No escuro

Vamos falar de cinema e de outras coisas também. Para entender o mundo através dos filmes, com Alexandra Prado Coelho e Vasco Câmara.

  1. hace 2 d

    Já temos dois Salazares. Só falta mais um...

    José Filipe Costa psicanalisa o pai nosso. Isto é: psicanalisa-nos. Pai Nosso, Os Últimos Dias de Salazar não é um filme sobre o passado. Como aliás está a acontecer hoje com muitos "filmes de época": são mensagens para o presente. Mostrar o tempo que passou, o que já esquecemos e o que permanece latente. Isto acontece nas salas esta semana. Em Setembro, João Botelho estreará O Velho Salazar. Tudo diferente e tudo igual. Aliás, um completa o outro. O primeiro é onírico, fantasmagórico. Disse-nos um dia José Filipe Costa: "O passado não é uma coisa fixa, o passado é memória. E o cinema efabula. Deve muito à História, mas ao mesmo tempo não lhe deve. As narrativas cinematográficas vão a lugares onde a História não chega". Tudo se passa em São Bento, huis clos e ambiente de folie, quando Salazar (Jorge Mota), depois do AVC, continua a pensar que é ele que ainda lidera o governo, e Maria de Jesus (Catarina Avelar) garante esse teatrinho do poder. O segundo é mais farsante mas a partir de dados e factos cronológicos. Como um falso documentário. Não há dois sem três? Diria o outro que sim... No Escuro é um podcast com os jornalistas Alexandra Prado Coelho e Vasco Câmara, para ouvir todas as sextas-feiras no site do jornal ou na sua plataforma preferida. A música do genérico é um excerto de The Hidden Desert, gentilmente cedido pelo Rodrigo Amado Quartet (Rodrigo Amado, Joe Mcphee, Kent Kessler e Chris Corsano). See omnystudio.com/listener for privacy information.

    42 min
  2. 22 may

    Cannes: nos bastidores de um dos maiores festivais de cinema do mundo

    O que é que importa realmente num festival de cinema? Os filmes? A passadeira vermelha? A avaliar pelas fotografias que as agências enviam diariamente sobre a 79.ª edição do Festival de Cannes, é a segunda, onde desfilam os "talentos" vestidos por costureiros e disputando a atenção de um público que não perde este desfile de estrelas — mesmo que perca os filmes. Entretanto, nas salas de cinema, os críticos (os que ainda existem) vêm os filmes e tentam produzir discurso sobre eles. Vasco Câmara é o enviado do PÚBLICO a Cannes e conta-nos o que é esta vida dupla que a pequena cidade da Riviera francesa vive por estes dias, compara o ambiente de hoje com o do passado, explica como actores, realizadores, jornalistas e um número crescente de influencers se movem no universo do cinema, gerindo interesses e necessidades distintos para responder a públicos distintos. Neste episódio do No Escuro vamos, portanto, espreitar os bastidores de Cannes, mas vamos também falar de Não Desviar o Olhar, filme de Júlio Alves que passou recentemente no IndieLisboa e que nos traz o olhar de quatro críticos de cinema — Vasco Câmara, Luís Miguel Oliveira (também do PÚBLICO), Inês Lourenço e Ricardo Vieira Lisboa — sobre os filmes que os marcaram. É uma viagem pelas imagens que (lhes) povoam a vida e uma reflexão sobre o que é isso de ser crítico de cinema. Vamos andar, por isso, sempre No Escuro — mas sem esquecer a passadeira vermelha. No Escuro é um podcast com os jornalistas Alexandra Prado Coelho e Vasco Câmara, para ouvir todas as sextas-feiras no site do jornal ou na sua plataforma preferida. A música do genérico é um excerto de The Hidden Desert, gentilmente cedido pelo Rodrigo Amado Quartet (Rodrigo Amado, Joe Mcphee, Kent Kessler e Chris Corsano). See omnystudio.com/listener for privacy information.

