, até porque não só já me senti completamente bloqueada e presa pela procrastinação, como também já senti os efeitos (alguns esperados; e muitos, inesperados) de a ter superado. Então hoje quero partilhar convosco, detalhadamente, o que iremos ver em cada um dos três passos para superar a procrastinação. O primeiro, que daremos no primeiro encontro por zoom, é dedicado ao bloqueio. A procrastinação caracteriza-se por um adiamento de algo para um dia incerto, um evitamento de uma situação desconfortável, e por isso, nesta sessão iremos mergulhar de cabeça nas sensações que temos e na conversa que temos internamente. Vamos analisar as resistências que sentimos a fundo, pôr-lhes nome e apelido, para começar a destapar o véu que as envolve e que as pode mascarar, para nos confundirem. Iremos ver resistências como: “se isto não está a fluir, é porque não é para ser”, resistências essas que nos podem fazer adiar ou até abandonar o projecto ou situação que nos mantém bloqueadas. Sentir todas estas resistências no corpo, todas estas sensações desconfortáveis, em vez de as evitarmos, vai ser o fundamental primeiro passo para começarmos a mover os grandes blocos de pedra que podem ser os nossos bloqueios. Depois de sentirmos tudo isto, de mergulharmos nas emoções e de as passarmos pelo corpo, estaremos prontas para o segundo passo. No segundo encontro, no dia 29 de Maio, iremos então aprender a ler as mensagens que a procrastinação nos traz. Nesta sessão, mudaremos a nossa perspectiva em relação à procrastinação: de uma coisa essencialmente má, negativa, que nos bloqueia, atrasa, nos impede de alcançar os nossos sonhos, iremos passar a ver a procrastinação como uma fonte de informação valiosa. Por ser um mecanismo profundamente humano, traz-nos também informação profunda sobre os nossos sonhos e desejos – no fundo, traz-nos informação sobre as coisas que são realmente importantes para nós a um nível mais inconsciente e menos superficial. É como uma mensagem que nos chega do fundo do mar – só que temos de aprender a descodifica-la, e é isso que aprenderemos na segunda sessão do Workshop de Procrastinação. Nesta sessão, entenderemos também porque é que a procrastinação não deriva de falta de disciplina, nem de falta de força de vontade, nem tão pouco de falta de organização, como muitas vezes podemos pensar, achando que estamos em falta e que se as coisas não acontecem se devem às nossas falhas e defeitos. Veremos a forma que estas resistências – que são completamente naturais – tomam e como se apresentam, contando-nos uma história que não corresponde necessariamente à verdade. Quando entendemos a informação que a procrastinação nos traz, avançar torna-se mais fácil. Na terceira sessão, iremos então delinear o nosso mapa pessoal para superar a procrastinação. Com uma série de estratégias práticas que funcionam, iremos desenhar o nosso plano de acção individual e personalizado, adaptando as várias ferramentas à nossa vida, à nossa personalidade e aos nossos gostos. Queremos que o plano de acção tenha o mínimo de atrito possível com a nossa vida e, que pelo contrário, convoque tudo o que é bom e traz prazer. Queremos desenhar um plano de acção que transforme o que era um grande bloqueio em algo lúdico e divertido. Parece estranho? Utópico? Desejável, mas impossível de atingir? Talvez pareça. Mas não é. Até as coisas que nos despertam as nossas maiores resistências podem ser transformadas em actividades lúdicas e divertidas, mesmo que a actividade, em si, não mude. Dou-vos um exemplo muito concreto: como dona de um negócio próprio, uma das minhas tarefas é fazer contas. Bem, não só fazer contas, como fazer o levantamento dos rendimentos e das despesas, para entender os números do meu negócio. Sem fazer isso, é como se estivesse a navegar na maionese, sem saber muito bem em que ponto estou, desconhecendo que actividades ou linhas de negócio me trazem mais rentabilidade e quais me trazem menos. E navegar na maionese não é algo que queiramos quando desejamos encarar o nosso negócio de forma séria, para o fazer crescer sustentadamente. De maneira que, de forma regular, preciso