Linha Direta

Bate-papo com os correspondentes da RFI Brasil pelo mundo para analisar, com uma abordagem mais profunda, os principais assuntos da atualidade.

  1. hace 7 h

    Otan entra em nova fase após a cúpula de Ancara

    O encontro na Turquia terminou com demonstrações de unidade, mas também evidenciou as divergências entre Donald Trump e os aliados europeus. Em meio às guerras na Ucrânia e no Irã, a Europa acelera os planos para fortalecer sua capacidade de defesa, um movimento que pode redefinir o futuro da aliança. Artur Capuani, correspondente da RFI em Bruxelas A cúpula da Otan terminou em clima amigável em Ancara, mas deixou uma pergunta que deve continuar no centro das discussões nos próximos anos: qual será o futuro da aliança? Apesar do tom conciliador adotado pelos líderes, inclusive pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o encontro expôs novamente as diferenças entre Washington e os aliados europeus justamente em um momento de instabilidade, marcado pelos conflitos na Ucrânia e no Irã. Pelo menos no discurso, a reunião foi muito parecida com a realizada no ano passado em Haia. Trump elogiou a união entre os aliados e, em conversas a portas fechadas, garantiu que os Estados Unidos continuarão fazendo parte da Otan. Mas o clima esteve longe de ser livre de tensões. Antes e até durante a cúpula, Trump acumulou críticas aos parceiros europeus e voltou a defender que a Groenlândia deveria estar sob controle dos Estados Unidos. Na declaração conjunta, os líderes fizeram questão de reafirmar o compromisso com o Artigo 5º da Otan, que prevê a defesa coletiva caso um dos países-membros seja atacado. Trata-se hoje do principal fundamento da aliança. Em Bruxelas, sede da Otan, um conceito domina boa parte das discussões estratégicas: deterrence, termo em inglês para dissuasão. A lógica é impedir um ataque antes mesmo que ele aconteça, fazendo com que um potencial adversário pense duas vezes antes de agir. Para isso, a demonstração de força e, principalmente, de unidade é essencial. A Ucrânia também saiu fortalecida da cúpula. O presidente Volodymyr Zelensky se reuniu com Donald Trump, que indicou que deve autorizar a fabricação de mísseis Patriot pela Ucrânia. Os equipamentos são considerados fundamentais para interceptar ataques russos, e a autorização vinha sendo solicitada por Kiev há meses. Fim do cessar-fogo com o Irã Outro tema que dominou as conversas foi a escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã. Durante a própria cúpula, os Estados Unidos voltaram a atacar o país, enquanto Trump anunciava o fim do cessar-fogo. A questão já era motivo de tensão antes mesmo do encontro, já que Trump critica abertamente os europeus por não terem apoiado os Estados Unidos nesse conflito. O posicionamento oficial da Otan veio do secretário-geral da aliança, Mark Rutte, que afirmou que os ataques foram necessários diante da violação do cessar-fogo pelo Irã. Uma Europa mais forte, uma Otan mais fraca? Se a cúpula serviu para demonstrar unidade no curto prazo, ela também reforçou um debate que pode transformar a aliança no futuro. Mark Rutte projeta uma Europa com mais protagonismo dentro da Otan. Mas, se os planos europeus forem levados adiante, o resultado pode ser justamente uma Europa mais forte e uma Otan mais fraca. Trump insiste que os aliados aumentem os investimentos em defesa. O objetivo, no entanto, não é fortalecer militarmente a Europa, mas ampliar a compra de equipamentos norte-americanos. Hoje, 60% das novas armas adquiridas pelos países da União Europeia vêm dos Estados Unidos. A médio e longo prazo, porém, esse cenário pode mudar. A estratégia europeia é fortalecer a própria indústria de defesa, investir em tecnologia militar e reduzir a dependência dos fornecedores norte-americanos. Caso esse movimento se concretize, os laços dentro da Otan podem se tornar menos estreitos. Essa transformação ainda deve levar muitos anos, mas encontra respaldo na opinião pública. Segundo dados citados durante o debate, 73% dos cidadãos europeus acreditam que a Europa "deve seguir seu próprio caminho". O desafio da autonomia europeia Segundo Steven Everts, diretor do Instituto da União Europeia para Estudos em Segurança, a Europa continua dependente dos Estados Unidos em áreas estratégicas como defesa aérea, ataques de longo alcance, satélites, inteligência e sistemas de comando. Além de fortalecer sua indústria, o continente também precisará integrar melhor seus recursos militares em nível europeu, algo que ainda não acontece de forma coordenada. Isso não significa criar um Exército da União Europeia, hipótese que continua distante, mas sim aumentar a capacidade de atuação conjunta dos países do bloco. Everts também faz uma distinção importante entre defesa e armamento nuclear. Para ele, a questão nuclear faz parte da discussão sobre segurança europeia, mas não deve ser o ponto de partida. Deve ser, na verdade, o ponto final de um processo mais amplo de fortalecimento das capacidades militares convencionais.

