Cosme Rímoli

Cosme Rímoli

Jornalista esportivo Cosme Rímoli entrevista grandes nomes do universo do esporte em um bate-papo sobre o que rola dentro e fora de campo.

  1. HACE 4 DÍAS

    GIOVANNI: 'FOI O PELÉ QUEM ME ESCOLHEU. E ME DEU A SUA 10. VIM DO PARÁ. SOU ABENÇOADO.'

    A trajetória é mais do que especial. Improvável. Nascido no alto deste país/continente, em Belém, passando por equipes humildes como Jaderlândia, Tok Disco, Palmeiras de Abaetetuba, só haveria uma maneira deste homem chegar a vestir a camisa 10 do Santos, do Barcelona e disputar uma Copa do Mundo. A sua genialidade. Sim, porque ele foi um gênio com a bola nos pés. Quem o enxergou e fez questão de colocar o seu dinheiro para comprá-lo e levá-lo ao Santos, entregando sua camisa 10, tem nome e sobrenome. É o rei do futebol. Edson Arantes do Nascimento. "A minha vida é um milagre de Deus. Tudo foi planejado por Ele. Só pode ser. E sou muito grato por tudo que me foi oferecido", diz Giovanni, em entrevista mais do que esperada há anos. Só ele, Sócrates e Weverton tiveram a honra de representar a região Norte deste país em uma Copa do Mundo. O caminho improvável de Giovanni foi aberto por sua genialidade, disciplina e vontade de vencer. Do alto do seu quase 1m90, ele desfilava talento, dribles improváveis, elegância e muita eficiência. Deslumbrou não só Pelé como dirigentes do Barcelona, que venceram disputa ferrenha com gigantes europeus para contratá-lo. Foi Giovanni que, em 1995, fez a torcida santista renascer, levando o time para a final do Brasileiro, em 1995. O Santos havia perdido a primeira partida por 4 a 1 para o Fluminense, no Maracanã. Precisava de uma virada histórica. "O Giovanni teve uma atuação espetacular, que me emocionou muito. Foi maravilhoso em campo." As palavras foram de Pelé, na vitória inesquecível, para qualquer santista, por 5 a 2. Ele havia prometido e fez dois gols. Pintou o cabelo de vermelho, também cumprindo promessa. E ganhou, para sempre, o apelido de Messias. O Santos não venceu o Brasileiro porque foi terrivelmente prejudicado. Teve gol legítimo anulado e o Botafogo fez um impedido, o de Túlio. E levou o título, com o Pacaembu lotado e revoltado. "Não me conformo até hoje com o que aconteceu. Houve coisa a mais do que simples futebol naquela decisão", lastima Giovanni. O Santos não conseguiu segurá-lo. Foi para o Barcelona. E de lá para a Seleção e à Copa do Mundo de 1998. "Se eu soubesse o que iria acontecer, não iria. O Zagallo me levou por causa do Zico, que pediu a minha convocação. Acabei queimado e na reserva. Atuei só 45 minutos. Estava no meu auge. Foi o Rivaldo, que é meu irmão, que me acalmou. Não queria estar ali, sabia que estava sendo prejudicado." Zagallo cometeu a heresia de improvisar o lateral Leonardo como meia no Mundial. Desprezou todo o talento de Giovanni. Havia uma grande proteção para os jogadores oriundos de times do Rio de Janeiro. Giovanni enfrentou problemas com outro treinador no Barcelona, o 'exterminador de brasileiros', o holandês Van Gaal. "O problema foi quem me contratou foi o presidente Josep Nuñez. Foram confrontos cansativos e desgastantes. Havia a pressão da imprensa, da torcida, da direção para que eu jogasse. O ambiente ficou insuportável." Ele teve uma temporada excepcional, em 1997/1998, quando o Barcelona venceu a Liga Espanhola e a Copa do Rey. Em uma história maravilhosa foi para a Grécia. E se tornou um dos maiores ídolos do Olympiacos. "Recebi um sinal de Deus, em Fernando de Noronha." Além de tudo isso, descobriu Paulo Henrique Ganso, no Pará e o trouxe para os holofotes do futebol mundial. A história de Giovanni é mesmo divina. A entrevista? Um privilégio...

