Bola Preta

Hugo Gomes

"Oh não, mais um 'podcast' de cinema!!" O horror, o horror ... No meio da saturação de vinhetas sobre cinema, estreias e outras constelações previamente alinhadas, vamos conversar, e é exactamente isso que faremos. Uma tertúlia cinematográfica, com a crítica no centro, o Cinema como um todo, e o restante a orbitar, a fervilhar ou a expelir. Contra formalidades: Cinema por "tu", sem filtros nem bandanas.

  1. Ep 17: Abram alas para os novos, e a geração de trás que se lixe! Uma conversa com André Filipe Gonçalves.

    8 de jun.

    Ep 17: Abram alas para os novos, e a geração de trás que se lixe! Uma conversa com André Filipe Gonçalves.

    Tudo rima, é quase uma questão de simetria! Buscando o primeiro episódio de “Bola Preta”, numa varanda com vista para a Arrábida, mencionou-se de uma “geração perdida”, sem espaço nem oportunidade para singrar por deleite dos já estabelecidos. Hoje, deixou-se de falar sobre isso, apostou-se em novos nomes e em novas ideias. Para esta segunda ronda de conversas (bem regadas a cevada, por sinal!) deparamo-nos com outro dilema: o lamento daqueles que foram sendo retirados de cena perante o impulso de uma nova vaga de realizadores, sobretudo no terror, a conquistar público e bilheteiras, e sublinhando as suas origens tecnológicas: agora os youtubers é que mandam! Mas deixemos isso para a inevitável “conversa de café”. O convidado é André Filipe Gonçalves, crítico de cinema de longa data, que, no site que durante anos teve como bandeira um certo “movimento” (o que lhe aconteceu, afinal?), escreveu em tempos uma crítica a “The Perks of Being a Wallflower” saída da alma, quase beijada pela musa do momento. Hoje voltamos a reunir-nos. Falamos de videoclipes, xenomorfos, podcasts e dessa nostalgia que parece estar sempre ali, à esquina. A idade não perdoa! “Gosto desta ideia de podcast espontâneo, com ruído ambiente. Faz-me lembrar João Canijo”, disse-me, momentos antes de carregar no botão de gravação. Material de Apoio Texto de André Filipe Gonçalves sobre a vaga youtuber: https://cinematograficamentefalando.com/2026/05/27/serao-os-youtubers-os-novos-realizadores-de-telediscos/ Polígrafo Ao contrário do que foi dito, Florence Foster Jenkins era norte-americana e viveu em Nova Iorque. A adaptação de Stephen Frears, protagonizada por Meryl Streep, procura reconstituir de forma relativamente fiel (ainda que explorando o potencial cómico e o ridículo da situação) a sua trajectória. Já “Marguerite” (2015), de Xavier Giannoli, com Catherine Frot no papel inspirado em Jenkins, transpõe livremente essa história para o contexto francês, e com conotações mais trágicas.

    1h 14min
  2. Episódio 16: Os Cinéfilos que Ninguém Encomendou. Uma conversa com os Três Já é Companhia.

    17 de jan.

    Episódio 16: Os Cinéfilos que Ninguém Encomendou. Uma conversa com os Três Já é Companhia.

