Sobre Carris

Conversas de bitola alta sobre ferrovia. Com Carlos Cipriano, Diogo Ferreira Nunes e Ruben Martins.

  1. 19시간 전

    Portugal e Espanha decidem: na bitola ibérica não se mexe

    Neste episódio do Sobre Carris, o debate começa com o facto de que nem Portugal nem Espanha têm interesse real em abandonar a bitola ibérica e migrar a sua rede ferroviária para a bitola europeia. O Governo espanhol calculou que a transição de toda a sua rede para a bitola europeia exigiria um colossal investimento de 30 mil milhões de euros ao longo de 30 anos, tornando inviável qualquer tipo de operação deste género. Mas a bitola não é um problema: o verdadeiro obstáculo à interoperabilidade e às exportações não reside na distância entre carris, mas sim em graves problemas de sinalização, de telecomunicações (e até de linguagem) e nas diferentes tensões de electrificação. No que toca ao concurso para a aquisição de novos comboios de alta velocidade para a CP, onde apenas a Alstom e a Talgo foram a jogo, ficamos a conhecer as propostas das duas construtoras e e a decisão da CP de prescindir de um bar a bordo. Optando apenas por máquinas de vending, a CP pode estar a cometer um erro estratégico grave que prejudica a experiência de viagem. Isto acontece numa altura em que a espanhola Renfe se prepara para entrar em força no mercado nacional com os comboios Avril, equipados com bar completo, e em que a B-Rail (do Grupo Barraqueiro) tenta assegurar um acordo-quadro de canais horários junto da IP para obter previsibilidade no seu investimento privado. A actualidade fica igualmente marcada pelo anúncio da extensão do Passe Ferroviário Verde - que tem um valor 20 euros mensais - aos comboios suburbanos de Lisboa, do Porto e à Fertagus. Uma promessa do primeiro-ministro, Luís Montenegro, na festa do Pontal. Mas incentivar a procura sem qualquer reforço de oferta, pode gerar um autêntico "caos" nas horas de ponta em serviços que já circulam hoje bastante sobrelotados. Será esta mais uma medida "populista" por focar-se no embaratecimento da procura sem acautelar a capacidade da infra-estrutura e a qualidade do serviço público? Neste episódio olhamos ainda para a situação da Linha do Oeste, que continua com a circulação interrompida a sul das Caldas da Rainha. A IP só contratou os trabalhos de reparação seis meses após as intempéries do ínicio do ano, estimando-se agora que a reabertura total da linha, e, previsivelmente, já com tracção eléctrica parcial, ocorra apenas no início de 2027. Por fim, o Sobre Carris assinala o centenário da electrificação da Linha de Cascais, celebrado neste mês de de Agosto. Esta que foi a primeira linha ferroviária do país a abandonar a tracção a vapor, através de um investimento privado de Fausto Figueiredo que constituiu a primeira parceria público-privada nacional. Ainda assim, esta efeméride histórica foi completamente ignorada e votada ao silêncio pelas administrações da CP e da IP. See omnystudio.com/listener for privacy information.

  2. 8월 6일

    O que se passa com a linha de alta velocidade Évora-Elvas que ainda não abriu?

