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  1. O Presidente de visita ao país destruído pelas tempestades e esquecido pelo poder central

    7 HR AGO

    O Presidente de visita ao país destruído pelas tempestades e esquecido pelo poder central

    O candidato António José Seguro prometeu e o presidente António José Seguro está a cumprir: a presidência aberta nas zonas assoladas pelo comboio de tempestades de Janeiro e Fevereiro começou esta segunda-feira e prolonga-se até sexta. Na rota do presidente estão quatro distritos e 18 concelhos. O objectivo, definido pelo próprio presidente: “dar voz a quem precisa de se fazer ouvir, porque o país não pode ter memória curta perante uma dor tão grande e tão longa”. Sair de Belém e passar temporadas pelo país não é novidade. Os reis de Portugal faziam-no com frequência. E Mário Soares instituiu o ritual na agenda das presidências da era democrática. Mas esta viagem de Seguro tem um contexto especial: o apoio a territórios devastados nos quais a prometida ajuda do Governo tarda em chegar. Não deixa de ser interessante notar que no dia em que a peregrinação do Presidente começa, o Governo aprovou um regime de apoio “excepcional e temporário”, para vigorar até 31 de Agosto, para as autarquias afectadas. Esse regime permite flexibilizar regras financeiras — como empréstimos, fundos disponíveis, equilíbrio orçamental e inscrição de nova despesa — e acelerar a resposta à reconstrução Mas, prometeu também Seguro, para lá de ouvir queixas sobre atrasos, o propósito desta visita contempla também outros assuntos, alguns dos quais persistem década após década desde o começo da democracia. Os recursos financeiros atribuídos ao poder local, entre os mais baixos da União Europeia, estarão no rol das reivindicações; a regionalização, como meio de diluir a distância entre o estado central e o poder local, também. A oportunidade servirá por isso para se falar da crise recente e se discutir o modelo de desenvolvimento das regiões mais pobres e despovoadas do país. Mas se esse é um gesto, falta muito mais para que o país seja mais equilibrado e todos os portugueses tenham um mínimo de igualdade de oportunidades. Seguro, um homem do interior, promete ter esse debate no centro da sua agenda. Nesta presidência aberta, como no resto do seu mandato. Para aprofundarmos um pouco o que está em causa, convidámos para este episódio Bruno Gomes, presidente da Câmara de Ferreira do Zêzere, um concelho particularmente devastado pelas tempestades que nesta terça-feira recebe a visita do Presidente. See omnystudio.com/listener for privacy information.

    19 min
  2. A inteligência artificial nas universidades dividida entre a utilidade pedagógica e a utilização fraudulenta

    1 DAY AGO

    A inteligência artificial nas universidades dividida entre a utilidade pedagógica e a utilização fraudulenta

    Que formação precisa de ter jovem para ser um bom médico ou um bom engenheiro? Os sistemas da inteligência artificial generativa já fornecem respostas aos grandes problemas dos saberes que se adquirem na universidade, nota. Mas isso dispensa um médico de saber anatomia patológica, um engenheiro de saber física, ou um advogado de saber manobrar a complexidade do Código Penal ou do Código Civil? Ou, por outras palavras, serão dispensáveis no futuro os saberes especializados que, mais do que uma simples pergunta no Chat GTP, exibem estudo, memória e capacidade de relacionar conhecimentos? O que coloca um problema existencial às universidades ou politécnicos: como exigir esse conhecimento pessoal aos alunos quando eles podem ir buscá-lo à inteligência artificial com um simples clique? A pergunta instalou-se na comunidade académica e continua à espera de respostas cabais. A jornalista Cristiana Faria Moreira fez um trabalho profundo à procura dessa e de outras respostas aos desafios que a IA coloca ao ensino superior e da do seu texto, que pode ser lido no PÚBLICO online ou na edição impressa de domingo, sobram duas grandes conclusões: uma instituição científica como uma universidade não pode nem deve proibir o recurso à IA. Como não pode permitir que os alunos não apreendam e retenham conhecimento científico das suas áreas de estudo e sejam desobrigados de desenvolver a sua capacidade crítica, a sua imaginação, e, ponto essencial, um sentido ético das suas competências científicas ou tecnológicas. Um estudo recente, usado pela OCDE e citado no texto da jornalista, mostra o que está em causa.  A estudantes de cinco universidades norte-americanas foi pedido que escrevessem um pequeno ensaio em 20 minutos. Um grupo trabalhou sem nenhuma ajuda exterior, outro recorreu a um motor de busca, e um terceiro trabalhou com uma ferramenta de IA. E foram os deste último grupo que tiveram melhores classificações. Mas uma hora depois, apenas 12% desses estudantes conseguiram citar de memória um excerto do próprio texto. Nos outros grupos, 89% foram capazes de o fazer. Sendo utopia travar a marcha da IA, que problemas e ameaças coloca ao ensino superior – aliás, ao ensino no geral? Vamos falar com a Cristiana Faria Moreira, jornalista que trabalha em especial na área da educação, para sabermos os traços principais do texto essencial que assinou. See omnystudio.com/listener for privacy information.

