Mirante

Observatório Psicanalítico

Este é o MIRANTE, um podcast para ouvir psicanalistas e pensadores de outros campos debatendo temas relevantes no nosso cotidiano contemporâneo. O MIRANTE é do Observatório Psicanalítico e pertence à Federação Brasileira de Psicanálise (Febrapsi). Venha conosco nessa viagem de olhar o mundo a partir do mirante da psicanálise!

  1. Felizes para sempre? Parte 2

    27/12/2025

    Felizes para sempre? Parte 2

    Este episódio faz parte da temporada “O sexual na polis”,onde pensamos como o desejo, o amor e a diferença atravessam a vida coletiva.Hoje, daremos continuidade ao episódio “Casais: Felizes para sempre?”, retomando a conversa realizada no episódio anterior, quando abrimos questões sobre desigualdade, intimidade e violência nas relações afetivas.   Naquela ocasião, algo ficou nos convocando: e os homens?Como eles pensam o casal? Como se percebem no cenário atual? O que conseguem — ou não conseguem — dizer sobre amor, fragilidade, poder e cuidado?   Perguntas que ficaram ainda mais urgentes diante do aumentodos feminicídios no Brasil e de uma cultura digital marcada por misoginia, Red Pill e medo. A recém-lançada série “Ângela Diniz: Assassinada e Condenada”, da HBO Max, reacendeu esse debate ao mostrar como a liberdade das mulheres ainda énarrada como ameaça.   No dia 7 de dezembro, presenciamos uma grande mobilizaçãonacional, quando mulheres foram às ruas para dar um basta à violência — quase sempre após o fim de uma relação amorosa. Isso não fala de casos isolados, mas de uma cultura que autoriza homens a reagirem com violência quando perdem controle ou não suportam a autonomia feminina.   Recebemos para este episódio “Casal: Felizes para sempre?parte II”, dois homens e psicanalistas Vinicius Lima, autor de “Homens em análise: Travessias da Virilidade”, e Leonardo Siqueira, da SPRJ.   O que do masculino se repete, o que precisa ser desmontado eo que pode, finalmente, se transformar?

    1h22min
  2. Paternidades

    07/08/2025

    Paternidades

    O pai proposto por Freud não é apenas aquele que educa,sustenta ou dá o nome. Ele é também ausência, interdição, memória e mito. Como vimos no episódio anterior do Mirante, em Totem e Tabu, Freud inventa uma cena inaugural da cultura: um pai assassinado, devorado pelos filhos, que retorna como lei e como culpa. Esse pai arcaico funda a civilização ao ser eliminado. É a partir da perda que o pai se torna simbólico, aquele que marca um limite entre o desejo e o mundo.   Na história do sujeito, o pai, ao entrar como um terceiro,atravessa a relação com a mãe — não para ocupar seu lugar, mas para separar a dupla mãe-bebê. Essa separação é o que possibilita o sujeito desejar. O pai — ou a função que chamamos paterna — civiliza, introduz a lei, dá nome às coisas,oferece um lugar no mundo. Mas esse lugar nunca está garantido de antemão. Há sempre um resto, uma angústia, um enigma sobre o que é, afinal, ser pai ou ter um pai.   Hoje, em tempos de paternidades plurais — homoafetivas,trans, compartilhadas, presentes, ausentes —, seguimos tentando reinventar o que significa cuidar, limitar, nomear, amar. Jorge Lyra e Maria Lucia Ferreira Alvarenga são nossosconvidados neste episódio sobre Paternidades. Jorge Lyra é um dos coordenadores do Instituto Papai e Maria Lucia Ferreira Alvarenga é psicóloga e psicanalista da Sociedade de Psicanálise de Brasília. Eles nos ajudarão a pensar o assuntoem tempos em que a cultura comemora essa função com o “dia dos pais”, e tem  se interrogado sobre o que é, afinal, ser pai — ou ocupar esse lugar — num mundo em transformação.

    1h20min
  3. Totens e tabus: tudo é culpa da cultura?

    18/06/2025

    Totens e tabus: tudo é culpa da cultura?