sentar-me a fazer o levantamento de todos os rendimentos e todas as despesas, uma tarefa que antes convocava em mim não só uma enorme preguiça (ai, o tédio dos números), como também, confesso-vos, muita vergonha, por sentir que apesar de já trabalhar por conta própria há muitos anos, não tinha a facturação que desejava. De maneira que sentia todas as resistências possíveis e mais alguma em relação a esta actividade, e o que é certo é que nos dias que correm encaro esta actividade como algo não só útil e revelador de muita informação importante, como também, pasmem, divertido. Hoje, fazer o levantamento dos números do meu negócio é uma tarefa que encaro como se fosse detective: procuro cada número com o máximo de rigor e depois divirto-me especialmente a ler as mensagens que os números me trazem. Porque, como dizia a minha prima Lena, que morreu em 2023, “os números falam connosco”. E depois de fazer o levantamento completo dos números do trimestre, posso então ver que mensagens os números têm para mim. Que áreas do meu negócio me trazem maior rentabilidade? Que áreas ainda não trazem, mas que quero expandir para que venham a trazer? E, sim, posso garantir-vos que não exagero nada quando vos digo que esta é uma tarefa que pode, de facto, ser divertida e prazerosa. Mas, lá está, isto não acontece da noite para o dia, sem mais. Acontece dando os três passos que iremos aprender no Workshop de Procrastinação. É possível, por muito estranho que possa parecer, mudar o nosso olhar em relação a algo – não é a tarefa, em si, que muda, mas sim a nossa forma de olhar para ela. E, bem vistas as coisas, isso é que é espectacular: nós não podemos mudar as tarefas que temos pela frente, ou o projecto que estamos a adiar, ou a conversa que sabemos que precisamos de ter, mas que estamos a evitar. Nós podemos, sim, mudar a forma como olhamos para elas para que o embate não

    13 min
  6. 5 de mai.

    Episódio 41. Procrastinação e a nossa criança interior

    Olá! Dou-vos as boas-vindas a este episódio do podcast "Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação". Começo já com uma confissão: procrastinei. Chegou a hora de me sentar a escrever este episódio e distraí-me. Fui ver o email, fui ver as estatísticas, fui ver se a reel que tinha agendado no Instagram tinha sido publicada. Aproveitei e partilhei-a nas stories. Neste episódio mencionamos: “Não há partes más”, de Richard C. Schwartz Masterclass “ProcrastinAção!” Guia gratuito para começar (e continuar) a desenhar todos os dias. Desenhamos Juntas, a sessão semanal em que desenhamos em diário gráfico, umas com as outras. Conectar para Liderar, o meu programa de grupo para mulheres que desejam voltar a reconectar-se com a sua criatividade, quer tenham inclinação artística, quer não. Onde podem subscrever o podcast para serem as primeiras a saber quando há novos episódios. Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação é um podcast de Ana Isabel Ramos, designer, ilustradora, autora de livros e mentora de criatividade em www.airdesignstudio.com e no Instagram como @‌air_billy. Se não queres perder nenhum episódio, poderás subscrever a newsletter para os receberes semanalmente na tua caixa de correio. E se algo neste episódio vibrou dentro de ti, partilha-o com as pessoas da tua vida que poderão também encontrar um eco nestas confissões. Um passo de cada vez, recuperaremos do perfeccionismo e abraçaremos a fluidez para trazermos à superfície o melhor de nós. Créditos: “Cover Girl” de Beat Mekanik Podcast Todas as terças, recebe na tua caixa de correio uma Confissão de uma super-perfeccionista em recuperação. Quero receber Dou-te as boas-vindas a mais uma confissão de uma super-perfeccionista em recuperação, um podcast sobre perfeccionismo, criatividade e empoderamento. Nestas confissões, vou partilhar contigo os altos e baixos do meu longo caminho de recuperação do super-perfeccionismo. Se também tu tens vontade de deixar para trás a excessiva exigência contigo própria, soltar o perfeccionismo e abraçar a criatividade que tens dentro de ti, quer te consideres uma pessoa artística, quer não, então