    16 min
  3. Humanos voltam à Lua 50 anos depois para a conquistar

    6 DAYS AGO

    Humanos voltam à Lua 50 anos depois para a conquistar

    Mais de 50 anos depois, os seres humanos vão voltar à Lua. Os quatro astronautas da missão Ártemis II partem, esta quarta-feira, às 23h24 de Lisboa, do Centro Espacial Kennedy, na Florida, mos EUA. Pela primeira vez desde 1972, quatro astronautas vão voar fora da órbita terrestre, a caminho de uma circum-navegação à Lua, que é um ensaio para uma futura alunagem. Se a Ártemis I, lançada em 2022, foi o teste ao veículo e à sua capacidade de ir à Lua e voltar, a Ártemis II é o penúltimo ensaio antes de se tentar alunar outra vez – um ensaio já com humanos a bordo. Mas o regresso à Lua não é inocente. Há uma corrida entre os EUA e a China pela conquista da Lua. Jared Isaacman, bilionário e astronauta, empossado como administrador da NASA no início deste ano, não deixa dúvidas: “Vamos fazer tudo o que for preciso para voltar à Lua e não deixar que ninguém se apodere dela nunca mais”. A alunagem, propriamente dita, está marcada para 2028. De permeio, haverá uma missão de teste aos módulos de pouso lunar, que estão a ser construídos pela Space X (de Elon Musk) e pela Blue Origin (de Jeff Bezos), dois bilionários a disputar a Lua antes que a China lá chegue primeiro. De quem é a Lua, afinal? Alguém pode reivindicar a sua posse? O convidado deste episódio é Tiago Ramalho, jornalista da secção de Ciência do PÚBLICO. See omnystudio.com/listener for privacy information.

    16 min
  4. José Luís Carneiro foi ao congresso do PS e saiu de lá como entrou: vivo

    30 MAR

    José Luís Carneiro foi ao congresso do PS e saiu de lá como entrou: vivo

    Não se esperava que nesta sua ida às boxes, para usar a expressão feliz do director do Público, David Pontes, sobre o 25 congresso do PS, José Luís Carneiro fosse atropelado, apesar de nas últimas semanas terem aparecido sinais ténues de contestação à sua liderança; como não se esperava que o secretário-geral do PS saísse de Viseu embalado numa vaga de entusiasmo irreprimível, próprio de um partido crente nas suas conquistas ao virar da esquina. Não admira por isso que no discurso de encerramento do congresso, José Luís Carneiro apostasse em declarar o PS não como uma personagem à procura de um actor, mas antes como um actor que sabe bem como interpretar as suas personagens clássicas: as do reformismo, da modernidade, da inclusão ou do futuro. Mas se esse discurso era o que se esperava de um líder no final de uma festa partidária, houve perguntas que continuaram sem resposta. A principal: como vai agir o PS perante a continuada fórmula do Governo que tem por base a crença que, em matéria de negociação política para viabilizar diplomas na assembleia, o PS e o Chega valem pelos votos, não pelos programas. Quer dizer, se alguém esperava uma posição diferente da ambiguidade tradicional, enganou-se. O que nos leva para uma série de perguntas que o PS continua, de alguma forma, sem responder de forma cabal. "O país mudou e mudou mais rápido do que nós. E quando o mundo muda, não basta fazermos mais do mesmo. É preciso reflectir, ouvir e agir", disse Miguel Costa Matos, perante o congresso. O PS, diz o deputado que liderou a Juventude Socialista, pede coragem de reflectir, o que quer dizer, reclama a predisposição de um partido que se diz reformista para discutir e admitir a sua própria reforma. A hesitação sobre a forma de lidar com o Governo ou as propostas da moção de José Luís Carneiro sobre a regionalização, ou as que apresentou para a economia – em especial o Simplex com recurso à inteligência artificial – são um ponto de partida para essa reflexão? Muito para lá do que se lê e se vê nos noticiários, um congresso partidário é sempre um momento em que se pode perceber melhor o que está nas entrelinhas das votações e dos discursos. Por isso vamos ter neste episódio David Santiago, editor de Política do Público que acompanhou o 25 congresso do PS em Viseu do princípio ao fim. Siga o podcast P24 e receba cada episódio logo de manhã no Spotify, na Apple Podcasts, ou noutras aplicações para podcasts.​ Conheça os podcasts do PÚBLICO em publico.pt/podcasts. Tem uma ideia ou sugestão? Envie um email para podcasts@publico.pt.   See omnystudio.com/listener for privacy information.