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  2. hace 1 día

    Copa do Mundo: quartas de final são definidas entre emoção em campo e polêmicas que extrapolam o futebol

    A Copa do Mundo entra na fase das quartas de final após as classificações de Argentina e Suíça. Além dos jogos emocionantes, o torneio também vem sendo marcado por polêmicas que extrapolam o ambiente esportivo. Entre elas, o caso de racismo envolvendo a senadora paraguaia Celeste Amarilla e o atacante francês Kylian Mbappé, episódio que ganhou repercussão internacional. Elcio Ramalho, enviado especial da RFI a Nova York Das oito seleções classificadas para as quartas de final, seis são europeias. A Suíça foi a última a garantir vaga ao eliminar a Colômbia nos pênaltis. Em uma partida equilibrada e com poucas oportunidades de gol, as equipes empataram em 0 a 0 no tempo regulamentar e mantiveram o mesmo placar após a prorrogação. Na disputa por pênaltis, dois colombianos desperdiçaram suas cobranças, contra apenas um erro suíço. A vitória por 4 a 3 colocou a seleção europeia novamente entre as oito melhores do mundo, encerrando um jejum de 72 anos sem chegar às quartas de final. O próximo adversário será a Argentina, que protagonizou uma das partidas mais emocionantes desta edição do Mundial. Diante do Egito, a equipe sul-americana perdia por 2 a 0 até os 34 minutos do segundo tempo, mas conseguiu uma virada histórica em apenas 13 minutos, vencendo por 3 a 2. Um dos gols foi marcado por Lionel Messi, que chegou a oito na competição e assumiu isoladamente a artilharia do torneio, à frente de Kylian Mbappé e Erling Haaland, ambos com sete. Após o apito final, o camisa 10 argentino não conteve a emoção e foi às lágrimas. “Conheço todos eles e sei que é um grupo que nunca baixa os braços”, declarou Messi ao destacar o espírito de luta da equipe. Marrocos tenta repetir feito histórico Única seleção africana ainda viva na competição, o Marrocos terá a oportunidade de se vingar da derrota para a França na semifinal da Copa de 2022, no Catar. Se há quatro anos os marroquinos eram considerados a grande surpresa do torneio, agora chegam mais preparados e experientes. A equipe conta com jogadores consolidados, como o lateral Achraf Hakimi, além de jovens talentos como o meio-campista Ayyoub Bouaddi. Na estreia da Copa, contra o Brasil, o Marrocos demonstrou seu potencial ofensivo e chega confiante para o confronto diante dos franceses. A partida, que será disputada em Boston, abre a rodada das quartas de final nesta quinta-feira (9). Quem avançar enfrentará Espanha ou Bélgica, no primeiro duelo 100% europeu desta fase, marcado para sexta-feira (10), em Los Angeles. No sábado (11), em Miami, a Noruega, que eliminou o Brasil, encara a Inglaterra de Harry Kane, que também segue na disputa pela artilharia da competição. O vencedor enfrentará, na semifinal, Argentina ou Suíça, que fecham a programação das quartas em Kansas City. Pressão política sobre a Fifa gera indignação Fora das quatro linhas, uma das principais controvérsias da Copa envolve o presidente dos Estados Unidos e a Fifa. Após a expulsão do atacante norte-americano Folarin Balogun em uma partida da seleção dos Estados Unidos, Donald Trump teria telefonado ao presidente da Fifa, Gianni Infantino, para pedir a revisão da punição aplicada ao jogador. Pela regra, Balogun deveria cumprir suspensão automática de uma partida. No entanto, a Comissão Disciplinar da Fifa decidiu autorizar a participação do atacante no confronto contra a Bélgica. Embora os norte-americanos tenham sido derrotados por 4 a 1, a decisão gerou forte reação de dirigentes, especialistas e torcedores, que acusam a entidade de ter cedido à pressão política. A repercussão negativa atingiu diretamente a imagem da Fifa e alimentou críticas à gestão de Infantino, cuja permanência no comando da entidade passou a ser questionada por setores do futebol internacional. Ataques racistas a Mbappé provocam reação internacional Outro episódio ganhou dimensões ainda maiores ao envolver acusações de racismo contra a senadora paraguaia Celeste Amarilla. Após a eliminação do Paraguai para a França nas oitavas de final, por 1 a 0, a parlamentar publicou mensagens ofensivas nas redes sociais dirigidas a Kylian Mbappé. O atacante francês teria se recusado a cumprimentar o goleiro paraguaio após a partida, marcada por provocações e hostilidades em campo. Entre as publicações, Amarilla escreveu que Mbappé seria um “camaronês colonizado que finge ser francês, ressentido, novo-rico, prepotente e feio”. Em outra mensagem, afirmou que a seleção paraguaia deveria ter “dado um tapa de mão aberta” no jogador ao término da partida. A senadora também publicou uma mensagem ainda mais agressiva, na qual comparou o atacante a chimpanzés e o insultou de forma racista. As declarações provocaram uma onda de indignação dentro e fora do mundo do futebol. A Federação Francesa classificou as mensagens como “abjetas e inaceitáveis”, manifestou solidariedade a Mbappé e a todos os jogadores atingidos, além de denunciar o caso às autoridades francesas. A Justiça da França abriu uma investigação por injúria pública e por incitação pública ao ódio e à violência. Organizações internacionais, incluindo representantes das Nações Unidas, também condenaram os ataques. Em entrevista concedida nesta terça-feira (7), Celeste Amarilla afirmou ter removido as publicações e alegou ter enviado uma carta a Mbappé. Segundo a senadora, o objetivo era alertar o jogador para que não subestimasse o Paraguai. Mesmo assim, ela se recusou a pedir desculpas. A parlamentar declarou ainda que estuda processar Mbappé por violência de gênero após o atacante ter se referido a ela, em mensagem divulgada nas redes sociais, como uma “mulher desprezível e indigna da função que ocupa”.

