Novos Cientistas - USP

Jornal da USP

Espaço destinado aos novos mestres e doutores da USP para falar sobre suas pesquisas e inovações, num bate-papo informal e descontraído.

  1. 3d ago

    Formulação testada na USP, em São Carlos, será eficiente na cicatrização de feridas em humanos

    Após misturar três componentes, a quitosana, o óxido de zinco e a laponita, o engenheiro físico-quimico angolano, Luís Paciência Lombongo, obteve uma formulação que mostrou resultados satisfatórios nos processos de cicatrização de feridas. Em entrevista concedida aos jornalistas Antonio Carlos Quinto e Roxane Ré, no podcast Os Novos Cientistas, Luís explicou como desenvolveu a formulação e sobre as expectativas para um novo produto. A pesquisa de mestrado intitulada Membranas híbridas de quitosana comercial e quitosana base de Schiff contendo óxido de zinco (ZnO) e laponita: desenvolvimento e caracterização, teve a orientação da professora Carla Cristina Schmitt Cavalheiro, do Instituto de Química de São Carlos (IQSC), da USP. “Os curativos tradicionais ainda oferecem algumas limitações, que têm a ver tanto com a eficácia como com os custos hospitalares. A nossa proposta foi criar um material com melhor desempenho, congregando três elementos com propriedades diferentes”, explicou o cientista. O material tem a quitosana como base, um biopolímero encontrado no exoesqueleto de crustáceos e insetos, à qual foram incorporadas nanocargas de óxido de zinco (ZnO) e laponita, que é um tipo de argila sintética. A combinação deu origem ao nanocompósito que constitui a membrana estudada por Luís. “O material pode ser colocado sobre a ferida, proporcionando a aceleração da cicatrização”, explica. A nova fórmula pode tratar feridas ocasionadas por cortes, e até ferimentos mais crônicos resultantes nas diabetes. Ainda não há prazos para que o produto chegue às farmácias. “Há muito ainda a fazer”, como considerou Luís, que está levando a tecnologia a seu país.   Disponível também na plataforma Spotify

  2. Sep 17

    USP testa em laboratórios tecnologias que propiciam mais amaciamento da carne bovina

    Nesta edição do podcast Os Novos Cientistas, os jornalistas Antonio Carlos Quinto e Roxane Ré entrevistaram a pesquisadora Sarah Mafeis de Jesus. Ela é autora do estudo de mestrado Estratégias naturais e tecnologias emergentes aplicadas à melhoria da qualidade da carne bovina de Nelore (Bos indicus), que foi orientado pelo professora Carmen Josefina Contreras Castilho, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, em Piracicaba. A pesquisa foi apresentada no programa interunidades Sistemas Integrados em Alimentos, que reúne a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, a Esalq de Piracicaba, a Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Capital e a FZEA, Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos, na USP em Pirassununga. Nos testes, Sarah avaliou a aplicação de marinação contendo pós de cogumelos comestíveis e a eficácia da papaína e do ultrassom de alta intensidade, aplicados de forma isolada e combinada, sobre os mecanismos de amaciamento e percepção sensorial da carne bovina de Nelore. “Os resultados demonstraram que tanto o uso de ingredientes naturais quanto a aplicação de tecnologias emergentes são capazes de promover modificações relevantes na matriz muscular, contribuindo para a melhoria da maciez e para a manutenção de propriedades tecnológicas da carne”, descreveu a pesquisadora. Sarah enfatizou que o Brasil tem uma cadeia de produção de carne muito bem estruturada. “Nosso país é um dos maiores produtores e exportadores. Mas, para acessar esses mercados, principalmente o internacional, não basta a gente só produzir em quantidade. Nossa carne precisa atender uma série de requisitos, que são exigências sanitárias, de segurança, etc.”, explicou a pesquisadora, lembrando que há também especificações de cada país comprador. “Precisamos realmente olhar com mais cuidado para a questão da qualidade de nossa carne!”, advertiu Sarah.   Disponível também na plataforma Spotify