fica aqui nas “Confissões”. Olá e sejam bem-vindas a este episódio de “Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação”. Começo já com uma confissão: procrastinei. Chegou a hora de me sentar a escrever este episódio e distraí-me. Fui ver o email, fui ver as estatísticas, fui ver se a reel que tinha agendado no Instagram tinha sido publicada. Aproveitei e partilhei-a nas stories. E sabem o que isso é: é procrastinar. Porque tinha aqui aberto o documento Word para vos escrever, já com umas ideias que queria desenvolver e encadear, e pumba. Procrastinei, distraí-me, sabia que tinha até às 11 da manhã para escrever este episódio e são 10.52 e estou agora a começar. De maneira que não quero que pensem que uma pessoa supera a procrastinação uma vez e fica superada para sempre. Não, de todo. Mas ao ter aprendido a entender a procrastinação, já não deixo que ela se arraste e cristalize. De maneira que aqui estamos nós, hoje, a falar sobre a procrastinação e a nossa criança interior. Conhecem a figura da nossa criança interior? Faço-vos uma breve apresentação para a conhecerem ou voltarem a conhecer. Uma personagem que nós sabemos que vive dentro de nós é o crítico interno. E sabemos, porque a sua voz se faz ouvir com bastante frequência dentro das nossas cabeças. O crítico interno fala sempre que acha que estamos a correr riscos. O problema, aliás, os problemas são: primeiro, ele acha que qualquer coisa que ameace o nosso ego é um risco. Por isso, uma mão que treme ao pintar e faz uma linha tremida é um risco para o nosso ego. E o segundo problema deste crítico interno é que raramente fala de uma maneira fofa connosco: normalmente é ácido, muitas vezes até malvado. Esta voz fala connosco como nós jamais falaríamos com uma amiga nossa. E, no entanto, esta voz é uma parte de nós, e somos nós que falamos assim connosco próprias. Bem, mas para além da presença do crítico interno, nós temos outras partes que existem dentro de nós e que compõem quem nós somos. Algumas dessas partes são comuns a outras pessoas, como o crítico interno e a criança interna. E outras são partes só nossas, que têm que ver com as nossas circunstâncias próprias. Há um livro muito interessante sobre estas diferentes partes que vivem dentro de nós e que fazem quem nós somos que se chama “Não há partes más”, de Richard C. Schwartz. Vou deixar-vos o link nas notas deste episódio. E hoje quero falar-vos de uma dessas partes, presença certa mas por vezes muito escondida: a criança interna. A criança interna, contrariamente ao crítico interno, não tem muito espaço para se mostrar. Dentro da criança interna vivem os sonhos, as esperanças e os desejos que temos dentro de nós, e que estavam bem presentes quando éramos pequenas, mas que, com a vida, foram ficando cada vez mais apertados e esquecidos. A criança interna é a guardiã de quem um dia sonhámos ser, e por isso guarda o mapa do tesouro de quem almejamos vir a ser. Enquanto que o crítico interno faz notar a sua presença com um discurso muito audível, e muitas vezes muito ácido, também, a criança interna esconde-se num lugar onde se sente protegida e resguardada. As exigências da vida adulta ocupam tanta largura de banda nas nossas cabeças que a criança poucas vezes tem espaço para aparecer. E por isso, quando ela aparece, não aparece ao megafone, como o crítico interno, mas como aquela luzinha num busca-polos quando encontramos o polo positivo num fio eléctrico. É assim uma centelha que brilha, e de vez em quando brilha mais forte, para nós sabermos que lá está. A criança interna é a guardiã dos nossos sonhos e, como tal, sabe o que é realmente importante para nós, mesmo que nós já o tenhamos esquecido. E o que quer a criança interna? Quer vir brincar. Ela interage connosco através do jogo, da brincadeira, e assim vai-nos mostrando o caminho que nos leva aos nossos sonhos. Agora vamos supor que nós estamos naquele momento em que queremos, e não conseguimos, dar início ao tal projecto especial para nós, ou aquela conversa que sabemos que temos de ter, ou, no meu caso, aquele episódio de podcast cujo guião quero escrever. Começamos a