Sobre Carris

Conversas de bitola alta sobre ferrovia. Com Carlos Cipriano, Diogo Ferreira Nunes e Ruben Martins.

  1. vor 10 Std.

    Liberalizar mais ou parar? As visões opostas do PCP e da IL

    Neste episódio do Sobre Carris, viajamos até ao Parlamento Europeu, em Estrasburgo, para discutir a política ferroviária europeia e o seu impacto directo em Portugal. Ruben Martins, Diogo Ferreira Nunes e Carlos Cipriano recebem os eurodeputados Ana Vasconcelos, da Iniciativa Liberal, e João Oliveira, do Partido Comunista Português, para um debate aceso sobre o modelo de gestão do sector. Em cima da mesa está a liberalização do mercado. Enquanto Ana Vasconcelos defende que a concorrência entre operadores é o motor para baixar preços, aumentar frequências e reduzir a dependência do investimento público, citando exemplos de sucesso em Espanha e Itália, João Oliveira contesta esta visão, apontando o caso do Reino Unido como um fracasso que comprometeu a segurança e o direito ao transporte. O eurodeputado do PCP introduz a metáfora do "lombo e do osso", alertando que os privados vão procurar apenas as linhas rentáveis (como a de Cascais), deixando para o Estado o encargo das linhas deficitárias no interior. A discussão aborda ainda a estratégia industrial: deverá Portugal apostar na criação de uma "fileira ferroviária" e produzir o seu próprio material circulante, aproveitando o conhecimento de oficinas como as de Guifões, ou deve limitar-se a comprar no mercado único europeu? Ainda neste episódio debatemos o paradoxo dos fundos europeus, que financiam ligações entre capitais e corredores transeuropeus, mas levantam obstáculos ao financiamento da coesão territorial interna e da rede capilar nacional. Falamos também do regresso (difícil) dos comboios nocturnos e do reforço dos direitos dos passageiros face à concorrência das companhias aéreas low-cost. Um debate essencial para perceber se o comboio europeu está a ir no sentido certo ou se corre o risco de deixar passageiros pelo caminho. A série do Sobre Carris dedicada à política europeia de transportes conta com o apoio do Parlamento Europeu. See omnystudio.com/listener for privacy information.

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  2. 13. Juli

    Gratuitidade dos transportes públicos no Porto: um erro que se vai pagar caro?

    Era uma promessa eleitoral de Pedro Duarte, mas a data de implementação ainda era incerta. A partir da última sexta sexta-feira, a gratuitidade dos transportes públicos aplica-se a todos os moradores do município do Porto, mas não é automática - exige a posse de um "Cartão Porto". Mas há muitas dúvidas sobre a eficácia desta borla sem um reforço da oferta, numa cidade que não chega às duas dezenas de quilómetros de faixas bus e onde os transportes estão constantemente presos no meio do trânsito.   São vários os estudos que mostram que o transporte gratuito tira mais pessoas das suas caminhadas e deslocações com modos ligeiros, como bicicletas ou trotinetes, do que tira efectivamente carros da estrada. O resultado: transportes (ainda) mais lentos e mais saturados. Será este um presente envenenado para a cidade do Porto? Quando entramos num autocarro ou num comboio, na Europa, o preço do bilhete e, sobretudo, do passe mensal, nunca cobrem totalmente os custos do serviço. O financiamento do Estado é determinante para manter os montantes relativamente baixos e em Portugal foi reforçado com a introdução do programa de apoio à redução tarifária, em Abril de 2019. Desde aí, as áreas metropolitanas e comunidades intermunicipais baixaram os preços: as regiões de Lisboa e do Porto foram os exemplos mais destacados, com a adopção dos passes de transportes públicos por 40 euros mensais. O título garante viagens ilimitadas dentro dos respectivos territórios e em todos os meios de transporte — com excepção do ferry entre Setúbal e Tróia. O reforço do subsídio público é apresentado como um incentivo ao uso dos transportes colectivos e pelos benefícios que gera para toda a sociedade — sem a ajuda do Estado, haveria ainda mais trânsito no acesso às cidades, com mais poluição atmosférica e sonora, limitações na vida dos utentes e risco acrescido de acidentes. O mesmo princípio aplica-se em boa parte da Europa, com os transportes públicos — sobretudo os títulos mensais — a preços suficientemente baixos para poderem ser usados por todos. Pessoas com menos dinheiro, crianças, jovens e seniores beneficiam de tarifas ainda mais reduzidas ou gratuitas. Apesar disso, os transportes públicos grátis também estão a ganhar tracção em Portugal, nos serviços locais: em Cascais, desde 2020, com a MobiCascais; São João da Madeira, no ano seguinte, aos TUS; a Comunidade Intermunicipal do Oeste arrancou no início deste ano nos 12 municípios. Houve mais gente a usar o transporte colectivo, mas não há evidências de transição modal, ou seja, de pessoas que deixaram o carro em casa e passaram a ir para a paragem do autocarro. Neste episódio ainda falamos sobre outras conclusões tiradas na conferência dedicada à mobilidade e às cidades dos 15 minutos. Este episódio foi gravado no Fórum Cultural de Ermesinde no âmbito da conferência Entrelinhas  "Território dos 15 minutos: Ferrovia, Metro e Mobilidade para o Futuro - Do Património Ferroviário à Mobilidade Sustentável Integrada". See omnystudio.com/listener for privacy information.

  3. 17. Juni

    Menos passageiros nos Urbanos de Lisboa num ano de recordes para a CP (e o dilema da falta de dados fiáveis)

    Neste episódio, o Sobre Carris volta a cruzar fronteiras para analisar os contrastes da realidade ferroviária europeia. Começamos no Luxemburgo, onde o Carlos Cipriano partilha a sua experiência num país onde o transporte público é totalmente gratuito, as estações estão perfeitamente integradas na malha urbana e a pontualidade é a norma. Mas será isso suficiente para tirar os carros da estrada, num país que mantém uma das maiores taxas de motorização do mundo? De regresso a Portugal, analisamos o problema estatístico da CP. Apesar dos recordes de passageiros em 2025, os comboios Urbanos de Lisboa e o Alfa Pendular registaram quebras, enquanto o novo Passe Ferroviário Verde levanta sérias dúvidas sobre a fiabilidade da contagem de passageiros nos serviços regionais, devido à falta de mecanismos de validação eficazes. Relembramos os tempos das contagens manuais e olhamos para soluções tecnológicas que poderiam resolver a falta de dados. O debate segue para a Figueira da Foz, onde a degradação das antigas oficinas da CP serve de cartão de visita à entrada da cidade, gerando um impasse entre a autarquia de Santana Lopes e uma CP que parece "incapaz de decidir". Abordamos ainda o flagelo da segurança, com Portugal no topo das estatísticas europeias de mortes por atropelamento no canal ferroviário, e o problema de saúde pública que representam os suicídios na via. Olhamos ainda para Espanha e para o debate sobre a reificação da gestão ferroviária. Faz sentido voltar a unir a roda e o carril, como defendem agora os responsáveis da Renfe, ou estamos presos a directivas de Bruxelas que países como a Alemanha e a França contornaram através de modelos de holding? See omnystudio.com/listener for privacy information.

    Menos passageiros nos Urbanos de Lisboa num ano de recordes para a CP (e o dilema da falta de dados fiáveis)

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