Grupo Arauto

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O Grupo Arauto surgiu para integrar as empresas que carregam o nome Arauto e têm o ideal comum de realizar um trabalho de qualidade e com total respeito ao cliente, seja ele leitor, ouvinte ou anunciante.

  1. 3 days ago

    Só mais cinco minutos

    Nossa geração viveu uma época muito especial. E talvez a gente só tenha percebido isso depois que ela passou. Na escola tinha o dia do flúor, tinha campanha contra os piolhos, tinha a merenda… E a merenda era um acontecimento. Leite com Nescau, sopa fumegando, macarrão, cachorro-quente. Tinha manhã em que a felicidade começava muito antes da aula. Na Semana da Pátria, cantávamos o Hino Nacional. Em fila. Os pequenos na frente, os maiores atrás. Não era apenas uma organização. Era um jeito de ensinar que cada um tinha seu lugar e que caminhar junto fazia parte da vida. A gente ia para a escola a pé. Uma rua inteira de crianças seguindo na mesma direção. Mochilas maiores que as costas, tênis marcados pelo tempo, joelhos rasgados de tanto brincar. Ninguém reclamava da caminhada. Porque o caminho também era diversão. Quando alguém fazia aniversário, a volta para casa era inesquecível. Ovo, farinha, terra… O aniversariante chegava parecendo um bife à milanesa. E o mais curioso é que ninguém saía bravo. Todo mundo ria. Porque amizade também era isso: bagunça, gargalhada e lembrança. O fim do ano tinha um ritual que nenhuma rede social conseguiu substituir. A camiseta do uniforme virava um livro de memórias. Cada assinatura era uma promessa de amizade eterna. Algumas ficaram pelo caminho. Outras continuam vivas até hoje. E havia uma frase que definia a nossa infância inteira: “Espera aí, mãe… Só mais cinco minutos.” Não era para ficar no celular. Não era para terminar uma fase de um jogo. Era mais cinco minutos na rua. Mais cinco minutos de esconde-esconde. Mais cinco minutos de pega-pega. Mais cinco minutos soltando pipa, jogando taco, brincando de bafo, andando de bicicleta sem destino e voltando para casa quando as luzes dos postes acendiam. A nossa rua era a nossa rede social. A campainha era bater palma no portão. O grupo era a turma da esquina. E o status era ouvir alguém gritar lá de dentro: “Fulano… entra pra casa!” Hoje as crianças conhecem o mundo inteiro pela tela. Nós conhecíamos o mundo pela calçada. Elas aprendem a deslizar os dedos sobre o vidro. Nós aprendíamos a ralar os joelhos no asfalto. Elas decoram senhas. Nós decorávamos caminhos. E talvez seja por isso que a saudade aperte tanto. Não porque a nossa infância tenha sido perfeita. Ela não foi. Mas porque ela nos ensinou uma riqueza que não cabia no bolso. Cabia no coração. A felicidade morava nas coisas pequenas. Numa ficha para o orelhão. Num pacote novo de figurinhas. Numa bola um pouco murcha. Numa lata vazia que virava brinquedo. Num sorvete dividido entre amigos. E naquele pedido que, sem saber, era um desejo para a vida inteira: “Deixa eu ficar só mais cinco minutos.” Hoje, olhando para trás, a gente entende que aqueles cinco minutos passaram depressa. Viraram anos. Viraram saudade. Viraram histórias que contamos com um sorriso no rosto e um aperto bom no peito. Porque quem teve o privilégio de viver aquela infância descobriu cedo que as melhores lembranças não cabem numa tela. Elas moram para sempre na memória. E há uma riqueza que o tempo nunca consegue levar: a infância de quem aprendeu que a felicidade não precisava de internet. Precisava apenas de amigos, de liberdade… e de mais cinco minutos na rua.

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