    1 h y 53 min
  2. 3 MAR

    ZINHO: 'QUEBRAR O JEJUM DO PALMEIRAS, EM CIMA DO CORINTHIANS, FOI IGUAL A VENCER A COPA'

    Por qualquer ângulo da análise, Zinho é um gigante injustiçado.Nascido na violenta Baixada Fluminense, filho de um paraibano caminhoneiro e de uma dona de casa baiana, estava predestinado a ser um dos grandes jogadores de futebol deste país.Aos três anos, seus primos foram comemorar nas ruas o título mundial da Seleção de 1970. Ele foi atrás deles. Se perdeu. Sua mãe se desesperou. Agarrou o sapatinho do pé esquerdo que ficou em casa. Se ajoelhou, pediu a Deus, que ele fosse encontrado. E profetizou que, se ele voltasse, ainda seria campeão do mundo, dentro do campo, com a camisa da Seleção. 24 anos depois, a premonição deu certo.'Mas eu fui massacrado. Pela imprensa. Principalmente por Galvão Bueno, o narrador da Globo, que mantinha o monopólio da transmissão da Copa. Ele não entendia minha função tática. O Parreira me pediu para fechar o meio-campo, dar segurança para que o Leonardo e o Branco atacassem. A ordem era que oito jogadores ficassem atrás da linha da bola, marcando. Era assim que ganhamos a Copa, depois de 24 anos."O Galvão tinha em mente o Brasil de 1970 e 1982. Não entendeu o que se passava em campo. E pegou muito pesado comigo. Minha família sofreu demais. Minha irmã recebia fotos de enceradeira, dizendo que era eu na Seleção. Um absurdo. Pagamos pela ignorância de quem não entendia de futebol", desabafa Zinho.Galvão Bueno reconheceu sua perseguição e fez questão de pedir desculpas, no documentário de sua carreira, a Zinho. 'Falei que era uma pena que ele não pudesse pedir para quem merecia ouvir as desculpas. E sofreu com suas palavras. Meu pai que, infelizmente, morreu."Para quem não sabe, Zinho era muito habilidoso. Era ponta esquerda driblador. Mas inteligentíssimo, com visão de jogo diferenciada, se tornou meia. E com potencial físico extraordinário. Daí suas múltiplas funções em campo. Fez história por onde passou. Foi campeão brasileiro cinco vezes. Só ele e Adílio, na história. Saiu do Flamengo chorando, sem querer ir para o Palmeiras. Foi comprado pela Parmalat. "Meu pai, seu Crizan, foi decisivo. Falou que eu iria mudar a história do Palmeiras, que estava em jejum de títulos há 16 anos. E acabou sendo a melhor coisa que fiz. "E fomos quebrar esse jejum em cima do maior rival, o Corinthians. Eu marquei naquela final inesquecível. Dia 12 de junho de 1993. Não é mais o Dia dos Namorados. É o Dia da Paixão Palmeirense."A minha emoção foi a mesma de ganhar a Copa do Mundo."Zinho é um gigante. Tem 37 títulos na carreira. Tetra virou seu apelido. Mas, para ser titular do Brasil na Copa dos Estados Unidos, sofreu demais. A começar pelas Eliminatórias que a Seleção precisou vencer o Uruguai para se classificar. "Disputei toda eliminatória com a minha mãe muito doente. Ela teve um AVC e ficou com parte do corpo paralisada. No dia decisivo, contra os uruguaios, minha mãe entrou em coma. Ninguém sabia. Se o Romário fez os dois gols, eu joguei bem demais. No dia seguinte, enquanto todos comemoravam, eu enterrava a minha mãe", relembra emocionado.Dona Lita faleceu. Mas acertou na previsão, seu filho foi campeão do mundo, com a camisa da Seleção. Fez história no Flamengo, Palmeiras, Grêmio, Cruzeiro, por onde passou. Se tornou excelente comentarista. Começou na RECORD e está há 11 anos na ESPN.Entrevistá-lo foi um privilégio.REDE SOCIALInstagram: @cosmerimoli

    2 h y 38 min
  3. 24 FEB

    MARCELINHO CARIOCA: 'PENSEI QUE FOSSE MORRER, QUANDO ESTAVA NO CATIVEIRO, SEQUESTRADO.'

