Novos Cientistas - USP

Jornal da USP

Espaço destinado aos novos mestres e doutores da USP para falar sobre suas pesquisas e inovações, num bate-papo informal e descontraído.

  1. 6H AGO

    Plástico é o "protagonista" nas quantidades de lixo em praias brasileiras

    A entrevista desta quinta-feira (19) em Novos Cientistas mostra como o homem é o principal agente produtor de lixo que é depositado nas praias brasileiras, composto principalmente de macroplásticos e microplásticos. Como definiu a oceanóloga Laura Borges Fagundes, a diferença entre eles é o tamanho. “Microplástico é todo aquele que tem entre 1 milímetro (mm) e 5 mm de tamanho. Menor que isso é nanoplástico e maior que isso já é macroplástico”, descreveu. Laura é autora do estudo de mestrado Diagnóstico do Lixo em Praias Arenosas ao longo da Costa Brasileira, uma análise de larga escala sobre macroresíduos e microplásticos apresentado no Instituto Oceangráfico (IO) da USP, sob a orientação do professor Alexander Turra. Em seu estudo, Laura conseguiu amostrar a situação do lixo em mais de 300 praias de toda a costa brasileira. “Podemos considerar que a poluição por plásticos de diferentes tamanhos já é o maior problema que temos nas nossas praias”, enfatizou, destacando que o microplástico, por ser uma partícula tão pequena, tem sua remoção do ambiente marinho muito mais complicada. Como contou a pesquisadora, o mapeamento de mais de 17 estados costeiros, o que significa quase 8 mil kilômetros de costa, foi possível graças a uma parceria do IO USP com a Sea Shepherd Brasil , uma organização de conservação marinha sem fins lucrativos fundada em 1977 pelo Capitão Paul Watson, ativista ambiental canadense. A entidade foi viabilizada no Brasil, por Watson e cofundadores, como uma organização 100% independente que segue os valores e missão originais da Sea Shepherd. A pesquisa de Laura integra um projeto de conservação aqui no Brasil que atua diretamente em questões do oceano. “Um grande motorhome com pesquisadores, motoristas e cozinheiros saiu lá do Chuí, no Rio Grande do Sul, e percorreu toda a costa fazendo amostragem até o Aiapoque, no Amapá. Então, foi bem extenso, foi mais de 1 ano e meio de pesquisas, com a particiapção de cerca de 50 voluntários, incluindo cientistasque foram sendo trocados ao longo desse processo”, contou a pesquisadora. “Eu no motorhome no finalzinho, peguei a parte do Maranhão, do Pará e do Amapá e peguei esses dados para analisar em meu mestrado”, destacou Laura, lembrando que também fez parte do processo de coletas.   Disponível também na plataforma Spotify

    11 min
  2. FEB 5

    Casca de café pode ser aditivo para filmes à base de amido de mandioca

    Na entrevista desta terça-feira (5) no podcast Os Novos Cientistas, a pesquisadora Lara Solange Bastos de Almeida contou como vem testando a possibilidade de as cascas de café serem utilizadas no desenvolvimento de filmes biodegradáveis à base de amido de mandioca. Como explicou a pesquisadora, “um filme biodegradável é uma película plástica derivada do amido de mandioca que, com o tempo, sofre degradação biológica, e por isso é biodegradável”. Segundo Lara, o produto vem sendo estudado como uma alternativa na substituição de plásticos convencionais. As cascas de café descartadas na indústria de processamento do grão possuem em sua composição fibras, polissacarídeos e compostos bioativos. Lara destacou que o objetivo do estudo foi explorar o reaproveitamento das cascas de café por meio de sua incorporação em filmes biodegradáveis à base de amido de mandioca, aprimorando as propriedades mecânicas, de barreira ao vapor de água e à radiação UV. Os estudos foram realizados no Centro de Energia Nuclear na Agricultura (CENA) da USP, em Piracicaba, sob a orientação da professora Wanessa Melchert Mattos. Como informou Lara, o Brasil é grande produtor e exportador mundial de café. “Toneladas de resíduos são geradas e as cascas de café representam cerca de 50% desse material”, avaliou a pesquisadora. Além disso, esses suprodutos, como lembrou Lara, são descartados de forma inadequada. “A proposta é incorporar em uma matriz que possa substituir o plástico daqui há alguns anos e melhorar os aspectos desse bioplástico”, disse. Disponível também na plataforma Spotify

