Olá! Dou-vos as boas-vindas a este episódio do podcast "Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação". Esta semana, quero voltar a um tema que me é querido, mas que também é um desafio para mim, e esse tema é pausas. Sabem, fazer pausas conscientes, não só ao nível micro, mas também ao nível macro. Neste episódio mencionamos: “O Caminho do Artista”, de Julia Cameron Nayla Norryh “Trabalha a tua luz”, oráculo de Rebecca Campbell “Stress less, accomplish more”, de Emily Fletcher Onde podem subscrever o podcast para serem as primeiras a saber quando há novos episódios. Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação é um podcast de Ana Isabel Ramos, designer, ilustradora, autora de livros e mentora de criatividade em www.airdesignstudio.com e no Instagram como @air_billy. Se não queres perder nenhum episódio, poderás subscrever a newsletter para os receberes semanalmente na tua caixa de correio. E se algo neste episódio vibrou dentro de ti, partilha-o com as pessoas da tua vida que poderão também encontrar um eco nestas confissões. Um passo de cada vez, recuperaremos do perfeccionismo e abraçaremos a fluidez para trazermos à superfície o melhor de nós. Créditos: “Cover Girl” de Beat Mekanik Podcast Todas as terças, recebe na tua caixa de correio uma Confissão de uma super-perfeccionista em recuperação. Quero receber Dou-te as boas-vindas a mais uma confissão de uma super-perfeccionista em recuperação, um podcast sobre perfeccionismo, criatividade e empoderamento. Nestas confissões, vou partilhar contigo os altos e baixos do meu longo caminho de recuperação do super-perfeccionismo. Se também tu tens vontade de deixar para trás a excessiva exigência contigo própria, soltar o perfeccionismo e abraçar a criatividade que tens dentro de ti, quer te consideres uma pessoa artística, quer não, então fica aqui nas “Confissões”. Olá e sejam bem-vindas a este episódio de “Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação”. Esta semana, quero voltar a um tema que me é querido, mas que também é um desafio para mim, e esse tema é pausas. Sabem, fazer pausas conscientes, não só ao nível micro, mas também ao nível macro. As pausas micro são aquelas que vamos fazendo durante o dia, entre tarefas. Eu, por exemplo, levanto-me para ir meditar, ou ir olhar para as minhas plantas, ver como os Ginkgo biloba estão a crescer. Depois, vêm pausas a uma escala maior, nomeadamente aquelas a que a autora Julia Cameron, no seu “O Caminho do Artista”, chama de artist dates, e que consistem numa manhã, ou numa tarde, a fazer algo sozinhas, por puro prazer. Pode ser ir comprar tintas e pincéis, ver uma exposição, ou ver um filme. No fundo, é uma espécie de actividade “só porque sim”, na medida em que não cumpre qualquer função logística, profissional ou familiar, e serve apenas para nos dar prazer e, no caso dos artist dates, nos expor a outros estímulos nutritivos do nosso âmago e da nossa criatividade. Com estas pausas, confesso-vos, tenho imensa dificuldade. Custa-me horrores quebrar um dia de trabalho que está a correr bem para ir fazer uma pausa. Paradoxalmente, recordo com muito carinho os artist dates que fiz, e não faço a menor ideia do trabalho que estava a fazer, e que interrompi, para os ir fazer. Mas as pausas continuam a crescer em escala. Depois do meio dia do artist date, começamos a subir a parada para um dia inteiro de agenda limpa para uma pausa, coisa que a mim já me complica deveras os nervos. Quem me ouve e que trabalhe por conta própria talvez sinta o mesmo que eu: há tanta coisa para fazer, sempre, que pode ser muito difícil interromper o trabalho para descansar. É quase como se descansar fosse algo fútil, e de pouca necessidade, algo para se fazer um dia qualquer, no futuro, em que se tiver tempo. E depois, ao nível de pausas, temos as pausas de alguns dias. E que difícil é, para mim, tirar esses dias para fazer pausas de auto-cuidado. A minha mentora de negócios, Nayla Norryh, recomenda muito um retiro de dois a três dias por trimestre. Por um lado, para descansar; por outro, para abrir espaço à mente para ser criativa e juntar ideias de maneiras diferentes. E eu entendo completamente a teoria, mas nem vos conto as resistências que esta ideia desperta em mim. Ainda há-de chegar o dia em que me sinto confortável a tirar dois a três dias para fazer um retiro, ou um auto-retiro, mas hei-de conseguir. E depois temos as férias. Curiosamente, com as férias não tenho tanta dificuldade, pois de alguma forma preparo-me antes de ir, deixando o trabalho o mais adiantado possível. Sabem aquela semana antes das férias, em que temos pilhas de tarefas