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  1. O mercado da habitação continua a aquecer e o Banco de Portugal diz que chegou a hora de o resfriar

    16 HR AGO

    O mercado da habitação continua a aquecer e o Banco de Portugal diz que chegou a hora de o resfriar

    Há oito meses, o primeiro ministro Luís Montenegro anunciou ao país um conjunto de medidas para mitigar os impactes da mais grave crise estrutural do país: a da habitação. Passado este tempo, as boas intenções de Montenegro foram duramente contestadas pela realidade. No quarto trimestre de 2025, o preço das casas disparou 17%, fazendo com que o metro quadrado em Lisboa se aproximasse dos 5200 euros. O valor mediano das casas vendidas em Portugal fixou-se em 2076 euros por metro quadrado no conjunto de 2025, o preço mais alto já registado pelo INE. Ainda assim, venderam-se quase 170 mil casas no conjunto do ano de 2025, um aumento de 8,6% em relação ao ano anterior. O preço médio por cada casa ou fracção atingiu um novo valor recorde, acima dos 250 mil euros. Como seria de esperar, o volume de crédito à habitação concedido pelos bancos em Portugal registou um crescimento enorme: Em 2025, as instituições de crédito emprestaram 23,3 mil milhões de euros destinado à habitação. Mais um máximo histórico correspondente a mais 5,9 mil milhões de crédito concedido face a 2024, em grande medida  impulsionado pelo segmento jovem (até 35 anos), que beneficiou de medidas estatais como a isenção de IMT e Imposto de Selo e a garantia pública que pode chegar aos 15% do empréstimo concedido. Perante uma tendência que parece imparável e a prudência que os riscos da situação internacional reclama, em especial a evolução das taxas de juro, o Banco de Portugal decidiu que era a hora de pôr água fria na fervura de um mercado acelerado. Em curso está uma consulta aos bancos sobre a redução da taxa de esforço das famílias no pagamento das prestações de 50 para 45% - ou seja, os encargos com os empréstimos não podem ficar acima de 45% do rendimento dos seus titulares. Ao mesmo tempo, o supervisor do sistema financeiro olha com preocupação para os prazos de pagamento, que podem chegar aos 40 anos, e pede ponderação sobre a sua duração. Quererá isto dizer que chegou a hora de olhar com especial cuidado para a situação de um mercado que não para de acelerar? Terão estas medidas, se aprovadas, efeitos na baixa dos preços das casas? Haverá uma inversão na tendência a curto prazo? Estarão os bancos alerta para os riscos, ou preferirão manter o ritmo de um negócio que os ajuda a apresentar sucessivos lucros recorde? Temas para a conversa com Pedro Esteves, jornalista e editor de Economia do PÚBLICO. See omnystudio.com/listener for privacy information.

    19 min
  2. Putin chegou à China, mas foi travado na Ucrânia

    1 DAY AGO

    Putin chegou à China, mas foi travado na Ucrânia

    Algo mudou na guerra da Ucrânia. Nos dias que antecederam o desfile anual do Dia da Vitória, as autoridades russas recearam que a Ucrânia pudesse atingir a Praça Vermelha com drones. O presidente Volodymyr Zelensky declarou, ironicamente, que autorizava o desfile e comprometeu-se a não atacar. Vladimir Putin está sob pressão de uma forma que nunca esteve antes, ao mesmo tempo que a Ucrânia, habituada a pedir ajuda ao mundo, subitamente tem outros países a pedir-lhe ajuda. A Rússia tem atacado a Ucrânia de forma mortífera, mas tem sofrido ataques na região de Moscovo e às infra-estruturas de combustível e de gás. O presidente russo tem agora de se preocupar não apenas com a linha da frente na Ucrânia, mas também com a frente interna. A Rússia perdeu território ucraniano e os ganhos limitados que obteve tiveram um custo elevado: 352 mil soldados terão morrido nesta guerra até ao final do ano passado, seis vezes mais do que o número de soldados dos EUA mortos no Vietname. Vladimir Putin chegou a Pequim uns dias depois de Donald Trump. Que importância pode ter esta visita para Putin, a 25.ª desde que está no poder, no actual momento da guerra na Ucrânia? Com Trump distraído com Ormuz, é possível falar de paz? Francisco Pereira Coutinho, professor na Nova School of Law, e autor de Guerra, Mentiras e Direito Internacional – 46 questões sobre a agressão russa à Ucrânia, é o convidado deste episódio. See omnystudio.com/listener for privacy information.

