Podcast da Semana

Gama Revista

"Podcast da Semana" traz todo domingo um bate-papo de 30 minutos com um convidado sobre o assunto da semana da Gama Revista.

  1. 3 uur geleden

    Ed René Kivitz: espiritualidade no Brasil

    Como desenvolver a espiritualidade? É possível estar em contato com ela sem estar imerso numa religião? Para o pastor Ed René Kivitz a resposta é positiva, mas são as religiões que oferecem um repertório para orientar e apontar caminhos. “E como seria uma pessoa espiritualizada? Seria humana. O que existe de mais divino no ser humano é viver a humanidade com dignidade. Esse é o caminho da espiritualidade”, disse em entrevista ao Podcast da Semana. “A gente tem hoje uma espiritualidade ou uma religiosidade de consumo, é a teologia da prosperidade, a teologia coaching, a teologia do sucesso, do empreendedorismo. Quer dizer, isso é muito contemporâneo, isso causaria espécie nos místicos do passado, de todas as tradições espirituais”, afirma o pastor a Gama. Ed René Kivitz é teólogo e mestre em ciências da religião pela Universidade Metodista de São Paulo. Ele é também escritor e acaba de lançar “Uma Ideia Elegante de Deus” (Zahar, 233 págs., 2026). Kivitz mantém um canal no YouTube com cursos, entrevistas e vídeos em que fala de temas sociais e políticos, e é membro do conselho pastoral da Igreja Batista de Água Branca, onde foi pastor-presidente de 1989 até o ano passado. Na entrevista, o pastor fala sobre como vê a espiritualidade do brasileiro, a relação entre religião e política, e como o mundo acelerado e hiperconectado de hoje torna as relações mais superficiais e as pessoas mais desamparadas. Kivitz também fala sobre como ele se tornou uma voz dissonante na igreja evangélica, mas diz que não está sozinho. “Nesse momento do Brasil há um choque de culturas cristãs, a hegemonia católica sendo confrontada pelo crescimento da Igreja Evangélica no Brasil. A religiosidade do brasileiro hoje está em busca de um de um Deus todo-poderoso que resolva os problemas do país. Nós temos um dos candidatos dizendo que vai declarar o Brasil como pertencente ao Senhor Jesus, como se Jesus fosse ser eleito na urna. É uma coisa contraditória.” Roteiro e apresentação: Isabelle Moreira Lima

    Ed René Kivitz: espiritualidade no Brasil
  2. 9 aug

    Maurício Pereira: filhos e música

    “Ter tido tanto contato com as crianças e com essa coisa ancestral que é criar um filho… Imagina um artista ter chance de vivenciar essa proximidade com o universo louco de uma criança e ser obrigado a trazer a tua tradição junto. E, ao mesmo tempo, eu acho que o artista, Maurício Pereira, estava lá, trabalhando no subsolo.” A declaração é do cantor, compositor, letrista e saxofonista Maurício Pereira, convidado do Podcast da Semana do Dia dos Pais. Na entrevista, ele fala sobre seu novo álbum, “O Dia da Girafa”, que tem a participação dos filhos. O Mauricio Pereira é músico desde os anos 1980 e ficou conhecido como integrante da dupla Mulheres Negras, com o André Abujamra. Logo depois, já partiu numa carreira solo que rendeu algumas das letras mais famosas da música paulistana. Ele ficou conhecido como um letrista-cronista, por falar do cotidiano da cidade como poucos. No novo álbum, no entanto, as crônicas são menos sobre as ruas e mais sobre o que passa na sua cabeça. Feito a partir de escritos da pandemia, “O Dia da Girafa” é o primeiro primeiro álbum de inéditas de Pereira desde 2018 e reúne uma série de colaborações de artistas de gerações mais jovens. Entre eles, estão os filhos o violonista Chico Bernardes, que assina a coprodução e a mixagem, e Tim Bernardes de O Terno. Os dois fizeram arranjos e compuseram junto ao pai. A Gama, Pereira fala sobre como é trabalhar com os filhos, como é vê-los seguindo o mesmo caminho que você trilhou, e como é a experiência de ser pai e artista, algo que o Maurício também já colocou em suas letras. “Trabalhar com o Chico nesse disco me mostrou facetas dele, ele foi muito importante na costura musical, como instrumentista. (…) Com o Tim sempre teve muita troca musical também, é um moleque do século 21, muito multidisciplinar”, conta. Roteiro e apresentação: Isabelle Moreira Lima