procrastinar: distraímo-nos com uma coisa ou outra, inventamos uma tarefa urgente, guardamos este projecto para um dia diferente, com mais sol, com mais chuva, com mais alinhamento astral, com mais tempo, com menos tempo, com melhor disposição, ou talvez não. No fundo, guardamos o projecto para um futuro incerto que não sabemos exactamente quando será. Pensem na nossa criança interna, que está dentro de nós, desejosa de que encetemos o dito projecto. E porquê? Porque ela sabe que aquele projecto nos aproxima dos nossos sonhos – e nós também o sabemos, talvez de forma menos consciente. A criança interna vê-nos desperdiçar tempo e oportunidade, e adiar esse passo em direcção ao que tanto desejamos. A criança interna lá fica escondida, tapada por todas as tarefas que lhe pusemos na frente. E como fazer, então, para superar a procrastinação? Bem, em primeiro lugar temos de encarar de frente esta resistência, sentir o desconforto e investigar, dentro de nós, qual é o medo que se activou com o início iminente do dito projecto. E depois, tendo essa informação, podemos então começar a avançar. E aí, nada melhor que convocar a nossa criança interna para vir brincar connosco, retirar a pressão de cima de nós próprias e pensar que a primeira versão não tem de ser a versão final, perfeita, polida, terminada. A primeira versão é só a primeira versão, e quanto mais brincarmos com a nossa criança interna, mais leve, solta e certeira será esta primeira versão. Há quem chame a esta primeira versão do dito projecto a versão do “vómito”, aquela em que deitamos fora tudo o que temos cá dentro e que queremos incluir. Apesar de achar a imagem colorida, ainda que mal cheirosa, prefiro pensar nesta versão como a versão em bruto, a brincadeira em que cabe tudo o que tem que ver com o tema. A versão em que brincamos, juntamente com a nossa criança interna, e que nos divertimos a explorar possibilidades que talvez não experimentássemos se o crítico interno estivesse mais activo. E depois, depois sim, é altura de pegar nessa primeira versão e começar a poli-la, a melhorá-la, sabendo que qualquer projecto que vemos à nossa volta levou repetição atrás de repetição, melhoria atrás de melhoria, e que construímos sempre sobre o que já temos. Não é de esperar que numa primeira versão saia a melhor versão. Sai a mais leve, a mais solta, a mais lúdica, e depois trabalhamos a partir daí. Pensem, por exemplo, no iPhone. Quando apareceu, foi algo absolutamente revolucionário, na medida em que misturava num só objecto um conjunto de objectos que haviam existido em separado, até essa data. Mas esse primeiro iPhone está longe de ser o melhor iPhone que já vimos, e está muito longe das versões que temos actualmente, mais modernas, mais bem desenhadas, tanto a nível de hardware como de software. A facilidade de utilização do iPhone hoje não se compara à da sua primeira versão – e essa primeira versão já era bem inovadora. Então quando nós estamos a começar

    13 min
  7. 28 de abr.

    Episódio 40. Procrastinação e inteligência artificial

    Olá! Dou-vos as boas-vindas a este episódio do podcast "Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação". Esta semana, quero falar convosco sobre um tema que… bem, não posso dizer que me apaixona, porque de facto não me apaixona, mas que me tem feito reflectir muito sobre o que é realmente humano e o que, no contexto deste momento da história, procuramos e desejamos. Esta semana falo-vos de procrastinação e inteligência artificial, e para quem acha à partida que estes dois temas não se tocam, venham comigo e vamos mergulhar nesta maionese que parece estar deslaçada – mas prometo que não. Neste episódio mencionamos: Masterclass “ProcrastinAção!” Guia gratuito para começar (e continuar) a desenhar todos os dias. Desenhamos Juntas, a sessão semanal em que desenhamos em diário gráfico, umas com as outras. Conectar para Liderar, o meu programa de grupo para mulheres que desejam voltar a reconectar-se com a sua criatividade, quer tenham inclinação artística, quer não. Onde podem subscrever o podcast para serem as primeiras a saber quando há novos episódios. Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação é um podcast de Ana Isabel Ramos, designer, ilustradora, autora de livros e mentora de criatividade em www.airdesignstudio.com e no Instagram como @‌air_billy. Se não queres perder nenhum episódio, poderás subscrever a newsletter para os receberes semanalmente na tua caixa de correio. E se algo neste episódio vibrou dentro de ti, partilha-o com as pessoas da tua vida que poderão também encontrar um eco nestas confissões. Um passo de cada vez, recuperaremos do perfeccionismo e abraçaremos a fluidez para trazermos à superfície o melhor de nós. Créditos: “Cover Girl” de Beat Mekanik Podcast Todas as terças, recebe na tua caixa de correio uma Confissão de uma super-perfeccionista em recuperação. Quero receber Dou-te as boas-vindas a mais uma confissão de uma super-perfeccionista em recuperação, um podcast sobre perfeccionismo, criatividade e empoderamento. Nestas confissões, vou partilhar contigo os altos e baixos do meu longo caminho de recuperação do super-perfeccionismo. Se também tu tens vontade de deixar para trás a excessiva exigência contigo própria, soltar o perfeccionismo e abraçar a criatividade que tens dentro de ti, quer te consideres uma pessoa artística, quer não, então fica aqui nas “Confissões”. Olá e sejam bem-vindas a este episódio de “Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação”. Esta semana, quero falar convosco sobre um tema que… bem, não posso dizer que me apaixona, porque de facto não me apaixona, mas que me tem feito reflectir muito sobre o que é realmente humano e o que, no contexto deste momento da história, procuramos e desejamos. Esta semana falo-vos de procrastinação e inteligência artificial, e para quem acha à partida que estes dois temas não se tocam, venham comigo e vamos mergulhar nesta maionese que parece estar deslaçada – mas prometo que não. Nos dias que correm, estamos rodeados por conteúdos criados por inteligência artificial. É cada vez mais difícil distinguir o que foi feito por um humano e o que foi feito por máquinas, máquinas essas que aprenderam com humanos a repetir padrões e a relacionar informações. Bem, nem entro na parte ética da inteligência artificial e de como muitas das aprendizagens que a máquina fez e faz são a partir de trabalho criado por pessoas que não são compensadas por isso. Esse é, sem dúvida, um tema muito relevante para tantos artistas que vêem os seus trabalhos usados para treinar inteligência artificial sem o seu consentimento e sem receber qualquer compensação por isso. Esse é um tema mesmo, mesmo importante e que tem de ser discutido e regulamentado, mas não é o nosso âmbito aqui e agora. Aqui e agora, quero voltar então ao facto de estarmos rodeados por todos os lados por conteúdos criados por inteligência artificial. Hoje em dia, quando queremos contactar uma entidade pública ou privada, passamos por vinte e quatro mil interacções com bots – e acho que não há nada mais frustrante que lermos as respostas repetitivas e, muitas vezes, pouco inteligentes. A dificuldade que é finalmente conseguir falar com um humano – e que diferença poder interagir com uma pessoa que pensa e que nos pode dar resposta às questões que temos. Mas adiante. Lembram-se de, nos anos 90, de repente começarmos a ter computadores em casa? E cada computador vinha com o Word, imaginem só, cheio de tipos de letra diferentes. Lembram-se da loucura que foi usar todos aqueles tipos de letra diferentes, acessíveis a todos nós? Foi um fartote de avisos na parede com três tipos de letra fantasia, mais três letras sem serifa, e outras quantas com serifa, já para não falar na paixão de muita gente pela letra Comic Sans, um ódio de estimação de muitos designers. Enfim, um excesso proporcionado pela acessibilidade das diferentes letras. Como estavam à mão, acessíveis com um simples clique, usávamos e abusávamos das letras sem ter a menor noção da ligação entre o seu design e a sua função. Enfim, com o passar dos anos, a utilização da salada de frutas de letras foi ficando mais moderada. Os próprios engenheiros e designers da Microsoft começaram a criar