P24

De segunda a sexta às 7h. Antes de tudo: P24. O dia começa aqui

  1. 16 hr ago

    O Estado da Nação, entre as nuvens negras da oposição e o dia soalheiro do Governo

    Em Maio, o primeiro-ministro foi à Alemanha e deixou a uma plateia composta por investidores e figuras gradas da administração um retrato apolíneo do estado do país. Luís Montenegro falou de reformas, falou de estabilidade política e estabilidade social, falou das contas públicas em ordem, do défice à redução da dívida. Um país, portanto, que é a inveja da Europa. Não fora uma gafe, e o primeiro-ministro teria saído de Berlim como uma espécie de herói dos novos tempos da União Europeia. Por azar, no meio do seu discurso, disse Führer, uma palavra maldita, em vez de future, futuro. No regresso, Montenegro queixou-se de que em Portugal ninguém o valoriza como a rendida plateia que, disse ele, representava 80% da riqueza nacional da Alemanha. Faz parte. Quem governa reclama sempre para si e para os seus os louros que a oposição e uma parte, maior ou menor, da sociedade não reconhece. Hoje, no debate do Estado da Nação, essa divergência voltará a emergir. Ainda por cima quando dois dos seus mais importantes ministros, o da Educação e da Administração Interna, estão envolvidos em assuntos tóxicos para a sua popularidade e credibilidade, o caso dos exames de Fernando Alexandre e da casa de campo de Luís Neves. No que é possível medir, o Governo continua a dispor de contas públicas controladas. Não tão saudáveis como há três anos, mas, de facto, num plano invejável para a média europeia. O crescimento vai continuar, mas mais lento. O défice pode regressar, mas é moderado. O rendimento real das famílias cresceu. O desemprego continua a reduzir-se. Mas há números que dão argumentos à oposição: Montenegro herdou a melhor conjuntura financeira em muitas décadas e não a está a segurar. Junte-se a isto os problemas que se agravam na saúde ou, agora em especial, na educação, nos desafios para o futuro colocados pelo aumento da despesa na defesa nacional, nas polémicas inflacionadas da imigração, no tempo perdido na reforma laboral ou na situação internacional que causa ansiedade. E pergunte-se: em que estado está a nação? Entre a percepção e a realidade, a natural propaganda do discurso do Governo e o olhar, também naturalmente, negativo da oposição, quem está mais perto da verdade? Para aprofundar esta discussão, convidámos para conversar connosco neste episódio Isabel Flores, investigadora, doutorada em sociologia e políticas públicas e directora executiva do Instituto de Políticas Públicas e Sociais do ISCTE, Instituto Universitário de Lisboa. O instituto que dirige acaba de publicar um estudo sobre o estado da nação, que pode conhecer em detalhe nas edições digital e impressa do PÚBLICO. See omnystudio.com/listener for privacy information.

    O Estado da Nação, entre as nuvens negras da oposição e o dia soalheiro do Governo
  2. 1 day ago

