Catarina Maia é natural do Porto, mas é em Lisboa que tem feito carreira. Começou ainda adolescente como modelo e venceu o concurso Cabelo Pantene – o Sonho em 2019. Pelo caminho, descobriu outra paixão, além da moda: a comunicação. É apresentadora de televisão na RTP e locutora de rádio na Mega Hits. Pelo meio, ainda actualiza os mais de 290 mil seguidores. Na história de Catarina Maia não é uma hipérbole dizer que as redes sociais lhe mudaram a vida. A modelo Sara Sampaio - uma das portuguesas com uma carreira mais internacional da moda – viu as suas fotografias no então Twitter e apresentou Catarina a uma das maiores agências de manequins do país. Tinha só 13 anos e hoje reconhece que é “demasiado cedo” para entrar na indústria da moda, numa época em que os anjos da Victoria’s Secret eram o ideal de beleza. “Consigo olhar para trás e ver uma Catarina pequenina a admirar corpos irreais e inatingíveis de pessoas que viviam para o culto da imagem”, reconhece em entrevista no podcast A Vida Não é o Que Aparece. Apesar de ver progresso na diversidade na moda, confessa que as redes sociais podem estar a contribuir para o perpetuar destes ideais de beleza e da fachada da vida perfeita, onde tudo parece “fácil e rápido”, lamenta. “Acho que cada vez mais é crucial que quem trabalha com redes sociais se apresente como é. De vez em quando, se estivermos tristes e o partilharmos, não é sinal de fraqueza”, defende. Foi por isso que decidiu partilhar um dos momentos mais difíceis da sua vida: a morte do pai. “Não quero fazer disto a minha personalidade, mas a verdade é que é inevitável não viver dessa forma depois de perder alguém que te significa tanto e tão novo. Passamos a ser consequência de algo fatal que nos aconteceu”, desabafa, explicando que a partilha a faz sentir que o pai ainda está vivo. “Falo do meu pai todos os dias a todos as pessoa que conheço e não me faria sentido esconder essa parte [nas redes sociais]. Acho que as dores, quando são partilhadas, tornam-se mais leves”. O luto faz-se de avanços e recuos, confessa, descrevendo como ainda há dias em que “custa a acreditar”. “É aquela sensação de ser um sufoco tão grande que o cérebro quase se auto-sabota e não acredita na realidade. Isto até é estranho de se dizer, mas é impossível que eu nunca mais vá ver o meu pai na vida”. Vai encontrando alento no trabalho na comunicação, mas também na família, mostrando a vida privada nas redes sociais com alguma parcimónia. “Agora voltei a partilhar mais a minha família de novo, mas, durante muitos anos, parei… Precisamente porque aconteceu uma situação chata de insultarem o meu irmão”, conta, sobre o irmão mais velho, que tem trissomia 21. “Ainda na semana passada, alguém comentou um post que fiz com o meu irmão a cantar a dizer ‘ainda tem orgulho de mostrar o irmão deficiente’. É importante que as pessoas não vivam numa bolha que as faz pensar que a discriminação não existe em Portugal”. Siga o podcast A Vida Não É o Que Aparece e receba cada episódio semanalmente, à terça-feira, no Spotify, na Apple Podcasts, ou noutras aplicações para podcasts. See omnystudio.com/listener for privacy information.