    A segunda parte da entrevista histórica com Marcelinho Carioca mergulha no Corinthians.Em tudo o que ele viveu de bom e ruim. 'Formamos mesmo uma equipe espetacular, que foi campeã do mundo. Mas eu, o Edilson, o Vampeta, o Freddy (Rincón)... Éramos um time de bandidos", diz e cai na risada.Marcelinho estava disposto a falar. Mostrar o trauma que tinha contra o Palmeiras, o 'grande rival'. Até que começou a marcar. E ganhar títulos contra o rival. Até que chegou a fatídica decisão por pênaltis da semifinal da Libertadores de 2000. 'Caí no truque do Marcos. O Pracidelli (preparador de goleiros) ficou atrás do gol gritando que eu iria rolar a bola no meio do gol. E eu ia fazer isso mesmo. Quando ouvi, quis mudar e o Marcos acertou o canto. A estratégia foi fantástica. Foi uma das piores noites da minha vida. Saí do Morumbi às três da manhã. Os torcedores tentaram virar o meu carro."Ele assume que o Corinthians virou o amor de sua vida. Acumulou títulos. Mas a saída foi lastimável. Uma armação da MSI, de Kia Joorabchian. "Eu tinha voltado por pressão da torcida. O time precisava de mim, eu estava pronto. Só que eu não era escalado. Veio a eliminação da Libertadores de 2005. A imprensa e os torcedores pedindo por mim. Mas a MSI tinha outros planos." Kia queria a saída de Marcelinho, para não ofuscar os jogadores caríssimos que contratou. Como Tevez. 'Chega em um treino, o Mascherano, do nada, me dá três pontapés violentos. Eu reajo. Sou expulso do treino. O Mascherano me chama e me diz, desculpe Marcelo. Um dia você vai entender o que aconteceu hoje. E mandam o roupeiro avisar que eu estava fora do Corinthians. O Mascherano me provocou para que eu reagisse e fosse mandado embora. Foi um descaso, uma tristeza imensa. Mas meu amor pelo Corinthians não mudou."Sobre Luxemburgo, Marcelinho detalha a guerra pública na Band. 'Foi armado. Eu estava ganhando muito espaço na tevê. Incomodando pessoas importantes. Fui de coração aberto. E o Luxa me atacou por conta de vaidade. Uma mulher que não quis ficar com ele na Bahia. Preferiu ficar comigo. Eu nunca levei mulheres para a concentração antes do jogo. Depois, muita gente leva. Antes, não. Não sou louco. E o Luxa sabe disso."Pouca gente sabe que houve a reaproximação, depois de anos. 'O encontrei em um bar. As pessoas pegaram os celulares imaginando que iríamos brigar. Mas nos abraçamos e nos perdoamos. Eu o desafiei muito como técnico. Mas ele foi o melhor que eu tive.'Quanto ao sequestro, ele foi sincero. Contou em detalhes. Chorou ao lembrar do desespero. E do medo que teve de morrer. "Foi Deus quem evitou o pior. Tomei coronhada. Fui para o cativeiro. Acreditei que minha vida iria acabar. Mas Deus surgiu na hora certa. Foi desesperador."Aos 54 anos, Marcelinho saiu com os olhos marejados da entrevista.Se expôs como nunca.Foi um privilégio para o canal.O maior ídolo da história do Corinthians mostrando seu lado humano. O que fica longe dos holofotes...

