Podcast da Semana

Gama Revista

"Podcast da Semana" traz todo domingo um bate-papo de 30 minutos com um convidado sobre o assunto da semana da Gama Revista.

  1. 1日前

    Paulliny Tort: Literatura, imaginação e ciência em "Os Imortais"

    Foram cinco anos de trabalho para que a escritora e jornalista Paulliny Tort concluísse “Os Imortais”, romance que narra o encontro de um clã de neandertais com um grupo de homo sapiens. O livro, lançado no começo deste ano, já é a maior febre literária do ano e Tort é uma das presenças mais esperadas na edição de 24ª Flip, a Festa Literária Internacional de Paraty. Na entrevista ao Podcast da Semana, a escritora conta como chegou à linguagem crua e precisa do livro. “Limpei o texto de todos os anacronismos. Por exemplo, não tem o verbo sapatear porque, embora eles usem calçados, não são sapatos. Fiz uma pesquisa etimológica e limpei as figuras de linguagem. Foi um processo bem interessante e foi importante ele ter passado por esse estado de crueza. Mas depois eu fui voltando com as figuras de linguagem e com o que era mais sonoro e mais fluído para mim.” Mestre em Comunicação e Sociedade pela UnB, Tort é também autora de “Erva Brava” (Fósforo, 2024), seu primeiro livro de contos, que foi vencedor do prêmio da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA) e finalista do prêmio Jabuti 2022; e de “Allegro ma non troppo” (Oito e Meio, 2016), semifinalista do Prêmio Oceanos de Literatura. Ainda recente, “Os Imortais” já pode ser descrito como uma febre. Original e surpreendente, virou tema frequente nas redes sociais e fora delas. “A literatura toca no outro pela sensibilidade. Você pode se emocionar com um personagem que talvez você não concordasse com a forma como ele vive. Esse lugar da imaginação e do sentir que a literatura oferece é o que mais me interessa”, diz. Estudiosa da biologia (Tort fez cursos na área e um estágio em primatologia), conta que não pesquisou exatamente para escrever o livro, mas chegou a passar dias caminhando e fazendo jejum para reproduzir o que vivem seus personagens. “O jejum é um processo fisiológico e psíquico muito interessante, que não acontece só no corpo, mas na mente também, e muda a nossa percepção e a nossa relação com o tempo”, afirma. Roteiro e apresentação: Isabelle Moreira Lima

    Paulliny Tort: Literatura, imaginação e ciência em "Os Imortais"
  2. 7月5日

    David Nemer: o triste legado das bets

    Além da catástrofe financeira, você já parou para pensar que as bets estão mudando o jeito de muita gente olhar para a vida e as suas paixões? No caso do futebol, agora na Copa do Mundo, ficou bem óbvio."O futebol sempre foi o nosso ritual mais coletivo, aquele momento raro em que a favela, o asfalto e o condomínio fechado torcem ao mesmo tempo para a seleção. E as bets quebraram esse desejo único em centenas de pequenos mercados, de pequenas transações. Hoje, a pessoa não vai torcer só para um gol, vai torcer para um escanteio, um cartão amarelo, os minutos de acréscimo. As bets sequestraram essa paixão brasileira", diz o antropólogo David Nemer, o convidado do Podcast da Semana da edição sobre bets. Nemer é professor nos departamentos de Estudos de Mídia, de Antropologia e do programa de Estudos Latino-Americanos da Universidade da Virgínia. Ele pesquisa tecnologia nas favelas e, nos últimos anos, se dedica a entender os efeitos das bets no Brasil. Na entrevista que você ouve abaixo, ele fala sobre como as bets têm um modelo de negócios que tira proveito da vulnerabilidade e defende que é errado pensarmos em vício, pois assim "individualizamos" o problema e culpabilizamos o usuário. "A questão, tanto do iludido quanto do viciado, não dá conta do que realmente acontece. Ela individualiza uma coisa que é estrutural, que é um produto desenhado para extrair, inclusive de quem é informado", afirma o pesquisador. Segundo Nemer, a Copa funciona como uma grande campanha de recrutamento, trazendo gente nova para as plataformas. "Depois dessa festa, vem a conta, que vai ser o endividamento, o empréstimo com o amigo que não vai conseguir pagar, com agiota. Em lares precarizados, há um abandono familiar. O homem na favela se apropria do dinheiro da mulher, sendo que sete em cada dez lares são mantidos por mulheres. E as mulheres, claro, ao lutar pelo seu dinheiro para sustentar a casa, acabam em confronto e são agredidas." Ele defende o banimento total e diz que, ainda assim, as bets deixarão um triste legado. "Uma dependência social foi criada e as pessoas buscarão outras formas de aposta." Roteiro e apresentação: Isabelle Moreira Lima

    David Nemer: o triste legado das bets
  3. 6月21日

    Isabela Venturoza: meninos e as masculinidades

    Como criar meninos conscientes e empáticos quando eles são o alvo preferencial da machosfera? Como conseguir manter uma proximidade real com eles e ficar a par de que influências estão sobre eles quando estamos todos cada vez mais atarefados? “O quanto a gente está interessado e, de fato, está acompanhando essa criança e esse adolescente, que nem sempre é fácil de estar do lado, nem sempre está aberto também para dialogar com a gente?”, questiona a antropóloga Isabela Venturoza, entrevistada do Podcast da Semana sobre a formação das masculinidades em crianças e adolescentes. “É preciso saber o que ele está fazendo ali, nos conectar com ele cotidianamente — porque às vezes a gente está no capitalismo selvagem, às vezes a gente não está conectado nem consigo mesmo, porque está ali só sobrevivendo e entregando pauta, continuando cada dia de uma vez”, afirma. Doutora em Antropologia Social pela Unicamp e mestra pela USP, Venturoza é professora da pós-graduação na Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo e pesquisadora do Núcleo de Estudos sobre Marcadores Sociais da Diferença da USP, além de coordenar o Núcleo de Estudos Interseccionais sobre Homens e Masculinidades (NUM). É ainda cofundadora do Instituto Feminista de Cuidado (IFC) e colunista da revista Azmina. Na conversa que você ouve abaixo e nas plataformas de áudio, ela fala sobre a importância de ouvir os meninos, de dar referências e de ter um cuidado próximo. Ela comenta sobre o crescimento e a difusão da ideologia masculinista e do movimento red pill na internet e até em cursos, um perigo real para meninos e meninas, e um grande negócio para muita gente. Roteiro e apresentação: Isabelle Moreira Lima

    Isabela Venturoza: meninos e as masculinidades

番組について

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