    E chegamos ao fim de temporada! Içam esses copos: brindemos às “Bolas Pretas”, ou às “Bolas Pretas que nos unem”, porque odiar um filme também é uma prova de amor cinematográfico. Um amor torto é certo, mas continua a ser amor. É dar emoção à arte, sair do papel de espectadores passivos ou meramente passageiros, fazer do cinema o centro da vida, dos afectos e dos encontros. Mas deixemos a conversa fiada, para o final da “season 1” (os anglicismos vieram para ficar), eis a galhofa cinematográfica: três amigos juntam-se, abraçam o projecto e uma vampirada mais morta do que viva, e pelo meio, a sugestão de um ciclo de cinema Jon Bon Jovi, um enredo feito de caos e temas avulsos atirados pela janela. Fiquemos com os hot takes, com as abjecções, as tiradas polémicas e o rufar dos tambores antecedido pela piada. “Bola Preta” regressará, com novos desafios, novos convidados e retornados, novos temas e outros já debatidos ao longo de 16 episódios, tudo isso para lembrar que um podcast também pode ser uma narrativa aventureira, só que não aristotélicas, sem os ditos três actos, “tudo ao molho”, porque não nos neguemos a um facto simples: a cinefilia é, ela própria, uma aventura … e por que não partilhá-la? Comigo, o radialista Rui Alves de Sousa, o podcaster António Araújo e Tiago Laranjo, que poderão encontrar em qualquer bar da cidade: três cinéfilos a provar que Três Já É Companhia… dito isto, fica a roda suplente … eu, quem mais? Material de Apoio António Araújo, Rui Alves de Sousa e Tiago Laranjo fizeram parte de um programa intitulado “Três Já é Companhia”: https://www.youtube.com/@Tr%C3%AAsJ%C3%A1%C3%89Companhia/featured Episódio mencionado do podcast Universos Paralelos sobre a saga “The Exorcist”: https://open.spotify.com/episode/4BmkFamTTzuNEFFNGX0Seb?si=vX7BtFujTpKn_TEw9hAF0A  Episódio mencionado do podcast Betamax sobre “Halloween 2” e “Halloween 3: Season of the Witch”: https://open.spotify.com/episode/7xN8gBbSfYy2mv1fAlo2wM?si=nV6Tz1opT6ifTDyuqE3Cow Referência ao formato D-VHS: I Watched This Movie on 10 Different Formats Tiago Laranjo refere a existência de um “Aeroplano francês”. O filme “La Cité de la peur” (1994), de Alain Berbérian, com Alain Chabat, Valérie Lemercier e Gérard Darmon, inscreve-se nessa descrição.  “Polígrafo” “We're Back! A Dinosaur 's Story” é realmente uma produção de Steven Spielberg através da sua Amblin Entertainment. À época de gravação deste episódio não havia conhecimento algum de que a Cinemateca iria dedicar um ciclo a Mel Brooks para Fevereiro de 2026.  Confirma-se que a iniciativa Hall of Fame ainda se encontra em fase de votação: https://www.hall-of-fame.space/

    2h10min
  3. Episódio 15: Os velhos marretas e o melhor bitoque de Lisboa! Uma conversa com João Antunes

    12 de jan.

    Episódio 15: Os velhos marretas e o melhor bitoque de Lisboa! Uma conversa com João Antunes

    A nostalgia é uma ferramenta, desejável, até, capaz de converter ex-sonhadores, outrora prontos a conquistar o mundo, em marretas de camarote: velhos críticos que desfazem tudo com uma ou duas palavras jocosas, seguidas de uma gargalhada cúmplice. Na companhia de João Antunes, jornalista de cinema no Jornal de Notícias, deparei-me com um tempo que não vivi, quando o Cinema parecia ser sussurrado como o mais apetecível dos segredos. Longe da sua infalibilidade como tal, propagava-se e difundia-se entre os pares: havia filas, cinefilias atentas, rotinas culturais e até a pornografia nos parecia chique. São deambulações por essas correntes nostálgicas, feitos Velhos do Restelo, partilhando histórias de outros cultos, de outras experiências e de Cannes enquanto festival-bolha, por exemplo, a “engolir-nos” na sua montra de cinema de época, como frutarias abertas em horário de expediente. Há debate sobre “Bola Preta”, o seu valor, o seu significado, duas garfadas no bife para saborear o momento, e um espectro entre nós. “Samuel Fuller!!” Sim, o próprio. “O que é o Cinema, caro senhor Fuller?” perguntamos em conjunto. “Um filme é como um campo de batalha. Há amor, ódio, acção, violência, morte… numa palavra: emoção!” Responde o fantasma. Portanto, já sabem, fiquem com os velhos marretas! Material de Apoio O filme realizado por Anjelica Huston mencionado é “Agnes Browne” (1999), adaptado de um livro de Brendan O'Carroll, tem no elenco para além da actriz, Marion O’Dwyer. By NWR, o streaming com curadoria do próprio Nicolas Winding Refn: https://bynwr.com/ O referido livro de Michel Ciment - “Le Cinéma En Partage : Entretiens Avec N.T. Binh”: https://www.wook.pt/livro/le-cinema-en-partage-entretiens-avec-n-t-binh-michel-ciment/29745258 Polígrafo João Antunes refere um filme realizado pelo escritor francês Gilles Legardinier, “Complètement Cramé !”, com Fanny Ardant e John Malkovich (ao invés de Jeremy Irons, por lapso do convidado).

    1h 44min
  4. Episódio 14: Viver nas ruínas do capitalismo? IA, pistoleiras e o Fim do Mundo como se quer. Uma conversa com Mia Tomé

    2 de jan.

