A Petrobras anunciou, na sexta-feira (13), o reajuste no preço de venda do diesel A para as distribuidoras, com vigência a partir do sábado (14). O aumento é de R$ 0,38 por litro, o primeiro em mais de 400 dias — o último aumento havia ocorrido em 1º de fevereiro de 2025, e o último ajuste realizado havia sido uma redução, em 6 de maio de 2025, há 311 dias. Considerando a mistura obrigatória de 85% de diesel A e 15% de biodiesel, o impacto efetivo no diesel B — o produto comercializado nos postos de combustível — é de R$ 0,32 por litro. Com o reajuste, o preço médio do diesel A praticado pela Petrobras para as distribuidoras passa a ser de R$ 3,65 por litro, enquanto a participação da estatal no preço do diesel B nos postos será, em média, de R$ 3,10. Apesar do aumento, a Petrobras ressalta que, no acumulado desde dezembro de 2022, os preços do diesel A registram redução real de R$ 0,84 por litro, equivalente a uma queda de 29,6% quando considerada a inflação do período. **Pacote do governo mitiga impacto ao consumidor** O reajuste foi anunciado um dia após o governo federal divulgar um pacote emergencial para conter a alta dos preços do diesel, motivada pela escalada dos preços internacionais do petróleo em razão do conflito no Oriente Médio. As medidas incluem a zeragem das alíquotas de PIS/Cofins sobre a importação e comercialização do produto, além de um subsídio de R$ 0,32 por litro para produtores e importadores que aderirem ao preço de referência a ser fixado pela ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), instituído pela Medida Provisória nº 1.340, de 12 de março de 2026. O conjunto de medidas pode representar um alívio de até R$ 0,64 por litro no preço final ao consumidor. A isenção tributária já está em vigor para todas as empresas. O subsídio, por sua vez, é facultativo e está condicionado à adesão formal das empresas e ao cumprimento de normas que garantam o repasse integral do benefício ao preço final. O Conselho de Administração da Petrobras aprovou a adesão ao programa de subvenção. Para a estatal, o efeito combinado do ajuste de preços e do potencial benefício do programa equivale a R$ 0,70 por litro, com impacto ao consumidor mitigado pelas medidas governamentais. A efetivação da adesão está condicionada à publicação dos instrumentos regulatórios pela ANP. **Impacto no setor: PRIO e Brava são as mais afetadas** Para financiar o programa, o governo instituiu uma nova alíquota de 12% sobre a exportação de petróleo bruto, anteriormente isenta. A medida gerou preocupações sobre previsibilidade regulatória no setor, especialmente após episódio semelhante em 2023, que foi posteriormente considerado ilegal em segunda instância. Segundo análises de XP, Bradesco BBI e Morgan Stanley, as empresas com maior exposição a exportações — como PRIO (PRIO3) e Brava (BRAV3) — são as mais impactadas negativamente. Estimativas preliminares apontam redução de aproximadamente 15% no Ebitda dessas companhias em um cenário de Brent a US$ 80/barril com vigência de dez meses. Já para a Petrobras, o balanço entre o subsídio recebido e a taxação sobre exportações se mantém positivo até níveis de petróleo próximos a US$ 150/barril. Para o segmento de distribuição, o efeito tende a ser favorável, com o desconto entre os preços domésticos e a paridade de importação sustentando vantagem competitiva para distribuidoras com maior exposição ao suprimento da Petrobras. **Compromisso com transparência** A Petrobras reafirmou seu compromisso com atuação responsável e transparente, destacando que sua estratégia comercial tem como premissa não transferir a volatilidade dos preços internacionais à sociedade brasileira. Informações detalhadas sobre a composição e dinâmica de preços de combustíveis estão disponíveis no site precos.petrobras.com.br.