    1 h y 22 min
  4. 17 FEB

    MARCELINHO CARIOCA: 'CHOREI PELO FLAMENGO. AMO O CORINTHIANS. E FUI INJUSTIÇADO PELA SELEÇÃO'

    As lágrimas de Marcelinho Carioca rolaram pela sua face, várias vezes, nesta entrevista. 'Nunca me abri tanto', disse, após três horas de conversa. Para orgulho deste jornalista, que completa 40 anos de profissão. A entrevista teve de ser dividida em duas partes, para quem acompanhar possa entender melhor esse ídolo complexo. Vencedor, polêmico, rebelde, Genial em campo. Desafiador de qualquer regra assim que as partidas acabavam. Enfrentou jogador, treinador, dirigente, jornalista até sequestradores. Como compreender que o menino mirrado, subnutrido, que saiu da favela da Sulacap, perto do Morro do Pica-Pau, no Rio de Janeiro, vendia salgados nas praias cariocas, buscava garrafas vazias para vender, almoçava cuscuz com leite condensado virou milionário, que dirige sua Mercedes pelas ruas paulistanas? A explicação está na sua relação com uma esfera leve, hoje de material sintético, chamada bola. Marcelinho detalha, em lágrimas, trechos de sua existência que pouquíssimas pessoas sabem. 'Meu pai queria ser jogador e o meu avô, que era marinheiro, proibiu. Ele iria assinar com o Fluminense. Meu avô impediu. A mágoa, a frustração do meu pai foi tanta, e para sempre, que ele não quis nem no enterro do seu próprio pai. Ele sofreu muito. Eu pude dar a alegria de ser jogador para ele. Meu pai se realizou em mim." O filho de um gari se transformou no maior ídolo da história do gigante Sport Clube Corinthians Paulista. Sim, justo os paulistas, que mantêm rivalidade histórica e feérica com os privilegiados moradores do Rio de Janeiro, transformaram um adjetivo pátrio em seu sobrenome. Marcelinho Carioca. "Eu sempre amei o Rio de Janeiro. E muito mais o Flamengo. Meu sonho de infância era jogar no Maracanã. Quando treinei com o Zico, meu ídolo maior, chorei, mostrei o meu talento para bater falta para ele, chorei, o abracei. "Meu pai varria o Maracanã quando estreei pelo Flamengo. Foi um sonho. Ganhei títulos pelo clube que amava. Mas, de repente, fui vendido, de surpresa para o Corinthians. Fui vendido para o Flamengo pagar os salários do Renato Gaúcho e do saudoso Gaúcho. O clube jogou fora uma geração que seria campeã do mundo. Eu, o Djalminha, Júnior Baiano, Marquinhos, Paulo Nunes. Todos vendidos à força. 'Fiquei revoltado. Não queria vir, de jeito nenhum para o Corinthians. Foi a melhor coisa que aconteceu na minha história. 'Estava chegando ao clube que virou meu amor. Tanto que tatuei as iniciais Corinthians Paulista na minha pulso. A camisa branca e preta foi mesmo a minha segunda pele. 'Corinthians é a minha vida!' "Não joguei uma Copa do Mundo pela Seleção por pura injustiça dos treinadores. Principalmente na de 1998 e de 2002. O Felipão se vingou de mim por não ter ido jogar no Cruzeiro." Quem quiser descobrir quem é, de verdade, Marcelinho Carioca, esta é uma grande oportunidade. Como esse homem de 1m65, que calça 35, explosivo, talentoso, desrespeitoso, colecionador de títulos, melhor cobrador de faltas da história do futebol, que pagou caro por desafiar o sistema, virou o maior dos ídolos do Parque São Jorge? Três horas com ele já é o início deste caminho. Agora, uma hora e meia. A segunda parte, na semana que vem...

    1 h y 33 min
  5. 10 FEB

    BETISE ASSUMPÇÃO: 'NÃO DEIXEI O PROST ESTAR NA FRENTE CARREGANDO O CAIXÃO DO SENNA'

