Podcast da Semana

Gama Revista

"Podcast da Semana" traz todo domingo um bate-papo de 30 minutos com um convidado sobre o assunto da semana da Gama Revista.

  1. David Nemer: o triste legado das bets

    -9 h

    David Nemer: o triste legado das bets

    Além da catástrofe financeira, você já parou para pensar que as bets estão mudando o jeito de muita gente olhar para a vida e as suas paixões? No caso do futebol, agora na Copa do Mundo, ficou bem óbvio."O futebol sempre foi o nosso ritual mais coletivo, aquele momento raro em que a favela, o asfalto e o condomínio fechado torcem ao mesmo tempo para a seleção. E as bets quebraram esse desejo único em centenas de pequenos mercados, de pequenas transações. Hoje, a pessoa não vai torcer só para um gol, vai torcer para um escanteio, um cartão amarelo, os minutos de acréscimo. As bets sequestraram essa paixão brasileira", diz o antropólogo David Nemer, o convidado do Podcast da Semana da edição sobre bets. Nemer é professor nos departamentos de Estudos de Mídia, de Antropologia e do programa de Estudos Latino-Americanos da Universidade da Virgínia. Ele pesquisa tecnologia nas favelas e, nos últimos anos, se dedica a entender os efeitos das bets no Brasil. Na entrevista que você ouve abaixo, ele fala sobre como as bets têm um modelo de negócios que tira proveito da vulnerabilidade e defende que é errado pensarmos em vício, pois assim "individualizamos" o problema e culpabilizamos o usuário. "A questão, tanto do iludido quanto do viciado, não dá conta do que realmente acontece. Ela individualiza uma coisa que é estrutural, que é um produto desenhado para extrair, inclusive de quem é informado", afirma o pesquisador. Segundo Nemer, a Copa funciona como uma grande campanha de recrutamento, trazendo gente nova para as plataformas. "Depois dessa festa, vem a conta, que vai ser o endividamento, o empréstimo com o amigo que não vai conseguir pagar, com agiota. Em lares precarizados, há um abandono familiar. O homem na favela se apropria do dinheiro da mulher, sendo que sete em cada dez lares são mantidos por mulheres. E as mulheres, claro, ao lutar pelo seu dinheiro para sustentar a casa, acabam em confronto e são agredidas." Ele defende o banimento total e diz que, ainda assim, as bets deixarão um triste legado. "Uma dependência social foi criada e as pessoas buscarão outras formas de aposta." Roteiro e apresentação: Isabelle Moreira Lima

    34 min
  2. Isabela Venturoza: meninos e as masculinidades

    21 juin

    Isabela Venturoza: meninos e as masculinidades

    Como criar meninos conscientes e empáticos quando eles são o alvo preferencial da machosfera? Como conseguir manter uma proximidade real com eles e ficar a par de que influências estão sobre eles quando estamos todos cada vez mais atarefados? “O quanto a gente está interessado e, de fato, está acompanhando essa criança e esse adolescente, que nem sempre é fácil de estar do lado, nem sempre está aberto também para dialogar com a gente?”, questiona a antropóloga Isabela Venturoza, entrevistada do Podcast da Semana sobre a formação das masculinidades em crianças e adolescentes. “É preciso saber o que ele está fazendo ali, nos conectar com ele cotidianamente — porque às vezes a gente está no capitalismo selvagem, às vezes a gente não está conectado nem consigo mesmo, porque está ali só sobrevivendo e entregando pauta, continuando cada dia de uma vez”, afirma. Doutora em Antropologia Social pela Unicamp e mestra pela USP, Venturoza é professora da pós-graduação na Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo e pesquisadora do Núcleo de Estudos sobre Marcadores Sociais da Diferença da USP, além de coordenar o Núcleo de Estudos Interseccionais sobre Homens e Masculinidades (NUM). É ainda cofundadora do Instituto Feminista de Cuidado (IFC) e colunista da revista Azmina. Na conversa que você ouve abaixo e nas plataformas de áudio, ela fala sobre a importância de ouvir os meninos, de dar referências e de ter um cuidado próximo. Ela comenta sobre o crescimento e a difusão da ideologia masculinista e do movimento red pill na internet e até em cursos, um perigo real para meninos e meninas, e um grande negócio para muita gente. Roteiro e apresentação: Isabelle Moreira Lima

    37 min
  3. João Paulo Becker Lotufo: adolescentes, cigarro e vape

    24 mai

    João Paulo Becker Lotufo: adolescentes, cigarro e vape

    Você já percebeu que o cigarro voltou com tudo na cultura? Está nos filmes, nas capas das revistas de moda? E o que isso faz com a juventude que, além do cigarro tradicional, encontra alternativas como o eletrônico e até sachês de nicotina? “A ideia é viciar o jovem para que ele fique dependente e consuma esse produto o resto da vida, mesmo raciocínio feito com cigarro tradicional na década lá de 1950, 1960. A técnica de marketing agressivo é a mesma e o jovem entra nessa porque precisa ser igual ao artista lá do filme que ganhou o Oscar”, afirma o médico pediatra João Paulo Becker Lotufo, o convidado da edição do Podcast da Semana sobre jovens e cigarro. Coordenador do Grupo de Trabalho sobre Drogas e Violência na Adolescência da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), Lotufo é doutor em pediatria pela Universidade de São Paulo e membro da Comissão de Combate ao Tabagismo da Associação Médica Brasileira (AMB). É também responsável pelo Projeto Dr Bartô e os Doutores da Saúde, que tem um programa de prevenção de drogas em escolas de ensino fundamental com aconselhamento e distribuição de leituras infantojuvenis sobre o tema. Ao Podcast da Semana, o médico explica que hoje é mais preciso referir-se ao uso do cigarro por adolescentes como nicotinismo e não tabagismo, considerando os novos produtos que surgem como vapes e sachês de nicotina. Ele fala que é fundamental que os pais mantenham relações próximas com os filhos para serem ouvidos, e que não fumem também, e dos malefícios que o hábito de fumar cigarro eletrônico traz, incluindo a doença chamada de evali (lesão pulmonar associada ao uso de produto de cigarro eletrônico ou vaping). “O cigarro eletrônico chega a ter de cinco a seis vezes mais nicotina do que o cigarro tradicional, então vicia muito mais rapidamente e o nível sanguíneo da nicotina em quem fuma cigarro eletrônico está cinco a seis vezes maior do que quem fuma um maço de cigarro, que é a média diária”, afirma na entrevista. Roteiro e apresentação: Isabelle Moreira Lima

    30 min

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