  3. Sep 3

    Estratégias desenvolvidas em pesquisa na USP de Pirassununga propiciam manejo agroecológico em tomateiros

    O engenheiro agrônomo angolano Noé Jamba Tito desenvolveu na Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos (FZEA) da USP, em Pirassununga, pesquisa onde investigou estratégias alternativas e ecológicas para tomateiros. Tito foi o entrevistado desta quinta-feira (3) no podcast Os Novos Cientistas. No bate papo com os jornalistas Antonio Carlos Quinto e Roxane Ré, o cientista deu detalhes de seu estudo de mestrado intitulado Estratégias integradas de manejo agroecológico no tomateiro: efeitos fisiológicos de Trichoderma asperellum e preparados homeopáticos sob ocorrência natural de Tuta absoluta que teve a orientação professor Fabrício Rossi, da FZEA. “Quando citamos o Trichoderma Asperellum, estamos falando de um fungo que tem contribuído para o fortalecimento, praticamente, do sistema imunológico de uma determinada planta”, explicou. Já a Tuta Absoluta, como descreveu o engenheiro, é uma praga que é considerada como chave da cultura do tomateiro, por conta da resistência que ela já criou ao controle químico. “Nos experimentos, utilizamos a variedade Sweet Grape, que é caracterizada pelo tomate pequeno. Aqui em Angola chamamos de tomate cachá. No Brasil é conhecido como tomate cereja”, descreveu Tito. Nos testes, Tito garante que não foi utilizado nenhum químico. “Nos baseamos apenas no uso dos bioinsumos, e os resultados foram positivos, principalmente quando fizemos a integração dos bioinsumos com os homeopáticos. Registramos, em alguns tratamentos, que o uso dos homeopáticos de forma isolada, nos possibilitou resultados semelhantes, quando comparado com o Trichoderma de forma isolada. Mas quando foram integrados, então, os resultados foram positivos. Tito destacou ainda que o Brasil é um grande produtor de tomate de cereja. “Angola está ganhando o seu espaço no mundo, quando se fala na diversificação da tomaticultura.” Disponível também na plataforma Spotify

  4. Aug 20

    Jogo de tabuleiro desenvolvido em pesquisa traz princípios de educação financeira a crianças e adolescentes

    Na edição desta quinta-feira (20) do podcast Os Novos Cientistas, a pesquisadora Patricia de Oliveira Garcia descreveu como realizou sua pesquisa de doutorado na Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária (FEA) da USP, que resultou no jogo de tabuleiro Krystalion. O produto foi concebido no estudo intitulado A contribuição da contabilidade à educação financeira de crianças e adolescentes: desenvolvimento e avaliação de um jogo de tabuleiro moderno baseado na lógica contábil de origem e aplicação de recursos, que teve a orientação do professor Edgard Bruno Cornacchione Junior, da FEA USP. Baseado na lógica contábil, o jogo foi testado na pesquisa e poerá ser utilizado como ferramenta de educação financeira a estudantes do ensino básico. “A pesquisa propõe que a contabilidade, por meio de sua lógica de origem e aplicação de recursos, pode oferecer contribuição relevante à formação financeira de crianças e adolescentes”, afirmou a pesquisadora. O estudo de Patrícia desenvolveu-se em três etapas: construção teórica via revisão da literatura; desenvolvimento do jogo de tabuleiro baseado em princípios de design de jogos; e quase-experimento com 85 estudantes de 5º e 6º anos, divididos em grupo tratamento e grupo controle. De acordo com Patrícia, a análise qualitativa demonstrou engajamento excepcional (98,5% de aprovação), com 94,1% dos participantes relatando aprendizados substantivos em categorias como investimento, economia, gestão de recursos e tomada de decisão financeira, evidenciando percepção positiva da experiência educativa. A pesquisa contribui teoricamente ao articular Contabilidade e Educação Financeira através de arcabouço conceitual centrado no fluxo e gestão de recursos, oferecendo abordagem complementar às perspectivas tradicionais da Economia. Disponível também na plataforma Spotify

