Um Tema

Rádio Unicamp

O podcast “Um Tema” traz, a cada semana, convidados dos mais diversos espectros e especialidades para tratarem sobre fatos que permitam uma visão mais ampla, plural e diferenciada do noticiário. Com apresentação e mediação feitas pela equipe de jornalistas da SEC, o programa apresenta um formato mais leve, de conversa e troca de experiências. Arte da capa: Alex Calixto

  1. 29 DE JAN.

    A constante busca por um futuro – e um presente – melhor

    O Observatório das Migrações Internacionais – órgão ligado ao Ministério do Trabalho e Previdência Social -, aponta que há 582 mil venezuelanos com residência ativa no Brasil atualmente. A informação foi divulgada no último mês de novembro e traz dados do Sistema de Registro Nacional Migratório da Polícia Federal. Mais do que números, o cenário está repleto de histórias de famílias que buscam uma vida mais estável e segura. Vale ressaltar que, do total de 1,9 milhão de estrangeiros que moram oficialmente no País, os venezuelanos já representam 30%. Mais da metade vive em três estados: Roraima, Santa Catarina e Paraná. Além dessa jornada sem um destino certo, os migrantes venezuelanos ainda têm de enfrentar questões como a adaptação cultural, inserção no mercado de trabalho, busca por reunificação familiar e o preconceito de cidadãos brasileiros encarado no dia a dia. O município de Pacaraima, situado no extremo Norte do Brasil, em Roraima, segue sendo o local que mais sente os reflexos de uma crise política, econômica e social que desenrola na Venezuela há mais de uma década. Mais recentemente, no início do ano, a captura do ditador Nicolás Maduro, presidente da Venezuela, pelo governo estadunidense de Donald Trump ampliou o cenário de incertezas no país e na fronteira com o Brasil. O professor e pesquisador gaúcho Paulo Roberto Racoski, do Instituto Federal de Roraima, é o convidado da primeira entrevista da nova temporada do “Um Tema” podcast. Filósofo, sociólogo, antropólogo e cientista político, especialista em Gestão para o Etnodesenvolvimento, ele vive há 20 anos na região próxima à tríplice fronteira. Sua entrevista foi realizada por videochamada. Ficha técnica Produção e entrevista: Fábio Gallacci Edição de áudio: Bruno Piato Arte: Alex Calixto Foto de capa: RS/Fotospublicas Coordenação geral: Patrícia Lauretti #venezuela #brasil #imigrantes

    58min
  2. 18/12/2025

    Tecnologia no mercado de trabalho e seus reflexos

    O podcast “Um Tema” conversou com Ricardo Antunes, professor titular de Sociologia no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH), da Unicamp, sobre os impactos econômicos e principalmente sociais do avanço da tecnologia no mercado de trabalho e na vida das pessoas. Esses avanços, que no papel chegariam para facilitar as tarefas e proporcionar mais qualidade de vida estão, na prática, gerando sobrecarga e redução de postos de trabalho. O programa ainda tratou das “ondas de desemprego” e desamparo que atingem a sociedade desde a Revolução Industrial. Uma dessas ondas, de acordo com o professor, é revivida agora e pode afetar gerações. Os robôs humanoides, como vistos em fábricas na China, vão realmente ocupar o espaço do ser humano? Os países mais pobres são os que sofrerão de forma mais contundente os impactos disso? Ricardo Antunes tem livros publicados em 14 países e colaborou em inúmeros artigos em revistas acadêmicas e capítulos de livros na França, Inglaterra, EUA, Itália, Portugal, Holanda, Espanha, Suíça, Alemanha, Índia, China, Rússia, Hungria, Canadá, México, Argentina, Colômbia, Equador, Venezuela, Uruguai e Cuba, entre outros. Recebeu a medalha do Tribunal Superior do Trabalho (TST) e do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 15ª Região. A sociologia do trabalho e a teoria social estão entre os principais assuntos de interesse do professor Antunes. Ficha técnica Produção e entrevista: Fábio Gallacci Técnica e edição de áudio: Bruno Piato Capa: Alex Calixto Coordenação geral: Patrícia Lauretti #unicamp #robôs #trabalho

    47min
  3. 11/12/2025

    Por que, cada vez mais, homens odeiam mulheres?

