Novos Cientistas - USP

Jornal da USP

Espaço destinado aos novos mestres e doutores da USP para falar sobre suas pesquisas e inovações, num bate-papo informal e descontraído.

  1. 3d ago

    Pesquisa de biomédica angolana desenvolve biomarcadores que podem identificar a malária precocemente

    Na edição desta quinta-feira (16) de Os Novos Cientistas recebemos a biomédica e pesquisadora angolana Teresa Luzembo, que defendeu recentemente seu estudo de mestrado na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP. A pesquisa intitulada Perfil de nanopartículas séricas na malária e sua associação com grupos sanguíneos ABO e variabilidade clínica contou com a orientação do professor Fausto Bruno dos Reis Almeida. “Os resultados nos mostram que o estudo abre caminhos para o desenvolvimento de biomarcadores capazes de identificar precocemente pacientes com maior risco de complicações pela malária. Será uma ferramenta de alto valor para o sistema de saúde angolano”, afirmou a pesquisadora durante a entrevista. Em Angola, com contou a pesquisadora, a doença tem impacto direto na realidade. Em seu estudo, Teresa investigou se determinadas partículas presentes no sangue, as chamadas nanopartículas séricas, estão relacionadas à gravidade da malária e se essa relação varia de acordo com o grupo sanguíneo A, B ou O, o sexo e a condição gestacional. A equipe analisou amostras de soro sanguíneo de pacientes com malária e de pessoas saudáveis, medindo a quantidade, o tamanho e as características físico-químicas de nanopartículas presentes no sangue, estruturas minúsculas que funcionam como mensageiras biológicas. Os resultados mostraram que o perfil dessas nanopartículas varia entre os grupos analisados e pode ter correlação com o tipo sanguíneo ABO, reforçando evidências de que esse fator oferece certa proteção contra as formas mais severas da doença. Disponível também na plataforma Spotify

  2. Jul 2

    Farinha desengordurada de larvas de espécie de besouro compõe formulação saudável em salsichas

    Resultados de uma pesquisa realizada na Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos (FZEA) da USP, em Pirassununga, mostraram que a substituição parcial, em 10%, da carne bovina por farinha desengordurada de besouro da espécie Tenébrio Molitor é viável, permitindo o desenvolvimento de salsichas com qualidade igual à convencional. Os estudos foram realizados pelo engenheiro de alimentos António Alberto nos laboratórios da FZEA. Na entrevista desta quinta-feira (2), no podcast Os Novos Cientistas, Alberto descreveu que a farinha desengordurada foi obtida a partir das larvas do inseto. E para chegar ao produto ideal, o engenheiro de alimentos elaborou três tratamentos: um denominado controle, sem adição de farinha, e outros dois com a substituição da carne magra bovina em 10% e 20%, respectivamente. “Avaliamos as salsichas em suas diversas características físico-químicas e aceitação sensorial”, contou o pesquisador. Os resultados demonstraram que a incorporação da farinha também reduziu a umidade e aumentou o teor proteico em um dos tratamentos, mostrando que o processo é tecnologicamente viável. Alberto é angolano e desenvolveu seu estudo de mestrado por meio de uma parceria firmada entre a USP e o Ministério do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação de Angola para a formação em pós-graduação de docentes e pesquisadores do país africano.   Disponível também na plataforma Spotify