    Episódio 14: Viver nas ruínas do capitalismo? IA, pistoleiras e o Fim do Mundo como se quer. Uma conversa com Mia Tomé

    No início, começamos pelo fim, ou melhor, pelo vislumbre dos escombros que esse projectável ponto final deixará para as (não) futuras gerações. A arte sempre auxiliou o imaginário humano, e é também a primeira a “morrer” pela negligência da espécie, pelo capitalismo fervoroso onde o lucro se assume como o máximo da existência. Discursos fortes e pessimistas à entrada de 2026. Contudo, importa olhar com alguma incerteza e jocosidade - “Não Esperem Muito do Fim do Mundo” -, foi o título de um filme do cineasta romeno Radu Jude, que aponta a desumanização da Humanidade como acelerador do nosso desfecho civilizacional e, ao mesmo tempo, nos acalma as ansiedades: o Apocalipse não terá a espectacularidade que Hollywood nos vendeu. Mia Tomé, actriz, poeta, aventureira no Arizona à procura das stuntwomen dos westerns esquecidos, é a convidada deste episódio, um pouco fatalista, ora habitante desse inquietante uncanny valley. Mesmo sob enredos de IA e substituição humana, é no conforto da “livraria mais bela deste país” (palavras da própria convidada), a Linha de Sombra, que nos refugiamos entre escritos e matéria, toda ela produzida por humanos. Viva a Humanidade? Talvez sim. Ou talvez não. Material de Apoio O álbum “Há um Herbário no Deserto” de Mia Tomé: https://music.youtube.com/playlist?list=OLAK5uy_nQjTT1hFQaL4yK5pBkbZpvFXukEpSbBGE Página oficial dos Artistas Unidos: https://artistasunidos.pt/ O filme soviético referido neste episódio é “Padenie Berlina” (“The Fall of Berlin”, em título internacional), de Mikheil Chiaureli (1950). Devido às constantes “brancas” do vosso anfitrião, o western de William A. Wellman mencionado intitula-se de “Westward of Women”, por cá recebendo o título de “Caravana de Mulheres” (1951) Alguma informação adicional sobre o “Titanic” nazi, produzido pela UFA: https://cinematograficamentefalando.blogs.sapo.pt/a-tragedia-do-titanic-nazi-2948909 Podcast de Rui Alves de Sousa, Imperdoável: https://open.spotify.com/show/7zmdUZyjmfy4SNC4kfkNaO O mencionado episódio de ‘Porta dos Fundos’: https://www.youtube.com/watch?v=-tEPNz8E5jc

    1h 15min
  5. Episódio 13: Por onde sopra a Cinefilia? Arqueologia familiar como aventura. Uma conversa com Rafael Fonseca.

    21/12/2025

    Episódio 13: Por onde sopra a Cinefilia? Arqueologia familiar como aventura. Uma conversa com Rafael Fonseca.

    “Que episódio serei?” “Serás o episódio 13!”, respondo com exactidão. “13?!” “Sim, espero que não sejas supersticioso … Eu considero-o um número de sorte.”“Veremos, então.” Para o lugar mais habitual desta jornada chamada “Bola Preta”, sentamo-nos no Bar 39 Degraus da Cinemateca, afastados do balcão para “escapar” dos ruídos habituais de café (esperamos ser bem sucedidos nisso), com possível encosto nos cartazes vintage de filmes de outras épocas: um “Ginger e Fred”, de Fellini, por detrás de mim; uma “Flauta Mágica” diante do convidado; e “Páginas Imortais” entre nós … talvez o filme de Rolf Hansen também ansioso por esta companhia. Pedimos o costume, brindamos. À minha frente está Rafael Fonseca, crítico do site “Tribuna do Cinema”, com uma mão cheia e textos no “Talking Shorts” e no “À Pala de Walsh”, e realizador de uma obra intitulada “Quorum”, filmada no Gerês, povoada por fantasmagorias de invenção camiliana, cavalos improvisados, OVNIs e uma actriz com rosto de cinema à la Eugène Green. Uma das descobertas proporcionadas por 2025, tanto o filme como a pessoa. Fonseca tornou-se presença recorrente em festivais e jantares, e também em ocasionais ‘encontrões’ pelos corredores da Cinemateca. Está aqui para falarmos de uma aventura em particular, a cinéfila no geral. Material de Apoio Rafael Fonseca no Rio Talents 2025 - https://www.festivaldorio.com.br/br/talents/apresentacao Crítica ao “Quorum” - O Cinema da extinção, e dessa morte, a reinvenção. - Cinematograficamente Falando … Informação sobre o Festival Montanha, na Ilha do Pico: mirateca.com/miratecarts/picofestival/default.aspx Entrevista de Rafael Fonseca a Charlie Shackleton no “Talking Shorts”: Truth in Parts — Talking Shorts

    1h 11min
  6. Episódio 12: Symbioquê? … O documentário a olhar para si próprio e com alguns amadores pelo caminho. Uma conversa com Luís Mendonça.

