Conversa Intrusiva

Marcos Rutherford

Não gosto da ideia de passar por tudo sozinho e assim como pensamentos que vem quando nós não queremos, a vida sempre nos surpreende com lições dolorosas para um amadurecimento que nem sempre a gente tá procurando. Me chamo Marcos Rutherford e criei esse podcast como um espaço para compartilhar experiências e desabafos de uma pessoa que também não sabe de nada e tá vivendo tudo isso pela primeira vez. De forma intrusiva, pretendo que cada uma das nossas conversas sejam multilaterais e incômodas, mas acolhedoras ao mesmo tempo porque ninguém merece passar pelos vinte anos sozinho.

Épisodes

  1. -3 j

    o processo de se curar dói mais do que a ferida

    Ao meu ver, se apaixonar é a montanha russa mais complexa da existencialidade humana: no mesmo momento em que você está no auge da emoção de amar alguém, você está em uma descida sinistra jamais vista antes porque tudo acabou. Claro, nem todos relacionamentos terminam de forma trágica, isso é, os que sequer terminam, né? Mas é fato que de uma forma ou outra nós temos que encontra refúgio no nosso próprio mundinho que existe apenas dentro da nossa existência para nós mesmos e, de alguma forma, superar o trauma ou pelo menos a ausência que o outros nos faz ou fará. Depois do mesmo coração ser partido algumas vezes, há um tempo que notei um padrão: eu sempre repetia o mesmo processo, de forma cíclica e contínua, como se eu nunca tivesse passado por aquilo ou pior, como se tivesse passado e nunca aprendido nada. Foi olhando para dentro que, com isso, entendi que na verdade o meu processo de cura que estava errado. Basicamente eu sempre me cobrava bem mais por uma relação ter ruído do que me perdoava por estar aprendendo. Não é sobre se isentar da culpa, mas se eu estou vivendo a vida pela primeira vez e me apaixono por alguém que obviamente também está conhecendo o processo, por quê me culpar tanto por algo que nem eu nem ninguém podemos controlar? Antes de me dar conta disso, meus processos de cura envolviam um sentimento de impotência ou, quando o problema não era a autoestima, o questionamento e implicação de que eu era um completo palerma por "me deixar estar naquela situação". Esse processo de auto punição simplesmente não me preparava para possíveis futuras decepções porque eu fazia dele o centro da minha ferida, como se todo dia eu mesmo me martirizasse na mesma ferida ao invés de, sei lá, passar uma pomada. No episódio do 'Conversa Intrusiva' dessa semana, falho miseravelmente em trazer essa perspectiva para um amplo geral e foco quase que exclusivamente em nossas jornadas de aprendizado em relação ao amor. Apesar do tema já definido anteriormente, o decorrer desse episódio foi ambiguamente influenciado pela produção do artigo da semana do The 'Love' Issue, que influenciou na forma como eu abordo o tema aqui. No fim das contas, acho que esse foi um dos episódios que mais gostei de gravar e me senti feliz com o resultado final. Espero que gostem também e, por favor, sigam o podcast , comentem a opinião de vocês por aqui e acompanhem o 'Por trás do episódio' no site oficial da New Mean 4u. O apoio de vocês muda TUDO! Ahhh, e leiam o Love Issue #003. Já disponível!

    o processo de se curar dói mais do que a ferida
  2. 12 août

    não se perca no processo apenas almejando o sucesso

    Como ser jovem e não viver pela ambição de ter tudo, ainda mais quando podemos experienciar a vida do outro pela internet? Que nós passamos pelos vinte anos competindo em uma corrida com nós mesmos, todo mundo já sabe, mas como fica esse comportamento quando é catalisado por uma integração da nossa vida? Nos últimos dias percebi que algumas realizações das nossas vidas estão passando despercebidas por nós mesmos, isso porque a ansiedade de viver conquistas futuras, que já são características de qualquer jovem, começaram a colidar com o mundo infinito de possibilidades que a globalização digital vêm inserindo na nossa rotina de forma sorrateira. Toda a nossa vida hoje em dia gira em torno da internet, desde os nossos trabalhos até a manutenção de relações extremamente complexas, como as parentais. Mas isso não começou assim e os reflexos ficaram na nossa sociedade: nosso entretenimento codepende da existência virtual. É a foto no show que você sempre quis ir, o texto sobre o relacionamento perfeito que você está vivendo ou aquele TikTok/Reels portando a bola do jogo da semifinal da Copa do Mundo que você passou anos trabalhando para chegar ali. Mas a pergunta que fica é: e quem está do outro lado da tela, como se sente? Nossas vivências estão começando a coexistir com as das pessoas que nós acompanhamos nas redes sociais, e o resultado disso fica explícito quando percebemos que nossas conquistas estão sendo maquiadas com a falsa sensação de já termos vivido o que é novo para a gente através do que já foi para quem vimos na internet. Em complemento a isso, nunca nossas vitórias estiveram tão atreladas à exposição delas para uma rede de pessoas quanto agora. Eu sinto que sentimos a necessidade de compartilhar tudo o que vivemos não para a contribuir com a hiperexposição das coisas ou para alimentar um ego "esfregando" conquistas na cara dos outros, mas sim para que possamos nos sentir bem com nós mesmos por ter conquistado aquilo, como se fosse a forma de agradecer o que conquistamos e mostrar para quem a gente gosta. Mas a parassocialidade não existe mais só com aquele artista favorito que você gosta de acompanhar os passos e sente que é um amigo próximo, mas sim com qualquer um que exerça um papel de influência sobre você que muitas vezes está atrelado à simples existência da fama. Por isso a sensação de normalidade quando conquistamos algo que já vimos outra pessoa conquistar nos inunda com sua presença e só depois, quando aquele momento já passou, nós sentimos que deveríamos ter vivido aquilo com mais intensidade. Mas aí já não tem mais volta, o tempo passou e a oportunidade foi aproveitada apenas nos limites que você impôs enquanto ela estava no seu controle. No episódio dessa semana do 'Conversa Intrusiva', quis trazer um pouco dessa vivência que eu não estou alheio, honestamente estou tão imerso quanto qualquer um, mas acredito que é analisando, pensando e entendendo o que estamos vivendo que voltamos a tomar as rédeas de nossas próprias vidas.