  3. Jun 18

    Programa governamental em educação precarizou o ensino no estado de São Paulo

    Em 2019, na gestão do então governador João Dória Júnior, foi lançado o programa Inova Educação. “Foi o instrumento usado pelo governo paulista para introduzir o Novo Ensino Médio na maior rede pública do País. E sem a participação de cientistas ou universidades, trocando disciplinas tradicionais por conteúdos corporativos e empreendedorismo”, explicou o pedagogo Felipe Alencar, entrevistado desta quinta-feira (18) do podcast Os Novos Cientistas. O pesquisador é autor do estudo de mestrado Escola pública entre ditames e resistências: Inova Educação na rede estadual paulista. A pesquisa teve a orientação da professora Carmen Silvia Vidigal “Minha pesquisa denuncia a precarização da juventude trabalhadora e o esvaziamento de matérias como ciências e literatura, para moldar os alunos ao mercado informal”, revelou. O estudo, que durou 27 meses, foi transformado no livro “Escolas que resistem: a educação pública contra o autoritarismo empresarial”, lançado em abril de 2026 pela Editora Lutas Anticapital. Felipe contou que, naquele segundo semestre de 2019, a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo promoveu o evento Movimento Inova, na Escola de Formação e Aperfeiçoamento dos Profissionais da Educação (Efape), com a presença do então governador João Doria e de dezenas de palestrantes do setor privado. “Entre eles, representantes do Instituto Ayrton Senna, da Fundação Lemann, da Fundação Telefônica Vivo, da Fundação Vanzolini e da Microsoft”, lembra Alencar. O programa inseriu as disciplinas Projeto de Vida, Tecnologia e Eletivas no currículo. “Algumas dessas eletivas tinham conteúdo patrocinado pela empresa iFood, amplamente denunciada pelas condições impostas a seus entregadores, que já eram, em grande parte, os próprios alunos da rede estadual”, como relatou Alencar. “O secretário de Educação à época, Rossieli Soares da Silva, dizia que o ensino médio não tinha que preparar o estudante para o vestibular. ‘Ele tem que realizar o sonho do aluno, que é entrar no mercado de trabalho’, afirmava”, completou o pesquisador. Disponível também na plataforma Spotify

  4. Jun 4

    Hip-Hop se mostra eficiente na implantação de uma educação emancipadora

    Na edição desta quinta-feira (4) de Os Novos Cientistas, o bate-papo foi com a educadora Cristiane Correia Dias, também conhecida como Bgirl Cris. Ela é autora da tese de doutorado Pedagogias Hip-hop e a pluriversalidade das vozes periféricas: caminhos e sonhos sob a perspectiva interseccional para uma educação emancipadora, defendida na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP sob a orientação da professora Mônica Guimarães Teixeira do Amaral, da Faculdade de Educação. Como contou a pesquisadora ao jornalista Antonio Carlos Quinto, entre os principais objetivos da pesquisa, esteve o de elucidar o caráter transdisciplinar do estudo. “Priorizamos a valorização da diversidade étnico-racial”, disse Cristiane. E a ideia também, segundo ela, foi contribuir para a implementação das Leis 10.639/2003 e 11.645/2008, que instituiu a obrigatoriedade das temáticas História e Cultura Afro-Brasileira e Africana e História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena, respectivamente. “Recorri a um mosaico teórico-metodológico, partindo de nossa metodologia central que é a pesquisa em ação por meio da docência compartilhada, entrelaçada às pedagogias Hip-hop”, destacou. Para o estudo, Cristiane selecionou uma escola na região do Capão Redondo, na zona sul de São Paulo. “É justamente um lugar que tem uma potência cultural muito grande”, contou a pesquisadora, lembrando que lá, o rap se faz presente desde as décadas de 1980 e 1990. “Era um local com altos índices de violência. O hip-hop ali já tem um papel educador dentro da comunidade”, contou. A tese de Cristiane acaba de ser lançada em livro. Intitulada Hip-Hop: pedagogia e as vozes periféricas, a obra teve seu lançamento pela Giostri Editora, em cerimônia realizada no último dia 30 de maio, na estação São Bento do Metrô, no centro de São Paulo. Disponível também na plataforma Spotify

  5. May 21

    Na Amazônia, estudo identifica diferenças na oferta de educação entre o campo e a cidade