    Enquanto boa parte do público feminino tem forte engajamento em pautas progressistas e de cunho social abrangente, muitos homens seguem o caminho contrário, do conservadorismo radical e da misoginia. Essa distância se cristaliza, cada vez mais, em violência. O “palco” da internet amplifica esse território de desvalorização, desumanização e morte das mulheres. Os comportamentos distorcidos e ameaçadores – muitas vezes ocorridos dentro de casa ou de pessoas muito próximas às vítimas - têm gerado cliques, visualizações, seguidores e, claro, muito lucro. Um fator agravante é o fato de muitos seguidores serem jovens, o que potencializa o surgimento de uma geração de intolerantes digitais. Os números comprovam o cenário. Uma em cada dez mulheres com 16 anos de idade ou mais já sofreram algum tipo de violência digital nos últimos 12 meses. O dado faz parte da Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, realizada pelo Datasenado, ligado ao Senado Federal. Os assassinatos de mulheres também resultam numa orfandade trágica. Anualmente, cerca de 2,5 mil crianças e adolescentes perdem as mães devido ao feminicídio no Brasil, de acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, ligado à Câmara dos Deputados, em Brasília. Como se não bastasse ser um alvo diário do ódio masculino, a mulher – principalmente preta e pobre - ainda tem contra ela a falta de acesso à moradia, saúde, emprego e autonomia financeira. Esses são fatores que colocam as mulheres em total condição de vulnerabilidade. As leis contra os criminosos e assassinos existem e são rigorosas, mas a eficácia de sua aplicação é questionável. A grande quantidade de vítimas de feminicídios que tinham em mãos medidas protetivas ou restritivas contra seus parceiros é apenas um das feridas abertas dessa realidade. Para tratar do assunto, o “Um Tema” podcast convida a professora Anna Christina Bentes, coordenadora do Núcleo de Estudos de Gênero – Pagu, ligado à Unicamp e que tem suas atividades ligadas a questões sociais, econômicas, antropológicas, históricas e políticas. Ficha técnica Produção: Patrícia Lauretti e Fábio Gallacci Apresentação: Thaís Pimenta e Fábio Gallacci Técnica e edição: Bruno Piato Capa: Alex Calixto Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil Coordenação geral: Patrícia Lauretti #unicamp #mulher #violência

    51min
  4. 28/11/2025

    Trânsito: inteligência é o melhor acessório de um veículo, afirma professor

    Todos os dias, o mundo testemunha uma batalha que faz milhares de vítimas. No Brasil, os acidentes de trânsito somam, em média, 30 mil vidas perdidas todos os anos. Outras 200 mil pessoas ficam com invalidez permanente. O cenário mostra que de 20 milhões de brasileiros são impactados anualmente por esses eventos. A maioria das mortes é de homens jovens, sendo 60% deles motociclistas, que se arriscam nas ruas trabalhando com entregas em um formato de trabalho que eleva os riscos ainda mais. Seja nas áreas urbanas ou estrada é preciso discutir o comportamento humano quando se está diante de um volante. Respeitos aos pedestres, ciclistas e, logicamente, não misturar direção com álcool são comportamentos básicos que muitos insistem em ignorar. O resultado, muitas vezes, é trágico. Além de destruir famílias e histórias, os acidentes também são um ponto que afeta duramente o sistema de saúde pública e a economia. De acordo com dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), com base em números do Departamento de Informação e Informática do Sistema Único de Saúde, o Datasus, apenas em 2024, o Brasil gastou R$ 449 milhões com internações de vítimas de acidentes de trânsito. Sobre essas questões, e muitos exemplos de como um comportamento mais adequado no trânsito pode trazer segurança, desenvolvimento e até dinheiro no bolso, esta edição de “Um Tema” podcast recebe o professor, engenheiro e especialista em questões ligadas ao tráfego, Creso Peixoto. Ele é doutor em Transportes pela Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo da Universidade Estadual de Campinas da Unicamp. Ficha técnica: Produção e entrevista: Fábio Gallacci Edição: Bruno Piato Técnica: Matheus Mota Capa: Paulo Cavalheri Coordenação geral: Patrícia Lauretti #unicamp #transito #acidentes

    50min
  5. 19/11/2025

    "A ditadura se retirou a contragosto, se autoanistiou", afirma professor torturado pelo regime militar