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  3. hace 2 días

    Marcada por tensão entre Trump e aliados europeus, cúpula da Otan discute guerras no Irã e na Ucrânia

    Os chefes de Estado e de governo dos países da Otan se reúnem hoje e amanhã em Ancara, na Turquia, para a cúpula anual da aliança militar. Com a presença de Donald Trump confirmada, os aliados discutirão temas como o aumento dos investimentos em defesa, as consequências da guerra com o Irã, a segurança no Estreito de Ormuz e os próximos passos no conflito da Ucrânia. Artur Capuani, correspondente da RFI em Bruxelas Apesar de ser uma reunião entre aliados, a expectativa é de que a cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) seja marcada por disputas diplomáticas. Donald Trump diverge da maioria dos países-membros em praticamente todos os temas do encontro. O presidente americano já era um crítico declarado da Otan antes mesmo de voltar à Casa Branca, mas essa relação ficou ainda mais delicada após a guerra com o Irã. Durante o conflito, países da aliança se recusaram a enviar reforços ou oferecer apoio logístico aos Estados Unidos e a Israel. Os aliados negaram o uso de suas bases aéreas e demonstraram resistência em participar das operações militares para reabrir e patrulhar o Estreito de Ormuz. A expectativa é que Trump volte a pressionar pelo aumento dos investimentos em defesa. Na cúpula do ano passado, os membros da Otan chegaram a um acordo para elevar esse financiamento para 5% do Produto Interno Bruto (PIB), sendo uma parte destinada à defesa tradicional e outra à infraestrutura e capacidades relacionadas. Mas, segundo Matt Whitaker, embaixador dos Estados Unidos na Otan, muitos aliados ainda estão atrasados nesse compromisso. Na visão americana, a relação dentro da aliança não é equilibrada e a presença do contingente militar dos Estados Unidos na Europa também deve entrar nas discussões. Trump tem mencionado repetidamente a possibilidade de deixar a Otan. O governo dos EUA também fala em uma profunda transformação da aliança. O secretário de Defesa americano, Pete Hegseth, mencionou uma "OTAN 3.0", um termo que alimenta questionamentos nas capitais europeias. Em uma tentativa de preparar o terreno para a cúpula e reduzir as tensões, o secretário-geral da aliança, Mark Rutte, visitou a Casa Branca. Na ocasião, afirmou que a Otan está entrando em uma nova fase, centrada em uma maior responsabilidade europeia, mas mantendo o engajamento dos Estados Unidos. Crise inesperada entre Trump e Meloni Outro ponto de atenção nos bastidores da cúpula será o encontro entre Donald Trump e a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni. Até pouco tempo atrás, os dois líderes eram considerados próximos por causa da semelhança ideológica, e Meloni era vista como uma das principais interlocutoras europeias do governo republicano. Mas a relação se deteriorou após a decisão da Itália de negar aos Estados Unidos o uso da base aérea na Sicília como apoio durante a guerra com o Irã. Trump afirmou que Meloni tem baixa popularidade na Itália por ter recusado ajudar os Estados Unidos e chegou a dizer que a primeira-ministra teria implorado por uma foto ao lado dele. Meloni respondeu dizendo que esses ataques eram "constantes e gratuitos" e afirmou que sua proximidade com Trump certamente não ajudou sua imagem política. Uma pesquisa realizada em abril mostrou que 35% dos italianos tinham uma visão favorável da primeira-ministra, enquanto 57% tinham uma visão negativa. O encontro em Ancara será o primeiro entre os dois líderes desde o início da troca pública de críticas. Guerra com o Irã A posição de Trump é conhecida: o presidente americano queria mais apoio dos parceiros durante o conflito. Já a maioria dos países europeus avalia que Washington tentou arrastar a aliança para uma guerra que não era de interesse dos demais membros e que ainda provocou impactos econômicos globais com a alta do preço do petróleo. Por enquanto, o cessar-fogo foi restabelecido e o tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz será gradualmente retomado. O objetivo dos aliados agora busca transformar essa trégua temporária em um acordo permanente, evitando uma nova crise energética, além de debater uma estratégia para garantir a segurança da passagem pelo estreito. Trump, por outro lado, afirmou que pretende chegar a um acordo com o Irã, mas voltou a ameaçar uma ação militar ao dizer que, caso isso não aconteça, os Estados Unidos "teriam que terminar o trabalho". Ucrânia continua como um dos principais desafios A guerra na Ucrânia também estará no centro das discussões da cúpula. Existe um grupo, principalmente formado por países europeus, que pretende manter o apoio financeiro, político e logístico à Ucrânia pelo tempo que for necessário. Trump, no entanto, mantém como prioridade encerrar rapidamente o conflito. O presidente americano deve pressionar por um acordo durante o encontro bilateral que terá com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, em Ancara. Nesta semana, Trump e o presidente russo, Vladimir Putin, também concordaram em conversar por telefone, embora a data da ligação ainda não tenha sido definida. O presidente americano afirmou recentemente que uma solução para a guerra está mais próxima do que muitos imaginam, mas não apresentou detalhes. A expectativa é que a busca por um acordo para o conflito continue sendo um dos principais pontos de tensão entre Washington e os aliados europeus. Como país anfitrião da cúpula, a Turquia pretende usar o evento para reiterar sua importância estratégica. Com o segundo maior exército da Otan, depois do dos Estados Unidos, Ancara ocupa um lugar central na estrutura militar da aliança. Sua posição geográfica, na encruzilhada da Europa, do Oriente Médio e do Mar Negro, a torna um ator indispensável. O presidente Recep Tayyip Erdoğan vem buscando um delicado equilíbrio há vários anos. Seu país fornece apoio militar à Ucrânia, ao mesmo tempo que mantém um diálogo estreito com a Rússia, com quem nunca rompeu relações diplomáticas. Essa capacidade de dialogar com ambos os lados permite que o país mantenha uma influência significativa em importantes questões internacionais. Trump também mantém uma relação de trabalho relativamente tranquila com o presidente turco, o que pode facilitar certas trocas de informações durante a cúpula.