    O caso dos exames não pára de acumular falhas

    O ministro da Educação desdobrou-se em garantias e em entrevistas às televisões para explicar um processo que correu mal e está a correr mal. Ontem, a história voltou a correr mal quando Fernando Alexandre constata que é preciso mais um dia para garantir que as avaliações são feitas de forma justa, sem erros, nem mais tropelias. No próprio dia em que, disse o ministro, 98% das provas estavam corrigidas, o PÚBLICO dava conta da crise de desconfiança que reinava entre os professores. E por simples dedução lógica, da desconfiança que se instalou entre milhares de alunos e pais. Com tantas falhas e tantas dúvidas até ao final do prazo do primeiro adiamento, ontem ao final da tarde, torna-se difícil acreditar que este processo pode ter um final feliz. Quando a horas do fecho do processo uma professora continuava sem saber como classificar respostas que não apareciam na íntegra na digitalização em que estava a trabalhar, torna-se mais difícil acreditar que num dia tudo fica devidamente resolvido. O ónus da prova está do lado do Ministério da Educação. Mesmo admitindo que o prazo para as avaliações fica fechado hoje, a crise dos exames deixará rastos. Na relação dos professores com a tutela política, na relação de alunos e pais com o sistema educativo, na dimensão da força política que Fernando Alexandre necessita para se manter à frente da educação em Portugal. A hora do balanço ainda não chegou. Até porque pode ser que o acesso dos alunos às suas provas sejam completamente isento de dúvidas e de erros, como pode ser que os últimos dias sejam esquecidos com o regresso à normalidade no concurso de acesso à universidade. Pode ser, mas dificilmente assim será. Vamos ver e perceber como é que alguém que tem seguido o processo muito de perto desde o seu começo analisa a presente situação. Vamos falar neste episódio com a Andreia Sanches, grande repórter do PÚBLICO particularmente dedicada a acompanhar para o jornal os assuntos da educação. See omnystudio.com/listener for privacy information.

    O caso dos exames não pára de acumular falhas
  3. 6 days ago

    Almada sem água: “Em 2026 não faz sentido a seca chegar às torneiras”

    Há vários dias que milhares de pessoas em Almada vivem com falhas no abastecimento de água. Há moradores que acordam sem saber se vão conseguir tomar banho, cozinhar ou simplesmente lavar a loiça. Há famílias a encher garrafões, baldes e recipientes sempre que a água volta às torneiras, numa corrida contra o tempo para garantir o essencial para o dia seguinte. O impacto também já chegou aos negócios. Restaurantes e cafés dizem não ter condições para funcionar normalmente. E a revolta de quem vive esta situação levou centenas de pessoas para a rua, a exigir respostas e soluções. Perante a gravidade da situação, a autarquia decretou o estado de alerta. Há restrições ao consumo, cortes nocturnos em várias localidades e um apelo para reduzir ao mínimo o uso de água. Numa mensagem dirigida à população, a presidente da Câmara de Almada, Inês de Medeiros, admitiu a gravidade do problema: “A realidade é simples e difícil. Estamos a consumir muito mais água do que aquela que o sistema consegue repor.” A autarca revelou ainda que os reservatórios se encontram muito abaixo dos níveis considerados seguros: “Os reservatórios estão com 10% quando deviam estar próximos dos 60%, para garantir o funcionamento seguro da rede.” Mas, afinal, como é que um dos maiores concelhos da Área Metropolitana de Lisboa chegou a este ponto? Estamos perante um aumento excepcional do consumo, como defende a autarquia? Ou perante anos de falta de investimento, como acusam os partidos da oposição? O secretário-geral do PSD, Hugo Carneiro, responsabilizou a gestão municipal pela situação: “O que está a acontecer em Almada deve-se, sabe-se agora, a uma total falta de investimento nos últimos anos na rede de abastecimento e captação de água naquele concelho.” Neste episódio do P24, tentamos perceber o que está na origem desta crise, que riscos existem para o futuro e o que este caso revela sobre a gestão da água em Portugal. O convidado é Joaquim Poças Martins, professor universitário e especialista em recursos hídricos e sistemas de abastecimento de água. See omnystudio.com/listener for privacy information.

    Almada sem água: “Em 2026 não faz sentido a seca chegar às torneiras”
  4. 9 Jul

    Uber, táxi ou papá?

