Se Não Sabes Pergunta

Paulo Anjos

| Um podcast de Paulo Anjos | Setubalense da Fonte Nova paulomauanjos.substack.com

  1. há 2 dias

    Escola Secundária D. Manuel Martins ficou em último lugar no ranking da Rádio Renascença: é justo?

    A Escola Secundária D. Manuel Martins, em Setúbal, esteve, há dias, em foco nas notícias por, no ranking das escolas produzido pela Rádio Renascença, ter ficado em último lugar, na posição 458. A rádio da igreja deu à peça jornalística que produziu o título “Na escola com piores resultados do país, sonha-se com a vida militar e há risco de greve todos os dias”, o que causou, entre dos docentes daquele estabelecimento de ensino com mais de setecentos alunos, justificado desconforto. Afinal de contas, o ranking mede apenas as notas obtidas pelos alunos e ignora um enorme conjunto de fatores que influenciam o processo educativo, em particular numa escola que está inserida numa zona de Setúbal que é vista, habitualmente, como menos favorecida . Ignora, por outro lado, os projetos educativos que ali funcionam, como as explicações gratuitas, ou até o facto de oitenta por cento dos alunos que se candidataram no anterior ano letivo ao ensino superior terem entrado nos cursos que escolheram. Para perceber o que se passa naquele estabelecimento de ensino, fui falar com o diretor da Escola Secundária D. Manuel Martins, Daniel Nunes, que mostra desagrado com a forma como o ranking é feito e até com a divulgação destas listas classificativas: “o ranking é uma régua onde não cabem todas as variáveis; cabe apenas a variável mais fácil, que é a dos resultados”, diz o diretor da escola. O Ranking das Escolas da Rádio Renascença ordena as instituições de ensino básico e secundário com base na média das notas obtidas pelos alunos nos exames nacionais. O critério de cálculo específico da Renascença baseia-se em parâmetros definidos para garantir a relevância estatística dos dados, com um especial foco no Ensino Secundário. O valor final é calculado através da média da primeira fase das oito provas mais concorridas do país. Em termos práticos, em vez de misturar disciplinas com muito poucos alunos, a Renascença esclarece que se concentra nos exames com maior representatividade nacional (como Biologia e Geologia, Matemática, Português, Física e Química, entre outros). Para que uma escola seja incluída neste ranking, acrescenta a rádio da igreja, tem de registar cemou mais exames realizados no conjunto dessas oito disciplinas. Este filtro impede que escolas com uma amostra muito reduzida de alunos subam artificialmente no ranking devido a notas isoladas. Além do secundário, a Renascença também avalia e ordena o desempenho das escolas no ensino básico através dos resultados das provas equivalentes. Get full access to Paulo Anjos at paulomauanjos.substack.com/subscribe

  2. há 5 dias

    José Bandarra: da Terrugem a Setúbal para uma longa vida de trabalho

    Setúbal é uma cidade de múltiplas geografias, onde se cruzam muitas latitudes e longitudes; uma cidade onde se ouvem muitos falares e onde todos sempre foram bem vindos. Sempre gostei de pensar a minha cidade devia ser como aquela que o José Afonso cantava, a cidade sem muros nem ameias, com gente igual por dentro, gente igual por fora. José Bandarra, o convidado deste décimo episódio, veio de muito longe. Pelo menos, naqueles tempos em que fez a viagem que o trouxe para estas bandas. Hoje chega-se quase se chega mais depressa à nossa região, passe o exagero, vindo da Moldávia ou da Rússia do que aqui se arribava naqueles tempos em que ele rumou, com 12 anos, a Cacilhas na camioneta dos Belos, vindo lá da Terrugem, pequena aldeia a meio caminho entre Estremoz e Elvas. Seria num cacilheiro que nesse dia navegaria rumo à que era ainda a grande capital do império, que o esperava para trabalhar a troco de quase nada. Para trás, ficou a infância curta na pequena aldeia para entrar violentamente na idade maior numa leitaria na Rua do Conde Redondo, onde era pau para toda a obra. Talvez tenha sido essa condição de explorado, naquela grande e opressiva cidade daqueles anos de sessenta do século XX, que o fez desejar cidades sem ameias. Com homens iguais por fora e por dentro. É a partir desse ponto e até à vinda para Setúbal, e o que por aqui fez, que se inicia a conversa com o José Bandarra, nascido em 1953 na Terrugem, marçano em Lisboa aos 12 anos, empregado de restaurante aos 15, já em Setúbal, cidade onde se fez setubalense e trabalhou, entre outras labutas, no Entreposto Industrial e nos CTT, onde foi carteiro e quase tudo o resto. Na verdade, a história da vida deste homem dá um livro. E ele escreveu-o, há pouco mais de quatro anos, para deixar aos netos e netas o relato da dureza da vida daqueles tempos em que se fez o adulto e se fez o homem que queria ser igual por fora e por dentro. Um livro onde conta com detalhe o que fez neste chão comum de todos os homens e mulheres e a que chamou Quatro Estações. O “Se Não Sabes Pergunta” é um podcast sobre Setúbal produzido e editado por Paulo Anjos, com o apoio técnico do Jorge Bruno e o patrocínio gastronómico do restaurante Casa do Peixe, casa de que o Luis Cruz fez um dos melhores sítios de Setúbal para comer Peixe. A Casa do Peixe está situada na Rua General Gomes Freire, número 138, mesmo atrás da Loja do Cidadão e do Hospital de São Bernardo. Get full access to Paulo Anjos at paulomauanjos.substack.com/subscribe

  3. 17 de out.