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  4. hace 3 días

    Parlamento alemão inicia debate sobre maior reforma econômica em 20 anos

    O governo alemão começa nesta segunda-feira (6) uma batalha no parlamento pela aprovação de seu ambicioso Programa para Recuperação Econômica e Emprego. O pacote apresentado pelo governo de Friedrich Merz na semana passada propõe 34 mudanças em impostos e leis trabalhistas e é considerado a maior reforma econômica da Alemanha em mais de duas décadas. Em um discurso, no sábado, em Düsseldorf, o chanceler Merz deu o tom do embate que virá no Bundestag: “Pessimistas, resmungões e reclamões: fora!”. Gabriel Brust, correspondente em Düsseldorf Esta é a maior reforma econômica da Alemanha desde a chamada Agenda 2010, do ex-chanceler Gerhard Schröder, implementada entre 2003 e 2005 e que também buscava dar mais dinamismo à economia do país. De certa maneira, as mudanças propostas agora por Merz seguem um roteiro já conhecido nas democracias europeias: primeiro, o governo propõe medidas que flexibilizam, ao menos em parte, o engessado modelo econômico do Estado de bem-estar social. Em seguida, os que esperavam obter maior liberdade econômica, em geral empreendedores, associações patronais e partidos de direita, passam a reclamar que a reforma não foi profunda o suficiente e terá efeitos limitados. Já os grupos que se consideram beneficiários do modelo atual, como sindicatos e partidos de esquerda, veem a reforma como um ataque injustificado aos direitos dos trabalhadores. Diante deste cenário, em geral os dois lados têm razão. No caso da Alemanha, isso é ainda mais evidente, já que a coalizão que elaborou a reforma reúne justamente um partido de direita e outro de esquerda, a CDU e o SPD, que governam juntos o país. Houve uma queda de braço durante meses para se chegar a um resultado. Os 34 pontos da reforma de Merz de fato não parecem ser suficientes para tirar a Alemanha de sua recente decadência econômica e quase não abordam a principal causa dela, que é a desindustrialização do país, causada pela ascensão da China como o novo e grande centro industrial do mundo. Mas muitos sindicatos patronais receberam a reforma com o famoso: “melhor do que nada”. O governo Merz, que chegou ao poder há pouco mais de um ano prometendo reformas já para o fim de 2025, estava praticamente desacreditado, tamanha a lentidão para conseguir chegar a um acordo interno na coalizão. Tudo isso considerado, o governo fez o dever de casa e está propondo medidas que aliviam, por um lado, com uma expressiva redução de € 10 bilhões em impostos para a classe média, mas dificultam, por outro, com regras trabalhistas mais flexíveis, mais impostos sobre rendas altas e uma idade de aposentadoria mais avançada. Atestado médico, uma polêmica desnecessária Um dos pontos da reforma que poderia ser considerado até menor está causando uma forte reação na opinião pública: a obrigatoriedade, por parte dos trabalhadores, de apresentar atestado médico desde o primeiro dia em que não comparecerem ao trabalho por motivo de doença. Além disso, não será mais permitido obter atestado médico por telefone, uma prática que tinha se tornado comum depois da pandemia. Agora, será preciso ir ao médico pessoalmente. A justificativa do governo é desincentivar o alto número de licenças por doença, que estaria tornando a Alemanha menos competitiva. O número de dias não trabalhados por motivo de doença quase dobrou em 20 anos e estaria custando aos empregadores cerca de € 80 bilhões por ano. Mas, dentro da própria coalizão, há o sentimento de que essa medida foi um erro e que só serve para colocar o cidadão comum contra as reformas, já que tem efeito prático imediato sobre a vida das pessoas, ao contrário da maioria das outras 33 medidas, que terão um impacto gradual ao longo dos anos. De resto, as principais críticas ao pacote como um todo vieram dos partidos que não estão na coalizão. O Die Linke, de esquerda, classificou os planos como “antissociais e dissimulados”, enquanto o sindicato IG Metall falou em um “ataque aos direitos dos trabalhadores”. Os Verdes chamaram a reforma de “farsa”, e a AfD, de extrema direita, lamentou o “resultado tímido” das propostas, mesma reação da Federação das Indústrias Alemãs, que considerou o programa pouco ousado. Já o FDP, partido de orientação econômica liberal, disse que a redução de € 10 bilhões em impostos é “uma piada de mau gosto, considerando que o governo arrecada quase € 1 trilhão”. Alívio fiscal bem recebido O alívio fiscal, no entanto, foi saudado por grande parte dos sindicatos e partidos. A estimativa é de que uma família que ganhe cerca de € 60 mil por ano, o que é uma renda relativamente baixa na Alemanha, terá uma redução de imposto de cerca de € 600. Já quem ganha acima de € 280 mil por ano passa a ter uma alíquota de imposto maior, chegando a 47%. Na questão trabalhista, serão ampliadas as possibilidades de contratos temporários de trabalho, o que na prática permite demissões de forma mais livre. Na parte administrativa, a burocracia será reduzida: para procedimentos federais, como alvarás, por exemplo, qualquer solicitação não rejeitada em até quatro meses será automaticamente considerada aprovada. No geral, a direção da reforma é clara: liberar o potencial de crescimento. O bem-estar social não é o foco principal. Daí as boas reações do mercado financeiro. A direção do Deutsche Bank disse que o governo "aprovou um dos seus maiores pacotes de reformas das últimas décadas", e o Berenberg Bank falou em "progressos consideráveis" para o ambiente de negócios.