    Maurício Pereira: filhos e música
  3. 2 aug

    Lucas Bulamah: sexo e traição

    É difícil ver a traição como algo que não seja ruim ou imoral. Mas e se a traição for algo inescapável ou até mesmo positiva para a saúde de um relacionamento? É sobre isso que gira o episódio desta semana do Podcast da Semana, que recebe o psicanalista Lucas Bulamah para conversar sobre sexo. “O sexual, por excelência, não pode caber numa relação amorosa, monogâmica. Ele não faz parte da relação. O sexual é, por excelência, traição, ele necessariamente tem que estar fora da relação. E a relação é protegida por essa busca, esse deslocamento do sujeito para um outro lugar, um outro analista, um amante, que visa proteger esse espaço de harmonia, esse espaço de familiaridade que é a relação principal, monogâmica, o casamento, o namoro”, afirma a Gama. Doutor em psicologia clínica pela USP, o psicólogo e psicanalista está lançando “Do Amor e seu Avesso: Uma apologia da traição” (Paidós), em que as razões da traição, algo que pode ser menos complicado que os acordos da não monogamia. Neste livro de ensaios, ele mescla conceitos da psicanálise, com filmes, letras e música e a própria experiência clínica. Na conversa que você ouve nas plataformas de áudio, Lucas fala sobre os acordos de um casamento, sobre caos e prazer e diz que para trair, muitas vezes, não é preciso nem fazer sexo. “A traição prescinde do ato, do corpo de delito. É o que resgata no sujeito algum tipo de circulação erótica”, diz na entrevista. Roteiro e apresentação: Isabelle Moreira Lima

    Lucas Bulamah: sexo e traição
  4. 19 jul

    Paulliny Tort: Literatura, imaginação e ciência em "Os Imortais"

    Foram cinco anos de trabalho para que a escritora e jornalista Paulliny Tort concluísse “Os Imortais”, romance que narra o encontro de um clã de neandertais com um grupo de homo sapiens. O livro, lançado no começo deste ano, já é a maior febre literária do ano e Tort é uma das presenças mais esperadas na edição de 24ª Flip, a Festa Literária Internacional de Paraty. Na entrevista ao Podcast da Semana, a escritora conta como chegou à linguagem crua e precisa do livro. “Limpei o texto de todos os anacronismos. Por exemplo, não tem o verbo sapatear porque, embora eles usem calçados, não são sapatos. Fiz uma pesquisa etimológica e limpei as figuras de linguagem. Foi um processo bem interessante e foi importante ele ter passado por esse estado de crueza. Mas depois eu fui voltando com as figuras de linguagem e com o que era mais sonoro e mais fluído para mim.” Mestre em Comunicação e Sociedade pela UnB, Tort é também autora de “Erva Brava” (Fósforo, 2024), seu primeiro livro de contos, que foi vencedor do prêmio da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA) e finalista do prêmio Jabuti 2022; e de “Allegro ma non troppo” (Oito e Meio, 2016), semifinalista do Prêmio Oceanos de Literatura. Ainda recente, “Os Imortais” já pode ser descrito como uma febre. Original e surpreendente, virou tema frequente nas redes sociais e fora delas. “A literatura toca no outro pela sensibilidade. Você pode se emocionar com um personagem que talvez você não concordasse com a forma como ele vive. Esse lugar da imaginação e do sentir que a literatura oferece é o que mais me interessa”, diz. Estudiosa da biologia (Tort fez cursos na área e um estágio em primatologia), conta que não pesquisou exatamente para escrever o livro, mas chegou a passar dias caminhando e fazendo jejum para reproduzir o que vivem seus personagens. “O jejum é um processo fisiológico e psíquico muito interessante, que não acontece só no corpo, mas na mente também, e muda a nossa percepção e a nossa relação com o tempo”, afirma. Roteiro e apresentação: Isabelle Moreira Lima

    Paulliny Tort: Literatura, imaginação e ciência em "Os Imortais"

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