    Xuxa? Viviane? Adriane Galisteu? Não. A mulher mais importante da vida do piloto Ayrton Senna é Betise Assumpção. Ela foi quem acompanhou de muito perto os últimos anos de vida de um dos ícones do esporte brasileiro, mundial. Depois de uma insistência de anos, finalmente cedeu e aceitou dar entrevista ao canal. Betise vive há anos Inglaterra e recebe inúmeros pedidos de entrevista de inúmeros veículos de comunicação do planeta. Cineastas imploram por depoimentos em documentários sobre Senna ou a Fórmula 1. Ela foi assessora de imprensa de Senna. Estava ao seu lado em todos os Grandes Prêmios na Europa. De personalidade fortíssima, forjada talvez no machismo que enfrentou quando era repórter do Estado, da Folha e da revista Placar, no início da década de 90, ele enfrentou os afoitos jornalistas que cobriam Fórmula 1, em relação ao Senna. "Era uma bagunça. Um caos. Repórteres do mundo todos o metralhavam de perguntas, não o deixavam andar. Eu dividi todos em três grupos. Por idiomas, os que falavam inglês, italiano e português. De personalidade fortíssima. Sempre foi muito competente. Além de organizar as entrevistas, combinava com Senna o que deveria e o que não deveria ser dito, até onde ele poderia e deveria se expor. Ele era um piloto extraordinário nas pistas. Tricampeão do mundo, bonito, filho de família rica, de ótima formação educacional, mas a sua imagem de homem determinado, corajoso, competitivo, a ponto de enfrentar o sistema que privilegiava os europeus, principalmente quando o francês Jean-Marie Balestre comandava a Fisa, a Federação Internacional de Automobilismo, protegia Alain Prost. E se irritava com um sul-americano 'roubando' o protagonismo dos europeus. Balestre chegou a ser preso ao fim da Segunda Guerra, por seu envolvimento com o nazismo. A rejeição ao brasileiro Senna, representante do Terceiro Mundo, era escancarada. Era Betise quem colocava os limites nas declarações de Ayrton. Moldava a imagem do brasileiro, escrevia textos diários, com palavras do piloto, que chegavam a mais de 300 veículos no mundo todo. E eram publicados. Lembrando que o período era antes da Internet. Sobre a relação íntima com a Globo e com Galvão Bueno, era é prática. "A Globo tinha na Fórmula 1 um produto que era seu. O Senna era tricampeão do mundo. Explorava ao máximo. E o Galvão se tornou amigo íntimo dele. Era uma decisão do Ayrton ter essa proximidade. Foi bom para os dois lado. O que facilitou também foi o fato de o Brasil ser carente de ídolos. Como é até hoje." Ela foi a primeira assessora pessoal de um piloto na F1. Senna a conhecia do Brasil. E sabia que Betise seria a assessora, o escudo que precisava para domar a imprensa. A família de Senna, muito presente, também a aprovava. "O Senna foi a pessoa mais focada, mais intensa que eu conheci. Extremamente competitivo." Na vida pessoal, ela revela que Adriane Galisteu o deixou mais humano. "Ela era uma menina, quebrava a rigidez com que ele levava a vida. Estava ficando mais alegre, mais solto. Fez muito bem para ele." Mesmo há 32 anos, Betise lembra como se fosse hoje, o fim de semana trágico em Ímola, que Senna morreu. 'A pista era muito perigosa. Tinha várias falhas. Na sexta, o carro do Rubinho Barrichelo voou e só foi parar no ground rail. Saiu vivo por pura sorte. No sábado, o austríaco Roland Ratzenberger morreu. O Ayrton ficou abalado, como todos os pilotos. E revoltado. Criticou a falta de segurança em Ímola.' Valeram os anos de espera. A entrevista de Betise foi muito reveladora. E um mergulho profundo nos últimos anos de Ayrton Senna. Revelado por quem esteve ao seu lado. Mais do que Xuxa, Galisteu ou Viviane...

    2 h y 5 min
  6. 3 FEB

    EDILSON PEREIRA DE CARVALHO: 'UM ÁRBITRO MANIPULA O JOGO QUE ELE QUISER. ACABEI COM A CREDIBILIDADE DO FUTEBOL NO BRASIL'