    É muito provável que os portugueses que têm hoje 24 ou 25 anos se lembrem bem deste anúncio e de certeza absoluta de muitos dos seus pais o recordam como uma espécie de libertação e alívio. O que estava em causa era uma pequena revolução. A UBER, ou a Bolt, estavam a chegar a Portugal prontas a mudar de fio a pavio a mobilidade urbana. No princípio, eram meia dúzia de carros, em Fevereiro deste ano contavam-se já 36.492 veículos conduzidos por 38.928 motoristas. No princípio desencadeou-se uma guerra azeda entre o sector do táxi e os serviços das plataformas, mas ontem a Assembleia da República aprovou uma lei que abre portas à taxicização da Uber ou, se preferirem, à boltização do táxi. A proposta aprovada com os votos do PSD e do Chega vai permitir que os táxis entrem nas plataformas da Uber. Quer dizer o seguinte: um dia alguém pede um Uber ou um Bolt, na plataforma chega a mensagem com a matrícula e o nome do condutor, só que em vez de um automóvel descaracterizado aparece um táxi normal. Nada que não exista em outros países. No Brasil, por exemplo, as aplicações permitem distinguir, entre outras opções, a modalidade conforto e táxi. De resto, no Porto a Bolt já teve um serviço que permitia ao cliente escolher um táxi. A lei aprovada não prevê qualquer distinção. A novidade está a causar preocupação e protesto aos motoristas da Uber e do serviço de táxi. Os primeiros porque vão ter mais concorrência por parte de uma classe que tem privilégios legais em relação a eles – o táxi é considerado serviço público. Os taxistas porque, quando estiverem ao serviço da Uber vão ter de aceitar ser iguais aos motoristas da Uber. Entre muitas outras mudanças aprovadas esta quarta-feira, o uso da língua portuguesa passa a ser obrigatório e a tarifa dinâmica, que faz os preços aumentar em função da procura, deixa de ter qualquer limite, como até agora. Haverá botões de segurança, haverá avaliação de clientes, entre outras alterações. Mas, a grande novidade está aí: a opção entre a Uber ou o papá conta agora com uma nova alternativa: o táxi. Vamos tentar perceber melhor o que está em causa e entender as razões dos incómodos manifestados pelos motoristas das plataformas em relação às mudanças da lei que vigorava desde 2018. Para o efeito convidámos para este episódio Ivo Fernandes, presidente da Associação Portuguesa de Transportadores em Automóveis Descaracterizados, que representa mais de 14 mil empresas do sector. See omnystudio.com/listener for privacy information.

    Uber, táxi ou papá?
  5. 8 Jul

    A NATO começa a ficar mais europeia, mas ainda precisa da América

    Na conferência inaugural da cimeira da NATO em Ancara, na Turquia, o secretário-geral da organização, Mark Rutte apresentou-se aos delegados dos estados membros com o seu proverbial optimismo. “Estamos à beira de uma nova revolução industrial no sector da defesa”, anunciou. A promessa dos europeus de aplicarem 5% do PIB na indústria e logística da guerra, avisou, está a dar resultados. Há novos aviões de transporte da Airbus a serem apresentados, há avanços na indústria de drones, onde a portuguesa Tekever dá cartas, há novas tecnologias da sueca SAAB capazes de substituir os sistemas de vigilância dos velhos aviões Awacs. Tudo boas notícias, portanto? Nem por isso. A cimeira de Ancara continua ensombrada por um espectro. O do abandono dos Estados Unidos do palco europeu, que está em curso. O maior problema desta opção, tem a ver com o tempo que resta para que a velha ordem da NATO e da defesa europeia possam dar origem a uma nova. Como escreveu esta terça-feira o New York Times, a maior ansiedade da Europa é saber se a transição para o que muitos chamam de NATO 3.0 vai acontecer o mais suavemente possível. E mesmo que não haja um ataque da Rússia antes de 2035, quando o colossal investimento europeu na defesa atingirá os tais 5% do PIB, uma NATO sem os americanos continua a ser difícil de conceber. Mesmo que as forças convencionais da Europa aumentem, um sistema eficaz de defesa do continente, dizem os especialistas, precisa da dissuasão nuclear americana. E da ultra sofisticação de muitas das suas armas. Suspensa destes dilemas, a cimeira de Ancara é mais um episódio do drama de um continente que parece uma criança que, de repente, deixou de contar com os braços protectores dos seus pais. Com a América fora, dizia o Financial Times, a Europa vê-se obrigada a pensar no impensável. Nas armas que ainda não tem para responder a um ataque russo ou nas armas que terá de desenvolver a partir de um buraco negro. Vale a pena apostar em tanques? O que se pode aprender com a extraordinária máquina de defesa ucraniana de drones? Em que medida se poderá acreditar que os americanos poderão, ao menos, fazer o que a cavalaria fazia nos filmes de cowboys, como sugere o ministro polaco dos Negócios Estrangeiros, Radoslaw Sikorsky? Nestes tempos de incerteza, as perguntas abundam e as respostas vão proliferando. A Rita Siza, correspondente do PÚBLICO em Bruxelas está em Ancara a cobrir a cimeira da NATO e, por isso, está em condições ideais para nos ajudar a entender o que se passa. See omnystudio.com/listener for privacy information.