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  5. hace 6 días

    Estados Unidos comemoram 250 anos de Independência com programação fragmentada por polêmicas

    Neste sábado (4), os Estados Unidos comemoram os 250 anos da independência do país. A data será marcada por uma série de eventos em todo o território americano, com desfiles, shows, cerimônias cívicas e as tradicionais queimas de fogos.  Luciana Rosa, correspondente da RFI em Nova York O aniversário histórico também acontece em meio a um cenário de forte polarização política, com críticas de opositores ao presidente Donald Trump sobre a forma como as celebrações estão sendo conduzidas.  As comemorações oficiais terão dois eventos principais, com perfis bastante diferentes. Em Washington, Donald Trump participa de uma grande celebração no National Mall, que ele próprio tem promovido como um grande ato patriótico.  Já em Los Angeles, uma programação organizada por outro comitê reúne artistas como Queen Latifah, Chris Stapleton, Chaka Khan e a banda Smashing Pumpkins, em um evento com foco na diversidade cultural e na música. A existência de duas celebrações nacionais, organizadas por grupos diferentes e com pouca coordenação entre si, acabou chamando atenção porque reflete a polarização vivida nos Estados Unidos. Planos iniciais previam uma programação unificada, com desfiles, festivais culturais e apresentações em várias partes do país, mas o formato acabou sendo alterado ao longo dos últimos meses. O cenário é bem diferente do imaginado anos atrás, quando o Congresso começou a planejar as comemorações dos 250 anos da Independência. Os planos originais da comissão America250 para o 4 de Julho em Washington davam muito menos protagonismo ao presidente.  A proposta previa um grande desfile pelas ruas da capital com carros alegóricos representando diferentes comunidades, bandas marciais, um festival cultural organizado pelo Smithsonian Institute no National Mall e diversos shows realizados em várias regiões do país para celebrar a diversidade cultural americana.  Queima de fogos de 40 minutos iluminarão a capital americana Como acontece todos os anos, o céu dos Estados Unidos será tomado por espetáculos de fogos de artifício no Dia da Independência.  Em Washington, o tradicional show realizado pelo Serviço Nacional de Parques (National Park Service) terá, neste ano, uma dimensão inédita. O espetáculo deve durar cerca de 40 minutos – mais que o dobro do tempo de uma queima tradicional  – e utilizar mais de 860 mil fogos de artifício.  Segundo o jornal USA Today, a única orientação dada à empresa Pyrotecnico, responsável pelo espetáculo, foi tentar superar o recorde mundial estabelecido nas Filipinas, em 2016, para a maior exibição de fogos de artifício da história. Em Nova York, o tradicional espetáculo de fogos da Macy's completa 50 anos e será realizado com lançamentos a partir da Ponte do Brooklyn, do East River e do Rio Hudson. A cidade disponibilizou 100 mil ingressos por meio de uma loteria pública para quem quiser assistir à apresentação em áreas reservadas. Bola de cristal na Times Square Outra novidade será na Times Square. Pela primeira vez, a famosa bola de cristal não será baixada apenas uma vez, como ocorre no Réveillon, mas oito vezes ao longo de quase 24 horas, representando cada um dos fusos horários dos Estados Unidos e de seus territórios. A primeira descida acontece às 10h deste dia 3 de julho, marcando a meia-noite em Guam e nas Ilhas Marianas do Norte. A última será às 7h do dia 5 de julho, em referência à Samoa Americana. Nova York também receberá um desfile de grandes veleiros históricos e embarcações militares que navegarão pelo porto da cidade, passando pela Estátua da Liberdade, como aconteceu durante a celebração do bicentenário, em 1976.  Na Filadélfia, considerada o berço da independência americana, será enterrada uma cápsula do tempo com contribuições dos 50 estados americanos. Ela permanecerá lacrada por 250 anos e só será aberta em 2276. Além disso, outras dezenas de cidades americanas, como Milwaukee, em Wisconsin, organizaram festas de rua, desfiles e eventos comunitários para celebrar o marco histórico. Polêmicas envolvendo a organização  A organização da celebração ficou marcada por uma série de polêmicas. A principal envolve a politização da festa: a programação da Great American State Fair, em Washington, previa uma série de shows, mas artistas como Martina McBride, The Commodores, Young MC e Bret Michaels desistiram de participar após descobrirem a ligação do evento com a Freedom 250, organização criada por Donald Trump para comandar parte das celebrações. Depois das desistências, Trump cancelou os shows e anunciou que faria o que chamou de "o maior comício da história". Outra iniciativa que gerou repercussão foi a realização de um evento do UFC (Ultimate Fighting Championship) nos jardins da Casa Branca como parte das comemorações dos 250 anos  –  e do aniversário do presidente Donald Trump  – no último dia 14 de junho.  Além disso, houve críticas à reforma de cerca de US$ 14,7 milhões (aproximadamente R$ 81 milhões) promovida por Trump no espelho d'água do Memorial Lincoln, um dos principais cartões-postais de Washington. A obra incluiu a pintura do fundo do lago na cor "azul da bandeira americana", mas poucos dias após a conclusão dos trabalhos, a tinta começou a descascar e o espelho d'água precisou ser esvaziado novamente por causa da proliferação de algas.  O presidente atribuiu os problemas a atos de vandalismo e afirmou que o local foi alvo de sabotagem, embora não tenha apresentado provas que sustentem essa versão.