que parecem intermináveis e que temos porque temos de deixar prontas antes de ir, mesmo que as férias sejam só de uma semana e não caia um unicórnio alado se não as fizermos? Depois dessa semana de grande intensidade, consigo adaptar-me ao modo férias com alguma, mas não completa, facilidade. Por vezes, durante as férias, ainda fico a matutar nos temas de trabalho durante uns dias, mas depois lá me vou adaptando a esse ritmo mais lento em que tenho mais tempo para ler, dormir e fazer as minhas actividades “só porque sim”. As pausas são coisas maravilhosas. Por serem pausas, criam espaços de vazio e de silêncio que nos permitem ouvir aquilo a que a autora Rebecca Campbell chama de “sussurros da alma”. Quando fazemos silêncio, as ideias têm espaço para se formar na nossa mente, e juntar-se umas às outras de maneiras diferentes das habituais. Quando fazemos silêncio, criamos um pátio, um recreio, onde a nossa criança interior pode sair para vir brincar. E aí aparecem os tais sussurros da alma, primeiro em ideias vagas, que mais parecem ténues filamentos de luz, assim como fogos-fátuos que se acendem e logo desaparecem, e que temos de estar atentas e preparadas para ver, porque se estivermos desatentas, então já os perdemos. Por isso as pausas são tão importantes, porque criam o espaço propício para essas ideias aparecerem. Contudo, e isto é muito curioso, não as podemos forçar a aparecer. Não podemos entrar numa pausa querendo muito ter uma ideia que resolva um determinado problema – isso não é uma pausa. Temos de entrar na pausa de forma absolutamente desinteressada, com uma única intenção: a de criar o espaço vazio, e mais nada. Se vamos com a expectativa de ter uma ideia que resolva determinada situação… o mais provável é entrarmos numa tensão tal que nos faça acreditar que as pausas não servem para nada e que mais vale não interromper o que estávamos a fazer. Então como fazer para fazer uma pausa? Bem, se forem como eu, gostam de ter as coisas organizadas com tempo, e por isso eu ponho as minhas pausas na agenda como se de tarefas importantíssimas se tratassem. E depois encaro-as como se de tarefas importantíssimas se tratassem. Para mim, por exemplo, fazer uma pausa para fazer uma meditação é algo difícil ao início. Custa-me quebrar o foco com que estou a trabalhar para ir meditar; mas uma vez que começo, lembro-me de porque é que estou a meditar. Ao princípio, a meditação era uma coisa francamente incómoda. Na verdade, e aqui me confesso, até tinha um nominho especial para a meditação que incluía mais uma letra “r” estrategicamente posicionada entre as sílabas. Mas depois a minha amiga Joana Paz ofereceu-me um livro que me ensinou uma técnica muito acessível para meditar, e desde então tudo mudou. Mais tarde, fiz a iniciação ao reiki, e então hoje em dia adoro estar a meditar e a sentir a energia do reiki no meu corpo. Estas pausas são, para mim, como um balde de café criativo. Depois de meditar, uma tarefa que me levaria meia hora a fazer, leva-me metade do tempo. É incrível, difícil mesmo de acreditar, e no entanto é verdade. Vamos então supor que, para ti, que me ouves, em vez de meditar, a tua pausa preferida é ir dar um passeio no parque. Pois bem, vê onde o podes encaixar na tua agenda e encaixa-o, mesmo, e depois quando o alarme anunciar o momento do passeio, vai e faz esse passeio. Cada pausa que faço, mesmo aquelas às quais resisto, traz-me benefícios imensos: uma mente refrescada, por vezes ideias novas, e uma vez, e não estou a exagerar quando vos conto isto, senti uma onda de calor que me levou a zanga que estava a sentir com uma amiga. É mesmo verdade: quando comecei a meditação, estava zangada com ela; durante a meditação, tive uma sensação física de uma onda de calor a varrer-me e a levar essa zanga. Quando voltei a abrir os olhos, o alívio foi enorme. Voltando ao aqui e ao agora, conto-vos que hoje, antes de me sentar a escrever este guião, tirei uma carta do meu oráculo (vou deixar o link nas notas do episódio, para o caso de terem interesse). As mensagens costumam ser certeiras e hoje, ao princípio, surpreendi-me, e depois entendi. Tirei a carta “Não”, uma carta que me aconselha a “esperar, adiar, fazer uma pausa, dizer não”. E eu pensei, com os meus botões, que mais certeira não podia ser. Dizer “não” é proteger esses espaços de vazio e de pausa, é proteger as nossas bolsas de oxigénio, essas de que precisamos para nos mantermos saudáveis, mas também felizes, serenas e criativas. E ao tirar esta carta, percebi claramente que era hora de dizer “não” a algumas coisas, para não me perder na loucura do dia-a-dia, para – apesar de