Geopolítica e Commodities Tensões entre EUA e Irã: Embora as negociações pareçam caminhar para um desfecho, ataques militares norte-americanos no sul do Irã geraram novos atritos e dificultam o processo. O Irã corre contra o tempo para fechar um acordo devido à necessidade de escoamento de petróleo, mas ainda há impasses sobre sanções financeiras e a posse de urânio enriquecido. Petróleo em Alta: O barril de Brent é negociado a US$ 96 e o WTI na casa dos US$ 92. Existe a possibilidade de aumento no spread entre ambos, já que os EUA estão conseguindo ofertar uma grande capacidade de petróleo. Pressão na Curva de Juros: A alta do petróleo pressiona as expectativas inflacionárias. Na curva de juros norte-americana, o título de 10 anos caiu para 4,48%, o de 2 anos ficou em 4,06% e o de 1 ano em 3,81%, evidenciando um custo de oportunidade muito elevado. Prêmio de Risco Zero: Uma matéria do Wall Street Journal apontou que o mercado está praticamente com zero de equity risk premium (calculado pelo rendimento de lucros das empresas para o próximo ano menos os juros de 10 anos). Diante disso, o autor avalia que uma correção de cerca de 10% nas bolsas seria saudável para dar fôlego ao mercado. SpaceX e xAI: A SpaceX, avaliada em mais de 100 vezes o EBITDA, virou um conglomerado que recentemente incorporou a xAI. Contudo, a xAI queima muito caixa para criar data centers de IA, o que acaba anulando o fluxo financeiro positivo gerado pela Starlink e pela Starship. O IPO da SpaceX está previsto para 12 de junho e deve vir inflado. Cerebras: Mencionada como outro exemplo de IPO excessivamente inflado. Embora as ações tenham disparado na estreia, já recuaram cerca de 30% em relação ao preço inicial. A empresa está avaliada em US$ 56 bilhões para uma receita de US$ 510 milhões e lucro líquido de US$ 87 milhões em 2025. Nvidia: As ações da companhia vêm corrigindo desde a divulgação dos resultados. Apesar de o balanço ter sido ótimo, as expectativas do mercado eram exageradas. Além disso, a Nvidia enfrenta um gargalo estrutural de oferta por parte da TSMC, que não quer expandir a capacidade de produção de semicondutores de forma agressiva por se tratar de um mercado cíclico. Preocupação na Europa: Caso o conflito no Oriente Médio não se resolva, o Banco Central Europeu (BCE) pode ser forçado a subir juros para conter a inflação. Isso seria péssimo para a região, que já enfrenta desaceleração econômica, problemas demográficos e baixa produtividade. Fechamento Misto na Ásia: O índice Nikkei caiu e Hong Kong ficou estável. Por outro lado, o índice Kospi (Coreia do Sul) subiu forte, impulsionado pelas fabricantes de componentes e memórias tecnológicas que se beneficiam do rali de IA. A China segue sob ceticismo, com um mercado imobiliário e consumo doméstico ainda fracos. Alerta no Boletim Focus: Pela primeira vez, o relatório mostrou a projeção da inflação oficial (IPCA) para o final do ano acima do teto da meta (que é de 4,5%), batendo 5,04%. A previsão para a taxa Selic se manteve estável em 13,25% e o câmbio projetado ficou em R$ 5,17. Essa deterioração das expectativas deixa o Banco Central de mãos atadas para realizar novos cortes de juros. Desempenho do Ibovespa: O índice roda na casa dos 177 mil pontos, mostrando uma correção expressiva desde meados de abril, afetando principalmente os setores imobiliário e financeiro. Indicadores da Semana: O mercado aguarda dados de Confiança do Consumidor e o índice de inflação PCE (na quinta-feira) nos EUA. No Brasil, a atenção se volta para o IPCA-15, que será divulgado amanhã. Posicionamento do Autor: Diante do cenário esticado e da baixa volatilidade recente, o autor menciona ter aumentado suas posições em hedges (proteções cambiais/de mercado) por estarem mais baratos, considerando uma correção de mercado iminente e saudável.