    39 min
  3. 15 may

    Da curta feita na escola de cinema à adaptação de Coetzee, estes são portugueses em Cannes

    São duas curtas e uma longa, três filmes, três realizadores portugueses que vão estar no festival de cinema de Cannes (de 13 a 24 de Maio). Tiago Guedes, realizador da longa, Aquí, adaptação da Triologia de Jesus de J.M. Coetzee, Daniel Soares, realizador de Algumas Coisas que Acontecem ao Lado de um Rio, e Clara Vieira, estudante de cinema, que viu com surpresa a sua primeira obra, um trabalho para a escola intitulado Onde Nascem os Pirilampos, seleccionada para o festival francês. É com eles que conversamos neste episódio do No Escuro. Quisemos saber o que esperam de Cannes, o que significa para um realizador a presença neste festival (mesmo quando, como acontece com Aquí, não seja a concurso), mas sobretudo quisemos ouvi-los falar dos seus filmes. Aquí passa-se num não-lugar, numa língua que, por vontade do escritor, se quis outra e portanto é o espanhol, traz um pai e um filho sem passado, uma família que se tenta construir enquanto tal, a dança como forma de entender o mundo e um universo que se abala e recompõe através de uma criança que esconde mistérios que é melhor não tentarmos compreender nem explicar. No filme de Daniel Soares, o título é literal e a narrativa fragmentária leva-nos ao longo das margens de um rio revelando o absurdo que existe nos insignificantes momentos do quotidiano, enquanto a obra de Clara Vieira é um trabalho pensado de forma colectiva, em torno de um grupo de amigos, um bosque, os seus mistérios e as suas descobertas, um espaço com algo de fantástico que traz ecos do realizador tailandês Apichatpong Weerasethakul. No Escuro é um podcast com os jornalistas Alexandra Prado Coelho e Vasco Câmara, para ouvir todas as sextas-feiras no site do jornal ou na sua plataforma preferida. A música do genérico é um excerto de The Hidden Desert, gentilmente cedido pelo Rodrigo Amado Quartet (Rodrigo Amado, Joe Mcphee, Kent Kessler e Chris Corsano). See omnystudio.com/listener for privacy information.

    50 min
  4. 8 may

    A Inteligência Artificial vai exterminar-nos? Primeiro No Escuro ao vivo

    Ghost in the Machine, de Valerie Veatch, foi um dos títulos em destaque no último Sundance Film Festival e foi um dos filmes programados no Indielisboa, festival que ainda decorre. Por causa desse documentário, No Escuro saiu pela primeira vez do estúdio de gravação e participou num debate — aconteceu no último fim-de-semana, na Culturgest, em Lisboa — que tentava enquadrar a torrencial muralha de informação, dúvidas e angústia que do filme se liberta. O que é a Inteligência Artificial e que forças, ideológicas, políticas, a dominam? Onde já vai a idade dourada, salvífica, da relação do homem com a tecnologia? É o tempo, hoje, do "tecno-fascismo"? Em suma, é desta que vamos ser exterminados? Ou esta angústia é apenas a enésima variação de um medo ancestral do homem perante a máquina? Participaram neste debate dois cépticos e um optimista. É o que podemos chamar, optimista, a José Bragança de Miranda, professor da Lusófona, especialista em Teoria da Cultura e dos Media, Cibercultura e Artes Contemporâneas. Talvez seja, no caso dele, a sedução do caos. Já Bruno Abib, que estudou na Escola Superior de Teatro e Cinema de Lisboa e desde 2017 trabalha como montador em curtas e longas-metragens de ficção e documentário, e Catarina Rao, designer gráfica que tem desenvolvido o seu trabalho numa vertente mais pessoal e também para marcas comerciais, têm metido as mãos na massa, como se costuma dizer. Utilizam ferramentas da IA. E estão num momento de dúvida e de questionamento pessoal. Oiçam-nos. No Escuro é um podcast com os jornalistas Alexandra Prado Coelho e Vasco Câmara, para ouvir todas as sextas-feiras no site do jornal ou na sua plataforma preferida. A música do genérico é um excerto de The Hidden Desert, gentilmente cedido pelo Rodrigo Amado Quartet (Rodrigo Amado, Joe Mcphee, Kent Kessler e Chris Corsano). See omnystudio.com/listener for privacy information.