  5. Jul 23

    Autoconstruções resultam em "puxadinhos" e refletem anseios de transformações do habitar

    O arquiteto e urbanista Pedro Henrique Vale Carvalho, autor da pesquisa de doutorado Puxadinho: desvelando camadas autoconstruídas na provisão pública de moradia, foi o entrevistado desta quinta-feira (23) no podcast Os Novos Cientistas. No estudo apresentado na Faculdade de Arquitetura, Urbanismo e Design (FAU) da USP, Pedro Henrique investigou as transformações realizadas por moradores em conjuntos habitacionais produzidos pelo poder público no Brasil. Como explicou o arquiteto, as camadas agregadas autoconstruídas materializam um fenômeno recorrente nas cidades: os denominados “puxadinhos” ou “puxadas”. Pedro Henrique contou com a orientação da professora Karina Oliveira Leitão, da FAU. Como descreveu o pesquisador os conjuntos habitacionais foram difundidos ao longo do século 20 sob o mito da “solução total” para as carências habitacionais. “Eles acabam adquirindo camadas autoconstruídas singulares na América Latina”, destacou. Especificamente no Brasil, a pesquisa constatou a complexidade e a intensidade dessas transformações, que incidem sobre um atendimento habitacional público frequentemente realizado em condições rebaixadas. “Muitas vezes ele vai acontecer para ampliar dimensões. A gente tem sempre apartamentos com 40 metros quadrados e o ‘puxadinho’ vai ampliar essa unidade. Em alguns casos, ele também vai dar um novo uso para essa casa, podendo ser um espaço comercial ou uma garagem”, explicou o arquiteto. “O estudo mostra que esse puxadinho vai ter funções diferentes a depender do lugar que ele é autoconstruído.” Pedro Henrique iniciou sua tese há cerca de seis anos. “Passei esse período estudando essa associação com os conjuntos habitacionais”, contou o arquiteto. Para sua pesquisa, Pedro Henrique escolheu três conjuntos habitacionais como trabalho de campo: um em Belém do Pará, e outros dois no Rio de Janeiro. O fenômeno explorado na investigação do arquiteto partiu de uma pesquisa panorâmica sistematizada por mais de setecentas imagens mosaicadas, uma curadoria de aproximadamente sessenta conjuntos habitacionais latinos, e um estudo aproximado sobre exemplares brasileiros, produzidos desde a década de 1950 por companhias de habitação, órgão públicos, fundações e institutos.   Disponível também na plataforma Spotify

  6. Jul 16

    Pesquisa de biomédica angolana desenvolve biomarcadores que podem identificar a malária precocemente

    Na edição desta quinta-feira (16) de Os Novos Cientistas recebemos a biomédica e pesquisadora angolana Teresa Luzembo, que defendeu recentemente seu estudo de mestrado na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP. A pesquisa intitulada Perfil de nanopartículas séricas na malária e sua associação com grupos sanguíneos ABO e variabilidade clínica contou com a orientação do professor Fausto Bruno dos Reis Almeida. “Os resultados nos mostram que o estudo abre caminhos para o desenvolvimento de biomarcadores capazes de identificar precocemente pacientes com maior risco de complicações pela malária. Será uma ferramenta de alto valor para o sistema de saúde angolano”, afirmou a pesquisadora durante a entrevista. Em Angola, com contou a pesquisadora, a doença tem impacto direto na realidade. Em seu estudo, Teresa investigou se determinadas partículas presentes no sangue, as chamadas nanopartículas séricas, estão relacionadas à gravidade da malária e se essa relação varia de acordo com o grupo sanguíneo A, B ou O, o sexo e a condição gestacional. A equipe analisou amostras de soro sanguíneo de pacientes com malária e de pessoas saudáveis, medindo a quantidade, o tamanho e as características físico-químicas de nanopartículas presentes no sangue, estruturas minúsculas que funcionam como mensageiras biológicas. Os resultados mostraram que o perfil dessas nanopartículas varia entre os grupos analisados e pode ter correlação com o tipo sanguíneo ABO, reforçando evidências de que esse fator oferece certa proteção contra as formas mais severas da doença. Disponível também na plataforma Spotify