    Na entrevista desta quinta-feira (21), no podcast Os Novos Cientistas, o geógrafo Felipe Passos falou sobre o estudo de doutorado Educação na Amazônia: estrutura territorial da oferta e esforço espacial das famílias. Neste trabalho defendido na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, o pesquisador contou com a orientação do professor Eduardo Donizeti Girotto. Entre os resultados de seu estudo, Felipe identificou, por exemplo, que há diferenças na oferta de educação entre o campo e a cidade. Para produzir a pesquisa, o geógrafo realizou entrevistas na Ilha do Marajó, no Pará. “Existe o que denominamos ‘hierarquização espacial’ na qualidade do ensino médio naquela região”, contou o pesquisador. Essa hierarquização, segundo ele, é a maneira de tratar espacialmente as desigualdades, como a existência ou não da própria escola. “Essa desigualdade, é produzida a partir de diversos elementos e fatores que compõem a oferta de educação. São fatores que vão desde da própria existência ou não de escola em determinado lugar, a formação dos professores que lecionam nesses espaços, a infraestrutura dessas escolas, se atendem a demanda local e assim por diante”, descreveu o geógrafo. “E quando não existe a escola no campo, muitas famílias são obrigadas a fazer o que eu chamo de esforço espacial. É quando os familiares se esforçam espacialmente para levar esse aluno para uma oferta melhor”, descreveu. Para realizar sua pesquisa, Felipe analisou dados de matrículas para entender as trajetórias de alunos entre campo e cidade. Além disso, foram cerca de 20 entrevistas em campo. “Entrevistei diretores de escola, coordenadores, professores, responsáveis por estudantes e egressos também de diversos programas do ensino médio aqui na Amazônia Paraense”, descreveu, destacando que “essas entrevistas foram realizadas em dois trabalhos de campo: quando eu fui para um município e quando estive numa Vila Ribeirinha.” Felipe lembrou que para chegar ao local foram cerca de 2 horas e meia de barco a partir de Belém, no Pará.   Disponível também na plataforma Spotify

  6. Apr 30

    Pesquisa avalia a transformação de resíduos de manejo na Amazônia em biocarvão

    O estudo de mestrado intitulado Conversão de resíduos madeireiros amazônicos em biochar para aplicação em solos e mitigação de gases de efeito estufa, de autoria da pesquisadora Gabriela Aguiar Amorim, foi o tema do bate-papo desta quinta-feira (30) no podcast Os Novos Cientistas. A pesquisa foi apresentada na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, em Piracicaba e teve a orientação do professor Ananias Francisco Dias Júnior. “Avaliamos a a possibilidade de transformar resíduos de manejo sustentável na Amazônia em biochar, também conhecido como biocarvão, para a mitigação do efeito estufa”, explicou Gabriela. Como descevreu a pesquisadora, o manejo sustentável é um conjunto de práticas de exploração florestal que busca equilibrar o uso econômico da floresta com a conservação ambiental, visando a regeneração natural, a manutenção da biodiversidade e a continuidade dos serviços ecossistêmicos ao longo do tempo. “Os resíduos do manejo florestal podem ser considerados um problema”, destacou Gabriela. Esses resíduos em grande e exacerbados volumes ficam acumulados na floresta e podem aumentar o risco de incêndios, favorecer a emissão de gases de efeito estufa durante a decomposição e talvez até interferir na regeneração natural de algumas áreas. Com isso, ao longo dos anos, o balanço de emissão de gases de efeito estufa pode vir a se tornar positivo. Em seu estudo, Gabriela trabalhou com resíduos de três diferentes espécies amazônicas (tapirira guianensis, protium altissimum e a licania canensis), que apresentam características físico-químicas distintas (como densidade, teor de lignina e composição elementar). “E essas diferenças resultaram em biochars com propriedades também distintas, especialmente em termos de estabilidade e teor de carbono fixo”, descreveu. Segundo a pesquisadora, a principal vantagem está em transformar um resíduo de baixo valor (ou até problemático) em um material estável e rico em carbono, com múltiplas aplicações.”Ou seja, a gente agrega valor ao resíduo enquanto contribui para a mitigação ambiental, especialmente no sequestro de carbono e melhoria da qualidade do solo”, afirmou.   Disponível também na plataforma Spotify