    46 min
  5. 24 abr

    Projecto Global e FP-25: o espectador confrontado com a “ambiguidade moral”

    Ivo M. Ferreira pegou, sem medo, num tema difícil: o terrorismo da extrema-esquerda em Portugal no início dos anos 80 e a história das FP-25. Ficcionar uma realidade para a qual o país não se tem mostrado preparado para olhar de frente é sempre um risco, mas o realizador assume-o. Ao lado dele está um conjunto de actores, com destaque para Jani Zhao, a operacional Rosa (entrevistas com ambos e com o historiador Francisco Bairrão Ruivo no Ípsilon). Neste episódio do podcast No Escuro discutimos este olhar para um fenómeno de uma história muito recente, a propósito da estreia do filme Projecto Global, e perguntamo-nos se pode haver uma glamourização da violência, não só no caso português mas noutros, das Brigadas Vermelhas em Itália aos Baader-Meinhof na Alemanha. O terreno é escorregadio, as zonas cinzentas são muitas — Ivo assume que é precisamente isso que lhe interessa, uma "ambiguidade moral" que faça justiça à complexidade. E como nos posicionamos nós, espectadores, perante isto? E das trevas da violência terrorista vamos até à luz que doura os corpos dos jovens nas praias do Sul de França com o mais recente filme de Abdellatif Kechiche, Mektoub, Meu Amor: Canto Segundo. Uma americana voraz invade este último tomo de uma triologia da qual só pudemos ver antes o Canto Primeiro. Entre sexo, sensualidade e violência, será esta também esta uma leitura possível sobre uma América que, quando Kechiche filmou, começava a revelar a sua voracidade? O que parece evidente é que o sol do Canto Primeiro já não brilha da mesma maneira e as sombras invadem este Canto Segundo. Vamos tentar perceber porquê. No Escuro é um podcast com os jornalistas Alexandra Prado Coelho e Vasco Câmara, para ouvir todas as sextas-feiras no site do jornal ou na sua plataforma preferida. A música do genérico é um excerto de The Hidden Desert, gentilmente cedido pelo Rodrigo Amado Quartet (Rodrigo Amado, Joe Mcphee, Kent Kessler e Chris Corsano). Siga o podcast No Escuro e receba cada episódio semanalmente, à sexta-feira, no Spotify, na Apple Podcasts ou noutras aplicações para podcasts. ​Conheça os podcasts do PÚBLICO em publico.pt/podcasts. Tem uma ideia ou sugestão? Envie um email para podcasts@publico.pt. See omnystudio.com/listener for privacy information.

    42 min
  6. 17 abr

    Marilyn Monroe, 100 anos: o que procuramos nela, hoje?