    9 min
  3. 12/11/2025

    Novo podcast da USP abre espaço para as vozes negras que vivem a ciência

    Nesta edição do podcast Os Novos Cientistas, o jornalista Antonio Carlos Quinto recebeu os estudantes do Instituto de Biociências (IB) da USP Welson Silva e Mwanza Kabengele, alunos do primeiro ano do instituto que falaram sobre o Kilombocast. Trata-se de um podcast quem vem abrindo espaços a estudantes pretos para falarem de suas vivências étnico-raciais na USP e sobre o dia a dia com a ciência. O Kilombocast está no ar desde setembro deste 2025 e já foram veiculados três episódios, todos com estudantes do IB, que cursam desde a graduação até o pós-doutorado. Como descreveram Welson e Mwanza, “a iniciativa vem dar voz às vivências negras que estão na carreira acadêmica.” A produção do podcast está a cargos dos estudantes, Guilherme Carvalho, Isabelle Cristina, Jonatas Jordão, Luan Pereira, Mwanza Kabengele, Octavio Casarini e Welson Silva, todos cursando a disciplina “Introdução ao Ensino da Biologia”. A equipe é supervisionada pelas docentes do IB Alessandra Fernandes Bizerra e Suzana Ursi. Como explicaram Welson e Mwanza, os episódios têm, em média, 30 minutos e podem ser acessados na plaforma Spotify. Até o momento, passaram pelos microfones do podcast Lucas Ferreira do Nascimento, mais conhecido como Taio Science, que cursa o pós-doutorado, a mestranda Maria Luiza Leal de Paula, e Nikolas Welby, aluno da graduação. Todos do Instituto de Biociências. Disponível também na plataforma Spotify

    8 min
  4. 11/18/2025

    Prefeitura brasileiras tiveram seu círculo virtuoso entre final dos anos 1980 e 2000

    Entre os anos de 1986 e 2000, muitas prefeituras do País colocaram a população no seio das tomadas de decisão. “Foram experiências inovadoras e criativas de democracia direta nas cidades brasileiras”, disse o pesquisador Pedro Rossi. Ele é autor do estudo de doutorado intitulado O Ciclo virtuoso das prefeituras democráticas e populares no Brasil, defendido na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP. Na entrevista deste episodio de Os Novos Cientistas, Pedro Rossi destacou que o período foi marcado por um ciclo virtuoso de experiências inovadoras, criativas de democracia direta nas cidades brasileiras. De acordo com o pesquisador, naquele período delimitado no estudo (1986 a 2000) houve um período de inversão de prioridades. “Tivemos um novo modo de governar, que até então estava sendo oprimido e reprimido em função da da ditadura militar”, contou Pedro Rossi. “E isso ocorreu em dezenas de cidades, de norte a sul e de lestae a oeste no País. Sob a orientação da professora Erminia Terezinha Menon Maricato,o pesquisador ananlisou diversas administrações, mas se aprofundou em cinco casos: São Paulo, Belo Horizonte, é, São Paulo, Belo Horizonte Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belém. Munido de diversos materiais relativos à época das prefeituras, como panfletos, relatórios de gestão, documentos, leis e ações de movimentos populares, o pesquisador gerou um grande arcabouço de material que foi sua fonte primária. “Foram muitas as experiências, e as práticas com resultados muito positivos, desde programas de urbanização de favelas, a provisão habitacional com mutirões cogeridos com a prefeitura, muita assessoria técnica de engenheiros, arquitetos, e assessoria jurídica para a população que precisava ter acesso, não só a moradia, mas a cidade como um todo”, ressaltou. Pedro Rossi informou que há um site com metodologias e resultados do estudo podem ser acessados neste endereço. Disponível também na plataforma Spotify

    12 min
  5. 10/30/2025

    No extremo leste de São Paulo, transportes de massa e moradias tornam a vida urbana mais complicada

    O geógrafo Jhonny Bezerra Torres é autor de um estudo que mostra como acontece a exclusão socioespacial de bairros na zona leste de São Paulo. Na entrevista desta quinta-feira (30), no podcast Os Novos Cientistas, o pesquisador descreveu como realizou seu estudo intitulado Assalto à mão letrada: o papel do planejamento urbano na produção e reprodução da periferia no extremo leste da cidade de São Paulo, que contou com a orientação da professora Ana Fani Alessandri Carlos. Jhonny descreve em seu estudo como foi a criação do Expresso Lesta, conhecido como Linha 11 – Coral da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) e a construção de moradias sociais na região pela Companhia de Habitação Popular (Cohab). “A integração entre moradia e transporte distante do centro, longe de solucionar a questão habitacional na cidade, aprofundou a segregação socioespacial ao reforçar a lógica de marginalização da população mais pobre em áreas distantes do centro da cidade e, assim, de equipamentos urbanos”, destacou o geógrafo. Com a criação do Expresso Leste, como contou Johnny, houve a desativação da estação Parada XV de Novembro, que se deu em virtude da construção de um trecho da Avenida Radial Leste, em 2000, para criar uma via expressa entre o extremo leste e o centro da cidade de São Paulo, privilegiando a integração de grandes conjuntos habitacionais. O término das operações naquela estação fez com que a população residente nessa região fosse obrigada a se deslocar de ônibus até as estações José Bonifácio ou Itaquera, aumentando tanto o tempo quanto o custo do trajeto. Disponível também na plataforma Spotify