  7. Apr 16

    Pesquisa resulta em livro de fotos sobre áreas centrais da cidade de São Paulo

    Na entrevista desta quinta-feira (16) do podcast Os Novos Cientistas, o jornalista Antonio Carlos Quinto conversou com o pesquisador Rafael Dutra Aguaio. Artista e fotógrafo, ele é o autor do estudo de mestrado Rua da Consolação, que foi apresentado na Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP. A pesquisa de Aguaio resultou num fotolivro, que tem o mesmo título do estudo, e que traz imagens de áreas centrais da cidade de São Paulo, onde o fotógrafo sempre residiu. A orientação do trabalho foi do professor Marco Butti, da ECA. Segundo Aguaio, a ideia do estudo partiu de um projeto pessoal. “A região central da cidade é onde eu nasci e vivo até hoje, e onde também eu comecei a fotografar”, contou. Fotógrafo formado pela ECA, no Departamento de Artes Plásticas, Aguaio também é ligado ao desenho e à pintura. O objetivo do trabalho foi, e ainda é, “fazer um objeto artístico que tem como ponto de partida, poético e imagético, o centro da cidade de São Paulo, que é o cotidiano da minha vida”, descreveu. O estudo de Aguaio resultou num livro impresso de 112 páginas, com 102 fotos produzidas entre 2012 e 2025. A obra também está no formato virtual que pode ser acessado por este link. “Tenho a intenção de publicar, mas preciso encontrar um financiamento, um incentivo. Uma editora que se interesse!”, avisou o pesquisador, antecipando que pretende dar continuidade nesse tipo de produção num estudo de doutorado. Disponível também na plataforma Spotify

  8. Apr 2

    Compostagens comunitárias na região metropolitana da cidade se mostram eficientes, ambiental e economicamente

    Na edição desta quinta-feira (2 de abril) do podcast Os Novos Cientistas, o jornalista Antonio Carlos Quinto recebeu a pesquisadora Marina de Freitas Teles Zaccarelli Noguti. Ela é autora de um estudo de mestrado que analisou a segurança de compostos orgânicos em iniciativas comunitárias de compostagem, na região metropolitana de São Paulo. Para o estudo Compostagem comunitária na grande São Paulo: uma solução para resíduos sólidos urbanos orgânicos, Marina selecionou 15 grupos pela plataforma Sampa + Rural e a rede Composteiras Comunitárias, ambas da Prefeitura de São Paulo. A pesquisa foi apresentada na Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da USP sob a orientação da professora Renata Colombo. “O lixo que a gente gera em casa, como cascas de frutas, pó de café, tudo que é natural, tudo que é orgânico, passando por esse processo de decomposição, é transformado em adubo”, explicou a pesquisadora que analisou os trabalhos dos grupos envolvidos semanalmente. Segundo ela, no processo de compostagem é necessário que se tenha um equipamento chamado composteira. “Foi ai que investigamos se estava tudo sendo feito de maneira correta”, como contou Marina. De acordo com ela, o sistema se mostra vantajoso em vários aspectos, pois gera um adubo de boa qualidade, tanto sólido quanto líquido. “É possível se obter um produto que tem valor comercial e que pode chegar ao mercado custando algo em torno de R$ 20,00 o quilo. É o chamado composto orgânico”, explicou Marina. A pesquisadora contou que, desde 2017, vêm surgindo cada vez mais iniciativas em vários bairros diferentes e a própria rede de articulação desses movimentos, são a base para novas iniciativas. Na sua pesquisa, Marina aplicou um questionário semiestruturado para mapear os procedimentos de compostagem e coletaram-se amostras para análises laboratoriais do composto. De acordo com a pesquisadora, os melhores resultados foram atingidos pelos grupos que atendiam de maneira mais completa as recomendações ambientais, como não inserir resíduos de origem animal e oleosos na composteira, medidas de isolamento e controle de temperatura, entre outras. Os resultados, de acordo com Marina, dão suporte à prática da compostagem comunitária, e recomenda-se pesquisas futuras para que os grupos possam monitorar a segurança e a qualidade do húmus produzido. Disponível também na plataforma Spotify

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