    Este episódio se inscreve na temporada “O sexual na polis”,onde nos perguntamos como o desejo, o amor, o gozo, o conflito e a diferença atravessam a vida coletiva. E hoje, partimos de uma provocação que também dá nome ao episódio: “Totens e tabus: tudo é culpa da cultura?” Há mais de um século, Freud escrevia Totem e Tabu, buscandoentender como a cultura se constitui a partir de pactos, interditos e renúncias. No centro dessa hipótese, está um acontecimento traumático — um crime fundador, um gesto de transgressão que funda não apenas a lei, mas também o mal-estar que acompanha a própria experiência de viver em sociedade. A cultura nasce, portanto, de uma ferida. Uma ferida quejamais cicatriza completamente, porque no coração dos laços sociais pulsa algo que não se domestica: o desejo, a violência, o sexual, a ambivalência entre amor e ódio, entre pertencimento e exclusão. Mas será que os totens e tabus de ontem ainda operam hoje?De que modo os interditos, os pactos, as normas e os fantasmas que sustentam a vida coletiva estão se reorganizando na contemporaneidade? O que hoje não se pode desejar, dizer, viver? E, sobretudo, que novos tabus estão sendo produzidos em nome de ideias de progresso, de liberdade ou de pertencimento? Para nos ajudar a atravessar essas questões, recebemosMichel Alcoforado, antropólogo, comunicador, colunista e apresentador do podcast Tudo é culpa da cultura, e a colega Marina Massi, psicóloga, psicanalista da SBPSP que, assim como nós, investiga as ressonâncias do mal-estar na cultura, os efeitos da norma sobre o desejo e os modos como o sujeito se engendra nesse campo tensionado entre lei, gozo e laço social.

    1h27min
  4. A tal masculinidade, hoje.

    27/04/2025

    A tal masculinidade, hoje.

    O atual crescimento de discursos e atuações ultraextremistas, marcados, entre outros, por pautas anti-mulheres e anti-LGBTQIA+, destaca uma urgência: precisamos compreender os impactos psíquicos na construção da masculinidade atual.   O recente debate global desencadeado pela sérieAdolescência, da Netflix, evidenciou o bombardeio da ciberviolência nos caminhos da subjetivação de crianças e adolescentes. Fóruns como o dos Incels, uma rede de partilha de homens frustrados em seu “direito ao sexo” que pregam aculpabilização das mulheres por seu fracasso sexual, definido-as como oportunistas, interesseiras e superficiais, ganham proporções assustadoras, resultando, em algumas situações, em assassinatos, comumente feminicídios, tal como visto na série.   Nesse sentido, a “Machosfera” constitui-se como um universomasculino radicalizado na internet que migra para o plano da ação. Seus integrantes tanto defendem a violência contra mulheres, quanto propagam a inveja de homens que têm relacionamentos bem-sucedidos.   No campo da pesquisa acerca desses fenômenos atuais,conceitos como "masculinidade tóxica", “masculinidade frágil” e“masculinidade Queer” nos fornecem elementos para pensarmos a masculinidade em uma perspectiva atual. Quais os principais desafios de “tornar-se homem”? O que a psicanálise pode oferecer? O que os psicanalistas têm a dizer sobre esse tema?   No programa de hoje recebemos Gary Barker, Doutor emPsicologia do desenvolvimento infanto-juvenil, e Dora Tognolli, psicanalista.

    1h14min
  5. Violência contra as mulheres

    17/03/2025

    Violência contra as mulheres

    Em Psicologia das massas e análise do eu, Freud afirma “primeiro cedemos nas palavras, e depois, pouco a pouco, também na coisa.” Começamos a pensar neste episódio de hoje a partir dessa afirmação. Desejávamos, sem eufemismos, falar da violência contra a mulher e incluir no nosso espectro de pensamento as mulheres mais diversas: de todas as classes sociais, brancas, negras, indígenas, refugiadas, estrangeiras, velhas e jovens, lésbicas, bissexuais, homossexuais, transexuais e com seus corpos magros, gordos, marcados por alegrias e tristezas, rugas, tatuagens e cicatrizes. Mas nesse ponto já nos deparamos com um paradoxo: tentar algum tipo de homogeneização sobre a palavra mulher, é um primeiro marcador de violência. Quando colocamos tudo no mesmo saco, desconsideramos a construção subjetiva - o “tornar-se mulher”. A Psicanálise - disciplina nascida através do útero das ditas histéricas - mulheres que diante da violência sofrida não tinham outro remédio senão desenvolver sintomas – ainda não se apropriou de forma definitiva do tema, e muitas vezes psicanalistas desavisados podem utilizar fórmulas e padrões prontos para pensar sobre gênero. Diante desta limitação, uma conversa em um podcast pode ter potência ao legitimar a violência como restrição ao acesso aos bens concretos, mas também gostaríamos de oferecer bens simbólicos como conceitos e ideias que contribuam na construção de um teto de palavras, que por não fazerem concessões, podem funcionar como mais teias nesse grande teto feminista que abriga as mulheres. “Violência contra a mulher” é tema deste programa que faz parte da temporada o Sexual na Polis. E para conversar conosco convidamos a feminista criminalista Carmen de Campos e a psicanalista Susana Muszkat.

    1h19min

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