Para se inscrever na newsletter, acesse: http://newsletter.linuxtips.com.br/ Outros links importantes: https://linktr.ee/linuxtips Eu realmente não tenho o controle sobre em qual momento você está lendo esse texto, nós lançamos sempre aos domingos no finalzinho da tarde, portanto vou considerar que você está lendo no momento em que a nossa newsletter chegou em seu e-mail, então: Boa tarde! Como foi esse final de semana? Tudo tranquilo? Fazia tempo que eu não ficava ansioso por um certo momento do domingo, pois realmente me sinto muito bem e feliz por estar compartilhando com vocês uma jornada, isso me deixa muito mais confiante e realizado, ainda mais quando começamos a receber os feedbacks da newsletter #1. Como eu disse, eu fico feliz por estar compartilhando a minha jornada e ajudando quem está querendo entender, e até mesmo, aprender através das minhas experiências. Porém uma coisa é super importante, para que faça sentido eu compartilhar a jornada atual, e o que estou fazendo e pensando nesse momento, no final de 2022. Nós precisamos antes entender o começo de tudo. Por esse motivo eu falei na edição #1 que hoje a LINUXtips está entrando em sua release 3.0, e como eu disse, acredito que seja a maior mudança entre todas as releases. Lembre-se, aqui o foco não é somente a LINUXtips, eu quero compartilhar a minha vida, como eu penso e como eu me movo. Saber sobre a LINUXtips faz parte, mas é somente umas das partes do universo que eu quero compartilhar por aqui. Como havia prometido, hoje é o dia onde eu vou falar sobre como tudo começou, e para isso precisamos viajar no tempo para 2014 e 2015, e entender a construção da release 1.0. Bora? Está tudo tranquilo para essa viagem no tempo? Bom, eu vou guiar você durante essa viagem, então vai ser tranquilo pois eu conheço muito bem o caminho, só relaxa e vem. Eu não vou falar aqui sobre o que aconteceu até o momento que eu criei a LINUXtips, pois será papo para outras edições da nossa newsletter, ok? Eu criei o canal no Youtube no dia 29 de setembro de 2014 e nesse mesmo dia eu subi um vídeo sobre o Strace, ferramenta muito interessante e útil na vida de qualquer pessoa que ganha a vida resolvendo problemas em servidores Linux. Eu escolhi o Strace porque eu queria criar um vídeo com algum conteúdo que ainda fosse novidade para quem trabalha com Linux, e sempre soube que entender chamadas de sistemas não era uma tarefa fácil para a maioria das pessoas que trabalhavam comigo. Naquele momento eu trabalhava em uma empresa que tinha mais de 1000 pessoas entre pessoas desenvolvedoras, DevOps Engineers, SRE, DBA, Infra, suporte, SEC, etc. E com tranquilidade eu posso garantir que menos de 10% sabiam trabalhar com o Strace ou entendiam sobre chamadas de sistemas, mesmo sendo o Linux o principal sistema operacional dentro do datacenter da empresa, representando mais de 95% do parque de servidores, VMs e containers. Nesse momento você está pensando que talvez não fosse uma boa ideia criar algo que poucas pessoas conhecessem, certo? E te digo, você não está errado. O ponto é, qual o seu objetivo? O meu objetivo desde o começo sempre foi criar um canal que fosse muito nichado em profissionais de tecnologia, eu não tinha interesse em ter um dentista assistindo aos meus vídeos para aprender um novo hobby ou para criar a sua infra em seu consultório. O meu objetivo era somente um: Criar um canal para pessoas que estudam ou trabalham com TI. Na minha cabeça era muito óbvio, eu tinha que criar conteúdo que fosse novidade para essas pessoas e mais do que isso, que fosse algo que realmente ajudasse no dia a dia delas. Pronto, já sabia qual seria a linha de vídeos que iria criar. E nesse ponto eu queria dar um conselho: Sempre que você quiser criar algo novo ou mudar algo, a primeira pergunta que tem que vir em sua mente é: Qual problema estou resolvendo? Sempre, sempre pense nisso. Qual o problema que estou resolvendo criando isso? Qual o problema estou resolvendo mudando isso? Por exemplo, qual problema estarei resolvendo migrando as minhas aplicações para a nuvem? Ou ainda, qual o problema vou resolver criando um cluster Kubernetes para as minhas aplicações? E claro, isso não vale somente para coisas técnicas. Eu uso isso na minha vida: Qual o problema que estarei resolvendo iniciando atividade física frequente? Qual o problema estou resolvendo quando decidi me tornar vegano? Eu acho que toda apresentação sobre algo novo deveria começar com: A motivação dessa mudança é resolver os problemas X, Y e Z. Eu queria o feedback de vocês sobre isso, depois quando vocês tiverem um tempo, dê a sua opinião sobre isso em alguma rede social e me marque, por favor. Eu quero entender se mais pessoas usam essa estratégia no momento de criação de algo novo. Mas voltando para o nosso tema aqui, lá em 2014 na release 1.0. Conseguiram entender qual o problema que queríamos resolver naquele