    Na madrugada de 23 de outubro de 1969, o então estudante Carlos Lobão foi levado por militares à sede da chamada Operação Bandeirantes (Oban), na Zona Sul da cidade de São Paulo. Acordou com uma arma na cabeça. Era o primeiro ato de truculência que enfrentaria pelos próximos quatros anos de sua vida.Na delegacia, foi espancado e recebeu choques elétricos em diferentes partes do corpo – muitos enquanto estava pendurado em um instrumento de tortura conhecido como “pau de arara”.Anos depois, já formado, o geólogo Lobão foi um dos pioneiros do Instituto de Geociências (IG) da Unicamp, onde ingressou como aluno de mestrado em 1978. Ele ainda foi o primeiro geólogo do Brasil a se tornar mestre e também doutor em educação. Na academia, dedicou-se a investigar a interface entre ensino e geociências, em uma época na qual não havia pesquisas sobre essa temática na América Latina.Hoje docente aposentado da universidade, Lobão acredita que o espaço de democracia vivido nas últimas décadas no Brasil representa, na verdade, um movimento de recuo dos militares e que a tortura persiste, agora, contra a população marginalizada em geral. Para ele, que sofreu na pele as consequências de um regime repressivo, é preciso o constante fortalecimento das organizações populares para que o passado não retorne. “A elite brasileira é escravocrata desde sempre. A ditadura se retirou a contragosto, se autoanistiou”, diz ele.Carlos Lobão é o convidado desta edição do Um Tema podcast. Ficha técnicaProdução e entrevista: Fábio GallacciEdição de áudio: Bruno Piato e Matheus MotaTécnica: Rafaela OliveiraCoordenação geral: Patrícia Lauretti

    51min
  6. 13/11/2025

    A única certeza da vida

    O Uruguai é o primeiro país da América Latina a aprovar a chamada “morte digna” por lei. Vale ressaltar que no Equador e no Colômbia a eutanásia também foi despenalizada, mas por decisões de suas Supremas Cortes, ou seja, de forma judicial. Os pretendentes precisam ser maiores de 18 anos de idade, estarem psicologicamente aptos e diagnosticados com doenças incuráveis e/ou irreversíveis. Dores intoleráveis ou quadro de grave deterioração que comprometa por completo a sua qualidade de vida também são situações que se encaixam na lei uruguaia. A solicitação deve ser feita de forma pessoal e por escrito, com a avaliação de dois médicos, o que acompanha o paciente e outro independente. Caso haja divergência, uma junta de médicos será composta para analisar o caso. No Brasil, a eutanásia – ou morte assistida - é considerada crime e é enquadrada como homicídio, mesmo com a vontade do paciente. A legislação brasileira não permite a antecipação da morte, mas reconhece e permite a prática da ortotanásia, que é a suspensão de tratamentos fúteis ou o uso de cuidados paliativos para aliviar o sofrimento de pacientes terminais. Para tratar de um assunto ainda encoberto por tabus, desinformação e questões éticas, o “Um Tema” podcast recebe a médica Daniele Sacardo, professora da Faculdade de Ciências Médicas (FCM), no Departamento de Saúde Coletiva, Área de Ética e Saúde, da Unicamp. “Falar sobre a morte ainda segue sendo muito difícil na nossa cultura por questões de valores que dizem respeito à moralidade e religião. No senso comum parece que, falar da morte, serva para atraí-la. É um assunto que ninguém se sente confortável para abordar”, afirma a médica. Ficha técnica Produção e entrevista: Fábio Gallacci Edição de áudio: Bruno Piato Capa: Paulo Cavalheri Coordenação geral: Patrícia Lauretti