  7. Jul 2

    Farinha desengordurada de larvas de espécie de besouro compõe formulação saudável em salsichas

    Resultados de uma pesquisa realizada na Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos (FZEA) da USP, em Pirassununga, mostraram que a substituição parcial, em 10%, da carne bovina por farinha desengordurada de besouro da espécie Tenébrio Molitor é viável, permitindo o desenvolvimento de salsichas com qualidade igual à convencional. Os estudos foram realizados pelo engenheiro de alimentos António Alberto nos laboratórios da FZEA. Na entrevista desta quinta-feira (2), no podcast Os Novos Cientistas, Alberto descreveu que a farinha desengordurada foi obtida a partir das larvas do inseto. E para chegar ao produto ideal, o engenheiro de alimentos elaborou três tratamentos: um denominado controle, sem adição de farinha, e outros dois com a substituição da carne magra bovina em 10% e 20%, respectivamente. “Avaliamos as salsichas em suas diversas características físico-químicas e aceitação sensorial”, contou o pesquisador. Os resultados demonstraram que a incorporação da farinha também reduziu a umidade e aumentou o teor proteico em um dos tratamentos, mostrando que o processo é tecnologicamente viável. Alberto é angolano e desenvolveu seu estudo de mestrado por meio de uma parceria firmada entre a USP e o Ministério do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação de Angola para a formação em pós-graduação de docentes e pesquisadores do país africano.   Disponível também na plataforma Spotify

  8. Jun 18

    Programa governamental em educação precarizou o ensino no estado de São Paulo

    Em 2019, na gestão do então governador João Dória Júnior, foi lançado o programa Inova Educação. “Foi o instrumento usado pelo governo paulista para introduzir o Novo Ensino Médio na maior rede pública do País. E sem a participação de cientistas ou universidades, trocando disciplinas tradicionais por conteúdos corporativos e empreendedorismo”, explicou o pedagogo Felipe Alencar, entrevistado desta quinta-feira (18) do podcast Os Novos Cientistas. O pesquisador é autor do estudo de mestrado Escola pública entre ditames e resistências: Inova Educação na rede estadual paulista. A pesquisa teve a orientação da professora Carmen Silvia Vidigal “Minha pesquisa denuncia a precarização da juventude trabalhadora e o esvaziamento de matérias como ciências e literatura, para moldar os alunos ao mercado informal”, revelou. O estudo, que durou 27 meses, foi transformado no livro “Escolas que resistem: a educação pública contra o autoritarismo empresarial”, lançado em abril de 2026 pela Editora Lutas Anticapital. Felipe contou que, naquele segundo semestre de 2019, a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo promoveu o evento Movimento Inova, na Escola de Formação e Aperfeiçoamento dos Profissionais da Educação (Efape), com a presença do então governador João Doria e de dezenas de palestrantes do setor privado. “Entre eles, representantes do Instituto Ayrton Senna, da Fundação Lemann, da Fundação Telefônica Vivo, da Fundação Vanzolini e da Microsoft”, lembra Alencar. O programa inseriu as disciplinas Projeto de Vida, Tecnologia e Eletivas no currículo. “Algumas dessas eletivas tinham conteúdo patrocinado pela empresa iFood, amplamente denunciada pelas condições impostas a seus entregadores, que já eram, em grande parte, os próprios alunos da rede estadual”, como relatou Alencar. “O secretário de Educação à época, Rossieli Soares da Silva, dizia que o ensino médio não tinha que preparar o estudante para o vestibular. ‘Ele tem que realizar o sonho do aluno, que é entrar no mercado de trabalho’, afirmava”, completou o pesquisador. Disponível também na plataforma Spotify

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