No Sábado passado, na Feira do Livro de Lisboa, foi lançado o nº9 da segunda série da revista Manifesto. A conversa foi feita sobre o lema desta edição "A Cultura é uma Arma?", com João Costa e Elisabete Paiva, moderada por Sara Goulart. "Não viveremos no medo que nos querem impor”. Assim começa, em título, o artigo que o ex-ministro da Educação, João Costa, e o ator da companhia de teatro A Barraca, Adérito Lopes, publicaram no Expresso há quase um ano. Nas motivações para a escrita – e entre outros episódios assinalados no texto, sintomáticos do discurso de ódio, insulto e atos de violência por parte de membros, movimentos e forças políticas da extrema-direita – a bárbara agressão a Adérito Lopes por um neonazi, mesmo à portade A Barraca, no preciso dia em que se assinalavam 30 anos do assassinato de Alcindo Monteiro.É num apelo à tomada de consciência coletiva e à mobilização, perante as ameaças e os desafios políticos que a ofensiva da extrema-direita hoje nos coloca, a que se soma a erosão neoliberal dos fundamentos e das conquistas sociais que concretizam direitos e promovem a igualdade e a justiça social, que João Costa e Adérito Lopes sublinham a importância do papel das artes e da cultura. Desde logo, “porque a cultura assusta quem não quer a democracia”, assinalam, convocando todos, “em cadafábrica, escola ou espaço artístico, (…) em cada bairro, em cada café”, a “celebrar a democracia e a diversidade”.