    19 min
  3. Depois do Ozempic, Portugal assiste a uma nova corrida pelas injecções contra a obesidade

    4 DAYS AGO

    Depois do Ozempic, Portugal assiste a uma nova corrida pelas injecções contra a obesidade

    Na edição de hoje, o PÚBLICO traz um trabalho que nos dá conta da corrida aos novos fármacos injectáveis que reduzem a obesidade, que chegaram a Portugal em Novembro de 2024 e, se exigem receita médica, não são comparticipadas. Ainda assim, no ano em curso, os portugueses compram mais de 2300 caixas desses medicamentos e gastam 613 mil euros todos os dias. Em todo o ano passado, foram compradas mais de 500 mil embalagens e foram gastos 130 milhões de euros. Ou seja, o consumo destes fármacos inovadores está a disparar. Como em Portugal 15,9% da população sofre de obesidade, a comparticipação de medicamentos a tanta gente seria difícil de sustentar. E mesmo um cálculo para 170 mil pessoas com a taxa máxima de comparticipação, 90%, obrigaria o Estado a desembolsar mais de 900 milhões de euros por ano. Ou seja, quase metade de toda a despesa pública com medicamentos. Se a obesidade é, na avaliação da Organização Mundial da Saúde, a pandemia do século XXI, que papel deve ter o estado no seu combate? É aceitável que, no quadro actual, só as pessoas com rendimentos médios e altos possam aceder à nova geração de medicamentos contra a obesidade? E estarão estes novos fármacos injectáveis a ser prescritos apenas a pessoas obesas ou estará também em curso o seu uso generalizado por parte de pessoas que, simplesmente, querem emagrecer? Oportunidade para falarmos com Gina Pereira, autora dos textos que hoje estão acessíveis nas edições impressas e online do PÚBLICO. A Gina é editora da Sociedade do jornal. See omnystudio.com/listener for privacy information.

    18 min
  4. Governo volta atrás e leva ao Parlamento as suas linhas vermelhas da reforma laboral

    15 MAY

    Governo volta atrás e leva ao Parlamento as suas linhas vermelhas da reforma laboral

    Rosário Palma Ramalho, ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, é uma mulher de convicções. Na sua entrevista ao Jornal de Notícias, esta semana, voltou a defender as medidas da reforma da lei laboral que assinou. Essas medidas, diz a ministra, auguram um admirável mundo novo na produtividade da economia e na melhoria dos salários. Não interessa aqui discutir se a ministra tem razão na crítica que faz a uma alegada rigidez da actual lei. Nem interessa saber se tem ou não razões fundamentadas para acreditar nas virtudes da sua mudança. O que interessa é responder à questão crucial: neste formato, a lei tem condições para ser aprovada na Assembleia da República?  Com o PS e o Chega a exigirem condições prévias para negociar e viabilizar a lei, o que nos diz a versão ontem aprovada em Conselho de Ministros depois de nove meses de negociações com os parceiros sociais que acabaram em fracasso? No essencial, uma coisa muito importante: o Governo mandou para o caixote do lixo os avanços que tinham sido feitos nessas negociações. E em especial, as questões mais polémicas do seu anteprojecto: a reintegração de trabalhadores despedidos sem justa causa, o outsourcing, o banco de horas, embora aqui com novidades em favor dos trabalhadores, ou a duração dos contratos com e sem termo certo.  Dizer que há 50 medidas novas face à versão inicial do anteprojecto de lei, das quais 12 são da UGT, quer por isso dizer pouco. Aceitar medidas inócuas e manter as que suscitam polémica não augura nada de bom para o futuro. O impasse ou o chumbo são mais prováveis. Se não for pela antecipação da idade de reforma, uma condição que Ventura colocou em cima da mesa antes de perceber a irresponsabilidade desta medida, o Chega talvez encontre nos dias de férias ou noutro expediente maneira de viabilizar a lei. Já para o PS, aceitar o despedimento de um trabalhador mesmo que o tribunal considere esse despedimento ilícito, seria um suicídio. O que poderá então vir a acontecer nos próximos passos? O Governo pode ainda recuar para viabilizar uma negociação com o PS? Ou quererá manter a relação preferencial com o Chega? Temas para a conversa com a jornalista do PÚBLICO Raquel Martins. A Raquel integra a equipa da Economia e acompanha há anos as questões laborais. See omnystudio.com/listener for privacy information.

    17 min
  5. China e EUA entre a guerra comercial, as tréguas e os negócios

    14 MAY

    China e EUA entre a guerra comercial, as tréguas e os negócios

    Donald Trump adiou a visita à China por causa da guerra do Irão, mas aterrou, em Pequim, num momento em que a guerra está numa zona cinzenta, que nem é de guerra, nem é de paz. Irão, Taiwan e inteligência artificial deverão ser os temas principais desta visita de dois dias do presidente dos EUA à China. Há vários negócios em perspectiva e muitas discordâncias previsíveis. Os EUA querem vender Boeings, mas o sector automóvel quer travar a entrada das viaturas eléctricas chinesas no mercado norte-americano. Trump não deve estar satisfeito com o agravamento do défice comercial com a China, em Abril. As exportações chinesas cresceram 14,1%, em termos homólogos. O prolongamento da guerra com o Irão tem pressionado os preços da energia e o custo de vida: a inflacção saltou para os 3,8% em Abril, o maior aumento desde 2023, o que levou Trump a prometer suspender, temporariamente, o imposto federal sobre os preços da gasolina. E também não deve estar satisfeito com as sondagens: a sua popularidade nunca foi tão baixa, nem no primeiro mandato. Trump estará acompanhado por empresários como Elon Musk e Tim Cook. Vamos assistir a uma nova guerra comercial ou a uma fase de tréguas entre as duas potências? Diana Soller, investigadora do Instituto Português de Relações Internacionais da Universidade Nova de Lisboa, é a convidada deste episódio. See omnystudio.com/listener for privacy information.

    18 min

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