    Eusébio Candeias: uma vida dedicada a servir Setúbal

    Sempre foi um homem discreto, pouco dado a protagonismos excessivos, como, aliás, se exige no partido em que milita. Não é uma profissão de fé, mas sim uma postura assumida conscientemente e também coletivamente, com algumas exceções que, normalmente, acabam mal. A verdade é que tem uma carreira de mais de cinquenta anos de intervenção cívica e política sempre em prol das populações do concelho que o adotou. É um setubalense profundo, mesmo que tenha nascido no Alentejo, mas naquele Alentejo que se vê da margem setubalense do Sado, lá do outro lado do estuário. Naqueles em que se consegue ver para lá do horizonte lá de cima do Castelo de São Filipe, até se consegue ver a terra onde nasceu. Chama-se Eusébio Candeias e é o meu convidado neste episódio do podcast “Se Não Sabes Pergunta”. Construiu, ao longo de mais de cinco décadas, um percurso ligado à intervenção cívica, política e autárquica no concelho de Setúbal. Militante do Partido Comunista Português e eleito pela CDU em diferentes momentos, passou com entusiasmo pelo criativo e intenso movimento popular do pós 25 de Abril, pela Junta de Freguesia do Sado, pela Câmara Municipal de Setúbal e pela Assembleia Municipal. Nascido a 31 de maio de 1950, em Santo André, no concelho de Santiago do Cacém, Eusébio Candeias iniciou a sua vida profissional em 1974, na Precol, onde trabalhou até 1981. Passou depois pela Eurominas e, em 1982, entrou na fábrica da Renault, em Setúbal, onde permaneceu até 1997. Em 1976 integrou a Comissão de Moradores do Faralhão, onde participou em iniciativas promovidas pela população da localidade. Entre essas ações esteve a realização de jornadas de trabalho ao fim de semana destinadas à construção da Escola n.º 3 do Faralhão. A presidência da Junta de Freguesia do Sado seria o primeiro dos principais cargos políticos que viria a exercer. Candeias presidiu à autarquia entre 1989 e 1993 e voltou a assumir a presidência entre 1997 e 2001. Embora tenha sido candidato, de novo, à presidência desta junta em 2001, integrou também, nesse ato eleitoral, as listas da CDU à Câmara Municipal. Em resultado de uma votação histórica de 52,29 por cento na CDU, acabaria por ser eleito vereador e, por indicação do PCP, optaria por integrar, como vereador, o executivo municipal. Em 2006, embora não tenha sido eleito nas eleições autárquicas do ano anterior, viria a integrar de novo o executivo municipal na sequência da saída, em setembro, do presidente Carlos Sousa e do vereador Aranha Figueiredo. Durante a sua passagem pela Câmara Municipal esteve também ligado à Sociedade Setúbal Polis, onde desempenhou funções de diretor executivo, e foi adjunto da presidência, tendo sido responsável pelo Gabinete de Apoio às Freguesias. Entre 2017 e 2025 foi primeiro secretário da Assembleia Municipal nas presidências de André Martins e Manuel Pisco. Em 2020, a Câmara Municipal de Setúbal distinguiu-o com a Medalha de Honra da Cidade, Classe Paz e Liberdade. A distinção reconheceu um percurso desenvolvido ao longo de várias décadas na vida cívica e autárquica do concelho. Get full access to Paulo Anjos at paulomauanjos.substack.com/subscribe

  4. 14 de out.

    Coisas Sérias XVII – O PS e a Habitação em Setúbal, margens de lucro das petrolíferas, e invasão de um estúdio de rádio pelo Chega

    Na XVII edição das minhas conversas sobre Coisas Sérias com Miguel Tiago falámos das propostas do PS para resolver o problema da habitação em Setúbal. O líder da concelhia do PS, ao mesmo tempo que ataca a CDU por ter canalizado verbas do PRR para a reabilitação, embora fosse isso o que o programa do 1º Direito do Governo de Costa preconizava, faz uma proposta de inscrever no orçamento camarário uma verba de cinco milhões de euros para comprar casas para a autarquia promover o respetivo arrendamento apoiado. Falámos de um assunto que tem diretamente a ver com algo que preocupa hoje bastante os portugueses, em particular quando metem combustível nos seus carros. As margens da GALP na refinação de produtos petrolíferos subiram exponencialmente. Lê-se na imprensa que a Galp alcançou no terceiro trimestre de 2026 uma margem de refinação recorde de 33,8 dólares por barril, mais 256% do que os 9,5 dólares registados em igual período do ano passado. A talhe de foice, veio à conversa a taxa que o governo quer impor sobre os lucros das petrolíferas, que, segundo contas já feiras, só seria cobrada se os lucros da GALP disparassem substancialmente face aos anos anteriores. Estamos perante uma taxa para inglês ver? A fechar, mais uma tropelia dos mesmos do costume. Duas deputadas do Chega invadiram o estúdio da Rádio Universitária de Coimbra quando decorria um debate como representantes de juventudes partidárias sobre o Orçamento de Estado para 2027. O Chega foi convidado a participar remotamente, uma vez que está em vigor, em resultado de anteriores tropelias do partido de Ventura, a proibição de representantes desta força partidária entrarem em instalações da Associação Académica de Coimbra, mas as duas jovens deputadas que entraram à força na rádio não quiseram aceitar essa decisão. Mais do mesmo, portanto. Get full access to Paulo Anjos at paulomauanjos.substack.com/subscribe

    Coisas Sérias XVII – O PS e a Habitação em Setúbal, margens de lucro das petrolíferas, e invasão de um estúdio de rádio pelo Chega

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