    “Aceitei dinheiro, sim. “Por R$ 68 mil acabei com a minha carreira. “Com a minha vida! “Com a minha família. “Com meu casamento. “Minha filha não fala comigo. “Ninguém me dá emprego. “Virei sinônimo de juiz ladrão “Passo vergonha onde eu vou. “Fiquei preso ao lado da cela do Paulo Maluf, na Polícia Federal. Quando ele me viu, bateu palmas. Sabia que eu passaria a ser o foco das notícias no Brasil. "Tentei me matar três vezes." Edilson Pereira de Carvalho quase foi o representante da arbitragem do país na Copa de 2002. Merecia a indicação. Era um excelente juiz. Mas tudo veio abaixo em 2005, quando foi revelado que Edilson recebia dinheiro para manipular jogos. No Campeonato Paulista, na Libertadores e no Brasileiro de 2005. Foi comprovado por gravações incontestáveis. “Acabei tirando a credibilidade do futebol brasileiro. Jamais pensei que iria fazer isso. Cedi à tentação do dinheiro fácil.” “Eu recebia em dinheiro vivo. Já peguei um pacote em pleno aeroporto de São Paulo. Ninguém desconfiava de mim. Eu era um ótimo árbitro.” Justo na semana que a CBF anuncia a profissionalização de juízes no país, a história de Edilson deixa explícito: os árbitros são o elo mais fraco, mais suscetível, mais amador no futebol pentacampeão do mundo. Na assustadora entrevista, Edilson revela o esquema simplório até que abalou o esporte mais amado deste país. Ele recebia dinheiro de Nagib Fayad, um apostador milionário. A Polícia Federal descobriu: ele ganhava cerca de R$ 400 mil por jogo que Edilson manipulava. Nagib e Edilson eram absolutamente amadores. Ficavam combinando os jogos que o árbitro iria garantir o resultado por telefone. “Eu até comprei um celular de São Paulo. Mas não adiantou nada, a Polícia Federal grampeou e pegou nossas conversas.” Além de Edílson, o árbitro Paulo José Danelon também aceitou dinheiro para manipular jogos, pago por Fayad. O esquema foi desarticulado pela Polícia Federal. A notícia passada para a revista Veja. E o escândalo veio à tona. Edilson foi preso. “Fiquei na cela ao lado da do ex-governador Paulo Maluf. Ele me viu e bateu palmas. Falou: ‘obrigado, Edilson’. O Maluf sabia que eu passaria a ser o foco das notícias no Brasil.” Ele e Fayad ficaram presos apenas cinco dias. Por um motivo muito simples. “Árbitro aceitar corrupção não era crime. A partir de 2023, um juiz que aceitar dinheiro de apostador poderá ficar até seis anos na cadeia. A legislação mudou por causa de Edilson. E também o Campeonato Brasileiro de 2005. Todos os jogos que ele apitou tiveram de ser refeitos. O Corinthians acabou beneficiado, ultrapassando o Internacional em pontos. “Eu apitei também Libertadores e Paulista de 2005. Por que essas partidas não foram disputadas de novo?”, pergunta irônico. Edilson foi banido do futebol. Perdeu o seu escudo Fifa. Nunca mais pôde apitar. Desde então sua vida virou um tormento. Seu nome passou a ser sinônimo de ‘juiz ladrão’ nos estádios do país. Nunca mais se firmou em emprego algum. Quando descobria quem era, acabava despedido. “Perdi o respeito, o orgulho que minha família tinha de mim. Passei a beber ‘bebida forte’, como gim, uísque. E só chorava em casa. “Peguei cerca de 100 fitas dos meus jogos, enrolei e um lençol e coloquei fogo. “Tentei tirar a minha vida três vezes com o revólver que eu tinha. Uma vez, a bala passou e furou o telhado. “Minha mulher acabou se separando de mim. Minha filha não fala mais comigo. “Acabei com a minha vida! "Minha punição é perpétua..."

    2 h y 19 min
  7. 27 ENE

    TUPÃZINHO: 'MEU GOL DEU O PRIMEIRO CAMPEONATO NACIONAL. MUDOU A HISTÓRIA DO CLUBE QUE AMO.'