    18 min
  5. Trump vai fazer do Irão o novo Iraque dos EUA?

    27 MAR

    Trump vai fazer do Irão o novo Iraque dos EUA?

    O Irão rejeitou a proposta de cessar-fogo dos EUA, mas mantém abertura para continuar a negociar. Teerão deixou claro que o conflito só terminará segundo as suas próprias condições. Os iranianos não querem só o fim dos ataques. Querem também o pagamento de reparações, o fim das hostilidades em todas as frentes, contra o Hezbollah, no Líbano, nomeadamente, ou o reconhecimento da sua soberania sobre o estreito de Ormuz. Perante a possibilidade de um cessar-fogo, Israel intensificou os ataques. Benjamin Netanyahu terá ordenado uma ofensiva de 48 horas para destruir o máximo possível da indústria bélica iraniana e prepara-se para ocupar o Sul do Líbano. António Guterres, secretário-geral da ONU, já disse que o “modelo de Gaza não pode ser replicado no Líbano”. Os objectivos desta guerra já foram vários. Se Israel pretende destruir a capacidade militar e o regime teocrático, os EUA e o resto do mundo estão mais preocupados em pôr fim ao bloqueio do estreito de Ormuz. Mas a verdade é que Washington envia sinais contraditórios. Donald Trump fala no final da guerra e, mesmo assim, desloca mais soldados para o Médio Oriente. O convidado deste episódio é Ricardo Alexandre, editor da secção do Internacional da TSF, e autor do livro Tudo Sobre o Irão, que é apresentado neste domingo, no El Corte Inglés, em Vila Nova de Gaia, pelas 16h. See omnystudio.com/listener for privacy information.

    18 min
  6. Guerra no Irão faz regressar o fantasma do choque petrolífero de 1973

    26 MAR

    Guerra no Irão faz regressar o fantasma do choque petrolífero de 1973

    O cenário de um mundo em que os preços do barril de petróleo dispararam para valores incomportáveis, causando um choque que acabou de vez com o período glorioso de crescimento da Europa do pós-guerra, gerou estagflação, desemprego e miséria, em especial nos países pobres. Um cenário que teve um papel relevante no agravamento do mal-estar que se vivia em Portugal – em 1974, recorde-se, o regime autoritário do Estado Novo caiu sem grande estrondo. E agora, sem que se vislumbre um fim para a guerra contra o Irão, será que esse cenário se pode repetir? Fatih Birol​, Director Executivo da Agência Internacional de Energia admite que sim. Ou seja, o petróleo que deixou de chegar ao mercado com a destruição de infra-estruturas e, principalmente, com o bloqueio do estreito de Ormuz é equivalente ao que se perdeu nos dois choques petrolíferos dos anos de 1970 (em 1973, na sequência da guerra do Yom Kipur e de 1979, associado à queda do regime do Xá Reza Pahlevi à subsequente guerra sangrenta entre o Irão de Khomeini e o Iraque de Sadam Hussein). Conclui Fatih Birol​, que a situação actual não é assim tão diferente da que levou o mundo para uma recessão profunda há meio século. Compreendem-se assim os sinais de alarme que alastram por todo o mundo. Para já, as subidas dos preços por barril estão longe do que aconteceu entre 1973 e 1974 – em pouco mais de meio ano, subiram de três para 12 dólares. Não se comparam sequer com o disparo de 1979, de 13 para 34 dólares. Em 2008, convém recordar, os preços atingiram os 147 dólares por barril, ainda acima dos valores actuais, mesmo descontando a inflação. O problema é que, se já há quem admita o barril a 200 dólares, é impossível saber o que pode acontecer se o estreito por onde circula 20% do petróleo mundial, o de Ormuz, permanecer fechado por tempo indeterminado. Nos anos de 1970 o mundo mudou com o choque petrolífero decretado com o embargo dos países produtores, e em 2026 pode voltar a mudar por causa do bloqueio iraniano e da destruição causada pela guerra em campos petrolíferos ou em refinarias. Para fazer uma ponte entre o passado e o presente e situar a dimensão do choque que estamos a viver, convidámos para o episódio de hoje do seu podcast da manhã o engenheiro António Costa Silva. Nascido em Angola, estudou no IST e doutorou-se em Engenharia de Reservatórios Petrolíferos neste Instituto no Imperial College de Londres. Dirigiu a Partex, a empresa que geria os activos energéticos da Gulbenkian ou a Sonangol. Foi ainda ministro da Economia num governo de António Costa. See omnystudio.com/listener for privacy information.

    19 min

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