    não se perca no processo apenas almejando o sucesso
  3. 7 août

    o silêncio depois de aceitar algo que você nunca quis

    Inevitavelmente vivemos os anos mais dolorosos de nossas vidas durante os vinte anos de idade. Não por experiências negativas de fato, mas sim pelo processo de aprender que é impraticável sem a dor. Amores não correspondidos, lidar com a rotina de um primeiro emprego, aprender a declarar o próprio imposto de renda e até amizades que acompanharam a gente a vida toda e, reciprocamente, não fazem mais parte do nosso cotidiano.  Tudo isso é aprendizado, mesmo marcado por uma dor, seja ela do incômodo ou da indiferença, é necessário passar pela experiência para amadurecer e crescer. Estar nos 20 anos é como entrar com um corte exposto em um tanque de tubarões: a todo momento você vai estar lidando com algo tirando um pedaço de você, da sua atenção, energia ou crença. Você é colocado em dúvida por si mesmo, não entende o que é evolução ou retrocesso, o que quer ou deixa de querer e, do nada, quando menos espera, você dá de cara com a necessidade de se ausentar da sua própria vida. Se ausentar da sua própria vida não é deixar as coisas acontecerem sem sua interferência, é sobre deixar que aquele momento perpasse por você sem que você necessariamente deposite energia naquilo, porque tem mais coisa pra cuidar, você tem a si mesmo para tomar de conta. Muitas vezes é difícil, no auge da juventude, você ser praticamente obrigado a parar o cotidiano com a energia do “fazer acontecer” e adotar um ritmo do “olhe para você”. É geral, acontece na faculdade, no trabalho e, por mais que não seja o que eu foquei em expressar nesse episódio, dentro dos nossos relacionamentos amorosos.  Amar é difícil, é complexo e além de lidar com a gente, passamos a lidar com o outro. Por mais que haja paixão e sentimento, que trazem uma base sólida para se firmar na hora de arriscar, a “pista está salgada”, então é muito difícil confiar em alguém, reduzir expectativas e ações a um like no story do Instagram e mesmo assim passar pelo processo de um término que você não escolheu viver. Nesse episódio trago um caso pessoal com uma narrativa detalhada afim de generalizar a situação e tirar um aprendizado disso, afinal, a vida é sobre esse movimento: nós seguimos no meio da dor, num breu caótico e só depois que enxergamos a luz no fim do túnel, entendemos as nossas ações e começamos a nos perdoar por ter sentido toda aquela dor. É como um término que você não quer sair, que você fica remoendo e depois entende que não te cabia ali. A conversa intrusiva de hoje é justamente sobre essas coisas que não escolhemos, mas elas escolhem a gente, assim como o nome do nosso podcast que chegou do nada e ficou.

    o silêncio depois de aceitar algo que você nunca quis

À propos

Não gosto da ideia de passar por tudo sozinho e assim como pensamentos que vem quando nós não queremos, a vida sempre nos surpreende com lições dolorosas para um amadurecimento que nem sempre a gente tá procurando. Me chamo Marcos Rutherford e criei esse podcast como um espaço para compartilhar experiências e desabafos de uma pessoa que também não sabe de nada e tá vivendo tudo isso pela primeira vez. De forma intrusiva, pretendo que cada uma das nossas conversas sejam multilaterais e incômodas, mas acolhedoras ao mesmo tempo porque ninguém merece passar pelos vinte anos sozinho.