    15 min
  6. 10/16/2025

    Identidades docentes foram prejudicadas com o ensino remoto durante a pandemia de Covid-19

    Uma pesquisa de mestrado apresentada no Instituto de Física (IF) da USP identificou que houve momentos de crise nas práticas docentes durante a pandemia de Covid-19. O autor do estudo, professor Adilson Gonçalves Júnior, foi o entrevistado desta quinta-feira (16) no podcast Os Novos Cientistas. A pesquisa intitulada As crises profissionais docentes : os impactos do ensino remoto nas configurações identitárias teve a orientação da professora Verónica Marcela Guridi. De acordo com o pesquisador, a adoção do ensino remoto durante a pandemia foi um processo que ele considera “abrupto”. “Em nenhum momento estávamos preparados, tanto a sociedade civil quanto a instituição escolar”, citou Gonçalves Júnior. “Foi necessário aprendermos a ensinar sem estar na escola. E isso foi um choque tanto para professores quanto para alunos”, avaliou o docente, acrescentando que, de repente “as casas viraram salas de aula e o computador e o celular os principais meios de contato.” E nessa vivência, como destacou Gonçalves, os professores precisaram se reinventar, aprender a usar novas plataformas, ferramentas, alguns deles até mesmo a gravar aulas, planejar atividades online. “E tudo isso enquanto lidavam com uma certa inconstância”. Com relação aos alunos, o pesquisador lembrou que nem todos tinham acesso à internet. Identificando que esse processo deixou um rastro ruim, Gonçalves citou que seu estudo mostra caminhos a serem trilhados. “No caso dos professores, o primeiro passo é incentivar a formação continuada e o acolhimento emocional. Percebemos que foi um elo muito fragilizado. A pandemia mostrou o quanto o professor é essencial, mas também o quanto ele é vulnerável”, observou o pesquisador. Disponível também na plataforma Spotify

    14 min
  7. 10/02/2025

    Espécie única de urso da América Latina é estudada na Medicina Veterinária da USP

    No podcast Os Novos Cientistas desta quinta-feira (2), a convidada foi a médica veterinária Alexia Pimenta Bom Conselho. Ela é autora de um estudo de mestrado inédito intitulado Análise e criopreservação de sêmen de urso andino (Tremarctos ornatus) (2025). A pesquisa desenvolvida na Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) da USP é a primeira a descrever o uso da colheita farmacológica de sêmen e criopreservação em urso andino de vida livre. O estudo contou com a orientação da professora Cristiane Schilbach Pizzutto da FMVZ. O urso andino é a única espécie nativa da América do Sul e está classificada como vulnerável pela União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), devido à fragmentação do habitat e da perda de variabilidade genética. De acordo com a pesquisadora, ele ocorre na Bolívia, Venezuela, Colômbia, Peru e Equador. “Estar na lista da UICN significa risco de extinção, se nada for feito”, disse a pesquisadora. Sendo menor que os ursos negro e pardo, ele pode chegar até 1,80 (cm) de altura e possui pelos pretos. “Eles têm algumas manchas de cor amarronzada ao redor dos olhos. Por isso, também são chamados de ‘ursos de óculos’”, contou a pesquisadora, ressaltando que cada animal tem uma mancha diferente, como se fosse uma digital. De acordo com Alexia, foi a primeira vez que foi coletado o sêmen de urso de vida livre. “Já foi coletado em zoológico com a eletrojaculação mas, pela primeira, vez foi utilizando essa técnica, que é a colheita farmacológica. Como informou a pesquisadora, os ursos foram capturados por meio de armadilhas. “Em seguida, o sêmen era coletado e se colocava no animal um rádio colar. Os ursos eram soltos, monitorados e filmados em seus deslocamentos”, contou Alexia. Pela primeira vez, como informou a pesquisadora, conseguiram encontrar um crioprotetor para congelar o sêmen. “Também conseguimos descrever a anatomia do pênis e a qualidade do sêmen”, destacou, lembrando que o seu estudo é um piloto para dar base para outras pesquisas nessa linha de biotecnologia para reprodução.   Disponível também na plataforma Spotify

    10 min

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