Deu Tilt

Podcast sobre tecnologia para os humanos por trás das máquinas.

  1. 2 DAYS AGO

    EUA contra cabo de internet da América do Sul; vício das redes; IA x software; ‘zeladores de robô’

    A disputa entre Estados Unidos e China não está mais restrita aos chips e à inteligência artificial. Ela agora chegou ao fundo do mar. O novo capítulo dessa guerra envolve um projeto estratégico para instalar um cabo submarino ligando diretamente o Chile à China. No novo episódio de Deu Tilt, o podcast do UOL para humanos por trás das máquinas, Helton Simões Gomes e Diogo Cortiz como a primeira conexão entre América do Sul e Ásia sem depender de infraestrutura norte-americana corre o risco de não sair do papel devido à pressão da Casa Branca. Enquanto Washington acena com um suposto risco à segurança da região, a situação, na prática, revela algo maior: o interesse dos EUA em manter a América Latina dentro de sua própria zona de influência econômica, mas também digital. Hoje, boa parte dos cabos submarinos da região ancora nos Estados Unidos ou depende de empresas norte-americanas para se conectar ao resto do mundo. Um cabo direto entre Chile e China mudaria esse cenário, criando uma rota mais autônoma para a América do Sul.  Um julgamento em curso nos Estados Unidos pode mudar o funcionamento das redes sociais. Uma jovem de 20 anos, identificada só como Kaley, e sua mãe acusam Instagram e YouTube de a terem estimulado, desde a infância, a desenvolver o uso compulsivo dessas plataformas, o que levou a graves problemas de saúde mental. Neste episódio os apresentadores contam a grande novidade do caso: pela primeira vez, ele não mira o conteúdo disseminado nas redes ou práticas que afetam rivais, mas, sim, o próprio desenho das plataformas. Scroll infinito, autoplay, notificações, botão de curtir e sistemas de recomendação são apontados pela acusação como parte de uma estrutura criada para prender a atenção e prolongar o tempo de tela. Nas palavras dos advogados de Kaley, é a “arquitetura do vício”. A acusação vai além. Sustenta que as empresas não só conhecem os riscos, mas seguem apostando em ferramentas para ampliar o engajamento de crianças e adolescentes. O que está em jogo é sério: a Justiça pode reconhecer que o problema das redes sociais não é só o conteúdo, mas também a forma como elas funcionam. Se a tese avançar, a discussão sobre responsabilidade pode atingir em cheio a operação das plataformas mais populares das big techs. Tem mais... A alta das ações de gigantes como Nvidia, Alphabet e Microsoft mostra como a inteligência artificial é a bola da vez, mas encobre um movimento que acendeu um alerta em outra ala das big techs, o das empresas que vendem software por assinatura –o SaaS (software as a service). Investidores apostam que, com o avanço da programação com IA, muitas empresas poderão criar seus próprios sistemas e reduzirão a dependência de plataformas de prateleira. É o que explica a queda na Bolsa de empresas como Salesforce e IBM. No caso da IBM, bastou a Anthropic prometer que sua IA poderia modernizar um sistema como o COBOL para o mercado reagir. Já é cedo para decretar o fim do SaaS ou muito código vai rolar por essa tela? E para finalizar... A promessa da automação foi a de livrar as pessoas dos trabalhos braçais e repetitivos. A realidade, no entanto, é outra. Um exemplo curioso vem da Waymo, empresa de veículos autônomos do Google. Como os carros não saem do lugar com a porta entreaberta, a empresa passou a pagar entregadores de outra firma para irem até os automóveis somente para fechar suas portas. E não para por aí. Já existem trabalhadores encarregados de resgatar robôs entregadores tombados, travados ou que precisem de limpeza, recarga e atualização. “Zelador de robô” ou “babá de robô". As formas de encarar as novas ocupações são muitas. No fim, o caminho é um só: a automação eliminou trabalhos humanos mequetrefes para criar novas ocupações que são “bicos dentro dos bicos”.