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  6. 7 Jul

    A corte de Roberto Martínez está fora do Mundial. Estava escrito nas estrelas

    À partida, poucos portugueses acreditavam que a selecção nacional fosse capaz de resistir à máquina trituradora da Espanha. Mas a selecção contrariou as piores previsões e resistiu. Pelo menos até ao momento em que o jogo exigia respostas vindas do banco. Respostas que implicavam frescura física, força moral e determinação para equilibrar o crescente ascendente da Espanha. Não veio essa resposta e Portugal sucumbiu. Não porque se ficasse com a sensação de que a equipa nacional era claramente inferior aos seus adversários. Sucumbiu principalmente porque lhe faltou um líder capaz de lhe incutir determinação, vigor e coragem para acreditar que a vitória estava, como esteve na primeira parte, ao seu alcance. Faltou-lhe um treinador. Como a generalidade dos especialistas, jornalistas ou treinadores, tinham avisado, a selecção estava viciada numa escolha de onze jogadores que não se explicava pela sua forma, mas pelo seu estatuto. Neste jogo com a Espanha, o aviso fez mais sentido do que nunca. Como se em causa estivesse uma corte de nobres, havia duques e marqueses com lugar garantido à mesa do rei, mesmo que estivessem fora de forma ou mesmo que o seu desgaste fosse mais do que evidente. Ao insistir em Ronaldo todo o jogo ou num Bruno Fernandes claramente abaixo do que vale, Roberto Martínez subverteu por completo a noção do mérito e da justiça relativa que fazem a coesão das equipas. Não, Portugal não jogou mal. Mas não merecia a vitória, como não mereceu mais do que o empate frente à Colômbia ou ao Congo. Da mesma forma, Cristiano Ronaldo, que com 41 anos viveu o seu último mundial, não merecia esta exposição que tornou claro aos olhos do mundo o seu natural declínio físico – como nós, é um ser humano. Jogar todos os jogos até ao fim, com excepção do jogo com a Croácia, foi um castigo que o treinador lhe impôs. Já tinha acontecido no Catar e aconteceu contra a Croácia: Gonçalo Ramos só não jogou este jogo porque Portugal não tinha um treinador. Portugal merecia mais, porque tem jogadores de qualidade mundial – Diogo Costa, merece especial menção neste Mundial. Os que foram à América e outros que só não foram, lá está, porque Martínez escolheu não uma equipa de futebol, mas uma corte de nobres fechada. Felizmente para Portugal, Martínez vai embora. Depois de ter enterrado uma das melhores selecções da Bélgica, enterra uma geração de ouro do futebol nacional. Que tenha sorte na Arábia, onde as sheiks e os próximos da casa de saud têm lugar garantido à mesa do rei. Mas vamos tentar saber o que aconteceu com quem sabe mesmo de bola. Com o Nuno Sousa, um dos editores de Desporto do PÚBLICO. See omnystudio.com/listener for privacy information.

    A corte de Roberto Martínez está fora do Mundial. Estava escrito nas estrelas

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