    Quando morreu, na madrugada de 4 para 5 de Agosto de 1962, na sua vivenda de estilo mexicano de 5th Helena Drive, em Brentwood, Los Angeles, dificilmente se apostaria que a vida de Marilyn Monroe (nascida a 1 de Junho de 1926, faria cem anos daqui a dois meses) estava para durar. Reparem: o MoMA de Nova Iorque realizou uma retrospectiva em Março, abrindo o programa, Marilyn Monroe: Celluloid Dreams, com O Pecado Mora ao Lado, de Billy Wilder, realizado em 1955, ano que foi, entre todos, o mais decisivo para a imposição de Marilyn como estrela planetária. O programa contemplava na placidez do seu roteiro comemorativo de centenário, um ciclone: Mulholland Drive, de David Lynch, ou o diálogo de Marilyn com um dos grandes títulos do século XXI. É isso: ela não parou de nos falar. O que nos terá para dizer? O que continuamos hoje a procurar nela? Porquê o impulso de a resgatar, de a salvar, de provar que estava ali um dos mais luminosos, intuitivos talentos que a luz do cinema iluminou? Junho será o mês Monroe no Batalha Centro de Cinema, no Porto, no ciclo O Verão de Marilyn, com os seus clássicos. Mais do que os clássicos, a retrospectiva que decorre até 14 de Maio na Cinemateca Francesa em Paris propõe títulos mais desconhecidos, como We're Not Married, de Edmund Golding (1952), Clash by Night/Desengano, de Fritz Lang, Love Nest, de Joseph Newman (1951), ou o encontro de Monroe com os irmãos Marx, Love Happy (David Miller, 1949), ou uma interpretação de baby-sitter desequilibrada, ao lado de Richard Widmark, no huis clos Don't Bother to Knock/Os Meus Lábios Queimam (1952), de Roy Ward Baker. É este título pouco conhecido, um dos raros papéis dramáticos de uma carreira que em 1952 ainda só tacteava, que abrirá a 5 de Maio o ciclo Quem és tu Norma Jean? 100 anos de Marilyn Monroe, na Casa Comum da Universidade do Porto. While the City Sleeps, Quando a Cidade Dorme, um noir de John Huston, inaugurou, por sua vez, esta quinta-feira o ciclo da Leopardo que se desenrolará no Cinema Nimas até 13 de Maio. O mundo viu-se a (re)descobrir Marilyn Monroe. É das figuras mais perenes, duradouras, da fábrica americana chamada Hollywood. É mais respeitada, mais consensual hoje do que quando morreu no início da década de 60 — a década, repare-se, que apagou o brilho das estrelas que havia no firmamento. Foi adoptada por diferentes vagas de feminismo. Tem direito a extensa bibliografia, biográfica, ensaística, ficcional (Joyce Carol Oates fantasiou-a em Blonde) e fotográfica. Foi revisitada por grandes fotógrafos em várias "fases", tal como as de um pintor: George Barris, que a fotografou pela última vez na praia de Malibu, Richard Avedon, Bert Stern, com a esplêndida série The Last Sitting, ou, a que mais tentou resgatar a sua humanidade, o conjunto melancólico de fotos de Milton Greene. Uma das maiores fãs de Marilyn é a actriz Catherine Deneuve. Que em Maio juntar-se-á à edição francesa de um livro, Marilyn chérie (Flammarion). Texto de Deneuve, fotografias pouco conhecidas de Marilyn da autoria de um produtor e fotógrafo seu amigo, Sam Shaw, cenas de rodagem e de testes de guarda-roupa. Um excerto escrito por Deneuve, que a imprensa francesa tem reproduzido: "Perante os fotógrafos, ela era tão generosa com o seu corpo, o rosto inclinado para trás, algo de infantil também, que nada nela era indecente". É sobre a festa dos seus 100 anos este episódio de No Escuro. No Escuro é um podcast com os jornalistas Alexandra Prado Coelho e Vasco Câmara, para ouvir todas as sextas-feiras no site do jornal ou na sua plataforma preferida. A música do genérico é um excerto de The Hidden Desert, gentilmente cedido pelo Rodrigo Amado Quartet (Rodrigo Amado, Joe Mcphee, Kent Kessler e Chris Corsano). See omnystudio.com/listener for privacy information.

    44 min
  7. 10 abr

    "Caso 137" e "Nino": regressemos ao "french touch"

    Depois do cinema espanhol, na semana passada, o cinema francês, esta semana. É mais um episódio de No Escuro. Portugal não tem tido razão de queixa dos distribuidores/exibidores independentes, que têm actualizado o mercado e os espectadores — por exemplo, nos últimos anos, as transgressões dos cineastas iranianos chegaram-nos a tempo e horas. Podemos é perguntar se os espectadores estão à altura deste esforço... Não é uma questão lateral, essa. É mesmo decisiva. Se bem que centramos a conversa, agora, na presença em sala de dois recém-premiados com os Césares da indústria francesa: Caso 137, de Dominik Moll, Nino, de Pauline Loquès. Dois retratos: de senhora, uma investigadora da polícia, interpretada por Léa Drucker, numa espécie de thriller processual, seco, despojado; de rapaz, um jovem (Théodore Pellerin) diagnosticado com um cancro, cujo comportamento a câmara observa durante um fim-de-semana antes do início do protocolo da quimioterapia: o corpo é aqui o plot. Haverá ainda memória de um tempo em que a cinematografia francesa disputava as bilheteiras, nas salas portuguesas, com o cinema americano? Que cineastas como Alain Resnais, por exemplo, eram programados em salas vocacionadas para a maioria do público burguês adulto que ia ao cinema? Lembramos isso aqui... No Escuro é um podcast com os jornalistas Alexandra Prado Coelho e Vasco Câmara, para ouvir todas as sextas-feiras no site do jornal ou na sua plataforma preferida. A música do genérico é um excerto de The Hidden Desert, gentilmente cedido pelo Rodrigo Amado Quartet (Rodrigo Amado, Joe Mcphee, Kent Kessler e Chris Corsano). See omnystudio.com/listener for privacy information.

    32 min

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Vamos falar de cinema e de outras coisas também. Para entender o mundo através dos filmes, com Alexandra Prado Coelho e Vasco Câmara.

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