    43min
  7. 07/11/2025

    Operações letais não atingem o crime organizado; a Ciência sim, aponta professor

    A megaoperação que reuniu diversas forças de Segurança Pública realizada nos complexos do Alemão e da Penha, na cidade do Rio de Janeiro, no final de outubro, resultando em 121 mortos – sendo quatro policiais-, motivou um importante debate. Qual seria a forma mais eficaz de combater – e desarticular – as ramificações do crime organizado? A necessidade de encontrar alternativas para que o Estado diminua o poder bélico e econômico, além da influência social e política, de facções criminosas como o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital (PCC) pautou discussões pelo Brasil nos últimos dias. Para ampliar a análise sobre esse cenário, o “Um Tema” podcast convidou Rodrigo Alberto Toledo, professor da Pós-graduação Interdisciplinar da Unicamp e pesquisador vinculado ao Laboratório de Estudos do Setor Público (Lesp), da Faculdade de Ciências Aplicadas (FCA), também da universidade. Além disso, Toledo também é mestre em Sociologia, doutor em Ciências Sociais e pós-doutor em Ciências Humanas e Sociais Aplicadas. Ele ainda desenvolve pesquisas sobre teorias sociológicas, desigualdades sociais, vulnerabilidade, espoliação urbana, processo de planejamento urbano e metodologias participativas na formulação de políticas públicas. “A pesquisa e a inteligência baseadas em dados são fundamentais, e mais eficazes, para que haja um desmantelamento do crime organizado. Mais do que o fuzil, que não produz diagnóstico. Já a pesquisa, sim”, afirma o professor. “A academia pode atuar ao lado dos governos para produzir dados confiáveis - sociológicos e econômicos - para se chegar à engrenagem do crime organizado. É possível analisar as políticas públicas em curso e apontar possíveis correções, distinguindo o que funciona e o que não serve”, acrescenta Toledo. Ficha técnica Produção e entrevista: Fábio Gallacci Edição de áudio: Bruno Piato Capa: Alex Calixto Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil Apoio: Cris Kämpf – Assessoria FCA Coordenação geral: Patrícia Lauretti #unicamp #crimeorganizado #segurança

    45min
  8. 16/10/2025

    Há 30 anos na NASA, cientista brasileira é referência mundial

    Graduada em astronomia (1978) e doutora em geologia planetária (1986) pela Universidade de Londres, a brasileira Rosaly Lopes tem três décadas de experiência na investigação de superfícies planetárias, particularmente vulcanismo. No fim do doutorado, começou a trabalhar com divulgação científica no Observatório de Greenwich, no Reino Unido. Após um pós-doutorado no Jet Propulsion Laboratory (JPL), na National Aeronautics and Space Administration (NASA), nos Estados Unidos, foi convidada a permanecer no laboratório da agência, onde trabalha desde 1991. Atualmente, Lopes é vice-diretora do Departamento de Ciências Planetárias do JPL, que coordena missões planetárias não-tripuladas. Ela foi membro de uma das equipes da missão Galileu (1991-2002). Sua experiência em missões também inclui a Cassini, como membro da equipe Radar (2002-2019), e a New Horizons, como colaboradora nas observações de sobrevoo de Júpiter. Suas publicações incluem mais de 150 artigos e onze livros publicados, entre eles um traduzido para o português: “Turismo de Aventura em Vulcões” (Editora Oficina de Textos, 2008). Entre as premiações e homenagens que recebeu estão: Prêmio de Serviço Público Excepcional da NASA (2019), Medalha de Serviço Excepcional da NASA (2007), prêmio da União Geofísica Americana (2018), da Sociedade Geológica da América (2015), da Associação Americana para o Avanço da Ciência (2006) e Medalha Carl Sagan de excelência em comunicação científica para o público da American Astronomical Society (2005). Como se não bastasse, em 2016, a União Astronômica Internacional homenageou a pesquisadora ao batizar o asteroide (22454) como “Rosalílopes”. Além do seu trabalho científico, Lopes atua em prol da educação, da diversidade e da divulgação científica em âmbito internacional. Ela concedeu diversas palestras públicas nos Estados Unidos e no Exterior, em todos os continentes, incluindo a Antártica. Com tanta experiência em sua vida, a menina da praia de Ipanema que um dia sonhou em ser cientista espacial realizou seu desejo com louvor. Referência mundial em sua área, Rosaly Lopes é a convidada desta edição do “Um Tema” podcast. Ficha técnica Produção e entrevista: Fábio Gallacci Edição de áudio: Bruno Piato Capa: Alex Calixto Apoio: Alvaro Crósta – IG Unicamp Coordenação geral: Patrícia Lauretti

    34min

Sobre

O podcast “Um Tema” traz, a cada semana, convidados dos mais diversos espectros e especialidades para tratarem sobre fatos que permitam uma visão mais ampla, plural e diferenciada do noticiário. Com apresentação e mediação feitas pela equipe de jornalistas da SEC, o programa apresenta um formato mais leve, de conversa e troca de experiências. Arte da capa: Alex Calixto