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  6. 2 jul

    Acordo entre Líbano e Israel cria expectativas, mas implementação ainda é incerta

    Após o acordo firmado entre Líbano e Israel para tentar encerrar anos de tensão na fronteira, ainda há dúvidas sobre como os principais compromissos assumidos pelas partes serão implementados na prática. Questões centrais, como a retirada das tropas israelenses do sul do Líbano e o desarmamento do Hezbollah, continuam cercadas de incertezas.  Henry Galsky, correspondente da RFI em Israel Há um marco histórico importante neste acordo, na medida em que os dois países declaram que reconhecem o direito mútuo de viver em paz e segurança. Israel e Líbano não mantêm relações diplomáticas, mas este pode ser um passo inicial nesse sentido.   O fato é que as negociações mediadas pelos Estados Unidos têm como foco resolver as questões mais urgentes, principalmente a ocupação israelense no sul do Líbano e também a demanda de segurança por parte de Israel, em especial do norte do território.  Israel mantém uma presença militar no Líbano desde 2024, quando passou a ocupar cinco pontos no sul do país. Mas, após o início da guerra contra o Irã e os ataques do Hezbollah, ampliou sua presença militar no sul do Líbano. A ofensiva destruiu boa parte dos vilarejos, provocou o deslocamento interno de mais de um milhão de libaneses e resultou na criação de uma faixa de segurança que avança entre cinco e dez quilômetros pelo território. Sobre esse ponto, há duas narrativas distintas. Segundo o Hezbollah, os ataques com foguetes e drones iniciados em março deste ano são uma resposta às violações israelenses do acordo de cessar-fogo firmado em 2024. Já Israel afirma que o Hezbollah intensificou os ataques em apoio ao Irã. Na avaliação israelense, a ofensiva está ligada à guerra iniciada no fim de fevereiro por Israel e Estados Unidos, que, em um primeiro momento, tinha como objetivo provocar a queda do regime iraniano. Como o Hezbollah é um “proxy” do Irã, um grupo aliado a Teerã, a ação do Hezbollah é considerada um ato de vingança pelos ataques contra o regime de Teerã. Inclusive, internamente no Líbano, há o debate sobre até que ponto o Hezbollah tem interesse real na defesa da soberania libanesa ou se age para favorecer seu “patrão” iraniano. Dúvidas sobre a retirada israelense Israel afirma que irá permanecer no Líbano até que o Hezbollah seja desarmado. Trata-se de um processo complexo, que requer muito mais do que boa vontade entre as partes. O Hezbollah não aceita abrir mão de suas armas. Ao mesmo tempo, o Irã afirma que o Memorando de Entendimento assinado com os Estados Unidos determina o fim das hostilidades em todas as frentes, inclusive no Líbano. Para Israel, porém, o Hezbollah continua representando uma ameaça permanente às comunidades do norte do país, o que justifica a manutenção de tropas israelenses em território libanês. O acordo assinado entre Líbano e Israel prevê o estabelecimento de zonas-piloto em vilarejos atualmente ocupados pelas tropas israelenses. Dessas áreas, os soldados deverão se retirar para dar lugar ao Exército regular libanês, que passará a ter a missão de conter e desarmar o Hezbollah. Como o acordo deverá funcionar Segundo a TV pública israelense, haverá um fórum conjunto entre militares israelenses e libaneses para estabelecer os passos de forma a que este plano saia do papel.  Os Estados Unidos deverão aprovar os nomes dos envolvidos, em especial do lado libanês, porque temem que as informações sejam encaminhadas ao Hezbollah.  Em Israel, há a expectativa de que este mecanismo permita uma coordenação em maior nível com os libaneses.  No entanto, ainda de acordo com a TV pública israelense, a avaliação de fontes do exército é que o processo de retirada das tropas vai levar mais tempo do que se imaginava inicialmente porque as autoridades do país ainda aguardam esclarecimentos de Washington sobre como os norte-americanos vão se envolver neste mecanismo.  A visão israelense sobre as negociações entre Irã e Estados Unidos Segundo informações obtidas pela RFI, o temor das autoridades israelenses é de que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, seja arrastado pelos iranianos para negociações intermináveis e improdutivas. Uma das técnicas seria a burocratização do processo, com debates, avanços e recuos sobre os termos do Memorando de Entendimento assinado entre EUA e Irã em 17 de junho.  Os serviços de inteligência de Israel não acreditam que o Irã esteja realmente interessado em chegar a um acordo final com os EUA. Ou seja, um acordo ao final do prazo de 60 dias de negociações inicialmente estabelecido pelo Memorando de Entendimento.  Na visão israelense, o objetivo do regime iraniano seria o de liberar os ativos financeiros congelados pelas sanções norte-americanas – ou parte desses ativos –, impedir a continuidade da guerra aberta com os EUA e Israel, cujo cessar-fogo foi declarado em 7 de abril, garantir a consolidação do Estreito de Ormuz como ativo do Irã e salvar o Hezbollah, no Líbano.

