Malhete Podcast

Luiz Sérgio F. Castro

Informativo Maçônico, Político e Cultural

  1. 03/12/2023

    O ABORTO

    O que podemos compreender acerca do aborto? É considerado um crime? Quais são as implicações morais e espirituais decorrentes dessa prática? Quais intuições a Doutrina Espírita nos proporciona para uma compreensão mais profunda? Aborto é definido como a interrupção da gravidez antes da viabilidade fetal, ou seja, antes do feto ser capaz de uma vida independente fora do útero. Distingue-se de eventos como morte fetal, feticídio, parto prematuro, infanticídio e natimortos. A melhor definição é a eliminação de um ser humano no período entre a fecundação e o nascimento. O tema do aborto é controverso, abordando desde o direito da mulher sobre seu corpo até os preceitos divinos que protegem a vida indefesa. Torna-se crucial também para políticas públicas, considerando os impactos financeiros. Atualmente, há debates sobre a descriminalização do aborto no Brasil, já legalizado em alguns países. A Igreja e as religiões frequentemente criticam sua legalização, destacando a diferença entre legalidade e moralidade. É essencial analisar o aborto considerando os membros da família consanguínea, que, segundo instruções dos benfeitores espirituais, têm resgates a serem enfrentados. Impedir o nascimento de uma criança pode dificultar as provações pelas quais o espírito deveria passar. A problemática filosófica do aborto está fundamentada no estatuto antropológico do embrião. Desde a fecundação, ocorre a formação de um novo ser humano. A questão é: quando o feto se torna uma pessoa e não apenas uma "pessoa futura" ou "pessoa potencial"? Historicamente, acreditava-se que a alma espiritual se manifestava após 40 dias para homens e 80 dias para mulheres. Essa visão foi abandonada no século passado em favor da "animação imediata", considerando a simultaneidade entre fecundação e personalidade humana. Se o concebido é considerado uma pessoa desde a fecundação, qualquer aborto carrega uma responsabilidade moral, sendo equiparado a um homicídio, dada a impossibilidade de defesa e a inocência do agredido. A resolução de conflitos de valores permite, em alguns casos específicos, a intervenção moralmente lícita, como nos casos de embrião morto, ablação de útero grávido com embrião inviável e situações de perigo iminente à vida da mãe. Aborto pode ser natural ou artificial, espontâneo ou provocado voluntariamente. Existem também o aborto ilegal, considerado crime, e o aborto clandestino. As causas são diversas, envolvendo fatores relacionados à mulher, à família e à sociedade. Entre elas, estão o medo da gravidez, falta de recursos financeiros e pressões familiares. Estimar o número de abortos clandestinos é desafiador, enquanto dados sobre abortos legais podem ser subnotificados. Segundo pesquisa do Ministério da Saúde, cerca de uma em cada sete brasileiras entre 18 e 39 anos já fez aborto, totalizando aproximadamente 5 milhões de mulheres. A condenação do aborto baseia-se em avaliações morais, especialmente oriundas de convicções religiosas, defendendo o direito inalienável à vida que somente Deus detém. Questiona-se se o aborto provocado é um crime, considerando que, ao contrário de guerras e pena de morte, não há um agressor. Contudo, a perspectiva religiosa condena o aborto, considerando o novo ser como uma vítima inocente. O aborto é associado à interrupção da vida, infringindo a lei divina. As consequências espirituais podem refletir-se em desafios para o casal, como a dificuldade de conceber, e em desajustes perispirituais, manifestados no corpo físico, presente e futuro, através de condições como câncer, esterilidade e infecções persistentes. Nosso corpo é um empréstimo divino, exigindo cuidados tanto físicos quanto espirituais. Respeitar a vida dentro dele é fundamental, considerando as implicações morais, espirituais e sociais do aborto.