    55 min
  2. Miguel Nicolelis fala sobre ‘chip do cérebro’, IA e o futuro sem futuro

    28/01/2025

    Miguel Nicolelis fala sobre ‘chip do cérebro’, IA e o futuro sem futuro

    O médico e neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis é um dos pioneiros nas interações entre cérebro e máquinas. Neste episódio de Deu Tilt, o podcast do UOL para os humanos por trás das máquinas, ele conta como uma pesquisa que começou com ratos bebendo água só com o poder da mente levou a pessoas tetraplégicas não só voltar a andar mas também recuperar os movimentos.  Essas descobertas estão na origem da Neurolink, empresa do 'chip do cérebro' comprada por Elon Musk. Não à toa, três dos fundadores da companhia são ex-alunos de Nicolelis. Crítico da iniciativa, ele diz que a startup optou pelo "espetáculo", "foi para o lado que arrecada mais dinheiro" e "parece um açougue", devido à quantidade de animais mortos nos testes. E acrescenta: ser conduzida por engenheiros tira o foco dos benefícios médicos. Vira e mexe, algum cientista compara o desempenho do cérebro ao de um computador. A Caltech, universidade de renome dos EUA, fez isso ao decretar: o cérebro processa a uma velocidade de 10 bits por segundo. "Isso é a maior piada da neurociência", dispara Nicolelis. O neurocientista conta que é uma percepção equivocada comum. Em palestra privativa sobre o cérebro para os fundadores do Google, Larry Page e Sergey Brin, ele chegou a ouvir a pergunta, "mas só processa a 5 bits por segundo, né?". É, mas... "Os 10 bits por segundo construíram a história da civilização humana. O que um computador que funciona na velocidade da luz construiu realmente? vamos parar para pensar (...) Na época que eu ia a estádios nos anos 1960, o Pelé fez um gol contra o Palmeiras e a torcida do Palmeiras levantava para aplaudir de pé. Como você computa isso? Em quantos bits você descreve a sensação coletiva de ter visto algo fora do comum? Não tem." Nem inteligente nem artificial. É assim que Nicolelis enxerga a inteligência artificial. Mas ele vai além. Para ele, o próprio termo é uma enganação e nasceu em 1960 como uma jogada de marketing de John McCarthy, cientista do MIT apontado como um dos pais da IA. Logo de cara, a ideia foi contestada por outro expoente: Joseph Weizenbaum, também do MIT, foi o criador do primeiro chatbot da história, a Eliza. Ele logo percebeu o perigo ético de sua invenção, pois as pessoas tratavam o robô como um terapeuta. A gota d'água veio quando sua secretária gastava uma hora por dia para se consultar com a Eliza. Agora, porém, a IA movimenta bilhões e é apontada como futuro. "As empresas pularam de cabeça de uma maneira tão gigantesca que elas não podem sair", avalia Nicolelis, para quem estamos diante de uma bolha prestes a estourar. O neurocientista é pessimista caso a IA prevaleça: "se tudo que você vai fazer é baseado num banco de dados do que já foi feito, você não tem futuro (...) Além de um futuro sem futuro, a gente não vai saber o que é verdade".

    53 min
  3. Zuckerberg e os ‘guerreiros da liberdade’ do Trump; TikTok, inimigo nº1; o drible da China nos EUA

    21/01/2025

    Zuckerberg e os ‘guerreiros da liberdade’ do Trump; TikTok, inimigo nº1; o drible da China nos EUA

    Mark Zuckerberg sabe que a Meta enfrentará imensos desafios com a volta de Donald Trump. O novo presidente dos Estados Unidos já escolheu para órgãos responsáveis por decidir o futuro da empresa em 2025 os nomes de dois “guerreiros da liberdade de expressão”. No novo episódio de Deu Til, o podcast do UOL para os humanos por trás das máquinas, Helton Simões Gomes e Diogo Cortiz contam quem são eles, quais são as opiniões deles sobre as Big Tech e, mais importante, como as decisões deles podem afetar Facebook, Instagram e WhatsApp. Posts e vídeos sobre política deixam as pessoas irritadas com a mesma intensidade em que geram curtidas, comentários e compartilhamentos. Zuckerberg sabe disso. Por isso, o CEO da Meta vai inundar Facebook, Instagram e Threads com conteúdo assim. Mas não se engane. Para além de agradar progressistas ou conservadores, o executivo quer mesmo é ganhar uma batalha que vê até o sono dos usuários como rival. É a disputa do engajamento.  O TikTok conseguiu a façanha de vencer uma batalha em solo estrangeiro. Chinês, o app vem superando Instagram e Facebook em seu próprio território, os Estados Unidos. Mas não é só isso que fez o aplicativo queridinho dos jovens virar o inimigo nº1 do governo norte-americano. Deu Tilt explica a real inovação por trás das dancinhas que notabilizaram a rede social.  A China foi proibida pelos EUA de acessar os chips mais poderosos do mundo para desenvolver sistemas de inteligência artificial. Deu Tilt mostra como o país driblou o embargo norte-americano para virar uma potência na IA. A história é repleta de ataques comerciais, revides e até muamba.

    52 min

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