O vinho pode começar como memória de infância, cheiro de adega, vinha de família ou até como algo que a gente tenta evitar. Com Antonina Barbosa, Diretora-Geral e Diretora de Enologia da Falua Wines, foi assim: nascida em Monção, no norte de Portugal, ela cresceu cercada por vinhas, mas só se apaixonou de verdade quando descobriu o vinho pela ciência. Bioquímica, aromas, moléculas e investigação abriram caminho para uma trajetória que hoje soma mais de duas décadas dedicadas a entender, criar e levar vinhos portugueses ao mundo. No papo, Antonina revisita uma carreira rara: começou na pesquisa científica, mergulhou na enologia, passou por laboratório, produção, engarrafamento, vinha, gestão e estratégia comercial. Na Falua, acompanhou diferentes fases da empresa e hoje une a direção geral à direção de enologia, mantendo um olhar 360 graus sobre o vinho. A conversa passa pela expansão da casa para regiões como Tejo, Vinhos Verdes e Douro, pelos desafios de preservar identidade em projetos tão distintos e por uma ideia central: não engarrafar o ego do enólogo, mas a origem de cada vinha. Da Vinha do Convento, no Tejo, com seus solos de seixos deixados pelo antigo leito do rio, às quintas históricas do Douro, Antonina mostra que terroir não é discurso bonito: é trabalho diário, viticultura precisa, adaptação climática, escuta da natureza e decisão técnica. Destaques 🍷 Da infância em Monção à paixão pelos aromas — Antonina cresceu em uma região onde o vinho fazia parte da vida cotidiana, mas sua primeira memória não foi exatamente romântica. O cheiro da adega da família e a rusticidade do vinho caseiro vieram antes da paixão. O encanto surgiu depois, quando ela começou a estudar os aromas e percebeu que havia um universo inteiro dentro da taça. 🧪 Quando a ciência encontra o vinho — Formada em bioquímica, Antonina entrou no setor pela investigação, estudando moléculas responsáveis por aromas. Esse começo moldou sua forma de pensar: curiosa, técnica e conectada ao detalhe. Para ela, o vinho deixou de ser apenas tradição e passou a ser também natureza, química, sensibilidade e interpretação. 🌍 Uma liderança com visão 360 graus — Na Falua, Antonina passou por praticamente todas as etapas da operação. Essa vivência aparece no episódio como um ponto-chave: no vinho de hoje, não basta produzir bem. É preciso entender a vinha, o consumidor, o mercado e o caminho que leva uma garrafa até diferentes lugares do mundo. 🏞️ Vinha do Convento: o terroir da adversidade — Um dos momentos centrais da conversa é a Vinha do Convento, no Tejo, onde o solo é marcado por pedras e seixos do antigo leito do rio. Ali, as videiras produzem pouco, criam raízes profundas e enfrentam condições extremas. O resultado são vinhos de concentração, frescor, elegância e identidade muito própria. 🔥 O clima mudou, e a viticultura também precisa mudar — Antonina fala sobre um dos grandes dilemas atuais: o consumidor busca vinhos mais leves e frescos, enquanto o clima fica cada vez mais quente. Isso exige pesquisa, adaptação e presença constante na vinha. Castas, condução, orientação dos vinhedos e momento de colheita passam a definir o futuro do vinho. 🍇 Conde Vimioso e a elegância do Tejo — O Conde Vimioso Reserva aparece como síntese da filosofia da Falua. Nascido da Vinha do Convento, reúne estrutura, acidez, frescor e capacidade de envelhecimento, sem perder equilíbrio. Antonina mostra como maturidade da vinha, escolha das barricas e precisão nos lotes ajudam a construir um vinho cada vez mais elegante. 🛶 Douro: beleza, história e trabalho duro — A expansão da Falua para o Douro traz ao episódio uma camada histórica e humana. Antonina fala de quintas pequenas, vinhas em encostas difíceis, chegada por barco e uma viticultura que ainda depende muito da mão humana. O romantismo existe, mas vem acompanhado de esforço e resiliência.