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  7. 1 jul

    Irlanda assume presidência da UE e tenta avançar em orçamento e relações com EUA

    A Irlanda assume nesta quarta-feira, 1º de julho, a presidência rotativa do Conselho da União Europeia por seis meses. As prioridades do programa anunciado pelo Taoiseach (primeiro-ministro), Micheál Martin, no Castelo de Dublin, estão centradas em três pilares: competitividade, valores e segurança. Entre os principais desafios estão a negociação do próximo orçamento do bloco até o fim do ano e a tentativa de estabilizar as relações com os Estados Unidos. Letícia Fonseca-Sourander, correspondente da RFI em Lisboa Sob o mote “a força está na união”, a Irlanda assume o comando do bloco europeu em um momento crítico, marcado por desafios geopolíticos e econômicos intensos. Já neste primeiro dia da presidência irlandesa, Bruxelas dobra a tarifa de importação do aço para 50%, para proteger a indústria siderúrgica europeia. Na terça-feira (30), na Cúpula do Mercosul realizada no Paraguai, o anfitrião da reunião criticou as “assimetrias” do acordo de livre comércio com a União Europeia. A distribuição de cotas de exportação com preferências tarifárias no bloco regional para os produtos destinados à UE é um peso sobre os ombros do Mercosul, que precisa decidir como repartir esse volume entre seus países integrantes. Nesse cenário de tensões comerciais e negociações delicadas com parceiros estratégicos, a Irlanda está comprometida a “entregar” uma presidência bem-sucedida, e a previsão de gastos é bastante elevada, em torno de €300 milhões. Quase metade desse orçamento deve ser destinada a protocolos de segurança, já que o país é neutro e precisa reforçar sua capacidade para receber uma série de visitas de alto nível. Em novembro, por exemplo, líderes de 47 países devem participar de uma reunião da Comunidade Política Europeia em território irlandês. Desafios As negociações sobre o próximo Quadro Financeiro Plurianual, ou seja, o orçamento do bloco para o período de 2028 a 2034, são um dos grandes desafios desta que é a oitava vez em que a Irlanda assume a presidência rotativa da UE. Dublin terá que intermediar negociações ferozes que opõem os países que menos gastam aos maiores contribuintes comunitários. Os irlandeses deverão preparar uma “caixa de negociação” a ser discutida pelos líderes do bloco em outubro, com o objetivo de alcançar um acordo global até dezembro. A proposta orçamentária da Comissão Europeia, estimada em quase €2 trilhões, orienta os principais investimentos do bloco – da agricultura à defesa – para os próximos sete anos. Outro dossiê sensível será o possível alargamento da União Europeia. Montenegro é o país com mais chances de aderir ao seleto grupo de Bruxelas, enquanto Albânia, Moldávia e Ucrânia também devem registrar progressos nas negociações. No que se refere à guerra na Ucrânia, a Irlanda deve manter o apoio à Kiev e pode anunciar o 21º pacote de sanções contra a Rússia. Mediação Dublin deve tentar usar a tradicional ligação com os EUA para restabelecer as relações entre Washington e Bruxelas, estremecidas pela administração Trump. “Existe uma boa vontade em relação à Irlanda nos Estados Unidos; por isso, talvez possamos maximizar os nossos canais com a Casa Branca”, afirmou a embaixadora da Irlanda junto à UE, Aingeal O’Donoghue. Os irlandeses querem mais estabilidade na relação transatlântica, “mais progressos” nas trocas comerciais e soluções para questões relacionadas à indústria farmacêutica. Gigantes do setor, como Pfizer, Eli Lilly, AstraZeneca, Novartis e Sanofi, operam em solo irlandês e geram milhares de empregos. Nas últimas décadas, o país se consolidou como um dos maiores hubs farmacêuticos e de biotecnologia do mundo. Recentemente, o presidente dos EUA, Donald Trump, criticou a Irlanda por atrair empresas norte-americanas com baixos impostos e “roubar” receitas fiscais que, segundo ele, deveriam ter sido pagas ao Tesouro dos EUA. Aliás, a partir desta quarta-feira, dia 1º, Bruxelas vai eliminar tarifas sobre produtos americanos, em virtude do acordo firmado no ano passado com Washington. O acordo estabelece tarifas de, no máximo, 15% sobre a maioria das exportações da União Europeia para os EUA e taxas zero para produtos industrializados americanos que entrarem no bloco europeu. Maior polo de inovação da UE Tecnologia é uma área vital para a Irlanda, e o país ficou conhecido como o “Vale do Silício da Europa” por abrigar a sede europeia de gigantes do setor, atraídos por incentivos fiscais, como Google, Meta, Apple, Microsoft e OpenAI, entre outros. No segundo semestre deste ano, quando os irlandeses estiverem no comando do bloco, um impasse deve ganhar força: as regras de tecnologia e inteligência artificial (IA) da União Europeia estarão sendo renegociadas. E, segundo o jornal britânico The Guardian, a Irlanda, por seu peso no setor e pelos interesses econômicos envolvidos, pode adotar uma postura mais cautelosa nessas discussões, evitando avançar em propostas que ampliem a soberania tecnológica e digital do bloco.