momento? Você pegou a ideia se você pensou em algo do tipo: O problema que vamos resolver é a falta de conteúdo para pessoas que trabalham em TI, conteúdo que os auxiliem no seu dia a dia, que tragam mais conhecimento e com isso mais poder para resolver problemas do mundo real, ou ainda, para dar mais poder para buscar uma nova oportunidade no mercado. Perfeito! Já sabemos o problema que vamos resolver! Agora e o público? Para quem eu iria criar esse conteúdo? Afinal, quando falamos em times de tecnologia, estamos falando de Dev, Devops, Sysadmin, DBA, Sec, redes, infra, processos, QA, gestão, suporte e por ae vai. Então, qual seria o nosso público? Bem, naquele momento eu já tinha uns 15 anos trabalhando em grandes empresas e em ambientes complexos, sempre atuando como um sysadmin ou production engineer. Já conhecia o mundo do DevOps e automação, pois tive a sorte de trabalhar em uma grande empresa por volta de 2011/2012 onde tive bastante contato com esse novo mundo, pelo menos para mim. Em 2014, o que eu sabia falar com facilidade e já tinha muita experiência era Linux, infra, automação e DevOps, inclusive em compartilhar conhecimento, pois já havia ministrado treinamentos para mais de 10 mil pessoas, assunto que irei abordar aqui ainda, mas não hoje. :) Eu havia chamado algumas pessoas para fazer o canal junto comigo, justamente para ter diferentes assuntos e assim, atingir mais pessoas. Nenhuma pessoa quis embarcar nessa jornada comigo, e eu não tiro a razão deles, afinal naquele momento não era comum ter alguém falando sobre coisas técnicas e de uma maneira mais solta, eles acharam melhor não "queimar" a imagem de pessoas "seniores". Com isso restou somente duas opções: Criar um canal ainda mais nichado e focado em sysadmins, DevOps, SRE e Devs que estavam afim de conhecer um pouco mais sobre o universo além das apps ou então, criar um canal mais genérico no conteúdo e que não tivesse muita profundidade, pois eu não me sentia seguro naquele momento de falar sobre Golang, por exemplo, pois não fazia parte da minha realidade, do meu dia a dia. Escolhi obviamente pela primeira opção. Outro fator muito importante para essa escolha foi o momento. Naquele momento eu já estava sentindo que o sysadmin convencional estava perdendo cada vez mais espaço, e o pior, assuntos que fazia parte da minha rotina, como automação e pipelines, ainda não era realidade para boa parte dos profissionais da minha área. Eu sabia que um monte de pessoas precisariam se atualizar e aprender sobre esse novo mundo, e quando eu digo novo mundo não estou exagerando. Quando falavámos em criar código para as automações, a galera entrava em desespero, ninguém queria codar. Primeiro porque era difícil e segundo porque as pessoas diziam: Se é pra codar eu viro Dev. Eu sabia que tinha um bom problema para resolver e já sabia qual seria o meu público, o próximo passo era escolher o assunto e gravar o vídeo. Pergunta rápida: Agora faz mais sentido o por que eu escolhi fazer o primeiro vídeo sobre o Strace? Mais uma pergunta, você sabe usar o Strace? Se a resposta for não, perceba que o conteúdo do vídeo continua importante, 08 anos depois. :) Seguindo essa mesma estratégia, criei o segundo vídeo uns 10 dias depois sobre permissões no Linux, pois sempre recebia pedidos de ajuda sobre esse tema. A galera não entendia como as permissões funcionavam no Linux, somente decoravam a linha de comando e boa. Triste. Mais 10 dias, e novo vídeo. Agora o assunto era o Sysdig. Mais uma ferramenta que quase ninguém conhecia em 2014 e que ainda hoje uma galera não sabe usar. Hoje o Sysdig é uma grande empresa e suas ferramentas são fundamentais. Se você trabalha com Kubernetes, tenho certeza que você conhece o Sysdig. No começo a ideia era dividir o conteúdo do canal em temporadas, então para a nossa primeira temporada lançamos 05 vídeos. Depois de um hiato de 08 meses, lançamos a segunda temporada e o vídeo de abertura da temporada foi o Docker, isso em agosto de 2015. Esse vídeo mudou a minha vida! Não que eu tenha viralizado e assim atingindo 01 milhão de seguidores, nada disso. Esse vídeo mudou a minha vida pois ele foi o meu ponto de virada. Quando eu gravei esse vídeo foi justamente após eu voltar da minha primeira conferência internacional, a OSCON em Portland, nos EUA. Eu sempre digo que acredito que somente esforço não é o suficiente para o sucesso, acredito que temos que ter uma boa parcela de sorte na vida para que o seu esforço seja potencializado. E por que estou dizendo isso? Estou dizendo isso pois foi exatamente nessa conferência que o Kubernetes 1.0 foi lançado! A conferência inteira foi praticamente sobre Docker, Kubernetes e containers no geral, assunto que ainda era novidade demais no Brasil. Eu já tinha um projeto em Docker na empresa pela qual trabalhava na época, mas ter uma semana inteira de imersão nesse mundo fez com que eu quisesse muito v