    Tupãzinho. Apelido dado a Pedro Francisco Garcia. Não por lembrar o artilheiro, habilidoso, letal que vestiu a camisa do Palmeiras, na década de 60, que tinha o apelido de Tupãzinho, por conta de seu pai, que se chamava Tupã e fez história no Internacional. "Meu nome no início da carreira era o meu mesmo, Pedro Garcia. Mas os dirigentes do São Bento disseram que não iria chamar a atenção de ninguém. E decidiram que iria mudar para Tupãzinho, em homenagem à cidade que nasci", revela. Tudo em Tupãzinho é simples, direto, sem complicações. "Eu sou uma pessoa que cresceu na zona rural. E que sempre entendeu a vida de maneira direta. É preciso ter sonho. E trabalhar muito forte para realizar. Eu sempre amei futebol, o Corinthians. E trabalhei muito para chegar aonde eu desejava. Vestir a camisa do time do meu coração, em pleno Pacaembu lotado. Ajudar o meu clube. Fazer história. E me desdobrei em campo para conseguir o que queria", relembra, orgulhoso. De físico franzino, Tupãzinho jogava futebol, quando era garoto, no Tupã Futebol Clube. Se destacou e foi jogar no São Bento, de Sorocaba. No Paulista de 1989, foi o melhor em campo em um confronto contra o seu time do coração. O Corinthians venceu por 3 a 0, mas ele foi o melhor em campo. Tanto que, quando Guinei foi contratado para a zaga do time da capital, ele foi como contrapeso. "Fomos como experiência, por três meses. E logo de cara fomos bem. Disputamos um ótimo Paulista. E veio o Brasileiro de 1990." O histórico presidente Vicente Matheus havia montado a equipe com jogadores medianos. 'Não vou mentir. Foi uma equipe para não ser rebaixada. Só que deu liga. O técnico Nelsinho chegou e crescemos de forma inesperada na fase decisiva. Ninguém acreditava na gente. O Corinthians não priorizava o Brasileiro. Mas fomos ganhando. Derrubamos favorito atrás de favorito. Ficou no caminho o Atlético Mineiro, o Bahia. Para vencer o Bahia tivemos de enfrentar até bonecos de vodu, que colocaram no vestiário. O meu tinha agulhas nos joelhos, no ombro, na cabeça, lá em Salvador. Ninguém ligou, porque sabíamos que fariam isso para nos abalar. Ganhamos e chegamos na final contra o São Paulo do Telê Santana, que tinha uma seleção", relembra. Tupãzinho admite que o histórico time jogava para o Neto. Quase como a Argentina faria em 2022, no Catar, com Messi. 'Ele tinha um poder de decidir os jogos. E jogava mais à frente para definir os lances. A bola parada dele era mortal. Assim como seus lançamentos. Além disso, o Neto era um dos líderes do time.' Mas, por melhor que tenha sido o Brasileiro de Neto, a história reservava a Tupãzinho o privilégio de fazer o gol decisivo que mudou a história do Corinthians. 'Antes, o clube só pensava em ser campeão paulista. Quando eu peguei o rebote do chute do Fabinho, que bateu no Cafu, deu o carrinho. E quando a bola passou pelo Zetti e, foi para as redes, vi meu mundo mudar.' E do Corinthians. O clube passou a ter objetivos muito maiores do que o provinciano prazer de lutar para se impor 'no quintal', em São Paulo. A conquista do Brasileiro fez tudo mudar de ponta-cabeça. E logo, em 1991, veio o precipitado e fracasso plano 'Rumo a Tóquio'. E na Libertadores de 1991, o time entrou como se fosse a competição mais fácil. E acabou passando vexame, eliminado nos primeiros jogos eliminatórios, para o Boca Júniors. Muitas emoções estavam reservadas a Tupãzinho. A pior delas. 'Perder a final do Paulista de 1993, quando vencemos o primeiro jogo contra o Palmeiras. E o Viola imitou um porco. No jogo decisivo, eles ganharam por 4 a 0. E acabaram o jejum de títulos (16 anos) bem em cima de nós. A torcida do Corinthians queria invadir o ônibus, o hotel onde estávamos. Queriam bater na gente. Foi o pior momento da minha carreira."