letras mais recentes e mais acessíveis, colocando-as como a escolha por defeito, o que veio a melhorar drasticamente a qualidade visual e comunicativa dos muitos avisos feitos ou improvisados em Word. A sensação que tenho, hoje em dia, é que vivemos um entusiasmo com a inteligência artificial que é semelhante a esse entusiasmo que tivemos há umas décadas atrás com os muitos tipos de letra do Word. E que temos de deixar passar o tempo para que a sua utilização se regularize e seja, também, regulamentada. E que havemos de encontrar um equilíbrio, senão hoje, espero que no futuro. Espero. A mim, confesso, este excesso de conteúdos produzidos com inteligência artificial cansa-me. Olho à minha volta e vejo que há muito conteúdo a ser produzido, sim, mas que é todo bastante igual. O entusiasmo excessivo com esta ferramenta muito potente e sofisticada que é a inteligência artificial cansa-me. Cansa-me, precisamente porque sinto que o que produz é sempre muito igual a si próprio. E isso faz-me pensar no que realmente gosto, e o que gosto é o que é profundamente humano: o erro, a imperfeição, a tentativa, o processo, a procrastinação. E sim, a procrastinação também, porque se há coisa intrinsecamente humana é precisamente a procrastinação, e essa procrastinação, quer queiramos, quer não, acaba por fazer parte da nossa história e da história do projecto (ou objecto, ou situação) em que procrastinámos. Bem, mas não pensem que eu renego a inteligência artificial: não o faço. Tento incorporar as ferramentas para me ajudar na execução de tarefas. Mas não quero que me substitua nas tarefas que me fazem humana: as tarefas em que crio algo que antes não existia, como os episódios deste podcast, ou os emails que escrevo à minha comunidade, as ilustrações que faço, os desenhos no meu diário gráfico, as pinturas ou as camisolas tricotadas. Aqui há tempos, vi um post no Instagram que me chamou muito a atenção, mas que já não consigo localizar. Alguém dizia, com muito mais graça do que consigo aqui reproduzir, algo parecido a: “a inteligência artificial libertou-me das tarefas criativas para ter mais tempo para lavar a loiça.” E acho que isto diz tudo: se quisermos, a inteligência artificial escreve por nós, cria imagens por nós, cria música por nós. Mas e lavar a loiça? Essa é que é essa. Não é lavar a loiça que me faz humana, mas a capacidade de criar algo do nada, e usar a inteligência artificial para me substituir numa tarefa que me faz humana parece-me… errado. Estranho. Bizarro. Uma estranha opção de vida. Como consumidora de obras criativas, não quero imaginar a aridez de uma paisagem artística criada por inteligência artificial. E é neste contexto que procuro, cada vez mais, o que é humano, o que apresenta as tentativas, os erros, as hesitações do processo criativo humano. E a procrastinação faz parte desse processo criativo. Por muito estranho que possa parecer, a procrastinação parece-me um mecanismo muito mais interessante do que esse prodígio da tecnologia que é a inteligência artificial. Nutro muito mais entusiasmo pela procrastinação do que pela inteligência artificial, e se esse ainda não é o vosso caso, venham comigo e pode ser que, da próxima vez que se encontrarem a procrastinar, se possam sentir, pelo menos, menos frustrados, e mais curiosos com o fenómeno. Em primeiro lugar, quem procrastina? Nós, humanos. As máquinas não procrastinam, as máquinas fazem, e fazem mais ou menos sempre igual. Óptimas para umas coisas, mas não nos contentemos com esse deslumbre inicial. A procrastinação é algo de profundamente humano e que surge quando nos propomos fazer um projecto ou dar um passo que sabemos que vai ser desafiante. A procrastinação não é falta de vontade, nem falta de disciplina, nem falta de organização. A procrastinação é, basicamente, medo. De uma forma resumida, temos medo de que o projecto funcione e tenha êxito; e temos medo de que o projecto não funcione e falhemos. E, sim, o sucesso pode ser tão assustador quanto o fracasso. Mas se olharmos para a procrastinação como algo que podemo

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  8. 21 de abr.