    É Agosto, mas o Sobre Carris não pára. Neste episódio, trazemos para a mesa de debate um mês de contrastes na ferrovia nacional e europeia, onde as contas positivas e os investimentos milionários colidem de frente com a realidade dos atrasos diários e dos bloqueios burocráticos. O programa arranca com as contas da CP, que no papel parecem excelentes ao registar um lucro de quase 5 milhões de euros em 2025 e novos máximos de passageiros (muito impulsionados pelo Passe Ferroviário Verde). No entanto, a realidade revela que a operadora foi multada em 1,18 milhões de euros devido à falta de pontualidade por falhas da sua exclusiva responsabilidade. Em causa estão os prolongados tempos de paragem nas estações, provocados pela escassa informação aos utentes — que andam perdidos pelas plataformas sem saber onde o comboio vai parar — e pela persistência de degraus acentuados no acesso aos comboios regionais e suburbanos. A viagem prossegue até ao Alentejo, onde a linha Évora-Elvas (a primeira com características de alta velocidade em Portugal e que representou um investimento de 460 milhões de euros) continua vazia, apesar de as obras de construção terem terminado em Janeiro de 2026. O impasse deve-se a atrasos da Infraestruturas de Portugal (IP) na entrega do processo de homologação ao IMT, o que ameaça a mobilidade de Évora precisamente nas vésperas de se tornar a Capital Europeia da Cultura em 2027. Sem composições de alta velocidade próprias para os testes necessários a 250 km/h, o país continua dependente do aluguer de comboios a Espanha para validar a infra-estrutura. O episódio aborda ainda o desastroso planeamento em eventos de massas, ilustrado pelo concerto de David Guetta na Bobadela. Com a estação local encerrada por motivos de segurança, o público foi obrigado a caminhar até Sacavém. E quando um incêndio cortou a Linha do Norte, a CP demonstrou uma total falta de flexibilidade e planos de contingência, revelando-se "preguiçosa" ao limitar-se a fazer comboios de Sacavém para Lisboa em vez de escoar os passageiros até onde a via o permitia. Este desinteresse político e operacional pela proactividade ferroviária culminou no insólito transporte de autocarro, do Porto à Régua, dos convidados para as comemorações dos 25 anos do Douro como Património da Humanidade, preterindo o próprio comboio em que iam acabar por viajar. A fechar o episódio, o programa analisa um relatório do Senado francês que faz um sério aviso contra os riscos da liberalização ferroviária. O documento alerta que a entrada de operadores privados nas rotas de alta velocidade mais rentáveis destrói as economias de escala a nível nacional, prejudica as receitas da operadora pública histórica para manter linhas deficitárias e compromete a coesão territorial, sugerindo, de forma inédita, que o financiamento para evitar a degradação da rede passe a vir das portagens das auto-estradas. See omnystudio.com/listener for privacy information.

  3. 7월 28일

    Liberalizar mais ou parar? As visões opostas do PCP e da IL

    Neste episódio do Sobre Carris, viajamos até ao Parlamento Europeu, em Estrasburgo, para discutir a política ferroviária europeia e o seu impacto directo em Portugal. Ruben Martins, Diogo Ferreira Nunes e Carlos Cipriano recebem os eurodeputados Ana Vasconcelos, da Iniciativa Liberal, e João Oliveira, do Partido Comunista Português, para um debate aceso sobre o modelo de gestão do sector. Em cima da mesa está a liberalização do mercado. Enquanto Ana Vasconcelos defende que a concorrência entre operadores é o motor para baixar preços, aumentar frequências e reduzir a dependência do investimento público, citando exemplos de sucesso em Espanha e Itália, João Oliveira contesta esta visão, apontando o caso do Reino Unido como um fracasso que comprometeu a segurança e o direito ao transporte. O eurodeputado do PCP introduz a metáfora do "lombo e do osso", alertando que os privados vão procurar apenas as linhas rentáveis (como a de Cascais), deixando para o Estado o encargo das linhas deficitárias no interior. A discussão aborda ainda a estratégia industrial: deverá Portugal apostar na criação de uma "fileira ferroviária" e produzir o seu próprio material circulante, aproveitando o conhecimento de oficinas como as de Guifões, ou deve limitar-se a comprar no mercado único europeu? Ainda neste episódio debatemos o paradoxo dos fundos europeus, que financiam ligações entre capitais e corredores transeuropeus, mas levantam obstáculos ao financiamento da coesão territorial interna e da rede capilar nacional. Falamos também do regresso (difícil) dos comboios nocturnos e do reforço dos direitos dos passageiros face à concorrência das companhias aéreas low-cost. Um debate essencial para perceber se o comboio europeu está a ir no sentido certo ou se corre o risco de deixar passageiros pelo caminho. A série do Sobre Carris dedicada à política europeia de transportes conta com o apoio do Parlamento Europeu. See omnystudio.com/listener for privacy information.

    Liberalizar mais ou parar? As visões opostas do PCP e da IL
  4. 7월 13일

    Gratuitidade dos transportes públicos no Porto: um erro que se vai pagar caro?