    4min
  2. 28/11/2023

    Laico: a Verdade do Impostor

    Por Hilquias Scardua Eu perdi a hora, o exato momento em que eles entraram e tomaram a banca, sentaram no trono, revestiram-se de coroa, dos trajes e alfaias. Perdi a festa quando as danças ganharam novos gestos e a música um ritmo cacofônico. Ainda é muito estranho lidar com o monólogo impositivo dos senhores da verdade. O diálogo ficou silenciado; uma parte não conseguiu dizer o que veio dizer; então o monólogo continuou, servido de arrogância e por um ato de perjúrio, traindo a condição humana e o progresso. Perdemos a capacidade de colocar à mesa o pensamento para ser assistido, apreciado e compartilhado, quiçá permiti-lo ao nobre avanço dialético. Em meio a imposição, surge uma reflexão sobre a laicidade, sobre a liberdade de pensamento, sobre a necessidade de respeitar o espaço do outro na construção das verdades pessoais. Eles querem possuir, conquistar e escravizar o pensamento alheio com as "verdades irrefutáveis" da voz "divina". A laicidade, entendida como a separação entre o poder religioso e o poder político, tem como princípio o respeito à diversidade de opinião e a garantia da liberdade de expressão de cada indivíduo e de sua crença. No entanto, mesmo nas sociedades laicas, percebe-se a persistência de imposições disfarçadas, muitas vezes sutis, que tentam moldar a visão de mundo de acordo com determinadas narrativas. É bem comum ouvir inúmeras vertentes religiosas imporem suas tradições de fé como o método mais eficaz e soberano sobre a natureza humana e Divina. Eco: “Eles querem possuir, conquistar e escravizar o pensamento alheio com as 'verdades irrefutáveis' da voz 'divina'”. As experiências e a diversidade, tanto quanto o caminho extenso das culturas religiosas, mesmo que umas e outras se encontrem em certa camada e linha histórica. Recentemente, vi grupos religiosos atacando uns aos outros de forma explícita e naturalizada. Vertentes de matriz africana são atacadas por milícias no Rio de Janeiro, outros são caçados por políticos... São questões presentes e resumidas, para não precisarmos entrar no absurdo dos fatos. A briga animosa da política, da fé, da corrupção e da ganância. Nesse turbilhão de interesses conflitantes, a laicidade se torna um refúgio necessário. Ela não é apenas uma separação formal entre Estado e religião, mas também uma garantia de que a fé seja uma escolha pessoal, livre de imposições e manipulações. A busca pela verdade, muitas vezes, é desviada quando a religião se torna um instrumento de poder e controle. A laicidade surge como um chamado à reflexão, convidando-nos a resgatar a essência espiritual, afastando-nos das artimanhas do impostor que distorce a verdade em prol de interesses egoístas. Os bastidores das religiões, na banalização da fé e dos cultos sagrados, evocam sem reservas inúmeros charlatões e tendenciosas mazelas quanto ao Sagrado Ofício, até descredibilizar alguns grupos e instituições. Um descrédito generalizado, desviando o foco do verdadeiro propósito espiritual permitindo que os interesses Profanos e ganhos pessoais ganhem cada vez mais espaço na sacralidade. São confidentes, porém sutis afirmações. Considerando a frase do pensador Martin Heidegger: "Entre o pensamento e a poesia há um parentesco porque ambos usam o serviço da linguagem e progridem com ela. Contudo, entre os dois persiste ao mesmo tempo um abismo profundo, pois moram em cumes separados". Aqui está a ponte, caro leitor. Assim, o pensamento serve aos ânimos da fé cega, do fanatismo religioso, da falta de cultura e de conhecimento. As guerras por detrás disso são as nossas próprias guerras, vigoradas pelas verdades absolutas de nossa ignorância. É o tato áspero que impossibilita sentir o calor da pele vizinha; com essa mesma aspereza nos relacionamos e ousamos dizer que respeitamos. Fomos convidados a perder a hora e chegamos ao final da festa. Mas cá estamos, ouvindo a música nas piores frequências e cientes do monólogo imperativo e falacioso de quem tem a palavra na boca. Um convite à reflexão sobre os valores e culturas, a tradição e evolução da fé. Hilquias Scardua Cavaleiro da Liberdade

    5min

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