    Episódio 39. E depois da procrastinação (parte II)

    Olá! Dou-vos as boas-vindas a este episódio do podcast "Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação". Esta semana quero continuar a falar dos efeitos que acontecem quando superamos a procrastinação. Digamos que é uma parte II do episódio da semana passada, porque, afinal de contas, os efeitos são tão importantes que merecem ser contados com toda a calma, sem pressas. Neste episódio mencionamos: Masterclass “ProcrastinAção!” Episódio 38. E depois da procrastinação (os efeitos surpreendentes)  Festival Lavorada Guia gratuito para começar (e continuar) a desenhar todos os dias. Desenhamos Juntas, a sessão semanal em que desenhamos em diário gráfico, umas com as outras. Conectar para Liderar, o meu programa de grupo para mulheres que desejam voltar a reconectar-se com a sua criatividade, quer tenham inclinação artística, quer não. Onde podem subscrever o podcast para serem as primeiras a saber quando há novos episódios. Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação é um podcast de Ana Isabel Ramos, designer, ilustradora, autora de livros e mentora de criatividade em www.airdesignstudio.com e no Instagram como @‌air_billy. Se não queres perder nenhum episódio, poderás subscrever a newsletter para os receberes semanalmente na tua caixa de correio. E se algo neste episódio vibrou dentro de ti, partilha-o com as pessoas da tua vida que poderão também encontrar um eco nestas confissões. Um passo de cada vez, recuperaremos do perfeccionismo e abraçaremos a fluidez para trazermos à superfície o melhor de nós. Créditos: “Cover Girl” de Beat Mekanik Podcast Todas as terças, recebe na tua caixa de correio uma Confissão de uma super-perfeccionista em recuperação. Quero receber Dou-te as boas-vindas a mais uma confissão de uma super-perfeccionista em recuperação, um podcast sobre perfeccionismo, criatividade e empoderamento. Nestas confissões, vou partilhar contigo os altos e baixos do meu longo caminho de recuperação do super-perfeccionismo. Se também tu tens vontade de deixar para trás a excessiva exigência contigo própria, soltar o perfeccionismo e abraçar a criatividade que tens dentro de ti, quer te consideres uma pessoa artística, quer não, então fica aqui nas “Confissões”. Olá e sejam bem-vindas a este episódio de “Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação”. Esta semana quero continuar a falar dos efeitos que acontecem quando superamos a procrastinação. Digamos que é uma parte II do episódio da semana passada, porque, afinal de contas, os efeitos são tão importantes que merecem ser contados com toda a calma, sem pressas. Quando nos sentimos a procrastinar em algum assunto, temos uma sensação no nosso corpo que nos ajuda a identificar claramente que aquele adiamento não é um reagendamento: é um adiamento para um futuro incerto, para a nossa eu do futuro gerir conforme puder. E essa é uma sensação que pode ser, no mínimo, incomodativa. Mas pode ser mesmo desagradável, sobretudo quando sabemos que temos mesmo de resolver esse assunto, ou fazer esse projecto, ou ter essa conversa difícil. E por isso, quando começamos a superar a procrastinação e começamos a dar passos no sentido de desbloquear o assunto, começamos a sentir o alívio de ter posto as rodas em marcha e de a coisa estar a começar a andar. E esse alívio é bom, sabe bem, é agradável, porque sentimos que finalmente tivemos essa iniciativa de pôr o mecanismo em andamento. Depois, com acção consistente, vamos dando conta do assunto, escrevendo a tese ou o artigo, avançando no projecto. Temos a tal conversa e criamos uma nova dinâmica na equipa, ou no nosso sistema familiar. E tudo isso traz alívio, sensação de movimento e, porventura, sensação de alinhamento. Tudo bom, e tudo certo. Qual é, então, a parte surpreendente de superar a procrastinação? A parte surpreendente de superar a procrastinação é desconhecida e inesperada à partida – daí ser surpreendente. Mas eu gosto de acreditar que é uma forma do Universo, ou o karma, ou aquilo que vocês quiserem, nos recompensar por termos tido a coragem de encarar a nossa procrastinação de frente, arregaçar as mangas e pôr mãos à obra para a superar. Esses são os benefícios surpreendentes que começam a aparecer nas nossas vidas porque um dia, lá atrás, nos sentámos com o desconforto da procrastinação e demos o primeiro passo para a superar. Podem acontecer muitas coisas, e muito diferentes. Quem venceu a procrastinação e terminou a sua tese de doutoramento, desejava defendê-la e porventura pôr-lhe um ponto final para não mais pensar no assunto. Mas depois começaram a chegar-lhe convites para participar em conferências, ou para