    1 h y 58 min
  8. 20 ENE

    FRANCISCO LEAL: 'LUCIANO DO VALLE E EU ENFRENTAMOS ATÉ DON KING E A MÁFIA DO BOXE , PELO MAGUILA'

    Maguila, Hortência, Paula, Montanaro, Ruy Chapéu, Emerson Fittipaldi, Bernard... Ídolos que, se houvesse o mínimo de lógica, não se encontrariam em um mesmo dia na televisão deste país. Não até o início da década de 80. Em 1983, houve uma revolução. "O Johnny Saad, presidente da Band, nos chamou. O Luciano do Valle e a mim. Fizemos uma reunião e ele nos ofereceu dez horas de programação nos domingos. A Band precisava de audiência e verba comercial. "Ele nos liberou para escolher os esportes que quiséssemos. Era um desafio enorme. Nós aceitamos e fomos para a batalha. Fizemos algo inédito e conseguimos revolucionar o esporte na tevê deste país. Foi uma grande batalha, que nos deu muito orgulho. O resultado foi inesquecível." Quem relembra é Francisco Leal, o Quico. Ele e Luciano do Valle criaram uma empresa de marketing esportivo, que fez história, a Luqui, iniciais do nome do narrador e do apelido do empresários. 'O Luciano era o melhor narrador de televisão deste país, de todos os tempos. E tinha uma visão mercadológica incrível. Ele tinha as ideias e eu as colocava em prática. Tudo nasceu quando ele decidiu deixar a TV Globo. Nós já éramos parceiros desde sempre. E partimos para criar eventos esportivos." Quico é filho do grande apresentador Blota Júnior. Portanto tinha proximidade umbilical com a tevê. 'O primeiro grande evento foi uma ideia incrível que ele teve. A Seleção Brasileira de Vôlei enfrentar a campeã olímpica, a União Soviética, em pleno gramado do Maracanã. Os dirigentes do futebol não queriam o jogo lá. Uma gráfica instalada dentro do Maracanã falsificou ingressos, nos roubou. Caiu uma chuva terrível. Mas houve o jogo, histórico. Em cima de um carpete colocado em cima da quadra. A TV Record transmitiu. Mais de 95 mil torcedores foram ao Maracanã. Foi maravilhoso', relembra Quico. O Brasil venceu, com o inesquecível saque 'Jornada nas Estrelas' de Bernard. Mas os vitoriosos foram Luciano e Quico. Foi o sucesso da transmissão que os levou a criar o Show do Esporte. 'O esporte era desprezado pelas tevês. A nossa grande visão foi fazer acordos com as federações de vôlei, basquete, boxe. Nós também enfrentamos preconceitos. "Mostramos que a sinuca não era coisa de malandro. Colocamos um smoking no Rui Chapéu e ele ganhou um desafio do campeão mundial. Mostramos o talento de Paula e Hortência, em duelos incríveis por seus times. O Luciano criou a Copa Pelé, com as estrelas veteranas do futebol do planeta. Beckenbauer, Paulo Rossi e tantos outros vieram jogar. Decidimos apostar na Fórmula Indy e o Emerson Fittipaldi disparou a ganhar. Compramos o futebol italiano, com sucesso fabuloso. Foi uma época incrível.' Ele lembra também do Brasileiro de 1990. 'O pessoal da Globo estava desencantado com o futebol depois da Copa. E largaram o Brasileiro. Compramos e foi um estrondoso sucesso, com o Corinthians ganhando o seu primeiro título." Quico se transformou até no empresário do maior peso pesado brasileiro de todos os tempos: Maguila. 'Foi uma loucura. Eu e o Luciano enfrentamos a Máfia do Boxe. O ambiente é terrível. O Maguila tinha muito talento, era um grande lutador. Por contrato, a pedido dele, que queria, e ganhou, muito dinheiro, lutava a cada 60 dias. A audiência era excelente, ele subiu no ranking e ele sonhava em enfrentar o Mike Tyson. Fui negociar a luta com o Don King. Ele sabia que os empresários do Evander Holyfield queriam também o Maguila. Don King me trancou no seu escritório para forçar a minha assinatura, para que ele lutasse nas preliminares do Tyson. Isso nós não aceitávamos. Tive de assinar qualquer coisa e escrevi embaixo, em português: 'essa assinatura não vale nada'."

    1 h y 40 min

Acerca de

Jornalista esportivo Cosme Rímoli entrevista grandes nomes do universo do esporte em um bate-papo sobre o que rola dentro e fora de campo.

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