Neste episódio temos dois temas inevitáveis na política nacional: primeiro, o congresso do PSD, que ficou marcado pelo rescaldo do chumbo da proposta de lei laboral e pela tentativa de Luís Montenegro de transformar uma derrota parlamentar numa afirmação política. Depois, o acordo entre PS e PSD para viabilizar a criação da Prestação Social Única, a PSU — um acordo que, à primeira vista, contrasta com o impasse total no pacote laboral. Começamos pelo congresso do PSD. O partido reuniu-se em Anadia, mais precisamente em Sangalhos, ainda com a poeira do chumbo da reforma laboral no Parlamento, e Luís Montenegro tentou recentrar o discurso no “trabalho”, nas reformas e na ideia de que a oposição bloqueia a mudança. Será que este congresso serviu mais para unir o PSD à volta do Governo ou para responder a uma fragilidade concreta: a de um primeiro-ministro que acaba de ver uma reforma central chumbada no Parlamento? A ministra do Trabalho, Maria do Rosário Palma Ramalho, também teve um momento forte no congresso. Disse que a reforma laboral era um projecto do Governo, agradeceu o empenho do primeiro-ministro e deixou a ideia de que o executivo voltará a insistir neste caminho. Ao envolver tão directamente Luís Montenegro na reforma laboral, a ministra protegeu-se de ficar sozinha com o ónus do chumbo ou, pelo contrário, transformou esta derrota também numa derrota pessoal do primeiro-ministro? E houve outra dimensão neste congresso: o PSD tentou colar PS e Chega no mesmo bloco de bloqueio, apesar de continuar a precisar de ambos, em momentos diferentes, para fazer passar diplomas no Parlamento. A estratégia de atacar PS e Chega em simultâneo é sustentável para um Governo minoritário? Ou é sobretudo uma forma de manter mobilizado o eleitorado do PSD depois de um revés parlamentar? Passamos então à Prestação Social Única. O PS e o PSD chegaram a acordo para viabilizar a PSU, depois de negociações que mexeram em pontos sensíveis: o canal de denúncias, o chamado trabalho social, a condição de recursos e a forma como os valores da prestação serão fixados e escrutinados. Falamos sobre os vencedores e vencidos neste processo e falamos também sobre uma zona cinzenta: o PS disse que o trabalho social deixaria de ser obrigatório e passaria para um plano personalizado; pouco depois, o PSD veio dizer que essa actividade solidária social não cai e não deixa de ser obrigatória. Será uma divergência real no conteúdo do acordo ou duas narrativas políticas construídas para públicos diferentes — uma para o PS dizer que humanizou a proposta e outra para o PSD dizer que não cedeu? E a última pergunta liga os dois temas: no pacote laboral, PSD e Chega não chegaram a acordo; na PSU, chegaram. Num caso, houve ruptura e chumbo; no outro, houve entendimento. Qual é a diferença essencial entre estes dois processos? Os minutos finais são para o Público e Notório. See omnystudio.com/listener for privacy information.