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  8. 30 jun

    Mercosul lança negociações com Japão e amplia rede de acordos comerciais

    Sob pressão do tarifaço e de medidas unilaterais da administração de Donald Trump, o Mercosul vive uma fase mais ativa e aposta na ampliação de parcerias comerciais. O bloco deve lançar oficialmente, nesta terça-feira (30), a abertura de negociações para um acordo de livre comércio com o Japão, além de anunciar avanços em entendimentos com diferentes regiões do mundo. A 68ª Cúpula do Mercosul, realizada em Assunção, no Paraguai, reúne sete chefes de Estado da região, de direita e de esquerda. Vivian Oswald, correspondente da RFI em Brasília O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, que desembarca na capital paraguaia pela manhã, quer mostrar a força da integração regional, uma de suas prioridades, que vem avançando a partir de acordos comerciais, a despeito da ampliação das lideranças de direita na região. A ideia é surfar a boa onda do bloco, impulsionada, em boa medida, pela pressão de Washington com seus tarifaços e pela imposição da lei do mais forte. O governo brasileiro tem pressa. Quer fechar o maior número possível de acordos ainda nesta gestão Lula 3.0. Estarão na cúpula Santiago Peña, do Paraguai, o anfitrião; Javier Milei (Argentina), Yamandú Orsi (Uruguai), Rodrigo Paz (Bolívia), José Antonio Kast (Chile) e Daniel Noboa (Equador). Também estarão presentes os chanceleres de Colômbia, Chile e Panamá, Estados associados ao Mercosul. Além disso, participam convidados especiais, como representantes dos Emirados Árabes, de Trinidad e Tobago, da Alemanha e do Uzbequistão Aproximação com asiáticos e latino-americanos O bloco vai lançar formalmente as negociações com o Japão. Os entendimentos com o país estavam travados há décadas. A expectativa é de que a primeira rodada de negociações aconteça dentro de dois a três meses. Também deve ser anunciada a primeira rodada de negociações para um acordo de livre comércio com o Vietnã, em agosto deste ano. A cúpula deverá marcar ainda o lançamento das negociações para um acordo de livre comércio entre o Mercosul e o Panamá, além de avanços em entendimentos com República Dominicana, Guiana, Suriname e Trinidad e Tobago. O bloco trabalha para a implementação do acordo modernizado com o Chile e para a atualização de instrumentos comerciais com Colômbia e Peru. O acordo com o Canadá, que está mais avançado e tinha previsão de conclusão nesta cúpula, ainda precisa ser finalizado. A parte normativa já estaria cerca de 80% concluída. Falta ainda avançar na área de acesso a mercados, o que requer mais tempo. Ainda assim, há expectativa de que esse entendimento, assim como o que está sendo concluído com os Emirados Árabes Unidos, seja anunciado ainda este ano. O ingresso da Venezuela no Mercosul, que chegou a ser mencionado pelo vice-presidente do Brasil, Geraldo Alckmin, e tinha a simpatia da presidência pro tempore do Paraguai, ficou fora da agenda. A avaliação é de que, neste momento, não seria de bom tom, sobretudo diante da tragédia provocada pelo duplo terremoto que matou milhares de pessoas no país. De todo modo, a Venezuela hoje não reúne condições de se adequar às cláusulas do Mercosul. Medidas para facilitar circulação e integração Entre os avanços mais pontuais previstos para a cúpula está a assinatura do acordo que permitirá o reconhecimento da nova Carteira de Identidade Nacional (CIN) como documento válido para ingresso nos países do Mercosul e Estados Associados. Também será firmado um protocolo de reconhecimento mútuo de meios de identificação e autenticação eletrônica, aproximando sistemas digitais como o GOV.BR dos mecanismos adotados pelos demais países do bloco. Há ainda outras frentes em discussão, entre elas o combate ao crime organizado. A ideia é mostrar que o bloco continua ativo, trabalhando e atraindo atenção dentro e fora da região. Desde 1º de maio, está em vigor o acordo Mercosul-União Europeia, o maior já firmado pelo bloco dos países do Cone Sul, após um quarto de século de negociações. Em entrevista, a secretária de América Latina e Caribe do Ministério das Relações Exteriores, embaixadora Gisela Padovan, destacou a relevância estratégica do Mercosul para a América do Sul e para a economia mundial. Segundo ela, o bloco, que reúne 73% do território sul-americano, cerca de 65% da população da região e aproximadamente 70% do Produto Interno Bruto (PIB), completou 35 anos. Desde a sua criação, o comércio intra-regional cresceu 11 vezes, chegando a US$ 51 bilhões no ano passado. O pico ocorreu em 2011, quando atingiu US$ 53 bilhões.

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Bate-papo com os correspondentes da RFI Brasil pelo mundo para analisar, com uma abordagem mais profunda, os principais assuntos da atualidade.

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