    17/12/2025

    Episódio 12: Symbioquê? … O documentário a olhar para si próprio e com alguns amadores pelo caminho. Uma conversa com Luís Mendonça.

    “Então, o que é isso mesmo?”, pergunta o caro convidado. “Diria que é um podcast a tentar regredir, a chegar às suas bases espontâneas… aliás, amadoras.” Esta última palavra ressoa como estardalhaço nos ouvidos do crítico, programador e professor Luís Mendonça. “Amador”, e todas as suas variações, são-lhe queridas, mas não revelamos ainda o porquê. Acrescento: foi numa manhã de segunda-feira, cinzenta, com ameaços constantes de chuva. O cofundador do site de cinefilia “À Pala de Walsh” abriu as “portas” da Cinemateca e, após alguma procura por um espaço que pudéssemos estar no sossego dos deuses, demos de caras com o seu escritório, sob a bênção de um gigantesco cartaz de “As Vinhas da Ira”, de John Ford, pendurado na parede.“Tenho algo para ti”, riposto. “Gostaria de falar contigo sobre um filme específico, do qual tenho a certeza absoluta de estares familiarizado.” “O quê?”, pergunta Mendonça. Abro o bloco de notas; o título não é, de todo, fácil e, como se estivesse a articular a palavra impossível popularizada por Mary Poppins, em alto e bom som, arrisco: “Symbiopsychotaxiplasm: Take One”. Os seus olhos brilham. “Não sabia que William Greaves seria um thing neste nosso encontro!” Material de Apoio Livro “Fotografia e Cinema Moderno: Os Cineastas Amadores do Pós-Guerra” da autoria de Luís Mendonça - https://www.wook.pt/livro/fotografia-e-cinema-moderno-luis-mendonca/19618720 A mencionada crítica a “Marty Supreme” de Josh Safdie: https://www.indiewire.com/criticism/movies/marty-supreme-movie-review-timothee-chalamet-a24-1235163722/ “Polígrafo” Confirma-se! O actor de “Je m'appelle Hmmm...”, Douglas Gordon é um dos realizadores do documentário “Zidane, un portrait du 21e siècle”

    1h 31min
  7. Episódio 10: “Procurar o cinema nos filmes”, para lá do conspirativo e da política de autores. Uma conversa com Ricardo Vieira Lisboa.

    05/12/2025

    Episódio 10: “Procurar o cinema nos filmes”, para lá do conspirativo e da política de autores. Uma conversa com Ricardo Vieira Lisboa.

    Eis o décimo: a viagem pelas bolas pretas ainda agora começou, mas o Cinema continua, paralelamente, a ser desculpa para encontros e reencontros. Não apenas a “ida à sala” ou o filme da semana na Netflix, mas a cinefilia como cuspo que cola eremitas saídos das suas catacumbas. Não é preciso sair da gruta para topar com o centro da questão; para Ricardo Vieira Lisboa, crítico (um dos fundadores do site À Pala de Walsh) e programador da Cinemateca, bastou trazer um barrete. “Estou preparado para o frio.” E assim foi: para a esquina mais distante da esplanada, sob as luzes longínquas do bar e a protecção luminosa da livraria Linha de Sombra na outra ponta. O tempo era contado e a meteorologia estava longe de ser clemente (digamos que o Inverno espreita, aproximando-se sorrateiro), mas nada impediu o que vinha aí: autores, a sua política e o derrube da mesma; criar, implodir, explodir, reinventar, mais uma conversa sobre Cinema, ou melhor, sobre filmes. “Bardamerda para tudo e todos os que são incapazes de descobrir o cinema nos filmes e só procuram os filmes no cinema”, escreveu, certo dia, o nosso ilustre convidado. Material de Apoio Top À Pala de Walsh 2022, onde poderão encontrar a citação no manifesto de Ricardo Vieira Lisboa: https://apaladewalsh.com/2022/12/os-melhores-filmes-de-2022/ Texto mencionado no episódio - “O que é a crítica de cinema” - À Pala de Walsh: https://apaladewalsh.com/2012/07/o-que-e-a-critica-de-cinema/

    1h 47min

Sobre

"Oh não, mais um 'podcast' de cinema!!" O horror, o horror ... No meio da saturação de vinhetas sobre cinema, estreias e outras constelações previamente alinhadas, vamos conversar, e é exactamente isso que faremos. Uma tertúlia cinematográfica, com a crítica no centro, o Cinema como um todo, e o restante a orbitar, a fervilhar ou a expelir. Contra formalidades: Cinema por "tu", sem filtros nem bandanas.

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