Celso Frizon, o Dr. Costela, é muito mais do que um churrasqueiro famoso. Gaúcho radicado em São Paulo, ele transformou uma pequena loja de vinhos e produtos coloniais na beira da Régis Bittencourt em uma das casas de costela mais conhecidas do Brasil. Mas, antes da brasa, veio o vinho. Antes da marca, veio a estrada. E antes do restaurante, veio uma vida inteira de comércio, improviso, família e cultura de mesa. Neste episódio do SommCast, a conversa passa pela infância no Rio Grande do Sul, pelas memórias com o vinho do avô no porão, pela chegada a São Paulo, pela venda de vinho de garrafão, cachaça, salame e queijo, até o nascimento do Rancho do Vinho e, depois, do Dr. Costela. Celso também fala sobre os primeiros tempos da valorização do vinho brasileiro, quando vender rótulos nacionais em São Paulo exigia mais do que técnica: exigia rua, relação, preço justo e muita conversa. É um episódio sobre churrasco, claro. Mas também sobre adaptação, crise, resiliência e identidade. Da costela levada embora por um cliente japonês à virada de chave que transformou o nome Dr. Costela em destino gastronômico, Celso mostra que comida boa nasce de técnica, mas também de cultura, escuta e tempo. Para quem ama vinho, carne, histórias de bastidor e gente que construiu tudo no braço, esse papo é obrigatório Destaques 🍷 Vinho antes da costela Celso cresceu em uma cultura onde o vinho fazia parte da vida cotidiana, não como luxo, mas como presença familiar. As memórias do porão do avô, do vinho feito em casa e da mesa com salame, queijo, pão e cebola ajudam a explicar por que sua trajetória começa tão ligada ao vinho. 🔥 O nascimento do Dr. Costela Antes de virar restaurante, o negócio era uma loja de vinhos e produtos coloniais. A costela entrou quase por acaso: um cliente japonês levou embora a costela inteira que Celso havia feito para o próprio almoço e avisou que, no domingo seguinte, ele deveria ter “a dele e a minha”. Celso ouviu, fez dez costelas na semana seguinte e vendeu tudo. 🇧🇷 A defesa do vinho brasileiro Celso relembra um tempo em que vender vinho brasileiro em São Paulo era quase um ato de resistência. Ele fala de produtores que batiam porta, viajavam e construíam mercado quando ainda não havia glamour, enoturismo estruturado ou valorização como existe hoje. 🥩 Churrasco sem firula No episódio, Celso provoca a gourmetização do churrasco. Sua escola não é a dos nomes em inglês, mas a do fogo de chão, do espeto, da grelha, da parrilla e da tradição gaúcha, argentina e uruguaia. Costela boa, para ele, é grande, grossa, gorda e feita com paciência. 🏙️ O gaúcho que aprendeu São Paulo Celso se define como “paulucho”: paulista com gaúcho. A conversa mostra como ele precisou adaptar sua cultura ao paladar paulista, sem perder sua origem. Uma das grandes lições do episódio é que tradição só vira negócio quando encontra diálogo com o lugar onde está. 🚧 Crise e reinvenção A história do Dr. Costela também passa por momentos difíceis, como o impacto da proibição da venda de bebida alcoólica em rodovias, dívidas e períodos de quebra. O episódio mostra o lado real do empreendedorismo: cair, negociar, recomeçar e seguir trabalhando. 👨👧 Família e legado A presença de Gabi Frizon aparece com força na conversa. Celso fala da filha com orgulho, reconhecendo sua trajetória própria no mundo do vinho e sua construção profissional longe da sombra do pai. Família, aqui, aparece como base, afeto e continuidade. 📺 Da estrada para a mídia O Dr. Costela cresceu também com o apoio da mídia gastronômica pré-internet. Celso relembra reportagens, indicações na Veja São Paulo e um tempo em que uma boa recomendação impressa podia lotar um restaurante no fim de semana.