Joe Biden derrotou Donald Trump no ano de 2020 nas eleições presidenciais dos Estados Unidos. Já Luiz Inácio Lula da Silva derrotou Jair Bolsonaro no em 2022, no Brasil. Mas nenhum desses momentos significou a derrota do movimento populista de direita. É uma das ideias centrais que Gonçalo Ribeiro Telles, autor de “Do Trumpismo ao Chega: A Contaminação”, defende nesta entrevista. No “O Mundo a Seus Pés”, explica o que aproxima Donald Trump, os Bolsonaro e André Ventura.O Trumpismo impôs-se como estilo. Integra hoje a linguagem, abrange os instrumentos digitais e a pressão sobre as instituições, de um e do outro lado do Oceano Atlântico. Gonçalo Ribeiro Telles, autor do livro “Do Trumpismo ao Chega: A Contaminação”, fundador da GRiT Communication & Political Risk, dedicada à análise de risco político, e comentador político, explica esta circulação de métodos políticos, em entrevista ao Expresso.Numa conversa a partir do seu livro “Do Trumpismo ao Chega: A Contaminação”, Gonçalo Ribeiro Telles fala das narrativas nas redes sociais, do ataque aos media e da identificação de inimigos, realidades que vê sobreporem-se nas eleições brasileiras.O Brasil ocupa, aliás, uma parte importante da conversa. Depois de Flávio Bolsonaro ter terminado a primeira volta das Presidenciais à frente de Lula da Silva, Ribeiro Telles rejeita a ideia de que o fenómeno criado em torno de Jair Bolsonaro tenha desaparecido com a derrota eleitoral do antigo Presidente. “Uma coisa é derrotar o populista, outra coisa é derrotar o movimento”, afirma. “O bolsonarismo não caiu com Jair Bolsonaro.”O analista político classifica o primeiro mandato de Jair Bolsonaro como “trágico para o Brasil, a todos os níveis” e argumenta que, apesar disso, o bolsonarismo sobreviveu. A explicação passa, na sua análise, pela existência de “realidades paralelas” construídas no espaço digital, capazes de cimentar divisões políticas e identitárias. Portugal não está fora desta dinâmica: “O Chega neste momento é muito melhor nas redes sociais do que todos os outros partidos”.A influência brasileira no Chega é, segundo Gonçalo Ribeiro Telles, particularmente visível. Ribeiro Telles destaca semelhanças na utilização política da religião e afirma que “a componente religiosa é muito importada do bolsonarismo”.Uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro poderia ter repercussões políticas em Portugal, refere Gonçalo Ribeiro Telles: “Pode alavancar o Chega cá”.Este episódio do podcast “O Mundo a Seus Pés” teve cuidados técnicos e sonoplastia de João Luís Amorim e Tomás Delfim. See omnystudio.com/listener for privacy information.