escrever artigos, e de repente os benefícios que não esperava começaram a aparecer. Tudo, porque um dia, lá atrás, se sentou com o desconforto da procrastinação. Quem teve aquela conversa extremamente desconfortável com a sua chefe ficou aliviada quando a chefe lhe pediu que trabalhassem em conjunto para resolver a situação. Trabalharam, a situação difícil melhorou, e podíamos pensar que o assunto estava encerrado. Mas não: depois começou a receber pedidos de ajuda de outros departamentos para impactar outros grupos que também estavam com problemas sistémicos. Ou então, com o caso do meu “Livro do Não”, um livro que esteve muito tempo guardado numa gaveta e a ocupar-me espaço na cabeça. Não avançava, mas também não o largava. Não foi um período muito espectacular, devo confessar. O livro esteve parado porque não havia maneira de conseguir vencer a resistência de me sentar com ele e começar a tomar as decisões criativas que sabia que tinha de tomar. Contei-vos com mais detalhe sobre a minha enorme procrastinação com o “Livro do Não” no episódio anterior, mas já não tive espaço suficiente para falar de todas as maneiras que o Universo conspirou a meu favor e para levar o livro mais longe do que alguma vez poderia ter imaginado. Voltemos então atrás no tempo, para a altura em que finalmente tirei o livro da gaveta, implementei o feedback que a madrinha do livro, a Yara Kono, me tinha dado. Contei-vos sobre tudo isto no episódio anterior, e se não o ouviram, poderão ouvi-lo nesta mesma app de podcasts, ou então através do link nas notas do episódio. Fiz uma nova maquete, já com o texto e as ilustrações revistas e duas já bordadas, para mostrar qual o aspecto final que teriam, e encontrei-me outra vez com a Yara. Quando falei com ela sobre editoras, ela perguntou-me: “e porque não fazer edição de autor?” Esse comentário da Yara acabou por abrir umas comportas dentro de mim. Até esse momento, pensei que todo aquele trabalho estava a ser feito mas em modo condicional: precisaria de encontrar uma editora que acreditasse no meu projecto e que quisesse avançar. Mas quando a Yara sugeriu esta modalidade, deixou de haver alguém externo a decidir sobre se o projecto andaria, ou não, e passou a depender só de mim. Implementei novamente o feedback dado pela Yara neste segundo encontro e pus mãos à obra. A partir daí, foram dez meses a bordar todos os dias. Não todo o dia, porque havia outras obrigações, mas a primeira meia hora de trabalho de todos os dias. Dias houve, sobretudo aqueles em que tinha de tomar decisões criativas, em que a meia hora levou hora e meia a passar. Os ponteiros do relógio não se mexiam, os minutos não avançavam, e eu obrigava-me a sentar-me com o desconforto de não saber por onde seguir. Ajudou pensar que não precisava de ficar tudo bem à primeira tentativa, e que podia sempre desmanchar e fazer outra vez, e com essa atitude mais leve, lúdica, de brincadeira e de jogo, lá fui avançando, uma ilustração de cada vez. Levei o bordado de férias comigo e aproveitei as ilustrações de praia, de Verão, para fazer na praia, no Verão. Assim, parecia mais que estava a escrever um diário do que realmente a trabalhar. E, dez meses depois de começar a bordar, terminei todas as ilustrações. Agora já não havia volta a dar, e depois de todo aquele investimento, seria tonto voltar a guardar o livro na gaveta. Por isso enchi-me de coragem e montei uma campanha de crowdfunding, gravei um vídeo onde contava o processo do livro e como ele era um sonho que queria tornar realidade, e publiquei a campanha no dia 1 de Abril de 2024. Até parecia mentira, mas não era. Mas vá, publiquei a campanha mas não disse a ninguém, porque já tinha sido emoção suficiente para um dia só. E só no dia seguinte comecei a partilhar a campanha com a família e os amigos, e para meu espanto, as contribuições começaram a chegar. Aos quatro dias da campanha no ar, atingimos (e falo no plural, porque foi um esforço de todos!) o objectivo de financiamento. Nem queria acreditar! De maneira que daí em diante ainda consegui duplicar o objectivo, o que me permitiu aumentar a tiragem. Bem, mas… e os efeitos? Os surpreendentes? Pois os efeitos foram imensos. Quando comecei a receber a magia vinda do Universo, em forma de contribuições de pessoas que nem sequer conhecia, fiquei siderada. Quando os exemplares do livro me foram entregues, vindos da gráfica, siderada fiquei. Comecei a entregá-los e o feedback foi muito mais amoroso que alguma vez podia ter imaginado. Começaram a chegar os convites: uma amiga, disponibilizou-me um espaço e um intervalo de tempo na Feira do Livro para autografar e entrega

    13 min

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