    Era uma promessa eleitoral de Pedro Duarte, mas a data de implementação ainda era incerta. A partir da última sexta sexta-feira, a gratuitidade dos transportes públicos aplica-se a todos os moradores do município do Porto, mas não é automática - exige a posse de um "Cartão Porto". Mas há muitas dúvidas sobre a eficácia desta borla sem um reforço da oferta, numa cidade que não chega às duas dezenas de quilómetros de faixas bus e onde os transportes estão constantemente presos no meio do trânsito.   São vários os estudos que mostram que o transporte gratuito tira mais pessoas das suas caminhadas e deslocações com modos ligeiros, como bicicletas ou trotinetes, do que tira efectivamente carros da estrada. O resultado: transportes (ainda) mais lentos e mais saturados. Será este um presente envenenado para a cidade do Porto? Quando entramos num autocarro ou num comboio, na Europa, o preço do bilhete e, sobretudo, do passe mensal, nunca cobrem totalmente os custos do serviço. O financiamento do Estado é determinante para manter os montantes relativamente baixos e em Portugal foi reforçado com a introdução do programa de apoio à redução tarifária, em Abril de 2019. Desde aí, as áreas metropolitanas e comunidades intermunicipais baixaram os preços: as regiões de Lisboa e do Porto foram os exemplos mais destacados, com a adopção dos passes de transportes públicos por 40 euros mensais. O título garante viagens ilimitadas dentro dos respectivos territórios e em todos os meios de transporte — com excepção do ferry entre Setúbal e Tróia. O reforço do subsídio público é apresentado como um incentivo ao uso dos transportes colectivos e pelos benefícios que gera para toda a sociedade — sem a ajuda do Estado, haveria ainda mais trânsito no acesso às cidades, com mais poluição atmosférica e sonora, limitações na vida dos utentes e risco acrescido de acidentes. O mesmo princípio aplica-se em boa parte da Europa, com os transportes públicos — sobretudo os títulos mensais — a preços suficientemente baixos para poderem ser usados por todos. Pessoas com menos dinheiro, crianças, jovens e seniores beneficiam de tarifas ainda mais reduzidas ou gratuitas. Apesar disso, os transportes públicos grátis também estão a ganhar tracção em Portugal, nos serviços locais: em Cascais, desde 2020, com a MobiCascais; São João da Madeira, no ano seguinte, aos TUS; a Comunidade Intermunicipal do Oeste arrancou no início deste ano nos 12 municípios. Houve mais gente a usar o transporte colectivo, mas não há evidências de transição modal, ou seja, de pessoas que deixaram o carro em casa e passaram a ir para a paragem do autocarro. Neste episódio ainda falamos sobre outras conclusões tiradas na conferência dedicada à mobilidade e às cidades dos 15 minutos. Este episódio foi gravado no Fórum Cultural de Ermesinde no âmbito da conferência Entrelinhas  "Território dos 15 minutos: Ferrovia, Metro e Mobilidade para o Futuro - Do Património Ferroviário à Mobilidade Sustentável Integrada". See omnystudio.com/listener for privacy information.

  5. 6월 17일

    Menos passageiros nos Urbanos de Lisboa num ano de recordes para a CP (e o dilema da falta de dados fiáveis)

    Neste episódio, o Sobre Carris volta a cruzar fronteiras para analisar os contrastes da realidade ferroviária europeia. Começamos no Luxemburgo, onde o Carlos Cipriano partilha a sua experiência num país onde o transporte público é totalmente gratuito, as estações estão perfeitamente integradas na malha urbana e a pontualidade é a norma. Mas será isso suficiente para tirar os carros da estrada, num país que mantém uma das maiores taxas de motorização do mundo? De regresso a Portugal, analisamos o problema estatístico da CP. Apesar dos recordes de passageiros em 2025, os comboios Urbanos de Lisboa e o Alfa Pendular registaram quebras, enquanto o novo Passe Ferroviário Verde levanta sérias dúvidas sobre a fiabilidade da contagem de passageiros nos serviços regionais, devido à falta de mecanismos de validação eficazes. Relembramos os tempos das contagens manuais e olhamos para soluções tecnológicas que poderiam resolver a falta de dados. O debate segue para a Figueira da Foz, onde a degradação das antigas oficinas da CP serve de cartão de visita à entrada da cidade, gerando um impasse entre a autarquia de Santana Lopes e uma CP que parece "incapaz de decidir". Abordamos ainda o flagelo da segurança, com Portugal no topo das estatísticas europeias de mortes por atropelamento no canal ferroviário, e o problema de saúde pública que representam os suicídios na via. Olhamos ainda para Espanha e para o debate sobre a reificação da gestão ferroviária. Faz sentido voltar a unir a roda e o carril, como defendem agora os responsáveis da Renfe, ou estamos presos a directivas de Bruxelas que países como a Alemanha e a França contornaram através de modelos de holding? See omnystudio.com/listener for privacy information.

    Menos passageiros nos Urbanos de Lisboa num ano de recordes para a CP (e o dilema da falta de dados fiáveis)

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